Balzac S/A | Cezar Bergantini

busca | avançada
47592 visitas/dia
1,9 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Bossa Nova Mall homenageia músicos brasileiros com a programação especial Cantos e Encantos do Brasi
>>> SESC CARMO REALIZA CICLO DE OFICINAS VIRTUAIS SOBRE DIREITOS SOCIAIS E PRIMEIRA INFÂNCIA
>>> Tiras da Niara viram livro
>>> “Relatos da Era Digital”: novo álbum celebra a cultura sound system
>>> Abertas as Inscrições para a Oficina Conteúdo Audiovisual Infantil e Infantojuvenil
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Olavo de Carvalho (1947-2022)
>>> Maradona, a série
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
Colunistas
Últimos Posts
>>> O melhor da Deutsche Grammophon em 2021
>>> A história de Claudio Galeazzi
>>> Naval, Dixon e Ferriss sobre a Web3
>>> Max Chafkin sobre Peter Thiel
>>> Jimmy Page no Brasil
>>> Michael Dell on Play Nice But Win
>>> A história de José Galló
>>> Discoteca Básica por Ricardo Alexandre
>>> Marc Andreessen em 1995
>>> Cris Correa, empreendedores e empreendedorismo
Últimos Posts
>>> Brega Night Dance Club e o afrofuturismo amazônico
>>> Fazer o que?
>>> Olhar para longe
>>> Talvez assim
>>> Subversão da alma
>>> Bons e Maus
>>> Sempre há uma próxima vez
>>> Iguais sempre
>>> Entre outros
>>> Corpo e alma
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Wear Sunscreen
>>> Millôr no IMS Paulista
>>> Uma história da Chilli Beans
>>> L.S.D.eus
>>> Vida Virtual? Quase 10 anos de Digestivo
>>> Also known as
>>> No line on the horizon, do U2
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> Carteiros do Condado
>>> Amor fati
Mais Recentes
>>> Fábulas Fabulosas 5ª Edição Ilustrada de Millôr Fernandes pela Nórdica
>>> Apostila SESI 9º Ano Ensino Fundamental Anos Finais Caderno 4 de Serviço Social da Industria pela Somos (2020)
>>> A Revolução Russa - 4ª Edição - Série Discutindo a História de Maurício Tragtenberg pela Atual (1988)
>>> Apostila SESI 9º Ano Ensino Fundamental Anos Finais Caderno 1 de Serviço Social da Industria pela Somos (2020)
>>> O vencedor está só de Paulo Coelho pela Agir (2008)
>>> A Chave do Tesouro de J. Carlos de Assis pela Paz e Terra (1983)
>>> Apostila SESI Ensino Fundamental Ano Finais - Linguagens: Língua Espanhola 1 de Serviço Social da Industria pela Sesi (2020)
>>> Tudo Sobre Meninas para Meninos de Cláudia Felício pela Planeta (2006)
>>> Apostila SESI Ensino Fundamental Ano Finais - Linguagens: Língua Espanhola 3 de Serviço Social da Industria pela Sesi (2021)
>>> Comentários as Súmulas do Tst de Francisco Antonio de Oliveira pela Revista dos Tribunais (2005)
>>> Ecologia Objetiva de Dervile Ariza pela Nobel (1979)
>>> Diário de Um Fantasminha 2 de Adeilson Salles pela Letra Jovem (2018)
>>> Diário de Um Fantasminha 2 de Adeilson Salles pela Letra Jovem (2018)
>>> A Importância de Crer de R R Soares pela Graça (1999)
>>> O Desafio das Emoções Biblioteca Mente e Cérebro de Gláucia Leal Org. pela Duetto (2013)
>>> O Melhor do humor na internet - volume 2 de Netto Augusto M. Costa pela Best Seller (2010)
>>> Apostila SESI Ensino Fundamental Ano Finais - Linguagens: Língua Espanhola 2 de Serviço Social da Industria pela Sesi (2021)
>>> O Resgate - Ele Não Desistiu de Você de Sergio Corrêa pela Unipro (2018)
>>> Sobre a China de Karl Marx e Friedrich Engels pela Publicações Escorpião (1974)
>>> O livreiro de cabul de Asne Seierstad; Grete Skevik pela Record (2006)
>>> O livro do bar de Carlos hauber pela Ediouro (1987)
>>> Ramses v.2 - the eternal temple de Christian Jacq pela Warner Books (1998)
>>> A Travessa Americana de Carlos Eduardo Novaes pela Ática (1985)
>>> Educar sem Culpa - a Gênese da Ética de Tania Zagury pela Record (2003)
>>> A História da Aranha de Berny Stringle (Autor), Jackie Robb (Autor) pela Atica (2004)
ENSAIOS

Segunda-feira, 5/10/2009
Balzac S/A
Cezar Bergantini

+ de 5000 Acessos

Ao ler Balzac (Planeta, 2009, 296 págs.), de Johannes Willms, ocorreu-me que se vivesse hoje o escritor francês seria rico. Podre de rico. Talvez não um top ten da Forbes. Mas provavelmente estaria entre os 100 maiores. Por um motivo simples: sua inacreditável capacidade de gerar riqueza midiática.

Não só porque produzia e fazia produzir, com disposição napoleônica e em escala industrial, romances, contos, folhetins, crônicas, teatro, crítica, projetos, debates, bate-bocas, casos amorosos, anedotas, notícias, caricaturas, processos judiciais e ― de forma mais industrial ainda ― dívidas.

Mas principalmente porque ele criou e recriou inúmeros produtos, formas e formatos da indústria editorial, jornalística, gráfica e publicitária.

Balzac inventou o romance moderno. São devedores dele: Proust, Joyce, Rosa, Burgess, entre outros. Sua linguagem está viva até hoje. Segundo pesquisa de Franklin Jorge, "lavagem de dinheiro" e "laranja" são gírias balzaquianíssimas. "Tia", para homossexual de meia-idade, também. Ele escrevia para o plebeu, para o aristocrata, para o militar. Também era lido pela burguesia, embora não fosse seu target (Honoré era monarquista e antirrevolucionário). Chegou a ter uma boa agente literária ― Louise de Brugnol ― mas a pobre labutava também como governanta, amante, mãe e enfermeira. Balzac a chamava de "mulher-cão". Se tivesse agentes profissionais, Balzac teria vendido mais do que Paulo Coelho e J.K. Rowling juntos.

Depois, inventou o folhetim ― o cavalo a vapor que bombou as primeiras engrenagens jornalísticas, depois a máquina do rádio e agora a indústria da TV. Ele mesmo não conseguiu adaptar-se à construção narrativa fracionada, nem criar os ganchos que o formato exige. Ironicamente, quem mais lucrou à época foi um inimigo jurado de Balzac, Eugène Sue, um dos primeiros mestres do "gancho". Depois vieram Glória Magadan, Dias Gomes, Aguinaldo Silva...

Empresário gráfico, Balzac criou o bolsilivro. Infelizmente um fracasso de vendas, pois as limitações tipográficas tornavam o formato quase ilegível. Com essa invenção, ele amargou sua primeira falência. Atualmente, teria enchido os bolsos com Brigitte Monfort, FBI, Colt, Sabrina, e similares.

Balzac inventou o político de massas midiático quando nem havia política de massas. Tentou eleger-se na base da popularidade, mas a maioria dos seus fãs não eram eleitores. Antes de 1848, só votava na França quem pagasse a fortuna de 200 francos anuais de impostos. Num regime político de massas, entretanto, Honoré nocautearia Schwarzenegger. Daria um banho em Cicciolina.

Era marqueteiro nato. Viveu de merchandising quando a propaganda ainda engatinhava. Seu alfaiate Buisson recebeu cinco inserções na Comédia Humana. Em troca, crédito ilimitado para o caríssimo fashion balzaquiano. Despesas com festins em restaurantes da moda? Receitas de merchandising. Os fictícios Lucien de Rubempré e Henri de Marsay eram habitués das mesmas casas que seu criador. Só o Rocher de Canale, um dos templos da época, é citado 39 vezes na Comédia.

Balzac inventou também o marketing promocional. Fez de si próprio um personagem famosíssimo, mas não conseguiu administrá-lo. Volta e meia, misturava o homem e o personagem, a realidade e a aparência. E dava com os burros n'água. Um apoio psicológico e uma consultoria de imagem competentes o teriam transformado num produto valiosíssimo. Talvez superior a Dalí, se tivesse Gala. Ou Warhol, se tivesse...

Por fim, Balzac inventou os direitos autorais. Ele escreveu a base da lei francesa de 1854 e também redigiu um código literário que regulamentava o direito dos autores perante editores ― transformado em lei 12 anos após sua morte. Honoré deve ter chacoalhado seus endividados ossos na cova. Quando vivo, nunca viu a cor (só o cheiro, uma vez) de uma comissão. Hoje em dia, direitos autorais giram bilhões de dólares ao redor do mundo.

Proust dizia que a grande arte leva uma geração para ser aceita. Balzac sacou isso muito antes, ao perceber que só ficaria rico quando não precisasse mais. Em abril de 1842 ele escreveu: "É preciso transcorrer meio século até que uma coisa grande seja, enfim, compreendida".

Proust ― que não dependia da sua pena para viver ― escrevia em busca do tempo perdido. Para Balzac, tempo era Money. Ele escrevia em busca da grande tacada. Pena que não viveu para ver as tacadas milionárias que se tornaram suas obras, suas invenções, suas lutas, sua vida. Daria para construir uma holding: Balzac S/A.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na Revista da Cultura, edição de agosto de 2009.

Para ir além






Cezar Bergantini
São Paulo, 5/10/2009

Mais Cezar Bergantini
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Vôo de Pássaro
Lúcia Pimentel Góes
Nacional
(1985)



Oab Nacional 1ª Fase. Teoria Unificada
Simone Diogo Carvalho Figueiredo
Saraiva
(2011)



Vodu Urbano
Edgardo Cozarinsky
Iluminuras
(2005)



Marley & Me Marley & Eu
John Grogan
Ediouro Publicações Sa
(2000)



Renato Russo: O filho da revolução
Carlos Marcelo
Agir
(2012)



Mercadores de Sentido (lacrado)
Veneza Mayora Ronsini
Sulina
(2007)



Psicologia e Educação
Ercília Maria de Paula Fernando Wolff
Iesde
(2009)



Atrás do Espelho - Cartas de Meus Pais
Afonso Arinos Filho
Record
(1994)



Novo Código de Processo Civil Comentado
Daniel Amorim Assumpção Neves
Juspodivm
(2016)



Sql Guia Pratico
Rogerio Luis de C Costa
Brasport
(2006)





busca | avançada
47592 visitas/dia
1,9 milhão/mês