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Segunda-feira, 23/11/2015
Uma pérola poética nas animações brasileiras
Guilherme Carvalhal

+ de 900 Acessos



A produção nacional de animações tem crescido em qualidade e relevância de maneira significativa nos últimos anos. O filme Rio deu o choque de modernidade ao abordar dentro da visão estética predominante atualmente uma história e uma caracterização plenamente brasileira. Já Uma História de Amor e Fúria é uma animação mais adulta que pega a história do país como fonte de sua história e dá uma brecha para um Brasil ciberfuturista aos moldes de Akira, de Katsuhiro Otomo.

Em O Menino e o Mundo, do diretor Alê Abreu, temos uma história que não brilha tanto pelo impacto técnico desses dois filmes citados anteriormente. Aqui, o que chama a atenção é o estilo singelo com o qual se apresenta a história, utilizando uma forte carga emocional em traços muitas vezes simples, outras vezes de maneira mais complexa. O filme é mudo, então é uma narrativa que atrai o espectador por todo seu impacto visual, deixando algumas brechas sobre o que ocorre na história.

O enredo mostra uma família que reside em uma propriedade rural. Um dia o pai parte de trem, sugerindo que está indo para a cidade em busca de emprego. O garoto então o segue para tentar encontrá-lo, deixando sua casa e sua mãe, em um choque de realidade que vai levá-lo da infância à maturidade. Nessa jornada atrás do pai ele vai conhecendo realidades diversas. Assiste ao trabalho dos catadores de algodão, entra em uma fábrica de tecidos, vê seus funcionários sendo mandados embora quando o dono automatiza a produção, chega à cidade, vê o trânsito, a praia, a favela, a construção civil.

O estilo com o qual a obra é feita vai mostrando o impacto. No começo, quando no conforto da família, o clima é mais onírico, quando ele consegue escalar árvores até se deitar nas nuvens. À medida em que ele se afasta desse recinto seguro, o clima de fantasia vai se perdendo. Na zona rural os traços são muito coloridos e simples. Na cidade tudo é monocromático e complexo. As atividades profissionais são mostradas como repetitivas, mostrando uma automação dos movimentos do corpo. É o choque entre o rural e o urbano, entre o simples e o complexo, entre o belo e o funcional que vão levando o menino a essa viagem pelo mundo, não o mundo inteiro, mas particularmente um mundo brasileiro.

Tudo no filme remete ao país, como as desigualdades sociais, as vestimentas, a favela, a migração rural. Além de ser uma obra de inovação artística de alto lirismo e de mostrar um mergulhar no processo de amadurecimento de uma criança, ele também tem seu lado político. Os funcionários demitidos quando são substituídos pelas máquinas, o desmatamento, as pessoas morando no lixão, tudo isso soa como uma crítica, em caráter de conflito com a beleza inicial do ambiente rural, fruto de qualidade de vida e tranquilidade para o garoto. A presença dos militares é apresentada conjuntamente à esse processo de modernização, trocando as cores vivas pelas frias do metal e do cimento.

Em contraponto a esse processo maquinal, o filme utiliza muito das expressões dos personagens, das cores e da música para mostrar um contraponto popular a essa opressão. Por todos os locais onde o garoto percorre surge alguma sonoridade, algum tipo de festejo, sendo a vivacidade popular uma oposição à mecanização. Os rostos das pessoas pobres sempre expressam algo, seja alegria, consolo ou tristeza, enquanto os rostos dos militares ou dos empresários tem expressões mais frias, tão mecânicas quanto aquilo que representam na obra. As cores, como já dito, são a expressão desse mesmo conflito. E a música tem caráter especial na obra.

Do começo ao fim o garoto possui uma relação delicada com os sons. Desde quando pega a música tocada pelo seu pai e guarda em uma caixa (uma excelente metáfora à memória do pai que um dia partirá) até a todas as manifestações musicais, ele se envolve afetivamente com as pessoas através da música, sendo que ela está em todos os estilos: no carnaval, na banda de um homem só do artista de rua, na flauta do pai. A expressão musical é ricamente trabalhada para participar da estrutura desse filme mudo.

É difícil dizer qual o impacto que esse filme pode causar. Apesar de ser uma das mais belas obras cinematográficas do Brasil, ela é triste, mostrando a fantasia infantil que se perde ao contato com a realidade e que, de uma criança sonhadora, o mundo fará um adulto mecanizado e igual a todos os outros. Por outro lado, por trás dessa tristeza há certa esperança, como se dessas agruras que exibe pudesse surgir algo. É isso que o filme parece sugerir: uma constante mudança de cores e formas, como se isso fosse uma alusão a toda a vida.


Postado por Guilherme Carvalhal
Em 23/11/2015 às 12h40


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