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Quarta-feira, 19/6/2002
Ludopédio em Pindorama
Renata Marinho
+ de 5900 Acessos
+ 29 Comentário(s)

Gritaria embalando a aurora, nosso povo está em festa. Os fogos de artifício confundem-se com as balas perdidas da favela. Que maravilha! Nada melhor do que uma grande lona de circo para cobrir nossas mazelas... O pão a gente troca pela cachaça que embala nossa comemoração indigente.

Ó, que horror! Sai pra lá urucubaca! Tem sempre alguém pra defender o direito à letargia. Mas urucubaca é a realidade em que vivemos, a putrefação psico-físio-sociológica que nos domina. Por que não defendemos condições básicas humanas para todos os brasileiros? Por que só nos atraímos pelo que nos achata?

Sim, claro, este discurso é velho, coisa de gente mau-humorada que não sabe curtir a vida. Bom, se você consegue viver em paz no Brasil, parabéns... começo a acreditar em realidades paralelas num nível muitíssimo mais concreto do que o das nossas configurações idiossincráticas.

Enfim... o papo é velho, porém parece que ainda não entendemos nada. Mais um indício da idiotia característica dos brasileiros. É lamentável a imagem daqueles homens porcamente alfabetizados, vestidos de amarelo, com a mão no peito e a boca mexendo aleatoriamente, tentando nos enganar que sabem o hino nacional com seus balbucios. Mestiços reformados: dentes tratados e cabeça raspada. Representantes de um país parasitado pelo primeiro mundo lutando pela forra.

O deprimente é que nos vingamos servindo de palhaços no picadeiro alheio. Brasileiro é mesmo muito simpático. Eles nos desumanizam e nós damos a volta por cima mostrando como nos tornamos animais exemplarmente adestrados, no caso, para jogar futebol.

A questão é: a copa do mundo não tem toda essa importância que lhe conferimos. Temos coisas mais urgentes para nos ocupar e pré-ocupar. Podemos acompanhar os jogos, torcer, confraternizar; no entanto, esses eventos não podem funcionar como uma grande dose de morfina pan-difundida.

E não esqueçamos que, independente de chegarmos ao penta, já somos campeoníssimos de miséria e de desigualdade social.

Jung ajuda?
Eu tenho um spray paralisante de uso "exclusivo" da polícia alemã. Paralisa de dor, fique claro. Comprei ilegalmente na Europa porque considerei muito útil para transitar no Rio de Janeiro. Lá, várias mulheres andam à noite com um spray na mão que, por sua vez, geralmente, está dentro do bolso do casacão devido ao frio. O meu tubinho está sempre na bolsa; e na mão em momentos, digamos, mais inseguros.

Noite passada, sonhei que precisei utilizá-lo e o lance não funcionou. Será que isto quer dizer algo?

Aniversário de Casamento
Antes de assistir ao filme, cheguei a ler uma "crítica" no jornal informando que Aniversário de Casamento seguia os preceitos do Dogma 95; e isto aumentou bastante meu interesse. Na verdade, não se trata de um Dogma. Dois votos de castidade não são cumpridos, a saber, 1. o diretor não deve ser creditado e 2. qualquer intervenção sonora deve ser gerada na própria cena. Entretanto, é claro que isto não desqualifica a película. Jennifer Jason Leigh e Alan Cumming dirigem e protagonizam a trama sem entraves, com maestria. A vacuidade existencial de nossa época é mostrada na festa do casal para comemorar seis anos de casamento. As angústias características da contemporaneidade são retratadas nos diversos convidados e nas relações que estabelecem entre si. O resultado é extremamente envolvente e mostra que malabarismos técnicos e efeitos especiais podem ser dispensados sem comprometer a obra. A parte em que eles tomam ecstasy e alucinam pareceu-me tão bem feita que até fiquei com vontade de experimentar. Mas isto já é outra história...

Crítica Educacional
Domingo, fui almoçar na casa de uns amigos. Lá, havia uma adolescente idêntica à Miss Piggy, dos Muppets.

Por ser completamente auto-centrada, a garota era especialista em comentários desagradáveis e em assuntos desinteressantes. Para ela, a refeição teve início e não teve fim. Como acredito que a comida influencia o comportamento, não pude deixar de diagnosticar naquela ingestão incessante de alimentos um foco daquela existência infecciosa. Depois, fiquei me perguntando o que levaria os pais da citada a não interferirem na situação. Pela normalidade com que a compulsão era tratada, deduzi que deva ser diária. Logo, ou os genitores não ligam a mínima para o futuro da criatura ou utilizam aquela indiferença como instrumento de vingança. Os motivos? Desconheço. Parece-me não haver solução infalível para o problema, mas isto não justifica a desistência explícita.

Será que essas pessoas têm filhos para disseminar o sofrimento e piorar o mundo?

Netiqueta
É coisa de debilóide. Bom mesmo é ser suficientemente educado para saber agir sem se tornar uma ameba.

Para ir além
Língua de Fel


Renata Marinho
Rio de Janeiro, 19/6/2002

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01. Simplicidade: um objetivo cultural de Ram Rajagopal


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
19/6/2002
08h54min
Não sou eu apenas quem verifica a idiotia que acompanha a COPA e outros torneios que se entremeiam a ela. Creio ter sido aqui mesmo no DG que comentei estar irritado com essa porcaria já ANTES do efetivo começo. Tomara que você venha a fixar-se entre os colunistas do D.G.!
[Leia outros Comentários de RICARDO]
19/6/2002
18h27min
Tá bom, vai dizer que se todos os brasileiros deixassem de torcer o país mudaria? Não é por aí meu amigo, vamos é fazer esse povo ignorante ver que o voto deles pode mudar o destino desse país. Em vez de tirar o doce deles, vamos mostrar como eles serão os fabricantes desse doce no futuro , pense positivo e não queira destruir o que já é parte de uma cultura
[Leia outros Comentários de Vinicius Brown]
20/6/2002
17h35min
Chico Buarque. O vendedor de pastéis na feira. FHC ou Lula. Uma população de rodoviária no sul do Piauí inteira. Jorge Benjor, Luis Fernando Veríssimo. Soninha. Intelectuais ou não. Ricos, pobres. Milhões. Pelo Brasil e pelo mundo. Todos estes gostam de futebol. Sua afirmação " em vez de tirar o doce deles", Vinicius, por estas razões citadas acima, foi muito infeliz. Pois sei que um destes deve ter sua admiração. Elite também gosta de futebol. Seja ela cultural, financeira ou outra. []s, Fred
[Leia outros Comentários de Fred Neumann]
20/6/2002
17h49min
Ricardo, Fico feliz que você tenha gostado do texto. Acho que não precisamos nos irritar com a existência da copa, apenas penso que não deveríamos usá-la como recompensa por sermos o lixo do primeiro mundo.
[Leia outros Comentários de Fina Endor]
20/6/2002
17h59min
Caro Vinicius, tem certeza que você leu o texto até o fim? Nele, encontra-se a frase 'Podemos acompanhar os jogos, torcer, confraternizar; no entanto, esses eventos não podem funcionar como uma grande dose de morfina pan-difundida.' Deu para entender?
[Leia outros Comentários de Fina Endor]
21/6/2002
05h03min
Não estou acordado agora por insônia ou doença em família, mas porque centenas de cretinos manifestam sua estupidez soltando fogos e mais fogos e mais fogos ... Tire-se o doce deste povo sim! Até ele aprender a comportar-se! Garanto que se eu fizesse isso sozinho, que se soltasse fogos a esta hora, comemorando alguma coisa, a polícia já estaria batendo à minha porta. O voto deste "povo ignorante" pode mudar o destino deste país? Sei, sei, sei ...
[Leia outros Comentários de RICARDO]
21/6/2002
7. !!!
05h13min
Tire-se a crase!!
[Leia outros Comentários de RICARDO]
21/6/2002
11h54min
Gente, não é possível!!! Até quando pessoas inteligentes vão continuar misturando futebol e politica??? Toda Copa do Mundo é a mesma coisa. Que saco!Todos os países que se prezam têm um "esporte-paixão". Por favor, abram a janela, deixem entrar o sol e observem o mundo real. E, como eu disse, ainda hoje, para um amigo, TEM que haver algo de errado em quem nasce no Brasil e não gosta (ao menos um pouquinho)de futebol...Saudações. Verde-amarelas (cheias de felicidade pelo jogo que ganhamos hoje), Ana.
[Leia outros Comentários de Ana Veras]
21/6/2002
18h23min
Muito bonito em vez de viver amigavelmente e tentar compreender as deficiências do povo. Vamos malhar o pau neles pois são uns ignorantes assassinos, traficantes, sequestradores. Viva a classe média de merda do nosso país. Continuam achando que um lixeiro, gari entre outros são inferiores a eles...
[Leia outros Comentários de Vinicius Brown]
21/6/2002
21h23min
Cem por cento apoiado! Grata surpresa ler esta excelente crônica em plena bestialidade coletiva da Copa! Espero ler mais textos seus no Digestivo! Cabeças pensantes, fino humor e endorfina são sempre bem-vindos!
[Leia outros Comentários de zira]
22/6/2002
16h02min
Antes ser sincero que demagogo. Causa menos nojo.
[Leia outros Comentários de RICARDO]
23/6/2002
16h06min
Aí sim, concordo com você, Vinicius. Somos todos iguais. Meu vô chegou ao país sem nenhum tostão, e construiu um bom patrimônio. O mesmo para muitos que hoje são garis, e podem crescer na vida. Como um gari em minha cidade, que virou vereador, por sua capacidade de se comunicar e transmitir alegria para todos. Só posso achar besta que quem acha Copa uma bestialidade coletiva, e que acha futebol um saco, mas que não fica na sua e respeita quem gosta. Para vocês que não respeitam, só posso dizer algo que vcs vão ficar muito tristes: vcs não fazem parte da elite intelectual do Brasil, já que não fazem parte do mesmo grupo que o Luís Fernando Veríssimo e Chico Buarque. Brincadeiras á parte, parem de se levar a sério demais.Isso só acabará com a cultura e discernimento que ainda têm. Um abraço com mais paz,pô, Fred
[Leia outros Comentários de Fred Neumann]
24/6/2002
11h13min
Falou tudo e mais um pouco! valeu Fred Neumann!
[Leia outros Comentários de Vinicius Brown]
25/6/2002
20h05min
Vez por outra acontece um chilique de intelectualismo por aqui. Ainda bem que Fred Neumann e Ana Veras deram uma arejada na discussão. Achei o mais legal de tudo a franqueza de Neumann citando seu avô, que por mérito próprio logrou subir na vida. A propósito, uma das expressões mais destestadas por intelectual é "subir na vida". Eles, os intelectuais, só curtem mesmo é política de welfare, que cria gerações de dependendes em assistência social, caridade pública, tickets disso, tickets daquilo, etc. etc....
[Leia outros Comentários de Toni]
26/6/2002
00h18min
Em terra de débil-mental, pseudo-intelectual é rei.
[Leia outros Comentários de Fina Endor]
26/6/2002
09h25min
Dá até gosto...Ver como a pseudo-intelectualidade reina em Pindorama...Dá até vontade de rir...Depois de cortar os pulsos.
[Leia outros Comentários de Ana Veras]
27/6/2002
13h45min
É mesmo, Fina? E em qual dessas duas categorias você acha que está?
[Leia outros Comentários de Isabel Bispo]
27/6/2002
14h57min
Perspica-me a inépcia para a compreensão das pessoas. Nestas horas, só posso concluir que cada um lê o que quer, as palavras escritas são apenas um estímulo para que cada um fique correndo atrás do próprio rabo. às vezes reajo, às vezes me dá uma preguiça...
[Leia outros Comentários de Fina Endor]
28/6/2002
08h46min
Qual não foi a minha surpresa quando começei a ler as réplicas e tréplicas e me deparei com o oportuno comentário do atleticano Fred Neumann! Acrescento: o fato de achar Copa do Mundo a coisa mais importante do, transcende o dilema pão ou circo. Tem mais a ver com amor. E isso, meus caros, é impossível racionalizar ou controlar. Por amor sou vascaíno antes de ser brasileiro. Por amor - cego - sou incapaz de vociferar contra o pulha do Eurico Miranda sinceramente. Por amor, mando a ética pro espaço e comemoro triunfante um título com gol ilegal.
[Leia outros Comentários de Fernando Paiva]
28/6/2002
09h07min
Esqueci de algo: pra que serve mesmo uma elite intelectual brasileira?
[Leia outros Comentários de Fernando Paiva]
2/7/2002
04h05min
Aí Fernando, uma elite intelectual serve para isso aqui ó: http://www.henfil.hpg.ig.com.br/diretasja/diretasja.htm Ou você acha que Copa do Mundo em ano de eleição é apenas uma mera coincidência? E viva o Brasil Penta!
[Leia outros Comentários de Felipe Albertao]
2/7/2002
10h17min
Felipe, você sabe por que os intelectuais não gostam da expressão "subir na vida"? Porque ela valoriza a independência, a iniciativa própria, a responsabilidade individual. Todos esses atributos causam verdadeiro horror ao intelectual, que se vê sem razão de ser, sem espaço de manobra. O intelectual considera que todos (menos ele, evidentemente) devem ser submetidos aos desígnios de suas teorias e utopias, com os resultados catastróficos que conhecemos em Cuba, União Soviética, Alemanha nazista, etc. Para o adorador do Estado, população boa é a que se tornou anestesiada, esperando em fila pelas benesses do pai-estado, devidamente "recadastrada", pedindo aumento de "seguro-desemprego", inteiramente desarmada, transformada em manada pelas "organizações civis". A questão do futebol, nesse contexto, é apenas um pormenor. Não vejo muita diferença entre o esquerdista Serra e o extrema-esquerdista Lula. Mas certamente, por hora, a vitória brasileira no Japão diminuiu o coeficiente de ressentimento na sociedade. Esse fato não favorece Lula, pois é no fomento ao ressentimento e em sua manipulação que reside o potencial de aliciamento da extrema-esquerda. E quanto à pegunta sobre a quem servem os intelectuais, repondo que a eles mesmos, Fernando, a eles mesmos...
[Leia outros Comentários de Toni]
3/7/2002
01h53min
Parabéns, para quem não se considera pseudo-intelectual, você se saiu bem: misturou futebol com comunismo com eleições com sociedade, e ainda por cima fez uma análise socio-cultural-ecológica no contexto das andorinhas migratórias.
"[...] inteiramente desarmada, transformada em manada pelas "organizações civis"."
Só por curiosidade: você é do TFP, né não? PS: meu nome é Felipão
[Leia outros Comentários de Felipe]
3/7/2002
14h22min
Felipe, não estou familiarizado com o PQP, a que você diz pertencer, nem com o TFP, de sua pergunta. Na verdade, não tenho nem tenciono ter filiação partidária. Sinto, no entanto, que faço parte de um grupo de eleitores brasileiros que decididamente não acredita em histórias da carochinha, contos de fadas, mitos urbanos, etc. etc...
[Leia outros Comentários de Toni]
3/7/2002
16h43min
A grande verdade é a seguinte: comunistas, intelectuais, vegetarianos, indies, poetas concretos, argentinos, hippies e flamenguistas da Era Zico são muito chatos...
[Leia outros Comentários de Fernando Paiva]
5/7/2002
10h36min
Leio tanta filosofia sobre o futebol e me lembro de algo que me aconteceu estando em Maceio, Dezembro 1997. Um carinha, de cujo nome nao me lembro, estudante de Medicina, filhinho de Dotor, fluente em frances, critica duramente seu namoradinho pelo terrivel crime de torcer com paixao pelo seu Flamingo adorado. Os argumentos, bom, voces conhecen, ne? 15 minutos depois o cara descobre que eu tenho um pente daqueles plasticos, grandes e feios no bolso traseiro da calca. Ai o dotorcinho falou, escandalizado: "Acho engracado voce carregando esse pente no bolso da calca" Entao ta, Flamingo - Vasco, bobagem para adormecer o povao ignorante, MEU pente no bolso da MINHA calca, assunto da maior importancia. Da licenca!
[Leia outros Comentários de Dudu]
9/7/2002
12h57min
Olá de novo, Fina. Bem, "ser marginal" é um rótulo tão confortável quanto autolisonjeiro. Ele permite que você, de seu posto de observação fantasticamente superior, lance o mesmo olhar de desprezo a "débeis mentais" e "pseudo-intelectuais" -coisa que, por si só, já a qualifica como integrante do segundo grupo (além da criatividade lingüística expressa na invenção do verbo "perspicar", que não consta de nenhum dicionário de língua portuguesa. Esse tipo de discurso gongórico, desnecessariamente rebuscado, é um dos traços distintivos dos pseudo-intelectuais). Soa simpático acreditar-se um gênio incompreendido: essa é uma das muitas modalidades do auto-engano. Advirto, porém, que você talvez não seja tão mal compreendida por aqueles que a lêem. O que acho do seu texto, com toda a sinceridade, é que, embora ele toque em pontos importantes, não se descola dos surradíssimos lugares-comuns da esquerda sobre a "alienação" futebolística. O futebol e as reações que ele suscita são coisa bem mais interessante e complexa. Sugiro aos leitores que procurem por uma coluna escrita por Hélio Schwartsman, no final de junho, no site da Folha Online. Sem deixar de lado o aspecto "alienante" do futebol, ele lembra o historiador holandês Huizinga e seu conceito de "homo ludens" -isto é, o jogo como idéia central da civilização. Na minha opinião, é uma abordagem mais rica e multifacetada do que a repetição de clichês (por mais verdade que haja neles) sobre futebol e miséria. Abraços da Isabel.
[Leia outros Comentários de Isabel]
9/7/2002
14h40min
Olá Isabel, O verbo 'perspicar' foi uma alusão ao Guimarães Rosa que, no seu genial Tutaméia, escreve: "Perspica-nos a inércia que soneja em cada canto do espírito, e que se refestela com os bons hábitos estadados. (...) Assenta-nos bem à modéstia achar que o novo não valerá o velho; ajusta-se à melhor prudência relegar o progresso no passado." Homo Ludens, sim, sim, é uma discussão antiga e cara aos filhos de maio de 68. Infelizmente, não estou com muito tempo pra entrar neste assunto; mas é interessante. Quanto ao lugar-comum, desculpe-me não ter alcançado toda a originalidade que seu fino-trato exige. Se puder, mande-me o que você escreveu de original sobre a copa.
[Leia outros Comentários de Fina Endor]
10/7/2002
12h49min
Muito bem, Fina! Bravos pela lembrança do Rosa; pondero apenas que ela não muda em nada o que afirmei sobre o gongorismo do seu discurso (pelo contrário, arrisco-me a dizer que reforça: citar Rosa para dar algum peso intelectual às nossas opiniões é sempre interessante). Não sei se você quis me incluir no grupo dos "filhos de maio de 68" -mas, já que eu nasci em junho de 70 e não concordo com muitas das besteiras ditas e feitas dois anos antes, esse não é um clube de que eu me considere integrante. Quanto à sua "cobrança" ("mande-me o que você escreveu de original"), equivale a dizer que você deveria ter jogado futebol -e bem- antes de palpitar sobre o esporte. Se você dispensa essa experiência para escrever seus lugares-comuns, eu também me sinto desobrigada de lhe mandar meus "textos originais". Ademais, a colunista é você, não? Abraços da Isabel.
[Leia outros Comentários de Isabel]
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