Game of Thrones, Brasil e Ativismo Social | Guilherme Mendes Pereira | Digestivo Cultural

busca | avançada
60446 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Nasi e Scandurra apresentam clássicos do IRA! no Sesc Santo André
>>> Douglas Germano apresenta 'Umas e Outras'
>>> Mostra de Cinemas Africanos acontece em São Paulo e Curitiba a partir de 6 julho
>>> Iecine abre inscrições para a Oficina de Crítica e Fruição Cinematográfica
>>> Orquestra Modesta retorna ao Sesc Santo Amaro com 'Canções Para Pequenos Ouvidos 2'
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> 80 anos do Paul McCartney
>>> Gramática da reprodução sexual: uma crônica
>>> Sexo, cinema-verdade e Pasolini
>>> O canteiro de poesia de Adriano Menezes
>>> As maravilhas do modo avião
>>> A suíte melancólica de Joan Brossa
>>> Lá onde brotam grandes autores da literatura
>>> Ser e fenecer: poesia de Maurício Arruda Mendonça
>>> A compra do Twitter por Elon Musk
>>> Epitáfio do que não partiu
Colunistas
Últimos Posts
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
>>> Fabio Massari sobre Um Álbum Italiano
>>> The Number of the Beast by Sophie Burrell
>>> Terra... Luna... E o Bitcoin?
>>> 500 Maiores Álbuns Brasileiros
>>> Albert King e Stevie Ray Vaughan (1983)
>>> Rush (1984)
>>> Luiz Maurício da Silva, autor de Mercado de Opções
Últimos Posts
>>> A lantejoula
>>> Armas da Primeira Guerra Mundial.
>>> Você está em um loop e não pode escapar
>>> O Apocalipse segundo Seu Tião
>>> A vida depende do ambiente, o ambiente depende de
>>> Para não dizer que eu não disse
>>> Espírito criança
>>> Poeta é aquele que cala
>>> A dor
>>> Parei de fumar
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Longa vida à fotografia
>>> iPad pra todo mundo
>>> Minha pátria é a língua portuguesa
>>> Minha pátria é a língua portuguesa
>>> Wikipedia e a informação livre
>>> Público, massa e multidão
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> Os Clássicos e a Educação Sentimental
>>> O youtuber é um novo dândi?
>>> Silêncio e grito
Mais Recentes
>>> Eu Como Assim Ou Assado? - Conhecendo Melhor o Que Você Come de Michele Iacocca pela Ática (2007)
>>> Onde Está Elizabeth? Como Resolver um Mistério sem Se Lembrar... de Emma Healey / 1ª Ed pela Record (2016)
>>> Ver!ssimo - Diálogos Impossíveis - 1 Edição de Luis Fernando pela Objetiva (2012)
>>> A Linguagem Falada Culta na Cidade de São Paulo - Vol. IV - Estudos de Dino Preti, Hudinilson Urbano pela T. A. Queiroz (1990)
>>> Acenos e Afagos - Confira! de João Gilberto Noll pela Record (2008)
>>> Urupês e Outros Contos - Confira! de Monteiro Lobato pela Principis (2019)
>>> Stopwatch 1 Students Book & Workbook Com Cd de Simon Brewster pela Richmond (2016)
>>> Princesa da Inocência (príncipes Di Castellani) / 1ª Ed - Confira !!! de Lani Queiroz pela 3dea (2019)
>>> Sangue no Inverno - Confira !!! de Mons Kallentoft pela Benvirá (2011)
>>> Robin Hood - Starter - Confira !!! de John Scott pela Oxford Bookworms (2008)
>>> Álvares de Azevedo : o Poeta Que Não Conheceu o Amor foi Noivo da Mort de Luciana Fátima da Silva/ Livro Assinado!! pela Annablume (2009)
>>> William Tell and Other Stories - Confira! de John Excott pela Oxford (2010)
>>> Engenharia Ambiental - Conceitos Tecnologia E Gestao de Maria Do Carmo Calijuri / Davi Gasparini Fernandes Cunha pela Elsevier (2013)
>>> Como Ficar Rico sem Cortar os Cartões de Crédito de Robert T. Kiyosaki / Sharon L. Lechter pela Elsevier / Campus (2004)
>>> Modern British Short Stories de Malcolm Bradbury pela Penguin Books (1988)
>>> Cultura do Medo - Confira! de Barry Glassner pela Francis (2003)
>>> A Mitopoese da Psique - Mito e Individuação (confira Agora!) de Walter Boechat pela Vozes (2008)
>>> High Up 2 Student´S Book de Vários Autores pela Macmillan (2013)
>>> Os Pensadores - Sócrates / Capa Dura de Nova Cultural pela Nova Cultural (1999)
>>> Maluca por Você de Rachel Gibson; Cassia Zanon pela Jardim dos Livros (2014)
>>> Sonho Grande: Como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sircupira de Cristiane Correa pela Primeira Pessoa (2013)
>>> Tutancâmon de T. G. Henry James pela Folio (2005)
>>> Um Holograma para o Rei de Dave Eggers pela Companhia das Letras (2015)
>>> Morrendo de Vergonha - um Guia para Tímidos e Ansiosos de Barbara G. Markway; Cheryl N. Carmin; Teresa Flynn pela Summus (1999)
>>> Uma Vida para Seu Filho de Bruno Bettelheim pela Campus (2022)
COLUNAS >>> Especial Protestos

Sexta-feira, 28/6/2013
Game of Thrones, Brasil e Ativismo Social
Guilherme Mendes Pereira

+ de 5200 Acessos

No penúltimo episódio da terceira temporada de Game of Thrones, (série bem-sucedida e aclamada por legiões de fãs pelo mundo, e que repercute nas redes sociais online) ocorreu uma reviravolta insólita no enredo que chocou a muitos: a morte de alguns dos principais representantes da Casa Stark, até então personagens importantes e carismáticos, chefes políticos que conquistaram a simpatia de muitos. Ao final da última temporada a série parece ter ficado carente de heróis, indo na contramão da tendência ao que geralmente muitos de nós esperamos: desfechos felizes. Como crianças acostumadas com contos de fadas que sempre acabam bem, ou como adultos que usam o consumo, a religião e os vícios como subterfúgios para as incertezas, estamos mal acostumados. Não encaramos as inconcretudes e as complexidades de uma existência que muitas vezes foge da lógica, da emoção e das utopias imaginadas.

Muitos pensadores como Friederich Nietzsche, Martin Heidegger, François Lyotard, Michel Foucault, Jean Baudrillard, Zygmunt Bauman e inúmeros outros trouxeram a ideia de que na contemporaneidade as grandes narrativas totalizantes, os ideais de progresso e perfeição, bem como a crença no estado, na igreja, na razão ou em grandes heróis, parecem estar se desmanchando e cedendo espaço a um volátil ceticismo tecnocientífico (ou seria a um animismo cibertécnológico?), que, de certa forma, têm relativizado preceitos morais e velhas dicotomias. Michel Maffesoli fala em um retorno ao arcaico, aos ímpetos emocionais individuais e de pequenos grupos, o que vai na contramão da racionalidade centralmente e hierarquicamente institucionalizada na modernidade.

Muitos de nós não mais esperam pelas entidades mitológicas, pelos poderosos senhores do estado ou pelos sapientes sacerdotes. Agora a fascinante magia das ferramentas de sociabilização tecnológica e a possibilidade de organização social maquinalmente autorregulada é o que nos anima. Seja a agirmos solitariamente ou a mobilizarmos grupos. Nos termos de Foucault, insurgem as micropolíticas.

A catálise de muitas dessas teses filosóficas e sociológicas podem ser vislumbradas hoje pelos recantos do globo cibermediado. Seja nos embates levados adiante por grupos ciber/hackativistas como as redes Indymedia, WikiLeaks, Anonymous e LulzSec (para citar algumas), seja nas batalhas sociais travadas nos eventos da aclamada Primavera Árabe, ou seja nas manifestações de jovens estudantes nas insurgentes revoltadas que tem pululado no Brasil. Estaríamos vivenciando também o prenúncio de uma "Primavera"?

Bradando através de telas e redes virtuais, e também indo as ruas, parece que agora reavivamos a esperança de que as coisas irão mudar para melhor e de que teremos então condições para criarmos finais ideais.

Na medida em que os jogos de poder parecem tender ao desequilíbrio como constante, vozes abafadas parecem ganhar vigor e clamar por uma virada. Perder repetidamente cansa. Ainda mais quando os vencedores invictos parecem zombetear os perdedores.

Essa virada social que acontece agora no Brasil é extremamente complexa e fluída, cheia de nuances a serem compreendidas. E têm incitando o ato de questionar que parece ter caído em desuso. São uma oportunidade de levar à esfera global outras vozes além das quais estamos acostumados, e de fugir do comodismo especulatório de só reclamar.

Movimentos contraculturais trouxeram várias pequenas mudanças ao longo da história que resultaram em benefícios para muitos a longo prazo. A exemplo os movimentos feministas, os movimentos em prol dos direitos homossexuais e os movimentos ambientalistas.

Choca quando vemos nossos heróis em Game of Thrones sendo trucidados sem mais nem menos. Choca quando vemos a truculência e o desrespeito da força coercitiva do estado ceifando a liberdade e até mesmo violentando civis como nas revoltas aqui no Brasil. E choca quando civis perdem o controle e viram arruaceiros ensandecidos que saem pelas ruas destruindo coisas, a exemplo das minorias que minaram as grandes manifestações da "primavera brasileira". Choques devem incitar sua superação.

Ansiamos por finais felizes e a vitória do "bem" sobre o "mal", seja em histórias ficcionais, seja nos nossos jogos sociais do dia a dia. Muitas vezes ignorando que a factualidade é bem mais complexa do que o que nossos prismas pretendem concatenar.

"Bem" e o "mal" são conceitos morais relativos e se configuram conforme o lado que se assume. Prova maior disso é a existência (quase que simbiótica) de "corruptos" e "honestos" nos cernes de nossas sociedades. Dado que conceitos morais parecem mais funcionar como voláteis conveniências, nossas expectativas acerca de moralidade incorrem em construções discursivas coniventes a contextos e objetivos predeterminados. Como verificaram alguns estudiosos (vide Richard Hoggart, Stuart Hall, Douglas Kellner, dentre outros) a realidade é uma constante batalha pelo direito de significar, pelo direito de voz e de se impor. Um consenso entre todos é improvável, mas o respeito e a maturidade tornam-se mais do que nunca qualidades que precisam ser galgadas por todos.

Como em todo jogo é preciso haver equilíbrios e desequilíbrios. Letargia ou parada presumem a morte, a inexistência. Precisamos lançar inspirações, devaneios e transgressões que instiguem, provoquem, e acalentem embates pacíficos, movimentem valores, ideias e as pessoas. Tendemos assim a nos desenvolvermos em meio às assimetrias, mas ainda dependendo do outro e de sua diferença, que de certa forma nos completa ou ao menos nos instiga. O que parece ser crucial é não deixar a soberania de qualquer um sobrepujar a de outro. A balança precisa estar em movimento a fim de não pender para nenhum extremo em demasia.

Game of Thrones continuará sem alguns de seus heróis e o jogo dos tronos brasileiro parece que não irá cessar tão cedo. Talvez, com essas deixas ficcionais de grande sucesso e esse momento de oportunidades de viradas sociais o qual presenciamos, e que acalentam as discussões na esfera pública, possamos refletir sobre nossas vidas, sobre nossas máximas de finais felizes, vitórias e derrotas, que no fundo, a história tem nos revelado que são o que menos importa.

Nos jogos sociais os quais estamos imersos a todo instante, precisamos constantemente reavivar nossos propósitos e nossas vidas, muitas vezes banalizados e sufocados pelo força constritora das macropolíticas e das pretensas ideologias totalizantes que apregoam como utopias ideais a eterna busca pela sociedade perfeitamente regulada.

Talvez precisemos superar os finais felizes, e a nossa obsessão por ganhadores ou perdedores, por fanatismos direitistas ou esquerdistas.

Os heróis morreram. Que as batalhas continuem a insurgir e que chacoalhem os sistemas, abalem e movimentem nossas opiniões, crenças e ações (pacificamente!). Mudar é preciso. Amadurecer e aprender a respeitar as diferenças sem impor as suas verdades também é necessário. E o desconforto das incertezas movediças, da inexistência de finais felizes, pode nos incitar a isso.


Guilherme Mendes Pereira
Pelotas, 28/6/2013


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Por que HQ não é literatura? de Cassionei Niches Petry
02. A entranha aberta da literatura de Márcia Barbieri de Jardel Dias Cavalcanti
03. Um Cântico para Rimbaud, de Lúcia Bettencourt de Jardel Dias Cavalcanti
04. Nuvem Negra* de Marilia Mota Silva
05. Notas sobre a Escola de Dança de São Paulo - II de Elisa Andrade Buzzo


Mais Guilherme Mendes Pereira
Mais Especial Protestos
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Em Nome da Segurança Nacional
Maria Helena Simões Paes
Atual
(1995)



Crianças sem problemas
Eduardo Goldenstein Luiz A. S. Freitas
Clinch
(1992)



Divórcio Em Buda - Confira!
Sándor Márai
Companhia das Letras
(2003)



Lá Vem História: Contos do Folclore Mundial
Heloisa Prieto
Companhia das Letrinhas
(1997)



O Livro das Virtudes para Crianças
William J. Bennett
Nova Fronteira
(1997)



Não Leve a Vida tão a Sério
Hugh Prather
Sextante
(2003)



Um minuto para mim
Spencer Johnson
Record
(2008)



Ser Protagonista - Matematica - 1º Ano
Felipe Fugita e Outros
Sm
(2015)



O ônus da Prova
Scott Turow
Supersellers
(1990)



Terminal
Robin Cook
Record
(1997)





busca | avançada
60446 visitas/dia
1,8 milhão/mês