Balzac S/A | Cezar Bergantini

busca | avançada
35900 visitas/dia
896 mil/mês
Mais Recentes
>>> Biblioteca Central da UnB recebe exposição artística 'Quem sou Eu, Quem somos nós'
>>> Feambra traz convidados para discutirem o tema "Museus e Sociedade"
>>> A Cultura do Subúrbio é tema do segundo debate #Colabora com Ideias
>>> Núcleo Viver estreia "Coração Supliciado...", no CRDSP
>>> Jikulumessu é a nova novela angolana que a TV Brasil estreia nesta quinta (25)
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O dia que nada prometia
>>> Super-heróis ou vilões?
>>> Seis meses em 1945
>>> Senhor Amadeu
>>> Correio
>>> A entranha aberta da literatura de Márcia Barbieri
>>> On the Road, 60 anos
>>> Viena expõe obra radical de Egon Schiele
>>> Dilapidare
>>> A imaginação do escritor
Colunistas
Últimos Posts
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
>>> Ajudando um amigo
>>> Ebook gratuito
>>> Poesia para jovens
Últimos Posts
>>> Jano
>>> Diário
>>> Infinitamente infinito
>>> Encantarias da palavra, de Paes Loureiro
>>> Animus mundi
>>> A partilha
>>> Dobraduras e origames
>>> Andamento
>>> Branco (série: Sonetos)
>>> Coroa, só de flores
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A aridez de Beckett
>>> Jornalismo em tempos instáveis
>>> Nine Inch Nails e The Slip
>>> Por um corpo doente, porém, livre
>>> Iraque: plano de guerra
>>> A rocha que voa num labirinto
>>> A entranha aberta da literatura de Márcia Barbieri
>>> A entranha aberta da literatura de Márcia Barbieri
>>> A entranha aberta da literatura de Márcia Barbieri
>>> Ser escritor ou estar escritor?
Mais Recentes
>>> São Máximo, o confessor- Centúrias sobre a Caridade e outros escritos espirituais
>>> Teria Deus morrido?
>>> Operação Cavalo 4 De. Troia Nazaré
>>> Photoshop CS para Fotógrafos Digitais
>>> Viagens no Scriptorium
>>> Este Lado do Paraíso
>>> Amor Líquido - Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos
>>> Quinta Avenida, 5 da Manhã - Audrey Hepburn- Bonequinha de Luxo e o Surgimento da Mulher Moderna
>>> La Consolante
>>> Notre-Dame de Paris
>>> A Arte da Guerra
>>> A Sociologia de Norbert Elias
>>> Bhagavad Gita - Como ele é
>>> Bhagavad Gita - Como ele é
>>> Cântico dos Cânticos
>>> La femme de trente ans
>>> The Notebook
>>> Foe
>>> Os Versos Satânicos
>>> Terra Sonâmbula
>>> Caim
>>> O Evangelho Segundo Jesus Cristo
>>> O Monge e o Executivo - Uma História sobre a Essência da Liderança
>>> O Beijo Infame
>>> Antes da Coisa Toda Começar
>>> Estruturas da Mente - A Teoria das Inteligências Múltiplas
>>> Guia Politicamente Incorreto da América Latina
>>> O Contrato Social
>>> Tess of the D´Urbervilles
>>> O Grande Conflito
>>> Ágape
>>> Dicionário Enciclopédico Ilustrado Veja Larousse - Volume 1
>>> O Cantor De Tango
>>> 1.000 Lugares Para Conhecer Antes De Morrer
>>> Nietzsche para Estressados
>>> Estorvo
>>> Cozinheiros Demais
>>> A Outra Face Da Doença - A Saúde Revelada Por Deus
>>> L'approche par compétences dans l'enseignement des langues
>>> Pensar Por Conta Própria
>>> O Evangelho Da Meninada
>>> Sinal De Contradição
>>> Limites Sem Trauma
>>> Desta Vez Eu Emagreço!
>>> Alucinado Som De Tuba
>>> Cidade Partida
>>> A Dama Do Lago
>>> Meditação Ocidental
>>> O X Da Questão - Trajetória Do Maior Empreendedor Do Brasil
>>> Carne Trêmula
ENSAIOS

Segunda-feira, 5/10/2009
Balzac S/A
Cezar Bergantini

+ de 3800 Acessos

Ao ler Balzac (Planeta, 2009, 296 págs.), de Johannes Willms, ocorreu-me que se vivesse hoje o escritor francês seria rico. Podre de rico. Talvez não um top ten da Forbes. Mas provavelmente estaria entre os 100 maiores. Por um motivo simples: sua inacreditável capacidade de gerar riqueza midiática.

Não só porque produzia e fazia produzir, com disposição napoleônica e em escala industrial, romances, contos, folhetins, crônicas, teatro, crítica, projetos, debates, bate-bocas, casos amorosos, anedotas, notícias, caricaturas, processos judiciais e ― de forma mais industrial ainda ― dívidas.

Mas principalmente porque ele criou e recriou inúmeros produtos, formas e formatos da indústria editorial, jornalística, gráfica e publicitária.

Balzac inventou o romance moderno. São devedores dele: Proust, Joyce, Rosa, Burgess, entre outros. Sua linguagem está viva até hoje. Segundo pesquisa de Franklin Jorge, "lavagem de dinheiro" e "laranja" são gírias balzaquianíssimas. "Tia", para homossexual de meia-idade, também. Ele escrevia para o plebeu, para o aristocrata, para o militar. Também era lido pela burguesia, embora não fosse seu target (Honoré era monarquista e antirrevolucionário). Chegou a ter uma boa agente literária ― Louise de Brugnol ― mas a pobre labutava também como governanta, amante, mãe e enfermeira. Balzac a chamava de "mulher-cão". Se tivesse agentes profissionais, Balzac teria vendido mais do que Paulo Coelho e J.K. Rowling juntos.

Depois, inventou o folhetim ― o cavalo a vapor que bombou as primeiras engrenagens jornalísticas, depois a máquina do rádio e agora a indústria da TV. Ele mesmo não conseguiu adaptar-se à construção narrativa fracionada, nem criar os ganchos que o formato exige. Ironicamente, quem mais lucrou à época foi um inimigo jurado de Balzac, Eugène Sue, um dos primeiros mestres do "gancho". Depois vieram Glória Magadan, Dias Gomes, Aguinaldo Silva...

Empresário gráfico, Balzac criou o bolsilivro. Infelizmente um fracasso de vendas, pois as limitações tipográficas tornavam o formato quase ilegível. Com essa invenção, ele amargou sua primeira falência. Atualmente, teria enchido os bolsos com Brigitte Monfort, FBI, Colt, Sabrina, e similares.

Balzac inventou o político de massas midiático quando nem havia política de massas. Tentou eleger-se na base da popularidade, mas a maioria dos seus fãs não eram eleitores. Antes de 1848, só votava na França quem pagasse a fortuna de 200 francos anuais de impostos. Num regime político de massas, entretanto, Honoré nocautearia Schwarzenegger. Daria um banho em Cicciolina.

Era marqueteiro nato. Viveu de merchandising quando a propaganda ainda engatinhava. Seu alfaiate Buisson recebeu cinco inserções na Comédia Humana. Em troca, crédito ilimitado para o caríssimo fashion balzaquiano. Despesas com festins em restaurantes da moda? Receitas de merchandising. Os fictícios Lucien de Rubempré e Henri de Marsay eram habitués das mesmas casas que seu criador. Só o Rocher de Canale, um dos templos da época, é citado 39 vezes na Comédia.

Balzac inventou também o marketing promocional. Fez de si próprio um personagem famosíssimo, mas não conseguiu administrá-lo. Volta e meia, misturava o homem e o personagem, a realidade e a aparência. E dava com os burros n'água. Um apoio psicológico e uma consultoria de imagem competentes o teriam transformado num produto valiosíssimo. Talvez superior a Dalí, se tivesse Gala. Ou Warhol, se tivesse...

Por fim, Balzac inventou os direitos autorais. Ele escreveu a base da lei francesa de 1854 e também redigiu um código literário que regulamentava o direito dos autores perante editores ― transformado em lei 12 anos após sua morte. Honoré deve ter chacoalhado seus endividados ossos na cova. Quando vivo, nunca viu a cor (só o cheiro, uma vez) de uma comissão. Hoje em dia, direitos autorais giram bilhões de dólares ao redor do mundo.

Proust dizia que a grande arte leva uma geração para ser aceita. Balzac sacou isso muito antes, ao perceber que só ficaria rico quando não precisasse mais. Em abril de 1842 ele escreveu: "É preciso transcorrer meio século até que uma coisa grande seja, enfim, compreendida".

Proust ― que não dependia da sua pena para viver ― escrevia em busca do tempo perdido. Para Balzac, tempo era Money. Ele escrevia em busca da grande tacada. Pena que não viveu para ver as tacadas milionárias que se tornaram suas obras, suas invenções, suas lutas, sua vida. Daria para construir uma holding: Balzac S/A.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na Revista da Cultura, edição de agosto de 2009.

Para ir além






Cezar Bergantini
São Paulo, 5/10/2009

Mais Cezar Bergantini
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A CULTURA DIGITAL - FOLHA EXPLICA
ROGÉRIO DA COSTA
PUBLIFOLHA
(2002)
R$ 8,50



HISTÓRIA DAS CRENÇAS E DAS IDEIAS RELIGIOSAS - PARTE I: DA IDADE DA PEDRA AOS MISTÉRIOS DE ELÊUSIS
MIRCEA ELIADE
ZAHAR
(2010)
R$ 35,00



NEW ENGLISH POINT 3 (COM CD)
ELIANA AUN, MARIA CLARA PRETE DE MORAES, NEUZA BILIA SANSANOVICZ
SARAIVA
(2008)
R$ 12,50



DIREITOS DE CIDADANIA - UM LUGAR AO SOL
PAULO MARTÍNEZ
SCIPIONE
(2002)
R$ 2,90



HOLY BIBLE
VÁRIOS AUTORES
ZONDERVAN
(1985)
R$ 50,00



ORGANIZE-SE EM UM MINUTO
DONNA SMALLIN
GENTE
(2016)
R$ 13,00



ASSASSINATO NA CASA DO PASTOR - MISS MARPLE
AGATHA CHRISTIE
NOVA FRONTEIRA
(1980)
R$ 6,00



REVISTA CASA CLAUDIA Nº 12
VÁRIOS
ABRIL
(1997)
R$ 7,00



UM CONTO DE BATMAN: GOTHIC: MINI SÉRIE EM 5 EDIÇÕES
N/D
ABRIL JOVEM
R$ 35,00



ARQUIVO X - 8 - O RAIO DA MORTE
EASTON ROYCE
CARAS
(1998)
R$ 5,00





busca | avançada
35900 visitas/dia
896 mil/mês