Bate-papo com Eric Maréchal | Digestivo Cultural

busca | avançada
75143 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Lewis Wolpert explica como os organismos multicelulares se formam a partir de um simples óvulo
>>> Festival Aparecida Criativa surge para transformar a produção cultural de Sorocaba
>>> Com 21 apresentações gratuitas, FLOW Literário celebra presença da literatura nas artes
>>> Com 21 apresentações gratuitas, FLOW Literário aborda multi linguagens da literatura
>>> MASP, Osesp e B3 iniciam ciclo de concertos online e gratuitos
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
>>> Mehmari, Salmaso e Milton Nascimento
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
Últimos Posts
>>> Relógio de pulso
>>> Centopéia perambulante
>>> Fio desemcapado
>>> Verbo a(fiado)
>>> Janelário
>>> A vida é
>>> (...!)
>>> Notívagos
>>> Sou rosa do deserto
>>> Os Doidivanas: temporada começa com “O Protesto”
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Solitária cidadã do mundo
>>> Breve biografia
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> A importância da virtude
>>> Deus ex machina
>>> Mulher-Flamingo
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Frederico Trajano sobre a retomada
>>> Marchand da resistência
>>> Evasivas admiráveis, de Theodore Dalrymple
Mais Recentes
>>> Movimentos Culturais de Juventude de Milton F. Duarte e Antonio Carlos Brandão pela Moderna (2008)
>>> O Jogo da Minha Vida - Histórias e Reflexões de um Atleta de Paulo André pela Laya (2012)
>>> Fala, Crioulo. O que É Ser Negro no Brasil de Haroldo Costa, Abdias Nascimento, Joel Rufino dos Santos e outros pela Record (2009)
>>> 9788585363611 de Nicolau Eymerich pela Nicolau Eymerich
>>> Forma de Governo de Paulo Martinez pela Moderna (1993)
>>> Letras Associadas - Volume 3 de Organização Associação das Letras pela Associação das Letras (2015)
>>> Globalização Estado Nacional e Espaço Mundial de Demétrio Magnoli pela Moderna (1998)
>>> Globalização a Olho Nu de Clóvis Brigagão pela Moderna (1999)
>>> Letras Associadas - Volume 1 de Organização Associação das Letras pela Associação das Letras (2015)
>>> Coisa de Preto - o Som e a Cor do Choro e do Samba de Marilia Trindade Barboza pela B4 (2013)
>>> Coisa de Preto - o Som e a Cor do Choro e do Samba de Marilia Trindade Barboza pela B4 (2013)
>>> Memórias do Cárcere - Volume I de Graciliano Ramos pela Record (1985)
>>> Coisa de Preto - o Som e a Cor do Choro e do Samba de Marilia Trindade Barboza pela B4 (2013)
>>> A Herança Colonial da América Latina de Stanley J. Stein pela Paz e Terra (1983)
>>> A Fogueira das Vaidades de Tom Wolfe pela Rocco (1989)
>>> Os Irmãos Inimigos de Janusz Korczak pela Círculo do Livro (1991)
>>> Meditando Com Brian Weiss de Brian L. Weiss pela Sextante (1998)
>>> Desenvolvimento e Crise no Brasil de Luiz C Bresser Pereira pela Brasiliense (1982)
>>> As Mulheres de Terça-feira de Monika Peetz pela Casa da Palavra (2013)
>>> A Genealogia da Moral - Col. o Essencial de Nietzsche (pocket) de Friedrich Wilhelm Nietzsche pela Escala (2013)
>>> Desenvolvimento e Crise no Brasil de Luiz C Bresser Pereira pela Brasiliense (1982)
>>> Correndo sem Medo de Kenneth H. Cooper pela Nordica (1985)
>>> Mauá - Empresário do Império de Jorge Caldeira pela Companhia das Letras (1997)
>>> Tabuada Escolar Antiga de Cadebrás pela Cadebrás (1975)
>>> Grupos de Melhorias de Sergio Augusto Parastchuk pela Uniporto (2003)
BLOG >>> Posts

Terça-feira, 17/6/2008
Bate-papo com Eric Maréchal

+ de 3900 Acessos
+ 4 Comentário(s)

É em meio ao caos urbano que Eric Maréchal imortaliza em fotografias uma forma de arte que é, ao mesmo tempo, pública e ignorada. Nascido no Marrocos em 1954, esse francês foi iniciado na fotografia com 10 anos de idade. No entanto, tendo enveredado pela área da informática, jamais fotografou profissionalmente. Mas foi justamente seu trabalho como gerente de sistemas que possibilitou suas freqüentes viagens pelo mundo, sendo estas oportunidades para retratar em fotografia os grafites de rua presentes em cada cidade que visitou, que incluem Paris, São Paulo, Berlim, Pequim, Istambul, Joanesburgo e outras. Durante anos, acumulou mais de 22 mil fotos de murais, muitas das quais estão presentes em seu site, UrbanHearts.

Eric já realizou exposições na Cidade do México, em Paris e em Tóquio. Em 2005, teve um livro de fotografias, Murografismos, editado pela Universidad Autónoma Metropolitana, no México. Em entrevista por telefone e e-mail, Eric Maréchal expõe suas opiniões acerca da arte urbana.

1. Quando foi que o senhor começou a tirar fotos de murais? Houve alguma motivação especial?
Provavelmente, comecei a retratar murais nos Estados Unidos, mais precisamente em Chicago, onde descobri uma parede de 2 quilômetros de extensão chamada Hubbard Street, conhecida por poucos. Essa parede consistia de painéis de mais ou menos 3x6 metros e tinha sido pintada em decorrência de um projeto da juventude local. As cores e os temas nela presentes eram muito atrativos para mim. Isso deve ter ocorrido por volta de 1985 e toda vez que eu me encontrava em Chicago, conseguia visitar essa parede. Também encontrei arte de rua em São Francisco durante a década de 1980. A partir da segunda metade dos anos de 1990, encontrei alguns murais interessantes em Paris. Mas foi apenas em 2001 que desenvolvi um interesse específico em arte urbana, especialmente depois que descobri São Paulo, Rio de Janeiro e a África do Sul.

2. Como o senhor afirmou anteriormente ("Parce que le mot graffiti est trop souvent associé au vandalisme et à la dégradation des murs de nos villes"), o grafite de rua é freqüentemente associado ao vandalismo e à marginalidade social. Como foi a sua interação com as comunidades próximas aos murais?
Nunca encontrei dificuldades para tirar minhas fotos. Pode haver alguma hostilidade (muito rara) se as pessoas de um subúrbio devastado pensarem que eu estou lá para tirar fotos "exóticas". Há muito preconceito em relação aos artistas: eles (por vezes) expressam marginalidade, mas não são, necessariamente, marginais. A maioria não pratica vandalismo de forma alguma, eles são muito generosos e me recebem como se eu fosse um amigo que aprecia seus trabalhos.

A idéia de vandalismo provém da presença quase universal de marcas em forma de pichação que são quase sempre consideradas como uma forma de degradação da propriedade pública e privada. Esses sinais são uma agressão para o cidadão comum que normalmente não procura entender o simbolismo social, as marcações de territórios e as "guerras" de clãs que estão por trás dessas marcas.

Pessoalmente, mesmo reconhecendo o interesse social desses sinais, não estou interessado em fotografar pinturas que, para mim, não representam criatividade, poesia e arte.

3. O senhor também já afirmou que o propósito de sua fotografia é revelar uma arte ignorada. Algum dos artistas que foram retratados em suas exposições ganhou alguma forma de reconhecimento?
Com certeza, as pessoas que foram a essas exposições descobriram e foram tocadas por artistas como Paulo Ito, Os Gêmeos, Bugre e Eymard do Brasil, ou MissTic, Nemo, Speedy Graphito, Mesnager, FKDL, C215 da França.

4. O senhor tem alguma idéia de por que o grafite é quase sempre ignorado pelos grandes circuitos artísticos?
Isso está mudando. Com o tempo, mais e mais publicações, galerias e museus estão reconhecendo essa notável forma de arte contemporânea.

Estou certo de que veremos isso cada vez mais, mas também acredito que ainda há muita "evangelização" para ser feita. E este é o meu objetivo quando mostro a arte de rua do mundo.

5. Navegando pelo seu site e lendo seu livro, pareceu-me que o grafiteiro Nemo estava entre seus favoritos. Pode me dizer por quê? Quem mais figura entre seus favoritos?
Nemo é uma ótima pessoa e um poeta de nossa cidade [Paris], mas ele não está entre os meus favoritos em termos de criatividade. Gosto do que ele faz, mas seu estilo está um pouco congelado em um único modelo.

Meus favoritos são Paulo Ito pelos nus maravilhosos que ele pinta, Eymard pelo seu estilo Modigliani, Bugre pela sua criatividade, Mauro pelo seu expressionismo, e os Gêmeos pelos detalhes impressionantes de seus trabalhos.

Há outros como C215 em Paris, FKDL, Speedy Graphito... A lista é longa!

6. Quanto à arte convencional, o senhor gosta de algum artista ou movimento específico?
Sim, o Surrealismo é meu movimento favorito (Magritte, Delvaux, Dalí...)

7. Já que o Surrealismo foi mencionado... É possível perceber elementos surrealistas em muitos dos murais presentes em suas fotografias. O que o senhor pensa dessa relação?
Concordo, o passado está sempre influenciando a produção do presente. Esses artistas de rua também possuem um repertório de imagens, tanto da sua própria experiência de vida quanto do trabalho de outros artistas, com o qual dialogam constantemente. Pode-se perceber influências de vários movimentos do passado na arte de rua.

8. Algo que notei nos murais é uma espécie de unidade aliada à diversidade. Todos eles parecem falar uma linguagem comum com algumas peculiaridades de cada local. O senhor acredita que o grafite é uma forma de arte verdadeiramente globalizada?
Com certeza a arte de rua é universal, mas cada país tem estilos e temas próprios. No México, por exemplo, os murais têm forte motivação política, o que não acontece com tanta intensidade no Brasil. Parece-me que surgiu uma espécie de comunidade internacional e informal de grafite, fazendo uso do inglês e de variações de um estilo que surgiu nos EUA. Em Paris, você pode encontrar um artista espanhol fazendo murais de estilo americano.

9. Ainda no tema do mundo, das cidades que visitou, tem uma preferida? Por quê?
São Paulo, é claro, pela variedade da sua criação artística e pelo sua atmosfera. Em termos de arte de rua, gosto de São Francisco, Chicago e Nova York... Mas Joanesburgo e Berlim são incríveis também.

10. O termo flânuer é utilizado para designar uma pessoa que tem uma relação especial com o ambiente urbano. Alguém que, fazendo uso de um elemento qualquer da cidade, encontra nela uma lógica mais profunda, como uma sinédoque. Um bom exemplo de flâneur é o poeta Charles Baudelaire. Seu trabalho parece com um tipo de flânerie, o senhor tem esse tipo de relação com a cidade?
Gostei muito do seu comentário. Baudelaire desempenhou um papel essencial na minha educação. Quando tinha 16 anos, seu livro Les Fleurs du Mal me fascinou, e desde então Baudelaire se manteve como meu poeta favorito. Ele me levou por viagens que jamais esquecerei.

Pensando no meu trabalho fotográfico, desenvolvi uma idéia que me levou a um ponto de encontro entre meus interesses, que são a arte de rua, pôsteres rasgados, macrofotografia de portões enferrujados, de pinturas e paredes degradadas e de manequins de vitrine: todos esses elementos fazem parte da poesia urbana, parte de nossos sonhos e fantasias e eu gosto de acreditar que eles são tão essenciais para o nosso espírito quanto o ar que respiramos.

11. E quanto ao futuro, alguma exposição ou livro planejados?
Já realizei duas exposições em Paris e quero continuar expondo por aqui. Mas o que eu gostaria mesmo de fazer é realizar uma exposição na capital mundial da arte de rua: São Paulo!

Gostaria de mostrar a variedade dos grafites fora do Brasil para os artistas brasileiros, para os connaisseurs de arte e, é claro, para o grande público.

A edição de um novo livro também seria bem excitante. Murografismos é um bom livro, mas tenho milhares de fotos novas que gostaria de incluir em uma outra publicação.

Um projeto para o futuro próximo é a apresentação de 20 fotos de murais em Tóquio, no dia 30 deste mês. Já fiz uma apresentação parecida nessa mesma cidade em 2005 e estou ansioso por esta que está por vir. Também espero encontrar novos murais em Kyoto, Tóquio e Yokohama em agosto.

Para ir além
UrbanHearts


Postado por Leonardo Veras
Em 17/6/2008 às 07h25


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Doc Searls sobre WikiLeaks de Julio Daio Borges
02. Tupiniquin de Débora Costa e Silva


Mais Leonardo Veras no Blog
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/6/2008
19h08min
Gostei muito da entrevista. O cara realmente é fascinante, principalmente pelo fato de ser um forte apoiador da arte de rua, do graffiti, que é algo tão especial e tão discriminado nos dias de hoje. Parabéns ao repórter também; seu comentário sobre o Baudelaire com certeza foi essencial para a naturalidade da entrevista. Abs
[Leia outros Comentários de Murilo de Souza]
18/6/2008
11h19min
Muito boa entrevista! Abraço, Eric!!! E obrigado!
[Leia outros Comentários de Paulo Ito]
18/6/2008
14h20min
Excelente: Tudo. O fato de existir um Eric Marechal por aí, para ampliar nosso olho artístico, além dos limites tradicionais... E, também, de existir um repórter, com a sensibilidade e o ímpeto necessários, para "pintar" todo o tema, com clareza e objetividade. Parabéns. ("Excelente" é o ponto mais alto da minha escala...) [ ]s
[Leia outros Comentários de Pedro Correa]
3/7/2008
21h54min
Muito boa a entrevista do Leandro Veras, que soube captar muito bem o maravilhoso trabalho do Eric Maréchal... Nossa, ele faz coisas ótimas mesmo, adorei!
[Leia outros Comentários de Ana L.Vasconcelos]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O Jardim Japonês
Ana Suzuki
Circulo do Livro
R$ 10,00



Billie Holiday
Lady Sings
Brasiliense
R$ 8,00



Dicionário de Cultura Literária
Franck Lanot; Emmanuel Deschamps; Benedicte Lanot
Difel
(2007)
R$ 15,71



Os Relogios
Agatha Christie
José Olympio
(1979)
R$ 26,91



Literatura Fuvest Unicamp 2013 a 2015
José Luiz Amzalak
Navegar
(2012)
R$ 7,50



O Quatrilho
José Clemente Pozenato
Mercado Aberto
(1996)
R$ 10,00



Textos escolhidos; Contingências do reforço uma análise teórica
Ivan Petrovich Pavlov e Burrhus Frederic Skinner
Abril Cultural
(1980)
R$ 10,00



Ética No Contexto Da Prática De Enfermagem
Genival Fernandes De Freitas
Medbook
(2010)
R$ 163,00



Construtivismo: grandes e pequenas dúvidas
Maria das Graças de Castro Bregunci
Autêntica
(2009)
R$ 20,00



O Forte
Adonias Filho
Civilização Brasileira
(1969)
R$ 8,00





busca | avançada
75143 visitas/dia
2,1 milhões/mês