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COMENTÁRIOS >>> Comentadores

Terça-feira, 26/11/2002
Comentários
Flamarion Daia Junio


A origem dos erros
Caro senhor Hayek Para se informar, o Paulo Francis não era confiável. Ele era uma pessoa muito charmosa, que encantava se exibindo, e um homem inteligentíssimo e dedicado a alta cultura - coisa que não há na imprensa brasileira. Por isso Paulo Francis, na hora de informar, era muitas vezes leviano, negligente, snobe e desinteressado de conferir suas informações, ou de fazer pesquisas por conta própria. Ele tinha muitos preconceitos contra a classe política, e quando as informações confirmavam seus preconceitos ele não se dava ao trabalho de checá-las. Por outro lado, ele não gostava de comentar a política brasileira, e muitas vezes parecia querer se livrar do assunto, quando escrevia. Essas coisas reais prejudicaram e muito seu trabalho. Há que se considerar ainda que muitos brasileiros não sabiam realmente do que Paulo Francis falava, e portanto ele não tinha que temer cobranças, o que lhe permitia agir irresponsavelmente ( o Olie vai pelo mesmo caminho. Daqui a alguns anos, se ele ainda tiver uma coluna no Globo, o que é duvidoso, veremos uma mancada atrás da outra... ). Já disse e repito: o prestígio de Paulo Francis é uma prova do mal estado da cultura brasileira ( bem que Paulo Francis lutou contra isso. Ele sabia que não merecia o destaque todo que tinha... ). Até aqui, para explicar o que eu penso ter sido a origem dos erros do Paulo Francis. Agora, vamos aos erros.

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Flamarion Daia Junio
26/11/2002 às
23h17 200.103.45.232
 
RE: Charade
Caro Alexandre Soares Silva Bem, aceito suas explicações. O que não quer dizer que eu concorde. Mas quem sou eu para mandar neste site? Este site é que me faz um favor, cedendo este espaço, que uso e abuso ( and how! ). Não me ofendi tampouco pelo tom ranzinza, na verdade isso me incentiva a produzir. Se fomos aceitar sua definição de influência, na verdade todos nós fomos influenciados por tudo o que encontramos na vida. Eu até concordo, lembrando que há uma diferença de grau ( não sei se quantitativa ou qualitativa ) - É claro que existem seres que influenciam mais do que outros. Muitos castelos de cartas já foram derrubados, pelo ritmo vertiginoso da internet, o seu não será o primeiro. Portanto, antes disso acontecer, deixarei minha marca nas muralhas. Cordialmente, Flamarion Daia Júnior P.S. Porque ninguém falou do que é tido mas não havido, pelo menos para mim, como o mais famoso Filho da P... Desculpe, de Francis, O Veneziano da Veja?

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Flamarion Daia Júnio
25/11/2002 às
20h00 164.41.122.2
 
Errata
Errei: Houve dois textos da senhorita ( como ela prefere ) *Roberta* que sumiram. Nenhum deles era pornográfico, como nenhum texto meu. Como também não era pornográfico o texto do senhor Alexandre Soares Silva.

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Flamarion Daia Júnio
24/11/2002 às
23h05 200.103.47.193
 
endurecimento nas partes
Meus caros senhores O episódio dos textos que somem me lembrou uma frase do Paulo Francis, que para não ofender os brios puritanos deste site e seus sensíveis frequentadores, eu vou adaptar as circusntâncias: "Para saber se um texto é ou não pornográfico, é só ler em voz altas perante um grupo de homens, e depois mandar eles baixarem as calças: se houver endurecimento das partes intimas, é porque o texto é pornográfico". Sempre é bom se lembrar do Paulo Francis! Espero que os senhores zhaan e Guilherme Reckena não desmaiem com o choque, de ouvir falar em "endurecimento das partes íntimas" ( ai, meus sais! ). Não descarto a possibilidade dos senhores Zhaan e Guilherme Reckena terem sentido algum "endurecimento nas partes intimas" ao lerem meus textos, e por isso tenham resolvido pedir que meus textos sejam retirados. Bem, não foram apenas textos meus que sumiram: houve um do senhor Alexandre Soares Silva e outro da senhora *Roberta*, além de dois meus, e eles não tinham nada de pornográfico ou chulo, por mais sensíveis que o senhor zhaan e o senhor Guilherme Reckena ( este ao menos se reconhece um novato... ). Espero que não seja censura política, porque não vejo como possa ser sexual. Aguardo explicações Flamarion Daia Júnior

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Flamarion Daia Júnio
24/11/2002 às
22h50 200.103.47.193
 
textos que somem
Caro senhores Há um texto do senhor Alexandre Soares Silva que sumiu. Há um texto da senhora *Roberta* que sumiu, e há um texto meu respondendo ao texto da senhora *Roberta* que sumiu. É impressão minha, é defeito deste site, é defeito no meu micro, Ou é censura? Sinceramente, prefiro mil vezes que meu micro tenha um defeito. Se há algo que não quero de jeito nenhum é que os textos sumam. Flamarion Daia Júnior

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Flamarion Daia Júnio
24/11/2002 às
21h44 200.163.94.32
 
Re:Whatever, dude
Caro senhor Alexandre Soares Silva Aceitando seu convite, estou de volta. Vejo que o senhor tem o hábito de dormir tarde, pelo menos sábado. Melhor assim. Podemos conversar sem peru ( no bom sentido, figurado mas bom ) de fora. Seja o perdão uma grandeza qualitativa, e não quantitativa ( existe meio-perdão? ): nesse caso, eu o perdôo totalmente por não ter dado muita atenção ao meu texto. É mesmo grande. Mas prefiro assim, que deixar alguma coisa de fora, entre admitir mil besteiras e ser seletivo e deixar algo importante de fora, prefiro a primeira alternativa. Reconhecendo porém que meu texto é mesmo longo demais, eu o perdôo. Certamente que o Martim Vasques da Cunha não precisa repetir tudo o que Paulo Francis dizia - nesse caso, para que ele escreveria alguma coisa, para começar? MAS EM ALGUMA COISA IMPORTANTE, PELO MENOS, O MARTIM VASQUES DA CUNHA DEVERIA CONCORDAR COM O PAULO FRANCIS PARA SER INFLUENCIADO POR ELE. Se Nietzsche lesse o que Mencken escreveu sobre a democracia, concordaria em gênero, numero e grau. Se Robert Louis Stevenson lesse o que Borges escreveu sobre cinema, concordaria em gênero, número e grau ( não havia cinema no tempo de R.L.S, graças a Deus, senão perderíamos alguns contos e novelas razoáveis e ganharíamos ótimos roteiros para filmes - o que na minha humilde opinião seria uma péssima troca ). O MARTIM VASQUES DA CUNHA NÃO CONCORDA COM O PAULO FRANCIS EM NADA IMPORTANTE. NADA, NADA, NADA, NADA! Serei no entanto condescendente, e admito que o senhor queira dizer por influência uma certa maneira de pensar, irreverente, debochada, auto confiante... não seja o Martim Vasques um "paulofrancista", mas um livre pensador, que ficou assim por influência do Paulo Francis. Então, aí sim, eu admito influência do Paulo Francis. Mas nada que na minha opinião, sempre humilde, não acabasse aparecendo, por outra fonte, o "Olie", por exemplo, ou o José Guilherme Melquior. Quanto ao senhor, vejo que o senhor tem bom gosto para escolher modelos. Parabéns. Não quero convencer o senhor Martim Vasques da Cunha de nada, quero que ele continue sendo o que é, que assim está ótimo ( vos sois o sal da terra! Se o sal perde o sabor, como poderá dar sabor? ). Mas se a influência é indireta, convenhamos, então não é importante. PODE O SENHOR OU QUALQUER PESSOA ME MOSTRAR UM TEXTO DO MARTIM VASQUES DA CUNHA E DIZER:"SE ELE NÃO TIVESSE LIDO PAULO FRANCIS, O TEXTO SERIA DIFERENTE."? Se puder, mudo de opinião. Eu não conheço o penteado da década de 1970, não me lembro de nada especial nas fotos da época, mas adoro o jeito da Vera Fischer dos anos 1970. O penteado dela é típico daqueles tempos? Tenho certeza que o senhor há de concordar comigo que debater sobre o penteado ( e otras cositas más! ) da Vera Fischer é muito melhor que analisar as diferenças entre a barba do seu parente distante, o senhor Luíz Inácio Lula da Silva, e a barba do senhor Fidel Castro. Mas devo dizer que nunca disse que gosto do penteado dos anos 1970 ou de qualquer época, apenas disse que com certeza é melhor que o "piercing". Isso com certeza não é gostar, assim como achar que o senhor Luíz Inácio Lula da Silva fará um mal governo não é ser influenciado pelo Paulo Francis ( e como ele estaria rindo agora! ). Bem, quando o senhor achar que é hora de ler o resto da minha mensagem, e achar que alguma coisa lá há que valha a pena ser comentada, eu então lhe darei satisfação. Espero que o senhor e sua namorada tenham uma agradável noite de sábado, vendo "Charade" - porque é evidente que o senhor estará acompanhando da sua namorada. A única razão que eu encontro para ir ao cinema, ou alugar um filme, é para minha namorada ver comigo e eu ter um pretexto para ficar sozinho com ela em casa, ou sair com ela, se para ir ao cinema ( onde sempre se pode fazer alguma coisa, estando com a namorada, se o filme for chato demais ). Espero sinceramente que o senhor e sua namorada tenham uma agradabilíssima noite de sábado. Cordialmente, Flamarion Daia Júnior

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Flamarion Daia Júnio
24/11/2002 às
11h10 200.103.46.102
 
Quando dois filhos do Francis
Quando dois filhos de Francis se encontram Passemos agora ao artigo do senhor Alexandre Soares Silva. Escrevi muito, para ver se aparece alguma coisa boa. "Quando Paulo Francis passou da esquerda para a direita, fez com que toda a inteligência brasileira viesse com ele." Uma boa frase. Não sei o que o senhor Alexandre Soares Silva quis dizer com isso mas é uma boa frase. Errada. Nem toda a inteligência estava com Paulo Francis na esquerda nem toda a inteligência de esquerda seguiu Paulo Francis. E que história é essa dele ter passado para a esquerda? Ele morreu social-democrata, darwinista, anti-olicarga, sem entusiasmo pela democracia representativa mas também sem poder imaginar nada melhor, admirador de Galbraith, de Keynes, de Bertrand Russell... Isso é ser direita? Bom, continuemos: "Há pessoas inteligentes na esquerda, eu sei (ou imagino). Mas são todas pessoas de cinqüenta, sessenta anos. Qualquer pessoa inteligente que tenha lido Paulo Francis na adolescência veio com ele para o lado liberal da força." Aí o senhor Alexandre Soares Silva define melhor o que ele entende por direita, O QUE ESTÁ LONGE DE SER UM CONSENSO: o "lado liberal". Em economia? Não exatamente, acreditar que o capitalismo é o único sistema viável não quer dizer acreditar no liberalismo. Temos o exemplo de Keynes, etc. Paulo Francis detestava o planejamento estatal, é verdade. Mas ele não tinha o entusiasmo louco pelo capitalismo, apenas aceitou este como um mal menor. Inclusive detestava os efeitos culturais da cultura de propaganda do capitalismo. Acho que ele preferia o feudalismo ( chegou a elogiar a escravidão ), mas sabendo que isso é inviável, a volta ao feudalismo, então, vá lá, ele aceita o capitalismo. "É o caso de todos os blogueiros com algum talento. Todos, todos. Foram todos influenciados por Paulo Francis quando tinham dezesseis, dezessete anos – ou alguma outra idade igualmente influenciável. Em alguns casos a influência é evidente, em outros não – mas são todos filhos de Francis. Fábio Danesi é capaz de citar vários trechos escritos pelo Paulo Fancis, de cor. Rafael Azevedo sempre relê seus recortes do Estado de S.Paulo, e sustenta, contra a opinião de Daniel Piza, que late Francis (Nova Iorque) é melhor que early Francis (Ipanema)." Meu blog favorito é o perplexos, do Martim Vasques da Cunha, do Evandro Ferreira, e etc. Talvez tenha influência do Paulo Francis, em alguns membros, mas, tomando por base o senhor Martim Vasques da Cunha, ( digamos, por hipótese, que ele seja representativo ), posso dizer que: a) um é católico, outro era ateu; b) um detesta Freud, outro era admirador de Freud; c) um chorou a vitória do PT, o outro choraria de rir com a vitória do PT; d) um é escrupuloso com as informações, o outro era leviano com as informações; e) um deseja o capitalismo com entusiasmo, o outro aceitava o capitalismo como um mal menor; f) um acredita que a ameaça comunista foi o fator decisivo para o contragolpe ( como eu chamo ) de 1964, o outro acreditava que o fator decisivo foi o ressentimento de uma classe média liberal, soberba e snobe; g) um vê Nietzche com reservas, o outro considerava Niestzche um dos maiores filósofos da história; h) um considera Sartre um mistificador, o outro admirava, ainda que com restrições, Sartre; i) não sei o que o senhor Martim Vasques da Cunha pensa de Bertrand Russell, mas tenho a impressão que ele tampouco concordava com Paulo Francis, que chamava Russell "Gênio sem restrições"; j) um nunca escreveria um ensaio sobre Raymond Chandler, e o outro nunca escreveria um ensaio sobre Tolkein; k) Não acredito que o senhor Martim Vasques da Cunha tenha algum apreço pela obra de Ferreira Goulart, ou Vinícius de Morais, ao contrário de Paulo Francis; l) Paulo Francis nunca cursaria um curso de jornalismo; m) Paulo Francis nunca escreveria sobre rock, a não ser para lamentar; n) Paulo Francis nunca escreveria um ensaio sobre algum cineasta, a não ser Glauber Rocha ( poderia escrever artigos, sobre Babenco, e que fim levou Hector Babenco, por falar nisso? ); o) Paulo Francis admirava Jorge Amado, e nem Martim Vasques da Cunha nem nenhum blogueiro, que eu saiba ( verdade que não conheço muitos ), sente algum tipo de apreço por Jorge Amado; p) Paulo Francis se lembrava do tempo em que o Rio era a capital e vivia malhando Brasília, e nenhum blogueiro, que eu saiba, ( repito que não conheço etc. ... ) tem alguma coisa a dizer quanto ao fato da capital ser Brasília; q) Paulo Francis detestava a internet, e também os computadores em geral; r) o Paulo Francis não acreditava que valesse a pena brigar com um amigo por causa de política, embora no fim da vida tenha aberto uma exceção para atacar Antônio Huaiss ( mas neste caso Huaiss passou dos limites, querendo ganhar fama e fortuna a custas de regimes marxistas que oprimiam os povos de Angola e Moçambique, bem como a custas da tolice brasileira ); s) o Paulo Francis achava o terrorismo de Maringhella e outros um mero pretexto para o AI-5, os "blogueiros" que conheço, os que pensam no assunto, acham que foi o motivo decisivo; t) Paulo Francis admirava, com restrições, o Marxismo, sobretudo sua explicação materialista para o comportamento humano, e os blogueiros que conheço rejeitam toda a filosofia marxista, mas principalmente esse aspecto; u) Paulo Francis adorava Bossa Nova, e achava Chico Buarque um bom poeta, enquanto nenhum blogueiro que conheço tem algum apreço pela MPB, em nenhuma de suas fases; v) Paulo Francis era matreiro na escolha de seus adversários: quando o adversário era fraco, ele caia com tudo em cima da pessoa, quando era forte, ele fingia levar na brincadeira, fingia ignorar... já os "blogueiros", quanto mais consagrado e articulado for o adversário, mais corajosamente o atacam ( isso não quer dizer que sejam um bando de Dons Quixotes não. Acho que se trata de uma estratégia para ganhar fama. Por mim, acho isso perfeitamente legitimo ) w) Paulo Francis achava o cinema uma boa diversão, o Martim Vasques da Cunha e outros acham o cinema "a sétima arte" ( e quanto a mim, acho que quem faz um bom site ou um bom blog é muito mais artista que qualquer diretor de cinema. O Evandro Ferreira, para mim, pelo trabalho dele em "Outonos", é mais artista que Alfred Hitchicock ). y) Paulo Francis, embora soubesse e divulgasse de vez em quando que Cuba era um desastre, achava que apesar de tudo Fidel Castro era bom para os cubanos, o tipo de gente que cubano é... ( aliás, a social-democracia do primeiro mundo, a que pertencia Paulo Francis, é profundamente racista. Não é agressiva mas é racista. Eles detestavam e festejaram a queda do comunismo na Europa Oriental, mas para a América latina, África e Ásia, comunismo é bom, segundo eles. Não acreditam que os subdesenvolvidos tenham condições genéticas de viver sob um regime democrático e capitalista, essa é que é a verdade. Não sei se eles estão errados... ), enquanto todos os bloqueiros que eu conheço, o que inclui alguns de esquerda, acham o marxismo-leninismo de Fidel Castro uma maldição, sem nada de positivo; e z) Paulo Francis era bem pornográfico. Duvido que um dia eu leia um palavrão em Martim Vasques da Cunha, ou em qualquer blogueiro do "perplexos", a não ser talvez em algum conto, quando se trata de criar uma linguagem que caracterize um personagem, ou uma situação. Seria bem diferente do Francis, que gostava de palavrões para tudo, principalmente piadas e trocadilhos. Na verdade, há alguma semelhança sim, e muitas diferenças ( lembrando sempre que não conheço todos os blogueiros, afinal de contas! ). Para dizer que foram influenciados seria preciso dizer com todas as letras: o que fulano faz seria diferente, se não fosse a influência de Paulo Francis - e isso não se pode dizer no caso de Martim Vasques da Cunha ou de Evandro Ferreira, pelo menos. Pode-se afirmar que há afinidades, influência não. "Todos eles, em algum momento ou outro, se declararam publicamente anti-Lula." E isso é ser influenciado pelo Paulo Francis? Pobre juventude, se precisa de Paulo Francis ou de quem quer que seja para saber que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva é péssimo! E eu sou insuspeito para falar, porque votei no senhor Luiz Inácio Lula da Silva. E fiz isso por achar que se ele será um mal presidente, o senhor José Serra seria pior ainda. "Mas é realmente difícil apontar um só blogueiro inteligente que seja de esquerda. Por este simples motivo: se era jovem quando Francis escrevia na Folha ou no Estado, só a burrice pode ter feito com que escapasse da influência dele. Devia ser um daqueles que ridicularizavam o modo com que Francis falava na Globo (o último exemplo de dicção aristocrática no Brasil, substituída pela perfeita dicção das classes esforçadas). Devia ter preguiça de passar da terceira linha de qualquer texto de Paulo Francis. Um burro. Perdão, não há outra palavra: um burro. É como ter sido jovem em Nova Iorque nos anos 20, e não gostar de Mencken, e continuar batista e anti-evolucionista." Bem, e o que o senhor Alexandre Soares Silva entende por esquerda? Um leitor fiel do Paulo Francis pode muito bem acreditar que implantar o capitalismo é única maneira para desenvolver um país, mas uma vez desenvolvido é hora de partir para a social-democracia. Que fazer concessões para atrair o capital estrangeiro é melhor que criar uma estatal, em muitos casos. Que se deve haver plena liberdade sexual. Que as drogas devem ser legalizadas. Que os homossexuais têm todo o direito a terem o sexo que quiserem e até o de casarem, mas não o de incomodar os outros. Que a Igreja deve se modernizar, sem abdicar de suas crenças essenciais. Que não se deve haver nenhum tipo de censura à arte, e que se o preço a pagar for o dilúvio de pornografia que assistimos, ainda assim é o mal menor. Que o voto não deve ser obrigatório. Que a ciência é necessariamente incompatível com qualquer idéia de religião, principalmente o cristianismo. Que uma ditadora seria uma boa opção para o Brasil, se o ditador alimentar o povo. Tudo isso pode muito bem se conciliar com a esquerda. Na verdade, não há nada no parágrafo acima que seja realmente incompatível com o programa do PT, para estas ultimas eleições, pelo menos. A dicção do Paulo Francis, para mim, sempre foi uma excentricidade dele, não vejo nada de especial. "Veja mesmo o caso do Digestivo. Leitores já reclamaram muitas vezes contra o que parece ser uma "ideologia" deste site: seríamos todos de direita. Isso já foi mais verdade do que é agora, mas façamos a concessão – digamos que sim, é um site de direita. Resta saber o motivo disso. É porque o editor recusa a entrada de qualquer um que seja de esquerda? Não – quando eu entrei, em nenhum momento ele perguntou qual a minha opinião política. Nem perguntou a ninguém. Coincidentemente, os colunistas eram anti-petistas, quase todos. Ou melhor, não coincidentemente – não, não há nada de coincidência nisso - mas pelo simples motivo de que é quase impossível encontrar pessoas de esquerda, com vinte e poucos anos, que escrevam bem. Eis tudo." Os colunistas deviam ser mais anti-petistas que anti-outros-partidos, eu creio. Eu não gosto muito do PT, na verdade, mas isso não quer dizer que eu ache que os outros partidos sejam melhores. O senhor Luiz Inácio Lula da Silva, eu imagino, e posso muito bem estar errado, vai querer governar como um funcionário público: o funcionário público não quer revolução. Quer ficar na vida mansa, só que ganhando um aumento de vez em quando. Se precisar trabalhar para mostrar serviço e não ser demitido ( "exonerado", como gostam de dizer ), faz isso, mas só se precisar mesmo... Bom, o problema é que se o funcionário público trabalha pouco e quer ganhar muito, é preciso tirar dinheiro de algum lugar. De onde o senhor Luiz Inácio Lula da Silva vai tirar o dinheiro? "Esta é uma fase de ouro, na verdade, de escritores de oposição anti-Lula." De oposição à moda, ao poder vigente, ao consenso que tem aversão a discutir, a se aprofundar, a debater, que aceita lugares comuns sem imaginação como fundamentos profundos da filosofia, da teologia, da sociologia, da economia, da psicologia, sei lá mais que ia... uma pessoa sem talento, mas com um mínimo de instrução e bom senso ( as duas coisas têm que vir juntas, no caso ) não pode deixar de lamentar esta época e combatê-la. Eu não vejo em que isso implica necessariamente em ser anti-Lula. O senhor Luiz Inácio da Silva não é a solução, claro que não, mas ele também não é o problema. Mas o senhor Luiz Inácio Lula da Silva não é assunto deste comentário, voltemos ao parente distante dele, o senhor Alexandre Soares Silva. "Mais tarde veremos com saudade esta época em que gente como Juliana Lemos, Dennis, Martim Vasques, Fabio Danesi, Rafael Azevedo, Felipe Ortiz, Evandro Ferreira, Félix Felícato, Maria Inês de Carvalho, e outros, escreviam de graça, todas as semanas, e em alguns casos todos os dias, na Internet. É a sombra de Paulo Francis projetada na Internet, que ele odiava. Me agrada pensar que ele gostaria desses escritores." Falando mais de Paulo Francis e menos de Lula ( sempre uma boa troca ), me lembro que ele disse uma vez que no Brasil as pessoas não entendem gostar com restrições, ou se é 100% a favor de alguém ou alguma coisa, ou 100% contra. O exagerado prestígio de Paulo Francis se deve a ele ser o único polemista a se dedicar a alta cultura na imprensa brasileira em uma linguagem acessível. O sucesso de Paulo Francis é uma prova da pobreza da cultura brasileira. E a adoração que o senhor Alexandre Soares Silva sente pela turma do "Olie" é outra. De minha parte, espero e muito que os senhores citados ganhem muito dinheiro na internet um dia, merecem, apesar do único que pode ser chamado gênio a altura do Paulo Francis ou do "Olie" ser o senhor Martim Vasques da Cunha. "(Há um em especial que não citei – dois, na verdade. Não menciono os nomes deles porque são almas discretas, que seriam capazes de me pagar para não receber links. Mas, aos curiosos, basta pesquisar com calma as seções de links nos blogs já mencionados. Não são muitos os blogs inteligentes, acredite – e os mesmos vinte nomes acabam aparecendo sempre – com os dois que não mencionei misturados ali)." Obrigado pela dica, senhor Alexandre Soares Silva. Vou pesquisar quando tiver tempo. Acho que o senhor entende que o tempo é curto e não para de passar, como dizia o poeta. "Enquanto isso, com patética incompetência, os editores dos jornais impressos ignoram esses nomes, e preferem continuar publicando mais uma croniquinha de Mário Prata, mais uma reminiscência de Carlos Heitor Cony, ou mais um jornalista carioca contando, pela ducentésima vez, a história de quando o Antonio’s foi assaltado e Hugo Bidê ficou trancado no banheiro. Ou qualquer coisa assim." Agora começa a choradeira... coisa feia, francamente. Eu sei que os senhores citados têm seus bons momentos, mas o Carlos Heitor Cony, o Mário Prata, e o esquecido Ivan Lessa também têm. Eu juro uma coisa: se eu tivesse muito capital para investir, criava o meu jornal, contratava o senhor Martim Vasques da Cunha, mandava ele para Nova York, pagava um grande salário por duas colunas e uns dez artigos semanais, e fazia só dois pedidos: 1) não me indique ninguém para trabalhar aqui, eu é que sei o que fazer do meu jornal, e afinal de contas, se criticamos nos velhos o espírito de clube deles, não vamos repetir o erro, não é?; e 2) não queira imitar de jeito nenhum o Paulo Francis. Se sair parecido, que seja coincidência. Mas é um vício brasileiro: até os mais liberais acham que os jornais devem contratar os jornalistas que eles gostam, os festivais de cinema devem indicar e premiar os filmes que eles gostam, os sites devem ter os escritores que eles gostam, etc. ... bom, os críticos de Nova York, minha fonte é o Paulo Francis, ficaram com "aquilo roxo" cheio porque o Eugene O'Neill ou o Tenesse Willians nunca ganhava o prêmio Pullitzer, e resolveram criar seu próprio clube, para premiar seus artistas favoritos. Quanto dinheiro seria preciso para criar e manter um jornal diário em uma cidade brasileira de médio porte? Não, quanto dinheiro seria preciso para manter um jornal diário em Nova York ( se for para sonhar, que seja grande... )? Bom, podemos nas trocas de e-mails resolver este assunto depois. Por ora nos ocupemos do senhor Alexandre Soares Silva. "Pessoalmente, não agüento mais ouvir histórias de Hugo Bidê. Acho que ninguém mais agüenta." Eu nunca ouvi, então não sei se agüento ou não. "É só um jornalista da velha guarda abrir a boca, ou abrir o Word no computador, e lá lhe vem a tentação de usar o Hugo Bidê como se fosse o Ulisses da epopéia nacional." A julgar pelo que o Brasil é, acho que deve ser mesmo - mesmo nada sabendo sobre este Hugo Bidê. "Sério, nos jornais já se escreveu mais sobre o Hugo Bidê do que sobre Aquiles. Nem sei direito quem foi o Hugo Bidê, mas eu o detesto, e acho que a menção do seu nome devia ser proibida em textos de cronistas sexagenários de passado boêmio." Caro senhor Alexandre Soares Silva, já que o senhor é admirador de E.M. Cioran, deve se lembrar do que ele disse uma vez: "nem todos têm a sorte de morrerem jovens." "Começa o sujeito a escrever: "Me lembro que estávamos eu, o Antônio Maria, Sérgio Porto e Zizi Montparnasse numa mesa do Antonio’s quando vimos vindo o Hugo Bidê..."- e pronto, perdeu o emprego. Patrulha contra Hugo Bidê. Muda de assunto, caramba!" Não seria mais fácil o senhor mudar de jornal? Eu lia muito e não leio mais jornais do Rio e nem de São Paulo ( moro no grande erro de Juscelino Kubistchek ), jornais locais, de vez em quando e só a parte dos crimes e a coluna do Cláudio Humberto. Posso garantir que não sinto falta nenhuma. "Ah, sim, a esquerda. Estava falando da esquerda. Desculpem, mas como a esquerda é chata, preferi até falar do Hugo Bidê ("O porre canta, Musa, de Hugo...")." Não é a esquerda em si, mas todo obsessivo com alguma coisa. Gore Vidal, que não é nenhum petista, mas prevendo a queda do império americano o tempo todo acabou ficando bem chato. O chato na esquerda é eles acharem que tudo é social, tudo tem causa social, então tudo deve ter uma solução social... isso é chato mesmo... bom, eu já disse como o Paulo Francis poderia ser de esquerda para muita gente. Depende do que se considera direita ou esquerda. "Bem, achem um escritor de esquerda, de vinte e tantos anos, que escreva bem. Não há." Na verdade, o único talento de vinte e tantos anos que não é de esquerda é o Martim Vasques da Cunha. O resto, escreve bem por esforço, por se dedicar, como colegiais dedicados, é só. Nada que um esquerdista, com algum interesse na técnica ou na forma não possa fazer igual. Claro que para mim escrever bem não é escrever coisas geniais, eu penso na forma, não no conteúdo. Mesmo aí, o único excepcional é o Martim Vasques da Cunha. Os outros são muito aplicados, mas dispensáveis. "E no entanto acredite, a esquerda, representada por senhores de quarenta anos ou mais, continua pensando como se pensava na época heróica em que Vinícius de Moraes broxava e Hugo Bidê se trancava no banheiro: que todo humor é de esquerda, toda decência é de esquerda, e até mesmo que toda inteligência é de esquerda. Continuam presos num punhado de meses da década de setenta, quando Paulo Francis nem havia atingido o auge, as mulheres usavam um penteado ridículo, e opalas, fuscas e mavericks enfeiavam mais a orla de Ipanema do que todos os prédios atuais juntos." Bom, o Pasquim, disponível na internet, mas não vou indicar o link, vou poupá-los, já era nostalgia dos anos cinqüenta. Vinícius de Moraes foi um grande poeta quando era intregalista, depois foi um folclórico conquistador de mulheres mais interessantes que ele próprio. H.B. não sei quem foi. Paulo Francis não estava no auge, mas com certeza estava muito melhor que nos últimos anos, no Estadão ( é só ler os livros com os artigos que ele escreveu na época, "Paulo Francis nu e cru" e "Certezas da dúvida" ), embora ele fosse muito melhor que o resto da imprensa brasileira na ultima fase, no Estadão ( pobre país carente de cultura o nosso! ), não acho o penteado da época ridículo não, é com certeza melhor que os piercings que se vê por aí, e decididamente, com toda certeza, os opalas, fuscas e mavericks enfeiavam mais a orla de Ipanema que os prédios atuais ( mas que dificuldade em admitir alguma coisa ruim no capitalismo, na verdade! ). "Na verdade há uma divisão, nesses vinte e tantos blogs que mencionei, entre aqueles que foram diretamente influenciados por Paulo Francis, e aqueles que foram diretamente influenciados pelo filósofo Olavo de Carvalho. Mas mesmo os que foram influenciados por Olavo de Carvalho foram influenciados, indiretamente, por Paulo Francis." Pois eu digo que não saberia distinguir em um blog influenciado pelo "Olie" o que pode ser influencia direta ou indireta do Paulo Francis ( tenho certeza, pelo que conheço dos dois homens, que muita coisa tida como de um pode muito bem vir de outro, e é claro que nada impede que venha de um terceiro ). Poderá o senhor Alexandre Soares Silva me mostrar um blog "paulofrancista"? Quem é quem? Dê nome aos bois! E nestes Blogs "paulofrancistas", tem analises, comentários e influência da filosofia de Nietzche, ou da de Bertrand Russell, do teatro de Bernard Shaw, da economia de Keynes, da socialdemocrácia europeia, dos palpites ( porque é este o nome ) de Sigmund Freud, da crítica de Edmund Wilson, da poesia de T.S. Eliot, da vida e obra de Trotsky? Me desculpe o senhor Alexandre Soares Silva, mas mesmo admitindo que devem ser blogs muito bem feitos e agradáveis, eu não os considerarei "paulofrancistas", se não tiverem nada disso. "Quem não foi influenciado por Paulo Francis? Os que eram burros demais para receber a influência. E os próprios amigos ou contemporâneos de Francis – que, se por acaso se esquecessem de quem foi Paulo Francis, e calhassem de ler as colunas velhas dele achando que se trata de um blogueiro qualquer, ficariam, sem dúvida, indignadíssimos. Rasgariam o jornal. Chutariam o computador. Reclamariam da falta de talento (e de coração) "dessa juventude alienada", que só quer falar de Wagner e Matisse e parece não dar valor "à inegável sinceridade de Lula"." Toda a verdade, somente a verdade e nada mais senão a verdade. O outro lado também foi influenciado pelo Paulo Francis ( o próprio Lula começou na política por causa do Paulo Francis ). E não há só "paulofrancistas" do lado anti-lula. Já disse e repito, Paulo Francis teve muitos méritos sim, mas o prestígio dele é uma prova da nossa carência. "Não consigo, na verdade, imaginar Paulo Francis arranjando um emprego em jornal, hoje. Na primeira dinâmica de grupo da Folha, assim que alguém jogasse uma bola gigante de plástico na direção dele, Francis levantaria, diria algo ininteligível à psicóloga mal-ajambrada (começando com "Olha aqui, minha filha...") e iria embora. Teria que escrever – adivinhe – em blogs." Meu caro senhor Alexandre Soares Silva, já que vamos falar dos filhos do Paulo Francis, falemos de todos então: se Paulo Francis escrevesse hoje, não começaria num jornal de São Paulo. Ele começou num jornal quase de bairro do Rio de Janeiro ( o velho Diário de Notícias, mas não vou falar dele, o senhor Alexandre Soares Silva está com "aquilo roxo" cheio da velha geração ). Mas o filho dele mais bem sucedido, do ponto de vista da carreira, arranjaria muito bem um emprego num jornal. Este filho que o senhor não quis comentar mora em Veneza e escreve na Veja. Mas concordo com o senhor numa coisa: também não consigo imaginar como o "clone de Veneza" conseguiu emprego na veja ( mas isso não deve ser considerado uma contradição com o que eu escrevi no meu artigo "Diogo Mainardi", que não vou dar uma de spam e mostrar o link, não sem a permissão do webmaster. Se o Paulo Francis dos últimos anos não teve muita coisa a ver com D.M., o dos primeiros era muito parecido, descontando é claro a grande diferença entre morar no Rio dos anos cinqüenta e morar em Veneza. E mais: com D.M. se pode confiar que uma informação é correta. Na verdade, quase tudo que o Paulo Francis informava era falso ). Parabéns pelo prazer que me proporcionou pelo seu artigo, e espero ( sem muita esperança ) nada ter dito que me faça entrar na sua lista. Cordialmente Flamarion Daia Júnior

[Sobre "Filhos de Francis"]

por Flamarion Daia Júnio
23/11/2002 às
17h28 200.103.46.203
 
Julio Daio Borges
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