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Terça-feira, 15/2/2022
Risca Faca, poemas de Ademir Assunção
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 4800 Acessos



O livro Risca Faca, de Ademir Assunção, publicado pela editora Demônio Negro, transita entre algo semelhante ao efeito elétrico de uma cheirada de cocaína e uma meditação Zen. Poemas que arrepiam nossos pelos, chamuscados pelas “causas do mundo” e poemas que nos levam a mundos transcendentes de tranquilidade interior.

Na série denominada “Livro de Retratos”, temos o contraste acima citado, desde a efervescência da vida em um poema como “Caravaggio” aos poemas “Bashô” e “E. E. Cummings”, que abandonam as tempestades existenciais e sociais para nos mergulhar no silêncio meditativo e no cultivo da beleza. No primeiro caso, a inquietação caravaggesca: “foge e cuida dessa ferida essa//febre que queima o sono dos/ pirados essa febre que faz/ arder a lenha das noites insones”; no segundo caso, no poema para Cummings: “querida/ é tão// simples// a vida/ é tão// nada” e no poema dedicado a Bashô a percepção singela de um grilo esmagado e do salto de um gato, contemplados em profundidade, mesmo sendo “algo tão pequeno// quase/ nem notado”.

O mesmo pode-se dizer da série de poemas em prosa denominado “Fábulas Contemporâneas”. Fábulas da civilização, da justiça, da economia, da guerra, do noticiário, da publicidade, da fé, da putaria, do homem-bomba, do suicida, do futuro etc, que são descrições de situações marcadas pela violência, tragédia, o vazio doloroso, a injustiça, o sistema social e suas histerias com sarcasmo analítico que aponta para a impossibilidade do futuro; contrastando com a “Fábula Zen”, onde é relatada a fala de um discípulo em busca do significado da iluminação Zen e que encontra a resposta do mestre na simples observação de um fato banal do mundo real: “a chuva caindo no telhado”.

Há poemas instigantes, construídos a partir dos elementos que forjam o destempero da humanidade. Atente-se para o longo poema denominado “Miles Davis”, comentado no excelente prefácio de Cláudia Roquette-Pinto, nos seguintes termos: “diga-se de passagem, em um dos mais psicanalíticos, explícitos e desconcertantes poemas sobre o racismo estrutural nas Américas”. São poemas como esse, “certeiros como um cruzado de muhammad ali” que vão surgindo, um atrás do outro, nos golpeando e procurando “dar conta do nosso cotidiano apocalíptico”, como ainda diz Roquette-Pinto no prefácio citado.

Ao contrário da “zona de conforto”, Ademir Assunção propõe uma “Zona de Confronto”, outra das séries do livro em que os poemas descortinam os desvelos do mercado e seus desvalidos sem nome que o Capital fabrica sem dó nem piedade. Hora do poema haraquiri, que “entra com tudo na loja de cristais”, verso este que simboliza a ira contra o entorpecente mundo das desigualdades sociais.

O livro se encerra com a série “Parapsicologia da Decomposição”, onde se conjuga a destruição da linguagem e da vida num mesmo tubo de ensaio: a poesia. Uma das epígrafes usadas para abrir a série é um grupo de versos de João Cabral de Melo Netto, de seu poema “Psicologia da Composição”, que diz o seguinte: “O poema, com seus cavalos,/ quer explodir/ teu tempo claro; romper/ seu branco fio, seu cimento/ mudo e fresco.” Ao indicar o tom dos poemas nos dois primeiros versos de “Parapsicologia da Decomposição” com “Entro no meu poema/ como quem suja as mãos”, Ademir Assunção embaraça as linhas da criação e as linhas frágeis da existência num tormento só: imagens embaçadas, picos de febre, cortes de gilete, balas-perdidas, venenos transgênicos, a morte absurda.

Risca Faca é um livro admirável por sua construção, que busca a síntese nervosa entre os tumultos da existência no seu jogo de pulsões e vazio, no seu niilismo e transcendência espiritual.

Como é possível caber esses dois elementos dentro de um único ser humano? É a pergunta que fica no fim da leitura. Mas sabemos a resposta: o que não cabe em um ser humano comum, em um poeta cabe, pois TUDO cabe num poeta.

Enfim, para usar os termos de Maurice Blanchot, Risca Faca é "um livro com uma real força de verdade que pouco a pouco se impõe a nós a grande presença do poeta, a gravidade de seu destino, seu mundo, o pressentimento da reversão do tempo que também nós pressentimos".

um poema duro
como diamante

breve
como flor da noite

explosivo

como dinamite

fatal
como haraquiri

certeiro
como um cruzado

de muhamad ali


Jardel Dias Cavalcanti
Londrina, 15/2/2022


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