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Terça-feira, 11/6/2013
Pô, Gostei da Sua Saia
Duanne Ribeiro

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A gente ouve falar de opressão; a gente não sabe como é. Andando de saia, eu, um menino, pelos corredores da Universidade de São Paulo em uma quinta-feira de maio, tive a amostra degustativa. É curioso estar em foco. Em um percurso de mais ou menos cinco minutos até a lanchonete da faculdade de Letras, boa parte dos que passaram por mim me olharam, isto é, não porque me conhecessem, não para o meu rosto, não nos meus olhos - mas assim eu tão somente objeto, olharam para mim. Veem um corpo que se move, checam a saia, depois fixam os olhos arbitrariamente à frente. Eu rio da primeira vez; da segunda; da terceira; eu rio do quê? Do fato de que estou diferente e funciona, a diferença grita. E de um resquício de nervosismo. É sufocante estar em foco. Não quero que pensem que sou homossexual - ora, porque não sou! Porque não sou... Quando peço meu salgado avalio se minha voz soou grave, masculina o suficiente. Não consigo olhar para meninas que eu ache bonitas, é como se me faltasse o direito. O que é estúpido. Certo? Sentado na sala de aula, a mulher ao lado me espia com o canto do olho; no intervalo, ela pula uma carteira, deixando uma vaga entre nós (prefiro acreditar que não por isso. No entanto há este peso: há como supor que sim...). Um outro garoto, de saída, à porta, bolsa roxa no ombro, me diz: "Pô, gostei da sua saia".

Uma saia negra, que cai até pouco acima dos meus tornozelos, de tecido leve com as bordas vazadas no formato de flores. Emprestada da minha noiva na manhã do mesmo dia, em um momento de súbita convicção, já que havia me confrontado ao longo da semana com a ideia de usar "roupa de mulher", e sentido a crença interna de que simplesmente não era capaz. E assim de repente. Vestida sobre a calça jeans cinza-escuro (achei até bonito a sobreposição de cores), assim que cheguei ao prédio da Filosofia, por volta das 20h. Havia muitos outros - de saia florida, tubinho, verde, branca, vermelha; um deles, sem o recato que se exige da mulher, cruza as pernas ostensivamente, perna e coxa peluda à mostra. Espécie de flashmob sobre questões de gênero, o USP de Saia nos agregou todos à mesma manifestação. A ideia surgiu após um aluno, que costumava ir de saia ao campus, ter sido ofendido na internet. O protesto foi registrado pela imprensa. Não estive em grupo, nem fui ao evento maior; voltei quando deu 22h, retirando a saia antes de ir pegar o ônibus, não sem certo alívio do retorno à "normalidade". Minha participação foi dessa curteza e sozinhez, mas sinto que me proporcionou, além da adesão individual a uma causa justa, que eu enfrentasse a resistência dentro de mim, para revelar qual o seu sentido. Minha revolução é pessoalíssima.

A Caixa-Homem
Caminhando (de saia) pelos interiores da minha personalidade, tenho por evidente o caráter do meu desejo, que assume essa feição cissexual. Não obstante, vejo com a mesma clareza o longo investimento social para me fazer agir nos moldes da palavra "homem". Na escola, tanto eu quanto você éramos monitorados full time pelas outras crianças. Elas me ensinaram que eu não podia olhar minhas unhas com os dedos esticados e a palma da mão para baixo, pois isto era "de mulher" (tem que dobrar os dedos, palma pra cima). Aprendi também que jamais minha mão devia pender do pulso, "desmunhecar", o que seria uma prova irrefutável de homossexualidade. Na família, estivemos sob coordenação rigorosa. Meu avô me disse que homem não agacha com pernas juntas uma a outra. Minha mãe não me deixou ajudá-la a escolher feijão (o que eu pretendia porque queria estar junto com ela; e conto porque isso permanece uma mágoa distinta na memória - e veja que irrelevância!), porque era serviço feminino. Eu tenho 26 anos e presto atenção em como deixo meu pulso, como se houvesse um aluno de quinta série vigiando. O que é estúpido. Certo?

Esse tipo de exigência me lembra o imbróglio nuclear na guerra entre os liliputianos, de As Aventuras de Gulliver. Um dos lados quebrava ovos batendo na parte superior, a que é mais alongada. Outro, na base, mais bojuda. "Ora!", contesta Gulliver, "por que não quebram no meio?". Que heresia, para os liliputianos, meramente propor tal coisa.

Enquanto eu projetava este texto, foi divulgado um vídeo muito contundente nesse sentido. Theo Chen, de 12 anos, postou no Youtube um desabafo contra o bullying que sofre, sendo chamado de "gay" e similares, sem se considerar assim, na internet e fora dela. "A verdade é que realmente não sei. Vocês pelo menos sabem quantos anos eu tenho? Eu tenho 12 anos, e vocês me chamam de gay? E o que importaria se eu fosse gay?". Ele basicamente diz: me deixa crescer para onde eu quiser. A palestra "A Call to Men", por Tony Porter (10 min), é tão significativa quanto. "Se seria destrutivo para um menino ser chamado de menina, o que é que estamos ensinando a eles sobre meninas?", pergunta Porter, entre histórias de como seu pai, mesmo no enterro de um filho adolescente, escondeu o choro o quanto pode e depois se desculpou por não conseguir mais; ou como ele próprio simulou um estupro para se manter em alta estima no grupo do qual participava. Ele propõe um conceito prático: the man box, nossa conformação ("caixa") masculina, e conclama: saia dessa caixa!

Planeta Insondável das Mulheres
Quando você anda de saia, o pano é empurrado contra você pelo movimento. Lançado para trás do corpo, pendendo pesado ao lado das pernas. E esvoaçando à frente logo depois. Um baile inexistente em qualquer roupa que eu use. Há na saia o incômodo de não ter bolsos, e sempre é preciso ajeitá-la para sentar-se. Uma vestimenta apenas e comporta uma variedade de definições do gesto. Tive por conta disso, para além da política, um gosto do que Laerte quis dizer com a frase que dá título a esta seção. O cartunista, em entrevista à Bravo!, disse: "Há ocidentais que se deleitam em investigar o Oriente. Experimentam comidas exóticas, fazem ioga, visitam a China. Da mesma maneira, por que um homem não pode empreender uma viagem radical pelo planeta insondável das mulheres?".

Por dentro da palavra "mulher", toda uma especialização a respeito de como tratar o corpo - maciez e perfume; variação de recorte, pressão, visibilidade que a roupa dá à pele; a cor, o enfeite de partes como unhas, lóbulo da orelha; a amplitude de usos do cabelo - isso só existe de maneira muito menos diversificada no caso "masculino" (hoje em dia, é possível que não sejam tão distantes os dois lados; mas considere 30 anos atrás, 50 anos, e perceba o quanto o horizonte de autocompreensão corporal do homem urbano é estreito). Na medida em que o corpo "feminino" expressa mais, na medida em que é mais arte, talvez ele tenha o que nos ensinar, na direção de uma expansão dos nossos modos de vivência. Pessoalmente, é estranho que eu afirme isso, já que não pretendo me preocupar com minha estetização tão cedo. Mas trata-se de uma questão de liberdade, de saber que há possibilidades múltiplas - mesmo que não para percorrê-las uma a uma. Pois simplesmente notar que existem nos faz mais conscientes do que somos atualmente. Este é um texto que me dá consciência.


Duanne Ribeiro
São Paulo, 11/6/2013


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