O carnaval e a cidade | Almandrade | Digestivo Cultural

busca | avançada
46744 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
>>> Do inferno ao céu
Colunistas
Últimos Posts
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
>>> Livro Alma Brasileira
>>> Steve Jobs em 1997
>>> Jeff Bezos em 2003
>>> Jack Ma e Elon Musk
>>> Marco Lisboa na Globonews
>>> Jorge Caldeira no Supertônica
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Redes e protestos: paradoxos e incertezas
>>> 2005: Diário de bordo
>>> Alfa Romeo e os bloggers
>>> Defesa dos Rótulos
>>> O Jovem Bruxo
>>> Sua Excelência, o Ballet de Londrina
>>> O diabo veste Prada
>>> Hilda Hilst delirante, de Ana Lucia Vasconcelos
>>> Daniel Piza by Otavio Mesquita
>>> The Making of A Kind of Blue
Mais Recentes
>>> México em Transe de Igor Fuser pela Scritta (1996)
>>> Sociologia Política da Guerra camponesa de Canudos - Da destruição do Belo Monte ao aparecimento do MST de Clóvis Moura pela Expressão Popular (2000)
>>> Exclusão Escolar Racializada - Implicações do Racismo na Trajetória de Educandos da EJA de Tayná Victória de Lima Mesquita pela Paco Editorial (2019)
>>> Crítica da Razão Negra de Achille Mbembe pela N-1 Edições (2018)
>>> Esferas da Insurreição - Notas para uma vida não cafetinada de Suely Rolnik pela N-1 Edições (2013)
>>> Arqueofeminismo - Mulheres filósofas e filósofos feministas – Séculos XVII-XVIII de Maxime Rovere (Org.) pela N-1 Edições (2019)
>>> A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos de José de Oiticica pela A Batalha (1976)
>>> Helena de Machado de Assis pela Ática (1994)
>>> A 3° Visão de T. Lobsang Rampa pela Record (1981)
>>> A História Da Indústria Têxtil Paulista de Francisco Teixeira pela Artemeios (2007)
>>> Ciência tecnologia e gênero abordagens Iberoamericanas de Marília Gomes de Carvalho (org.) pela utfPR (2011)
>>> A Jornada de Erin. E. Moulton pela Nova Conceito (2011)
>>> A Melodia Feroz de Victoria Schwab pela Seguinte (2016)
>>> Despertar ao Amanhecer de C.C. Hunter pela Jangada (2012)
>>> Sussurro - Coleção Hush Hush de Becca Fitzpatrick pela Intrínseca (2009)
>>> Holocausto Nunca mais de Augusto Cury pela Planeta
>>> Lusíada (Nº 1): Revista Ilustrada de Cultura.- Arte.- Literatura.- História.- Crítica de Martins Costa/ Portinari/ Texeira Pascoaes (obras de) pela Simão Guimarães & Filhos./ Porto (1952)
>>> Fábulas que Ajudam a Crescer de Vanderlei Danielski pela Ave Maria (1998)
>>> Ninguém é igual a ninguém de Regina Otero e Regina Rennó pela Do Brasil (1994)
>>> Você Pode Escolher de Regina Rennó pela Do Brasil (1999)
>>> Apelido não tem cola de Regina Otero e Regina Rennó pela Do Brasil (2019)
>>> Coração que bate, sente de Regina Otero e Regina Rennó pela Do Brasil (1994)
>>> A galinha que criava um ratinho de Ana Maria Machado pela Ática (1995)
>>> Pinote, o fracote e Janjão, o fortão de Fernanda Lopes de Almeida pela Ática (2000)
>>> A lenda da noite de Guido Heleno pela José Olympio (1997)
>>> A História de uma Folha de Leo Buscaglia pela Record (1999)
>>> Chapeuzinho Amarelo de Chico Buarque pela José Olympio (1999)
>>> O último judeu: uma história de terror na Inquisição de Noah Gordon pela Racco (2000)
>>> Confissões de um Torcedor: Quatro copas e uma Paixão de Nelson Motta pela Objetiva (1998)
>>> Controle de Infecções e a Prática Odontológica em Tempos de Aids de Vários pela Brasília (2000)
>>> A Roda do Mundo de Edimilson de Almeida Pereira e Ricardo Aleixo pela Mazza/ Belo Horizonte (1996)
>>> Roda Mundo de Fanny Abramovich/ Ilustrações: Paulo Bernardo Vaz pela Formato/ Belo Horizonte (1993)
>>> Roda Mundo de Fanny Abramovich/ Ilustrações: Paulo Bernardo Vaz pela Formato/ Belo Horizonte (1993)
>>> Roda Mundo de Fanny Abramovich/ Ilustrações: Paulo Bernardo Vaz pela Formato/ Belo Horizonte (1993)
>>> A Propagação do Amor: Sobre o Plantio e a Colheita do Bem de Betty J. Eadie pela Nova Era/ Record (2003)
>>> Auto- Estima: Amar a Si Mesmo para Conviver Melhor Com os Outros de Christophe André - Françoise Lelord pela Nova Era/ Record (2003)
>>> Os Lusíadas: Reprodução Paralela das duas Edições de 1572 / Ed. Ltd. de Luis de Camões pela Impr. Nac. Casa da Moeda/ Lis (1982)
>>> Administração de Marketing: Desvendando os segredos de: Vendas. Promoç de Stephen Morse pela McGraw Hill (1988)
>>> Obras Completas de Álvares de Azevedo - 02 Tomos ) de Álvares de Azevedo/ Org. Notas: Homero Pires pela Companhia Ed. Nacional (1942)
>>> Obras Completas (Poesia, Prosa e Gramática) de Laurindo José da Silva Rabelo/ Org: O. de M. Braga pela Companhia Ed. Nacional (1946)
>>> Sempre Em Desvantagem de Walter Mosley pela Record (2001)
>>> Sempre Em Desvantagem de Walter Mosley pela Record (2001)
>>> Os Anos 80: Contagem Regressiva para o Juízo Final de Hall Lindsey pela Record/ RJ.
>>> Na Linha de Frente de Lawrence Block pela Companhia das Letras/ SP. (2010)
>>> Na Linha de Frente de Lawrence Block pela Companhia das Letras/ SP. (2010)
>>> O Fator Psicológico na Evolução Sintática (Encadernado) de Cândido Jucá (filho)/ Autografado pela Organização Simões/ Rio (1958)
>>> Príncipe das Trevas, Ou Monsieur - o Quinteto de Avignon- I de Lawrence Durrell pela Estação da Liberdade (1989)
>>> Pare de Engordar- Obesidade: um Problema Psicológico de Dr. Nelson Senise pela Record/ RJ.
>>> Os Hospedeiros de Belém de Maria Pires pela Imprensa Oficial/ B. Horizonte (1984)
>>> Os Hospedeiros de Belém de Maria Pires (autografado) pela Imprensa Oficial/ B. Horizonte (1984)
COLUNAS

Quinta-feira, 26/1/2006
O carnaval e a cidade
Almandrade

+ de 3700 Acessos

A festa e a transgressão fazem parte da natureza do homem. São dispositivos acionados pelo homem para resgatar estados de alegria ou transe, no conflito entre o sagrado e o profano. O carnaval, além de ser uma festa que contamina toda uma cidade, é uma forma de apropriação urbana que altera sensivelmente a imagem, a ordem e os valores que regem e fazem o estilo de vida dos outros dias do ano, fazendo da cidade o lugar de uma orgia coletiva. Não podemos desconhecer que "o erotismo é um dos aspectos da vida interior do homem" (Bataille). Mas o que vem acontecendo ultimamente é uma espécie de publicidade do sexo onde o erótico é apenas uma mercadoria do circuito de economia libidinal, muito bem aproveitada pela indústria do turismo e pela mídia, resultando em retornos significativos para a economia dominante. Portanto, o cotidiano material e simbólico se reproduz no carnaval, fazendo da rebeldia um comportamento possível e suportável de distração e recuperação da força de trabalho.

Os sacrifícios das sociedades primitivas, como o potlatch, eram meios de devolver ao mundo sagrado o que a relação servil do homem com o trabalho tornou profano. O trabalho recalcou a "intimidade", e esta passou a ser recuperada nos cultos, nas oferendas aos deuses, nas festas, nos sacrifícios, nas chamadas "despesas improdutivas". "Em seus mitos estranhos, em seus ritos cruéis, o homem está antes de tudo em busca de uma intimidade perdida" (Bataille). A ocupação da cidade por um ritual frenético, que tem o riso e o erótico como desarticuladores da seriedade do mundo da mercadoria, é, sem dúvida, o sacrifício da sociedade moderna, onde tudo pode ser reciclado para o espetáculo da mercadoria. Hoje, o carnaval é uma mercadoria exótica e pitoresca, que interessa principalmente ao viajante de lugar nenhum, o turista, muito bem produzida, embalada e vendida, durante todo o ano.

A atividade do ano não é redutível à reprodução, conservação e consumo. George Bataille a divide em duas partes: a primeira diz respeito ao uso do mínimo necessário, para os indivíduos de uma sociedade, manter a conservação da vida e a continuação da atividade produtiva. A segunda se refere às despesas improdutivas: as festas, os cultos, o luxo, os jogos, os espetáculos, etc. O carnaval faz parte dessa categoria de despesa, sua função é desperdiçar o excedente, o que precisa ser gasto. As manifestações políticas, étnicas e culturais, pulsões recalcadas, revoltas sociais fazem parte do circuito da economia simbólica. Se a cidade é o centro das operações mercadológicas do capitalismo, durante o ritual carnavalesco, ela é reorganizada, por um urbanismo meio perverso, para permitir a comercialização e o desperdício do erótico, da libido e da violência. A cidade é percorrida pelo lúdico, pela sedução e até pela apelação direta ao sexo, como registra as campanhas dos preservativos. Mas este desperdício e esta socialização promovidos pela orgia contagiante, não estão em contradição com a cumulação e concentração de renda.

A festa invade o centro e os subcentros da cidade, imprimindo uma outra paisagem física e social. O lugar do trabalho, da produção e do consumo, das atividades humanas de conservação e reprodução é destinado a outras atividades, outras marcas e outras identidades. Uma estranha cidade portátil é construída dentro da antiga, tendo as barracas de bebidas alcoólicas como principal serviço urbano. Uma multidão consumidora e espetacular, e um território fantasmagórico se erguem, subvertendo momentaneamente a aparente racionalidade urbana. Se na análise de Jean Baudrillard, a sedução é mais forte que o poder, a produção e até mesmo a sexualidade, o carnaval parece comprovar tal afirmação, quando não faz uma apelação agressiva do sexo. Neste audacioso ritual de libertinagem, patrocinado pelo poder e pelo "bom senso" de uma sociedade indiscretamente moralista, a cidade é o palco da sedução.

Entre o homem e o mundo existe a linguagem. Uma pele semiótica transparente, sem a qual o homem estaria isolado, sem relacionamentos e sem limite diante do conhecimento das coisas e dos seres. A convivência na cidade implica no domínio de uma linguagem; o urbano tem seus códigos que legisla seu uso. O carnaval como uma performance de transgressão e inversão do sistema de signos urbanos, desfaz o código cotidiano de relacionamento do sujeito com a cidade, estabelecido pelo compromisso produção/consumo, e inventa uma semiótica determinada pelo excesso, pela ironia e pelo grotesco. Na imagem da cidade do carnaval é determinante a sintaxe da obscenidade, da orgia, da perversão simbólica. A violência, motivada por vários fatores, faz parte da festa e contribui na definição da imagem e da publicidade do carnaval.

Sob o efeito do carnaval, a cidade troca de função e de sentido. A sinalética usual passa a ser um conjunto de significantes mortos e é substituída por uma outra que sinaliza o urbano nos dias do império do Momo. A cidade troca de som, de cheiro, de visual, e uma multidão invade as ruas e praças embriagada pelo ritual. Sujeitos urbanos voltam simbolicamente ao estado tribal; fantasiados, assumem outras identidades, atrás de outras expectativas. O urbano torna-se um espaço terapêutico, onde transita paralelamente a economia política e a economia libidinal. As rígidas divisões: público/privado, sagrado/profano são suspensas temporariamente para liberar os fluxos das energias reprimidas. O carnaval forja uma realidade, assim como a sociedade para legitimar as relações de poder, inventa um princípio de realidade igualmente autoritário. Com uma diferença no carnaval, não existe uma lógica fora da paródia e da excessividade, imperando um simbolismo total e um jogo de sentidos onde as regras são improvisadas a todo momento.

O antigo centro da cidade do Salvador é ocupado por um acontecimento excêntrico, na história da cidade, mas que se repete todos os anos, durante o verão, como um fenômeno de massa, cada vez mais industrializado e menos espontâneo. O centro histórico, que já esteve ameaçado de abandono e decadência, volta a ser o cenário principal do grande baile eletrizado de multidões que escaparam do mundo do trabalho. A praça Castro Alves é o auge, uma das principais zonas erógenas do carnaval, onde quase tudo acontece; é disputada palmo a palmo por foliões que redescobriram o corpo e sua energia. Mas as relações de trabalho não foram totalmente abolidas, existem os operários do carnaval, que são: os músicos, os funcionários dos trios, seguranças dos blocos, os policiais mobilizados para manter a ordem e conter a violência, os funcionários de saúde de plantão, os vendedores improvisados, os barraqueiros, as baianas de acarajé, os jornalistas, etc. Eles formam uma infra-estrutura mínima de serviços que garantem a realização da festa.

Toda a rebeldia "surrealista" que aparece na imagem do carnaval é solidária com o realismo diário do mundo do trabalho, do lucro e da exploração. A instituição carnaval, com toda sua carga simbólica, não escapou do processo de administração empresarial capitalista. Por exemplo, os blocos são organizados como empresas reproduzindo a divisão social, racial e sexual, além de, independentemente da festa, a parte burocrática e financeira funciona durante todo o ano. Surge uma nova e simbólica noção de propriedade privada, o percurso da rua é lotado entre blocos com seus trios elétricos exclusivos, contornados por uma corda e seguranças, não sendo permitido, naquele território, foliões sem a fantasia do bloco. O trio elétrico, na atualidade, é mais um produto de uma engenharia musical, que não importa muito a qualidade da música, reunindo em torno de si uma comunidade selecionada de foliões.

A cidade é um texto, sempre reescrito e reinterpretado, a todo instante confirma o "hiper-realismo" do carnaval que magnetiza e subverte o sentido do espaço físico com a autonomia do simbólico. A volúpia da cidade mundana, a hemorragia do desejo recalcado, a circulação do sexo e a descontração frenética são as referências do processo de significação, marcantes da paisagem urbana na cidade do carnaval.

Nota do Editor
Almandrade é artista plástico, poeta e arquiteto.


Almandrade
Salvador, 26/1/2006


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Passe Livre, FdE e Black Blocs - enquanto Mídia de Duanne Ribeiro
02. Gente Esquisita ou Miopia de Daniel Bushatsky
03. Eleição nas prateleiras (ou todo dia tem eleição) de Marcelo Spalding
04. Palmeiras Selvagens e os Sabichões de Alessandro Silva


Mais Almandrade
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




CUPIDO E PSIQUE E OUTRAS NARRATIVAS DA LITERATURA MUNDIAL
PAULO SERGIO DE VASCONCELLOS (ORG)
OBJETIVO
R$ 6,00



TRABALHO VOCÊ E SUAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
BRUNO PORTO E OUTROS
SENAC
(2014)
R$ 10,00



FIND FENÔMENO INTERVENIENTE DE NATUREZA DESCONHECIDA
J. KAUFFMANN
NOVA ERA
(2003)
R$ 58,00



OS NÚMEROS NA HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO - VIVENDO A MATEMÁTICA
LUIZ MÁRCIO IMENES MARCELO LELLIS
SCIPIONE
(2006)
R$ 12,00



INFÂNCIA DOS MORTOS
JOSÉ LOUZEIRO
CÍRCULO DO LIVRO
(1977)
R$ 20,97



DESENVOLVIMENTO DA METODOLOGIA LOPA-BAYESIANA EM DOIS ESTÁGIOS
EDLAINE CORREIA SINÉZIO MARTINS
NOVAS EDIÇÕES ACADÊMICAS
R$ 454,00



100 DÚVIDAS DE CARREIRA PARA EXECUTIVOS DE FINANÇAS
JOSÉ CLÁUDIO SECURATO / LUIZ ROBERTO CALADO
SAINT PAUL
(2009)
R$ 5,00



LA CRISIS DE LA INVESTIGACION EN EL CAMPO DE LA DIALÉCTICA MATERI
MAURO OLMEDA
VILLALAR
(1977)
R$ 28,28



OS 55 MAIORES JOGOS DAS COPAS DO MUNDO
PAULO VINICIUS COELHO
PANDA BOOKS
(2010)
R$ 19,90



STALINE: LE DERNIER DES TSARS
PIERRE NOUAILLE, CLAUDE GUILLAUMIN, A MANEVY
FAMOT (GENEVE)
(1974)
R$ 19,82





busca | avançada
46744 visitas/dia
1,1 milhão/mês