A Cultura do Consenso | André Forastieri

busca | avançada
58205 visitas/dia
1,5 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* Histórico & Feeds
TT, FB e Instagram
Últimas Notas
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
>>> Fernando Pessoa, o Livro das Citações, por José Paulo Cavalcanti Filho
>>> A Loja de Tudo - Jeff Bezos e a Era da Amazon, de Brad Stone
>>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais, de La Rochefoucauld
>>> O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, o livro do ano
>>> Trágico e Cômico, o livro, de Diogo Salles
>>> Blue Jasmine, de Woody Allen, com Cate Blanchett
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
Temas
Mais Recentes
>>> A coisa tá preta
>>> A aproximação entre Grécia e Rússia
>>> América Latina, ainda em construção
>>> Isto não é um trote
>>> O cinema de Weerasethakul
>>> Para que serve a poesia?
>>> Sexo e luxúria na antiguidade
>>> Gerald Thomas: Cidadão do Mundo (parte III)
>>> Zizitinho Foi Para o Céu
>>> Um DJ no mundo comunista
Colunistas
Mais Recentes
>>> Copa 2014
>>> Copa 2010
>>> Idade
>>> Origens
>>> Protestos
>>> Millôr Fernandes
Últimos Posts
>>> Portrait, sobre Mehldau
>>> Insensatez por Metheny
>>> Sontag sobre envelhecer
>>> Exit Music por Mehldau
>>> Chega de Saudade by Mehmari
>>> The Daily Zen Podcast
>>> Podres de Mimados, por Pondé
>>> CaKo Machini
>>> O direito à literatura
>>> Renato Alessandro dos Santos
Mais Recentes
>>> Lembranças de Ariano Suassuna
>>> Harold Ramis (1944-2014)
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
Mais Recentes
>>> Jaime Pinsky
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
Mais Recentes
>>> O segundo e-book do Digestivo
>>> Momento cívico
>>> Digestivo Books
>>> Caixa Postal
>>> Nova Seção Livros
>>> Digestivo no Instagram
Mais Recentes
>>> Jornalismo Pós-Industrial, uma pesquisa da Columbia, com Clay Shirky
>>> Aécio no Pingos nos Is
>>> Os desafios de publicar o primeiro livro
>>> A ousadia de mudar de profissão
>>> A lei da palmada: entre tapas e beijos
>>> Deus não é Grande, de Christopher Hitchens
>>> Homenagem à Coelhinha Ruiva
>>> Separar-se, a separação e os conselhos
>>> A arapuca da poesia de Ana Marques
>>> Entrevista com o vampiro
ENSAIOS

Segunda-feira, 10/10/2011
A Cultura do Consenso
André Forastieri

+ de 20800 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Caros amigos, é chato dizer, mas o Brasil é um lugar chato. Dolorosamente chato. Viver aqui é um porre.

O Brasil não tem literatura, não tem teatro, não tem cinema, não tem estilo, não tem ciência. Tinha novelas e música. Hoje, nem isso.

E não adianta jogar toda a culpa no capitalismo avançado, na globalização, ou na pobreza. A Índia, por exemplo, tão miserável e internacionalizada quanto o Brasil, é um país de verdade com uma cultura de verdade ― incluindo indústrias fonográfica e cinematográfica da pesada, uma indústria de software florescente, um número enorme de cientistas importantes etc.

Nem é preciso ser um país continental. Qualquer Nova Zelândia tem seu cinema, qualquer Irlanda tem seu U2, qualquer lugar onde se vá se encontra algum sinal de vida própria.

Aqui não tem nada. Tem a bunda da Carla Perez.

No Brasil não há produção cultural, não há reflexão, não há crítica, não há debate informado. Temos horror pelo conflito, que é o horror pelo mundo moderno, pela iniciativa, pelas idéias. Queremos ser amados e resolver tudo na boa. Vivemos na cultura do consenso.

Quase sempre foi assim, e nunca entendi direito por quê. Herança portuguesa, influência da contra-reforma ― tá, tudo bem, mas não é o suficiente. Pior: fui perguntar para minha mulher, que é jornalista e economista, se ela conhecia algum livro que relacionasse economia e cultura e tentasse dar conta da origem deste lodo todo. Resposta dela: “Não existe”.

É até argumentável que a cultura do consenso comporte aspectos positivos. A tolerância racial, a assimilação rápida de novas tendências, a paciência ― enfim, a adaptabilidade.

Sim, o brasileiro é adaptável ao extremo ― para o bem e para o mal. Estimulado, provocado, informado, o brasileiro consegue lidar com complicações e inovações que dariam nó na cabeça de muito primeiro-mundista.

Este cheirinho de potencial cria a ilusão de que moramos num país, e não num descampado improdutivo. A má notícia é que o espaço da informação, da análise, da provocação ― o que passa por imprensa no Brasil ― raramente vai muito além de press releases porcamente disfarçados. Não informa, não estimula, não debate e influi cada vez menos.

Os meios de comunicação no Brasil não passam de estações repetidoras do consenso. A ação entre amigos que gerencia este país tem seu reflexo perfeito nos jornais, revistas, rádios e TVs. Como Narciso, a imprensa está apaixonada pelo que vê.

Não é preciso ir muito longe para encontrar as provas da mediocridade da imprensa brasileira.

Abra o jornal de hoje. Ligue a televisão. Por baixo das quatro cores ou dos efeitos gerados por computador, a conversa mole e a desinformação correm soltas. O cinema nacional renasceu, consultas crescentes ao SPC significam aquecimento, Chico César é moderno, publicidade é cultura.

Qualquer sinal de idéias destoantes, de conflito, de vida inteligente é abafado tão rápido quanto possível.

Aliás, não é à toa que os vestibulandos estão preferindo publicidade a jornalismo. As profissões são praticamente as mesmas. Mas paga bem melhor quando exercida em agências, em vez de redações.

O pior é que o tédio que domina a vida brasileira tende a se aprofundar. Nos condenamos a pelo menos doze anos, provavelmente dezesseis, de dominação da vida pública e seus porta-vozes.

Com a conivência da leal oposição do rei, com a nossa conivência e descaso, e com o aplauso puxa-saco da “inteligentsia” e da imprensa, que se misturam e se confundem e cuja falta de critérios e escrúpulos não tem igual.

Entre tanta coisa chata, talvez o mais chato de tudo é que até quem está na contracorrente desta miséria mental se rendeu. A única opção visível para as melhores cabeças da minha geração é fazer bem o que se faz, ganhar o máximo de dinheiro possível e viver no Brasil como viveríamos em San Francisco, Nápoles ou Bangkok.

Lemos mais em inglês do que em português, compramos livros pela Amazon, música pela internet, funghi porcini na importadora da esquina e carros importados com airbag.

Não votamos ou votamos nulo. Rimos da jequice dos poderosos e do nosso lumpesinato cultural. O Brasil é isso mesmo. A imprensa é isso mesmo.

Eu esperava e espero mais de mim e da minha geração.

Podemos continuar empurrando nossa mediocridade com a barriga, engolindo a raiva e a frustração de morar num país de merda como o Brasil. Ou podemos criar vergonha na cara, meter a mão nesta merda e tornar este lugar um pouco mais interessante para se viver.

Como, não sei. Mas parece divertido..;

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na revista Caros Amigos, em abril de 1997, e republicado no blog de André Forastieri, em fevereiro de 2009 (atualmente no portal R7).


André Forastieri
São Paulo, 10/10/2011

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Henry Ford de Monteiro Lobato
02. A humanidade segundo Saramago de Mariana Ianelli
03. Palavrões de Sirio Possenti
04. Os Romances de Mainardi de Daniel Osiecki
05. Lembrando a Tribo de Millôr Fernandes


Mais André Forastieri
Mais Acessados de André Forastieri
01. A Cultura do Consenso - 10/10/2011
02. Chega de Escola - 31/1/2011
03. Eu nunca fui nerd - 14/3/2011
04. Encontro com Kurt Cobain - 11/4/2011
05. As letras de música de hoje - 6/12/2010


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
16/1/2012
10h26min
André, parabéns pelo texto. Só me espanta ler que o Brasil não tem cultura. Tem. Ninguém é desprovido de crenças, costumes, preferências e afins. Pode não ser a 'cultura' que você espera. Somos adaptáveis, sim. E até de forma negativa porque caímos até no conformismo. E me incluo aqui. Só acho que a palavra 'cultura' pode ser melhor empregada.
[Leia outros Comentários de Tacyana]
16/1/2012
13h47min
É isso aí, toda a tentativa de debate e conflito é abafado com a premissa, vc leva a vida muito a sério.
[Leia outros Comentários de Samantha ]
16/1/2012
17h04min
Chato é ver gente falando como se a ótica pequeno burguesa fosse á única existente e a visão puramente midiática. De fato o Brasil de Rede Globo e seus supedâneos é incrivelmente chato. Mas existe um outro Brasil, riquíssimo em Cultura, que vive mergulhado no ostracismo, que come a globalização pelas bordas, que medra na periferias. Talvez quinhentos anos de sua descoberta precise ser novamente descoberto.
[Leia outros Comentários de Edson B de Camargo]
9/2/2012
09h50min
O texto não procede. É discriminatório, incoerente, de visão limitada. O tema é até bem interessante, já que revela certa afecção globalizante, mas o autor interrompe o fluxo com ingenuidade. Ele realmente não conhece a Índia.
[Leia outros Comentários de Dan]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

>>> Festival In-Edit Brasil é destaque na programação de cinema do Sesc Campo Limpo
>>> Espaço Público recebe Franklin Martins nesta terça (7)
>>> Observatório da Imprensa incentiva debate sobre a reforma política
>>> Estreia espetáculo PUTO
>>> Rio Fashion Day traz moda, beleza e gastronomia em atmosfera aconchegante
>>> Leda Nagle entrevista a cantora Leila Pinheiro nesta segunda (6)
* clique para encaminhar

Cortez Editora
WMF Martins Fontes
Primavera Editorial
Globo Livros
Intrínseca
Nova Fronteira
Bertrand Brasil
Arquipélago Editorial
Best Seller
Editora Conteúdo
Companhia das Letras
José Olympio
Hedra
Editora Record
Editora Perspectiva
Civilização Brasileira
LIVROS


ENCANTO MORTAL
SARAH CROSS

De R$ 39,00
Por R$ 19,50
50% off
+ frete grátis



PLAYBOOK - O MANUAL DA CONQUISTA
BARNEY STINSON E MATT KUHN

De R$ 24,90
Por R$ 12,45
50% off
+ frete grátis



O CALCANHAR DE AQUILES
DUDA TEIXEIRA

De R$ 34,00
Por R$ 17,00
50% off
+ frete grátis



COMO O GOOGLE FUNCIONA
ERIC SCHMIDT E JONATHAN ROSENBERG

De R$ 39,90
Por R$ 19,95
50% off
+ frete grátis



GOLIAS
SCOTT WESTERFELD

De R$ 58,00
Por R$ 29,00
50% off
+ frete grátis



PÂNICO NA ESTRADA
EOIN COLFER

De R$ 22,90
Por R$ 11,45
50% off
+ frete grátis



MAN RAY - COLECAO PHOTO POCHE
RAY, MAN

De R$ 37,00
Por R$ 18,50
50% off
+ frete grátis



HÁ MUITO O QUE CONTAR... AQUI
A. L. KENNEDY

De R$ 49,90
Por R$ 24,95
50% off
+ frete grátis



LITERATURA, COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO
KAZUKO KOJIMA HIGUCHI

De R$ 38,00
Por R$ 19,00
50% off
+ frete grátis



UM CORPO NA NEVE
A. D. MILLER

De R$ 40,00
Por R$ 20,00
50% off
+ frete grátis



busca | avançada
58205 visitas/dia
1,5 milhão/mês