O bode das drogas | Ilana Mountian | Digestivo Cultural

busca | avançada
31 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Conto HAYEK, de Maurício Limeira, é selecionado em coletânea da Editora Persona
>>> Os Três Mosqueteiros - Um por Todos e Todos por Um
>>> Sesc 24 de Maio recebe o projeto Parlavratório - Conversas sobre escrita na arte
>>> Cia Caravana Tapioca faz 10 anos e comemora com programação gratuita
>>> Eugênio Lima dirige Cia O GRITO em novas intervenções urbanas
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
>>> Errando por Nomadland
>>> É um brinquedo inofensivo...
Colunistas
Últimos Posts
>>> Uma história do Mosaic
>>> Uma história da Chilli Beans
>>> Depeche Mode no Kazagastão
>>> Uma história da Sambatech
>>> Uma história da Petz
>>> A história de Chieko Aoki
>>> Uma história do Fogo de Chão
>>> BDRs, um guia
>>> Iggor Cavalera por André Barcinski
>>> Dave Brubeck Quartet 1964
Últimos Posts
>>> Os inocentes do crepúsculo
>>> Inação
>>> Fuga em concerto
>>> Unindo retalhos
>>> Gente sem direção
>>> Além do ontem
>>> Indistinto
>>> Mais fácil? Talvez
>>> Riacho da cacimba
>>> Mimético
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O Pedaço da Pizza: novidades depois de uma década
>>> Felipe Neto no Roda Viva
>>> Fabio Gomes
>>> O Menino que Morre, ou: Joe, o Bárbaro
>>> Sou da capital, sou sem-educação
>>> Uma vida bem sucedida?
>>> A morte da Capricho
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> Bienal do Livro Bahia
>>> A primeira hq de aventura
Mais Recentes
>>> A interpretação do assassinato de Jed Rubenfeld pela Companhia das Letras (2007)
>>> Os Mistérios da Rosa-cruz de Christopher Mcintosh pela Ibrasa (1987)
>>> Las Glandulas Nuestros Guardianes Invisibles de M. W. Kapp pela Amorc (1958)
>>> Experiências Práticas de Ocultismo para Principiantes de J. H. Brennan pela Ediouro (1986)
>>> As Doutrinas Secretas de Jesus de H. Spencer Lewis pela Amorc (1988)
>>> Amigos Secretos de Anamaria Machado pela Ática (2021)
>>> A Vós Confio de Charles Vega Parucker pela Amorc (1990)
>>> O Segredo das Centúrias de Nostradamus pela Três (1973)
>>> Para Passar em Concursos Jurídicos - Questões Objetivas com Gabarito de Elpídio Donizetti pela Lumem Juris (2009)
>>> Dicionário espanhol + Bônus: vocabulário prático de viagem de Melhoramentos pela Melbooks (2007)
>>> Memorias De Um Sargento De Milicias de Manuel Antônio de Almeida pela Ática (2010)
>>> Turma da Mônica Jovem: Escolha Profissional de Maurício de souza pela Melhoramentos (2012)
>>> Xógum Volume 1 e 2 de James Clavell pela Círculo do Livro
>>> Viva à Sua Própria Maneira de Osho pela Academia
>>> Virtudes - Excelência Em Qualidade na Vida de Paulo Gilberto P. Costa pela Aliança
>>> Vida sem Meu Filho Querido de Vitor Henrique pela Vitor Henrique
>>> Vida Nossa Vida de Francisco Cândido Xavier pela Geem
>>> Vida Depois da Vida de Dr. Raymond e Moody Jr pela Circulo do Livro
>>> Vícios do Produto e do Serviço por Qualidade, Quantidade e Insegurança de Paulo Jorge Scartezzini Guimarães pela Revista dos Tribunais
>>> Viagem na Irrealidade Cotidiana de Umberto Eco pela Nova Fronteira
>>> Uma Só Vez na Vida de Danielle Steel pela Record (1982)
>>> Uma Família Feliz de Durval Ciamponi pela Feesp
>>> Um Roqueiro no Além de Nelson Moraes pela Speedart
>>> Um Relato para a História - Brasil: Nunca Mais de Prefácio de D. Paulo Evaristo pela Vozes
>>> Um Longo Amor de Pearl S Buck pela Circulo do Livro
COLUNAS >>> Especial Politicamente Incorreto

Sexta-feira, 18/5/2001
O bode das drogas
Ilana Mountian

+ de 7100 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Em todas as épocas, sociedades criam e elegem seus bodes expiatórios. Perseguição a "bruxas", judeus, homossexuais. Os exemplos são muitos. Claro que cada sociedade tem seus específicos bodes (pode-se pensar nas várias populações excluídas). Com isso, algumas conseqüências podem ser percebidas, como a segregação, mistificação e conseqüentes maneiras de lidar com estas instâncias. Uma das manifestações deste fenômeno é o medo, e com isso, muitas vezes o ataque. Hoje, na nossa sociedade de uma maneira geral, pode-se citar vários exemplos, mas daremos ênfase neste artigo ao entendimento e ação em relação às drogas.

Este é um tema que diz respeito a vários setores da nossa sociedade, tratando de complexos mecanismos, das esferas: política, valores morais e éticos, cultura e economia. Os EUA declaram guerra contra as drogas ilegais e parece que todos apóiam EUA. Este é um assunto que independente da posição política e ideológica de pessoas e países, todos parecem apoiar homogeneamente. Com este apoio cego à guerra, perde-se de vista o debate sobre aspectos fundamentais relacionados a esta ação.

Primeiro, qual é a justificativa da pressão aos países que cultivam plantas transformadas em substâncias consideradas ilegais? Os fatos não correspondem às justificativas. Os EUA são os maiores consumidores de cocaína do mundo, então perguntamos: por que os EUA não resolvem seus problemas internos ao invés de declarar guerra contra drogas em paises da América Latina? E caímos no senso comum da resposta: é pela saúde. O que é saúde? Saúde de quem? O que são drogas afinal?

Por um lado, a noção de saúde atual merece uma discussão mais aprofundada. É possível encontrar pessoas que vivem sob a constante sombra do medo de doenças e junto com a perda de confiança do conhecimento do seu próprio corpo, nos faz repensar sobre qualidade de vida (como vivem o presente e como projetam o futuro) e noção de sentido (do que procuram, valores morais, culturais, sociais).

Por outro lado, não se sabe ao certo o que são drogas, mas parece haver um consenso de que são ruins. Com esta homogeneidade de opinião, sobra pouco espaço para o debate e uma visão crítica sobre o assunto, não permitindo olhar para a situação com clareza. Voltando à historia das drogas. Drogas são substâncias psicoativas, por exemplo, café, cigarro, álcool, remédios, anfetaminas, solventes (bom exemplo de como drogas são aquilo que nós nomeamos e vemos o que é na sua utilização - quando usa-se solvente na construção não ha problema, quando inala-se solventes é diferente), maconha, cocaína, ecstasy, etc. É possível ver a utilização de drogas pelo ser humano durante toda sua história, e podemos levantar, basicamente, quatro modos do uso: religioso (como álcool nas cerimônias judáico-cristãs), médico, celebrativo e cotidiano. Desta forma, drogas são produtos que nossa sociedade denomina e utiliza, contextualiza como droga. Por exemplo, até o inicio do século XX, nos EUA, tomates eram proibidos por serem considerados frutos de bruxa, ao mesmo tempo que cocaína e heroína não eram consideradas drogas ilegais ainda. Não trivialize este exemplo, usando o argumento de que isso era diferente. Claro que tomates são diferentes de maconha, mas o que importa é a ação a partir desta convenção, ou seja, o fato de pessoas terem sido perseguidas e presas. Assim como o são hoje em dia com outras substâncias. (Convém apontar que existem posturas persecutórias não apenas em relação às drogas ilegais, mas também ao usuário de outras substâncias, como parece estar acontecendo em relação ao tabaco, de novo restringindo o espaço para dialogo).

Claro que com a criminalização de algumas substâncias psicoativas, temos uma grande mudança na história, na forma como a sociedade entende drogas e como age a este entendimento, levando a uma mudança de comportamento. Por exemplo: o surgimento de mercados paralelos, a criação do crime e da violência relacionados às drogas, o aprisionamento de pessoas, o não-controle de qualidade de substâncias consideradas ilegais, diferentes formas de uso de drogas (um dos fatores para o uso obsessivo). E daí vemos a contradição com o discurso saúde, uma vez que a preocupação inicial deveria ser com a saúde do individuo. Ao pensarmos neste discurso, mais uma vez apontando EUA como exemplo, parece que a posição não está muito clara, como podemos ver no discurso sobre as patentes dos remédios:

"O resultado da votação deixa claro o isolamento de Washington sobre o tema. No total, 52 países votaram a favor da resolução e um - os Estados Unidos - se absteve. A alegação é de que não consideram saúde um direito humano e que a melhor política de saúde é a proteção das patentes dos produtos farmacêuticos." Estado de São Paulo - 23/abril/2001

Então saúde é ou não prioridade? E porque a ênfase à guerra e à opressão e não ao debate sério? Mais precisamente, sobre educação, saúde e cidadania - promoção de saúde, formas de utilização das substâncias psicoativas, tratamento de adições, revisão das leis relacionadas as drogas, entendimento do contexto social, da criação destas leis e da aplicação delas na sociedade (e outras questões relacionadas ao como, por quê e formas de uso).

E vemos o outro discurso corrente: "save our children". Leitor, não deixe que frases prontas nublem a sua visão. Que children? Por que children? Por que falam em crianças? Por que só as crianças? Talvez devêssemos falar: Salvem nossos idosos, que têm que presenciar estas enormes mudanças no mundo sem poder participar delas integralmente por não serem ouvidos, sendo portanto, silenciados e excluídos. Também é necessário apontar que a quantidade de drogas prescritas aos idosos é um fenômeno que deve ser, no mínimo, refletido. Como e quais são as formas de uso de drogas medicamentosas pelos idosos? Quais são os aspectos envolvidos nesta questão?

Enfim, temos o bode expiatório, o mau, o inimigo. E com isso, persegue-se usuários de substâncias psicoativas consideradas ilegais assim como os envolvidos neste comercio e com isso não se vê outros aspectos envolvidos na questão: como criam este inimigo? o que está por trás disso? E mais uma vez o espaço para debate fica restrito.

Em Quebec, durante a reunião sobre a ALCA, Bush declara que "a preocupação com os padrões trabalhistas e ambientais não deve servir de pretexto para o protecionismo". Segundo o jornal O Estado de São Paulo de 22 de abril, "A declaração do presidente americano coincide com a posição do governo brasileiro, em relação a esse ponto, nas negociações da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Essa tem sido, também, a opinião brasileira nas discussões preliminares da nova rodada global de negociações comerciais, que poderá ser lançada em novembro, numa reunião ministerial no Catar."

E qual é a posição dos outros paises da América Latina? Nenhum representante se declarou contra esta posição? Qual é a prioridade das Américas? Como estão sendo tratadas as questões éticas, de democracia, de direitos humanos e ambientais? Enquanto isso, do lado de fora da convenção, manifestantes tentam chamar atenção com seus gritos, faixas, e O Estado de São Paulo diz: "Ontem de madrugada ainda era difícil transitar em várias partes de Quebec, por causa da enorme quantidade de gás lacrimogêneo usada contra os manifestantes. A polícia só deu por encerrado seu trabalho mais pesado às 3h30 da manhã, prometendo retomá-lo poucas horas depois."

Também na Avenida Paulista, protestos ocorreram sobre a questão da ALCA, embora com bem menos repercussão que os protestos de Quebec. Por que essas pessoas estão lá? Qual é o dialogo que não está ocorrendo entre estas instâncias?

E, em meio a este importante momento histórico, prendem um traficante brasileiro na Colômbia. E uma das consequências dessa prisão foi vermos a discussão sobre a ALCA perdendo destaque na imprensa, que se ocupou mais em retratar a prisão do traficante, ofuscando portanto, o debate sobre a política e perspectiva de futuro das Américas.

Este artigo teve a intenção de apontar um dos usos dos bodes expiatórios da sociedade, da sua criação e conseqüências. A intenção por trás disso é que o leitor possa, ao ler qualquer artigo, noticia, etc., parar e refletir sobre o que está lendo. Ou seja, tenha possibilidade uma leitura mais critica ("consciente") da realidade.

I - Bode expiatório: a) o bode que, na festa das expiações, os judeus expulsavam para o deserto, depois de o terem carregado com as maldições que queriam desviar de cima do povo: b) pessoa sobre quem se faz recair a culpa dos outros ou a quem se imputam todos os reveses e desgraças.


Ilana Mountian
Manchester, 18/5/2001


Mais Ilana Mountian
Mais Especial Politicamente Incorreto
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
2/2/2007
07h19min
Matador, seco e direto, sem meneios!
[Leia outros Comentários de Gilson Correa Pereir]
3/7/2008
20h11min
Claro e direto, diz o que muita gente não tem coragem de dizer...
[Leia outros Comentários de Lauane Rocha]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Anti Sionismo Nova Face do Anti Semitismo
Eliyahu Biletzky
Bnai Brith
(1982)



Vladslav Ostrov, Príncipe do Juruena
Maria José de Queiroz
Record
(1999)



Era uma Vez... Realidade Talvez
Janaina Soares e Susana Nogueira (orgs)
Cbje
(2014)



Lógica Jurídica
Silvio de Macedo
Rio
(1978)



História Geral e Brasil - Nova Ortografia
José Geraldo Vinci de Moraes
Atual
(2009)



Afecções Menos Frequentes Em Gastroenterologia
Paulo Roberto Savassi-rocha e Outros
Medbook
(2007)



A Espécie Divina. Como o Planeta Pode Sobreviver À era dos Seres
Mark Lynas
Alta Books
(2012)



Psicologia da Criança
Arthur T. Jersild
Itatiaia Limitada
(1977)



O Mundo e Eu
João Mohana
Agir
(1984)



Systematic Database of Diptera of the Americas South of the United Sta
J H Guimarães
Pleiade
(1997)





busca | avançada
31 visitas/dia
2,2 milhões/mês