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Sexta-feira, 26/6/2009
Boas interfaces. Bons leitores?
Ana Elisa Ribeiro
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A capa de cor laranja com um dos desenhos mais famosos do mundo chamava a atenção do leitor à distância. Displicentemente em cima de uma mesa cheia de outros livros, a obra de Ben Schneiderman parecia apenas mais uma. Culpa do projeto gráfico (de Ana Sofia Mariz) e do selo da editora, que deram ao livro sobre Engenharia de Software e Usabilidade um aspecto muito diferente do que os livros dessas áreas costumam ter. O laptop de Leonardo (Nova Fronteira, 2006, 288 págs.) também tem título de romance juvenil e só se percebe realmente do que se trata quando se chega mais perto. O nome do autor, por fim, convence o leitor de que se trata mesmo de um livro sobre usabilidade ou, ao menos, que advoga pela usabilidade. Não fossem a palavra laptop e os códigos binários espalhados pela capa, o livro não surtiria grande curiosidade.

O Leonardo a que o título se refere é Leonardo da Vinci, inventor e artista italiano do Renascimento, que ficou conhecido pela engenhosidade, por descobertas geniais e pelos dons artísticos. Só para citar um dos produtos de sua genialidade, o quadro da Mona Lisa é, talvez, sua obra mais conhecida. O desenho da capa do livro é o famoso estudo das proporções áureas do corpo humano, em que um homem de braços abertos é visto dentro de um círculo.

O laptop de Leonardo, título traduzido do original inglês, trata de usabilidade de forma acessível, em um equilíbrio importante entre conceitos da Computação e exemplificações simplificadoras. Embora o título pese a favor do livro, o subtítulo em português repele quem não gosta de autoajuda: "Como o novo Renascimento já está mudando a sua vida", escolha certamente de responsabilidade da editora/tradutora. O título original é bem menos apelativo, podendo ser traduzido, muito ao pé da letra e sem tanta graça, como As necessidades humanas e as novas tecnologias da computação. Outro exercício que traduz bem as ideias insistentemente defendidas por Schneiderman: As tecnologias da Nova Computação a serviço do usuário.

O laptop de Leonardo desenvolve, em 11 capítulos, a ideia de que a Computação deveria ajudar o homem a viver melhor, respondendo às suas necessidades com projetos inteligentes e facilitadores. A preocupação com velocidades e potências, foco do que Schneiderman chama de "a Velha Computação", não teria outra finalidade que não a tecnologia pela tecnologia, em um vazio infinito que não olha a humanidade e dá atenção exagerada à máquina. Em lugar de centrar o foco no objeto, seria, para o autor, especialmente desejável centrar o foco no ser humano.

A obra conta com um breve prefácio, agradecimentos, notas do autor e uma bibliografia. Ao longo dos capítulos, há imagens, desenhos de Da Vinci, printscreens de sites e quadros em que o autor sugere um método para o planejamento de sistemas e ambientes que respondam a necessidades das pessoas reais.

O texto estrutura-se em capítulos que defendem ideias cujo fundo é um só: a Nova Computação e o design devem ser centrados no usuário. Períodos se repetem, didaticamente, para que o leitor tenha sempre em mente a ideia de que ele [o leitor] é o centro das atenções. Mesmo com tão boa intenção, a obra pode cansar um pouco depois da centésima quinquagésima página (das 288 totais). De qualquer forma, é preciso lembrar que Ben Schneiderman é autor de importantes manuais de usabilidade nos Estados Unidos, prática que deve condicionar bastante sua escrita nesta obra.

A visão geral do livro permite fazer um desenho bastante interessante: Schneiderman aborda a usabilidade e a utilização universal dos sistemas pelos usuários, passa pela defesa do que chama de "interfaces com o usuário", menciona tendências das atividades e dos relacionamentos humanos e aplica os pressupostos a alguns domínios que considera importantes: educação, comércio eletrônico, saúde, governo, sem deixar de lado a criatividade. Para cada uma dessas áreas e aplicações, o autor oferece exemplos e chega a construir cenários de possibilidades, que, às vezes, lembram filmes de ficção científica, o que não é de todo ruim e pode ser, no mínimo, divertido.

Leonardo da Vinci, elevado à categoria de "musa inspiradora", é mencionado sempre que se quer defender a ideia de que engenheiros não podem ser apenas técnicos. Segundo Schneiderman, projetistas e cientistas de computação deveriam ter preocupações com estética e funcionalidade tanto quanto saber calcular. Leonardo é o ícone do artista engenhoso, do engenheiro sensível e do anatomista criativo (tente-se uma combinatória desses adjetivos e o resultado será verdadeiro). Caso estivesse vivo e tivesse um laptop, talvez se dedicasse a projetar sistemas que concorressem para melhorar as condições de vida do usuário.

Cada capítulo de O laptop de Leonardo traz, nas páginas finais, uma seção intitulada "O lado cético", em que o autor levanta aspectos negativos ou traz à tona possíveis críticas aos sistemas que menciona e apresenta. No entanto, o lado cético apenas rebate, com entusiasmo, fracos argumentos ou exemplos contrários às ideias do autor. Schneiderman não consegue fazer mais do que apenas sugerir um ceticismo que, definitivamente, não é o posicionamento dele.

Para citar apenas dois exemplos, Ben Schneiderman apresenta um sistema unificado com informações médicas sobre todos os pacientes do mundo, acessível via computadores em rede, e placas digitais para colocar em portas de gabinetes de professores, salas de aula ou departamentos. As placas poderiam ser programadas para suportarem os velhos dizeres da sinalização urbana: "professor Fulano, PhD", ou "Volto já" ou, ainda, "No meio do caminho tinha uma pedra". Seria possível, segundo o engenheiro, dar recados, pedir silêncio, deixar uma espécie de "siga-me", avisar sobre atrasos via celular etc. O benefício dessas plaquinhas seria, segundo ele, muito maior do que o custo. No entanto, embora trace sistemas e apresente ideias interessantes, elas soam, muitas vezes, como excentricidades que custariam caro e dependeriam de baterias. Nada como um pequeno quadrinho branco, um pincel atômico (ou marcador) e uma boa rede de amigos que não chegam atrasados.

As mais de duzentas páginas de texto claro e divertido apresentadas por Ben Schneiderman só podem ser ofuscadas por certa empolgação exagerada com o design de interfaces centrado no usuário. Afora esse tom festivo e o falso ceticismo das seções que prometiam relativizar aspectos da usabilidade e dos projetos sugeridos pelo autor, O laptop de Leonardo é uma obra importante para iniciar programadores e pesquisadores na seara da interação mediada por computador. Resta saber quem vai cuidar direitinho da formação dos leitores e "usuários".

Para ir além






Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 26/6/2009

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