Prata de tolo | Eduardo Carvalho | Digestivo Cultural

busca | avançada
26396 visitas/dia
708 mil/mês
Mais Recentes
>>> Zé Eduardo faz apresentação no Teatro da Rotina, dia 30.05
>>> Revista busca artigos inspirados no trabalho de professores
>>> Cabelo faz finissage no BNDES Rio
>>> Palombar realiza temporada gratuita em Cidade Tiradentes durante o mês de Junho.
>>> VIVA NANÁ! homenageia o saudoso percussionista pernambucano Naná Vasconcelos no Sesc 24 de Maio
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> Raio-X do imperialismo
>>> Cães, a fúria da pintura de Egas Francisco
>>> O Vendedor de Passados
>>> A confissão de Lúcio: as noites cariocas de Rangel
>>> Primavera para iniciantes
>>> Nobel, novo romance de Jacques Fux
>>> De Middangeard à Terra Média
>>> Dos sentidos secretos de cada coisa
>>> O pai da menina morta, romance de Tiago Ferro
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
>>> Psiu Poético em BH esta semana
Últimos Posts
>>> Publicando no Observatório de Alberto Dines
>>> Entre a esperança e a fé
>>> Tom Wolfe
>>> Terra e sonhos
>>> Que comece o espetáculo!
>>> A alforja de minha mãe
>>> Filosofia no colégio
>>> ZERO ABSOLUTO
>>> Go é um jogo mais simples do que imaginávamos
>>> Wild Wild Country
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Entrevista da Camille Paglia
>>> Primavera para iniciantes
>>> Batchan, elas são lindas...
>>> Batchan, elas são lindas...
>>> Meu cinema em 2010 ― 2/2
>>> Doente de tanto saber
>>> O último Shakespeare
>>> De Middangeard à Terra Média
>>> Figuras de linguagem e a escrita criativa
>>> Meu Tom Jobim
Mais Recentes
>>> A Literatura no Brasil
>>> A Revolução das Moedas Digitais- Bitcoins e Altcoins
>>> O Menino de Capivari - Volumes I, II e III
>>> Por uma Geografia Nova
>>> Oriundi - os Italianos em Capivari
>>> Filosofia da Realidade e da Projeção
>>> Astrojildo Pereira - in Memoriam
>>> J. Prata - Belas Páginas
>>> Vida, Paixão e Poesia de Rodrigues de Abreu
>>> Vida, Paixão e Poesia de Rodrigues de Abreu
>>> Salomé e Outros Versos
>>> Salomé e Outros Versos
>>> Ensinar a Pensar -Teoria e Aplicação
>>> Na Escola que Fazemos - Uma reflexão interdisciplinar em edução popula
>>> Educação e Mudança
>>> Acompanhantes Terapêuticos e Pacientes Psicóticos
>>> A Beleza da Arte
>>> A Ronda das Ruas
>>> O Combate a Corrupçao Nas Prefeituras do Brasil
>>> Ciencias e Tecnologias Col. Pesquisas e Praticas Em Educacao
>>> Prática Pedagógica Competente: Ampliando os Saberes do Professor
>>> Os Segredos do Gerente 8020
>>> Excelência no Secretariado: A Importância da Profissão nos...
>>> Segurança E Medicina Do Trabalho
>>> Gestão de Investimentos - Pocket
>>> Plano de Negócios
>>> Marinheiros e professores: crônicas simples ade, construtivismo
>>> Jogo de Areia
>>> Pare de Dar Murro em Ponta de Faca
>>> Administração de Vendas
>>> A Grande História da Evolução. Na Trilha dos Nossos Ancestrais
>>> Terapia Intravenosa e Infusoes
>>> Terapia Intravenosa e Infusoes
>>> Terapia Intravenosa e Infusoes
>>> Os Verdadeiros Líderes da Mudança
>>> 50 Técnicas Essenciais Da Administração
>>> A Arte de Vender Idéias
>>> Geração de Valor 2
>>> Team & Leader Coaching
>>> Tudo é óbvio, Desde Que Você Saiba A Resposta
>>> Twitter Influenciando Pessoas E Consquistando Mercado
>>> A Aprendiz
>>> Que Crise é Esta?
>>> A era da Competência
>>> Gerenciamento da Tecnologia
>>> Gestão de Carreiras e Competências Empresariais
>>> Somos Todos Extraordinarios
>>> Guia Politicamente Incorreto Da Historia Do Brasil
>>> Estudos de Complexidade - Volume 2 - Livro
>>> Organizacoes Em Aprendizagem C Olecao Debates Em A - Livro
COLUNAS

Segunda-feira, 9/12/2002
Prata de tolo
Eduardo Carvalho

+ de 7600 Acessos
+ 5 Comentário(s)

Mario Prata

Um dos piores escritores do Brasil - e, conseqüentemente, um dos mais lidos e admirados - é o Mario Prata. Seu sucesso seria um insolúvel mistério, se ele escrevesse sozinho entre miríades de cronistas competentes e talentosos. Mas não: seus companheiros de trabalho são quase sempre tão ruins quanto ele. O principal destaque de Mario Prata, na verdade, - e, talvez, o seu especial segredo - é que ele conjuga e potencializa alguns dos piores defeitos dos "melhores" cronistas do Brasil, sem agregar suas qualidades: a absurda ingenuidade política de Luis Fernando Veríssimo; a tediosa falta de assunto de João Ubaldo Ribeiro; a moleza opinativa de Ignácio de Loyola Brandão. E, de todos, a perspectiva umbigocêntrica do mundo, como se fosse capaz de transformar seus incômodos com um pernilongo em um caso engraçado e interessante. Mario Prata, camuflado por prêmios e defendido por fãs, continua sendo, para leitores atentos, um engodo evidente. Só o silêncio poderia esconder sua anemia imaginativa; mas ele decidiu ser escritor. Sua mediocridade, então, é indisfarçável.

É um recurso comum, entre cronistas que publicam regularmente, a encheção de lingüiça deslavada. Mais de dois parágrafos, muitas vezes, com reminiscências bobas e diálogos inúteis, em que fica evidente, para o leitor acostumado, a preocupação do escritor em simplesmente preencher espaço. Cony e Veríssimo, por exemplo, escrevem diariamente, e suas eventuais apelações são compreensíveis. E, mesmo assim, eles sabem controlar o estilo, que, quando o conteúdo é oco, é o que sobra. Cony e Veríssimo escrevem com facilidade e fluência, alternado com precisão, entre curtas e longas, o tamanho de suas frases, e suas palavras são adequadamente escolhidas - sabendo exatamente o efeito que pretendem e que provocam. As crônicas de Mario Prata, no entanto, saem semanalmente. São relativamente curtas, o que, no seu caso, é positivo - mas mais da metade do que escreve é completamente inútil, mesmo para justificar ou ilustrar uma situação ou sua opinião. A única sensação que seu texto pode eventualmente provocar em um leitor inteligente é a de que não é preciso ser inteligente para ser considerado escritor; basta saber enganar. E Mario Prata é um completo embuste.

Um escritor de verdade precisa cumprir, no mínimo, dois requisitos básicos, e em especial para escrever crônicas: possuir um estilo próprio e corrente; e, talvez ainda mais importante, ser um observador atento e alerta, capaz de perceber, em acontecimentos vulgares, alguma coisa de diferente, incomum. Ou seja: o escritor precisa combinar uma capacidade extraordinária de observação com uma formidável habilidade com o idioma, para colocar no papel aquilo que, para os seus leitores, não passa de impressão vaga e perdida. Ou, então, - se escrever como um jornalista apressado e observar como um mecânico ocupado - seu texto será completamente desprezível, reproduzindo opiniões convencionais e retratando a realidade comum. Não registrará, jamais, nada de novo: e a conclusão de seu texto será, com muita probabilidade, no mesmo estilo e com o mesmo conteúdo da última coluna do Mario Prata, "Doidas e doidos": "Seja doido você também! Façamos um país cheio de contentamento, feliz, encantado, com paixão, entusiasmo, incomum, extravagante, exageradamente doido e feliz."

Isso depois de, durante o início da crônica, dizer que os seus conhecidos são todos doidos, mas que ser doido, afinal, não é tão ruim assim. Porque, conforme o dicionário Houaiss, ser doido significa ser feliz - e, portanto, ele quis dizer, na verdade, que todo mundo é feliz. Não é lindo? Não - é, isso sim, extremamente chato. E escolhi sua última coluna por acaso mesmo, porque, se procurar outras, vou cair na mesma bobagem repetida: um elogio irrestrito aos Tribalistas, comparando-os, da forma mais infantil possível, com os tropicalistas; um diagnóstico estúpido, mas comum, das eleições: "Fora o voto dele (Serra) e da família, o resto votava era contra o Silva, contra o analfabeto, contra o metalúrgico, contra o homem do povo. Enfim, 30 milhões votaram contra o brasileiro natural e, portanto, contra o Brasil"; uma homenagem ao cantor Ray Conniff, que ilustra com perfeição sua incompetência arrogante: "Se você não sabe quem foi (é) Ray Conniff, me dá vontade de dizer que então você não viveu". Mario Prata está obviamente congelado no tempo: além de escrever como criança, distribui opiniões sempre baseadas numa nostalgia boêmia, alheia e pentelha ao leitor sensível. O seu assunto esgotou junto com a sua fórmula.

Não é necessariamente exigido, mas referências eruditas escapam com naturalidade de um escritor normal. Não é possível que alguém, que é ou pretenda ser escritor, desenvolva seus dotes naturais sem recorrer eventualmente a clássicos literários, ou, para apurar a sensibilidade, a música erudita, por exemplo. Citações e alusões, de vez em quando, são apropriadas, menos para exibir conhecimento do que para apontar exemplos - e Mario Prata as utiliza, às vezes até exageradamente. Mas quase sempre ridiculamente. Duas vezes, que me lembre, ele se referiu a escritores: Dostoievski e Rilke. Em relação a Dostoievski, reclamou que, depois de inúmeras tentativas, mais uma vez desistiu de ler Os irmãos Karamozovi, muito longo e muito chato. De Rilke, aproveitou seu indispensável mas manjado Cartas a um jovem poeta e, com a desculpa de ilustrar seu assunto, copiou trechos inteiros, completando metade da coluna. Houve outras, talvez - mas duvido que tenham sido diferentes: escritores, para Mario Prata, são ou o incômodo de suas férias ou a salvação de sua coluna - a não ser, é claro, que sejam seus amigos ou leitores. Em outra ocasião, aliás, e com outra desculpa esfarrapada, copiou cartas de seus leitores, preenchendo quase inteiro seu espaço no "Caderno2". Melhor assim, talvez - apesar da chatice insistente, Mario Prata conserva a virtude da brevidade.

Chatice que, por sinal, é sua preocupação recorrente. Mario Prata gosta de chamar os outros de chatos. Como se ele fosse, digamos, legal, porque alguém, há uns oitenta anos, disse a ele que escreve bem - e, diferente de outros escritores, sem ser chato. E ele acreditou. E decidiu ser escritor. E aprendeu, com dedicação, a fórmula necessária, que consiste na lembrança vazia de memórias boêmias com opiniões socialmente bacanas. Assumiu o estilo: que vai desde passagens por spas, com a intenção de largar o alcoolismo, até o descuido com os dentes, para preservar a imagem de desapego a questões estéticas. Funcionou - e agora serve, ele mesmo, como modelo. Não adianta, porém: não há sucesso profissional que mascare uma mediocridade tão óbvia. Mario Prata é, antes e mais do que tudo, justamente aquilo que ele sempre evitou ser: um escritor chato. Não vale, por cinco minutos, uma companhia na privada.


Eduardo Carvalho
São Paulo, 9/12/2002


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Daniel Piza: uma lanterna cultural de Wellington Machado
02. Monteiro Lobato, a eugenia e o preconceito de Gian Danton
03. O petista relutante de Rafael Rodrigues
04. O futuro (incerto?) dos livros de Rafael Rodrigues
05. Memória das pornochanchadas de Gian Danton


Mais Eduardo Carvalho
Mais Acessadas de Eduardo Carvalho em 2002
01. Com a calcinha aparecendo - 6/5/2002
02. Festa na floresta - 9/9/2002
03. Hoje a festa é nossa - 23/9/2002
04. Todas as paixões desperdiçadas - 23/12/2002
05. Uma verdade incômoda - 4/11/2002


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
9/12/2002
10h15min
Caro Eduardo, Falar do Mario Prata também é chato, ele é um escritor que não deve lido ou lembrado com tamanha seriedade. Em seu próximo texto faça uma crítica mais bacana, como a do show Chaetando Meloso e sua trup de rebeldes sem causa ou consequência. Imaginar que um ataque de armas biológicas no Parque do Ibirapuera poderia livrar o mundo de 100.004 pessoas chatas. Vê se escreve um texto mais legal porque o Mario Prata é muito chato até quando se fala dele. Abração Otávio
[Leia outros Comentários de Otavio]
9/12/2002
11h09min
Parabéns pelo texto, Eduardo. Concordo com tudo o que foi escrito, com ponto, vírgula e tudo. E Tom Jobim é o Mário Prata da MPB.
[Leia outros Comentários de Fernando]
9/12/2002
19h43min
Concordo plenamente com o texto de Eduardo Carvalho, e acho que o Pratinha assim como Paulo Coelho, deveria ingressar na ABL, e tornar-se um chato e medíocre escritor definitivo. Apenas fazendo um adendo aos comentários acima, Caetano e sua trupe já perderam as ideologias há muito tempo, só lhes restando o insistente reconhecimento por parte de alguns ripongas saudosistas; estes deveriam estar se beneficiando dos serviços prestados pelo INPS ou SUS. Não posso concordar em chamar Tom Jobim de Mário Prata da MPB...isso sim é um absurdo; se Mário tivesse um mínimo da genialidade de Tom, certamente não estaria dependendo da bondade de "amigos e fãs". A música de Tom, é um legado, como a música de Noel e tantos outros.
[Leia outros Comentários de Jorge]
19/12/2002
11h50min
Prezado Eduardo Carvalho, Li pela primeira vez um artigo seu e gostei do português, muito raro, hoje, ver alguém escrever bem o nosso idioma. Estando distante do Brasil, moro em Montreal, nem ao menos sei quem seja este senhor Mário Prata, mas as minhas experiências de ter vivido a famigerada ditadura militar no Brasil e a de hoje viver num país que prima pela liberdade de expressão, fazem-me pensar que aquele senhor tem --aasim como o senhor o tem para criticá-lo-- o pleno direito de pensar não importa o quê, votar não importa em quem, escrever e/ou publicar seja lá o que for e, óbviamente, agradar ou não a esta minoria de brasileiros leitores que têm acesso a literatura. Achei, portanto, esse seu artigo muito positivo no especto crítico, porém agressivo demais, impondo uma tamanha chafurdação e humilhação ao senhor Prata que assim sugere o seu fim como escritor, o desincentivo dos leitores a lê-lo e, por fim, criando um clima inadequado à liberdade de expressão e de desenvolvimento da boa ou má literatura brasileira. Gostaria ainda de dizer que num dos comentários ao seu texto, alguém referiu-se ao famoso poeta Tom Jobim, que foi e é uma das maiores personalidades e genialidades brasileiras à nível internacional. Sucesso! Continuarei a lê-lo. Normando
[Leia outros Comentários de Normando Lima]
26/12/2002
19h14min
Não sou fã do texto do escritor Mário Prata. Mas sua crítica está muito contundente. Há quase algo de pessoal. Aliás achei uma crítica chata.Fui me irritando enquanto lia.Penso que o senhor fez um pequeno laboratório com seus leitores. A ferocidade foi proposital.Não por motivos mesquinhos.Mas para provocar.Teria outra explicação?
[Leia outros Comentários de Luiz Alberto Dias]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




MULHERES LIBERADAS
BARBARA RASKIN
NOVA CULTURAL
(1986)
R$ 10,00



MANGÁ HITMAN - MATADOR POR ACASO 1
HIROSHI MUTOU
SAMPA ARTE / LAZER
R$ 8,99



O CAPITÃO HÁTERAS
JÚLIO VERNE
EDIÇÕES DE OURO
(1964)
R$ 9,00



ELEKTRA ASSASSINA MINISSÉRIE DE LUXO
FRANK MILLER E BILL SIENKIEWICZ
ABRIL
(1989)
R$ 40,00



ÁLGEBRA IV
CID A. GUELLI E OUTROS
MODERNA
R$ 8,00



CURSO INFO PHOTOSHOP CS4 - CD-ROM
ABRIL
ABRIL
R$ 35,00



MANGÁ HITMAN - A SEGUNDA TEMPORADA 3
HIROSHI MUTO
SAMPA ARTE / LAZER
(2007)
R$ 9,99



TÃO PURA, TÃO BOA
FRANCES FYFIELD
COMPANHIA DAS LETRAS
(1999)
R$ 15,00



FREI LUIS DE SOUSA
ALMEIDA GARRET
EDIOURO
(1996)
R$ 5,00



DIA DE EUTANÁSIA
STEPHEN SPIGNESI
LANDSCAPE
(2008)
R$ 11,00





busca | avançada
26396 visitas/dia
708 mil/mês