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Segunda-feira, 30/11/2015
A primeira ofensa recebida sobre algo que escrevi
Guilherme Carvalhal

+ de 1000 Acessos

Nessa segunda-feira, dia 30 de novembro, recebi minha primeira ofensa enquanto escritor. Já havia recebido várias críticas, a grande maioria delas construtivas, pois é esse ir e vir de comentários que forma a melhoria de qualquer atuação que alguém tenha na vida. Quando eu trabalhava com jornal diário havia um professor e poeta que possuía alguma implicância comigo, pois sempre me enviava um e-mail quando uma matéria minha saía com erro de digitação.

O que recebi dessa vez foi uma ofensa propriamente dita, daquelas que a pessoa aparenta estar furiosa, babando de raiva do outro lado. De alguma maneira o que escrevi (o autor da mensagem não frisou especificamente o que eu escrevi que o deixou tão ofendido/magoado/chateado) despertou instintos bem negativos na referida pessoa. Foi obviamente por e-mail, pois é a frieza do mundo virtual que faz surgir comentários agressivos; o distanciamento físico impede muitas pessoas de entenderem que do outro lado existe uma pessoa de carne e osso, dotada de sentimentos, sonhos, forças e fraquezas como qualquer outra. Obviamente que não respondi, porque nos dias de hoje é até perigoso dar muita trela para alguém que não sabemos quem é, principalmente quando está em estado de raiva contra você.

A ofensa, entremeadas de palavrões e outros termos que são comuns para se colocar abaixo quem pretende realizar alguma produção cultural ("pseudointelectual", no caso, um chavão vago, porém aparentemente de bom uso) incentivava-me a abandonar de vez a produção literária, vendo minha notória falta de talento. Esse tipo de opinião até era esperado, tendo em vista que publico sempre por conta própria e sem editor e dessa maneira é dificílimo atingir um patamar mais elevado de produção. Mas o que me chamou a atenção foi uma frase que o autor da ofensa escreveu: "Chega de vocês! Vão fazer qualquer outra coisa da vida que não escrever e atrapalhar o caminho de quem realmente sabe trabalhar!"

Foi um tanto quanto vislumbrante, para não dizer até uma massagem no ego, alguém afirmar que eu, publicando por pequena edição, investindo meu pouco dinheiro na impressão, mandando livros para uma pessoa aqui, outra acolá, promovendo noite de lançamento na cidade de Itaperuna, no interior do estado do Rio de Janeiro, ser considerado como alguém está atrapalhando os escritores que realmente sabem escrever de realizar seu trabalho. Fiquei por alguns instantes tentando captar onde está meu desserviço em prol da literatura brasileira e não consegui atinar. Definitivamente não consigo pensar no Cristovam Tezza dizendo "Que droga, o Guilherme Carvalhal está escrevendo" e tendo um bloqueio criativo ou alguém deixar de comprar O Filho Eterno para levar algo escrito por mim. Curioso também que ele escreveu no plural: apesar de dirigido a mim, a ofensa é coletiva, provavelmente pelos muitos outros eus que estão por aí publicando e atrapalhando a literatura do Brasil.

Uma das coisas que me chamou a atenção foi que a postura do autor da ofensa foi de colocar a literatura no pedestal de coisa sacra, intocável. Grupos musicais de pequeno porte podem realizar sua música à vontade. Pintores de não muito talento ou sem maior reconhecimento podem realizar seus quadros. Grupos de teatros montam suas peças para públicos muitas vezes escasso. Isso aí não prejudica em nada a cultura brasileira; é até visto com bons olhos.

Agora, diminuir a sacra literatura, ainda mais em um país de terceiro mundo que carrega seu ranço de atraso econômico, social e cultural, isso não pode. O país de Machado de Assis, Guimarães Rosa e companhia, que são o ápice e a salvação de uma intelectualidade em um país de baixa educação, não podem ser prejudicados por uma produção de baixa qualidade.

Acredito que o fator lentidão da literatura influa na sensação de perda de tempo. Ouvir um disco é uma experiência rápida, de menos de uma hora. Uma peça teatral também não leva mais do que duas horas. Apreciar um quadro para público leigo é questão de instantes. Já um livro é um processos trabalhoso. Demanda horas de dedicação que não podem ser gastas com uma obra ruim. Talvez esse seja o foco da fúria do meu interlocutor, a sensação de que roubei seu precioso tempo.

Quando se fala em cultura no Brasil, sempre estaremos olhando para uma lógica centralizadora e excludente. A cara do Brasil está no Carnaval, no Rock in Rio, na Flip. São os eventos que grande porte e que, cada um na sua área, aglutinam o seu público. Porém, ainda há pelas muitas cidades os blocos de carnaval, os pequenos eventos musicais que produzem cultura e lazer para sua respectiva população, eventos literários e iniciativas pequenas e localizadas que tentam fazer com que a população tenha maior acesso à literatura.

O Brasil é um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes e formado por uma pluralidade cultural muito diversificada. Falar em literatura nacional, além de ser a produção de altíssima qualidade que realmente precisa existir, também é criar um leque de representações locais, de expressar essas múltiplas realidades existentes em um país tão grande e tão múltiplo. A literatura de cordel foi um dos mais expressivos movimentos desse tipo.

A possibilidade de criação cultural no Brasil é algo de extrema dificuldade. Converse com quem tem uma banda de qualquer estilo e veja como é trabalhoso gravar um disco ou cumprir uma rotina de shows. Ou então pintores, que na realidade majoritária tem dificuldade para expor seu trabalho. Somos um país mais excludente do que inclusivo, está na nossa natureza.

Quando me proponho a realizar uma produção literária, é óbvio que tenho sim o interesse de atingir um grande nível de excelência e de conseguir publicação por uma grande editora. Porém, resido em uma cidade que possui característica singulares e uma produção literária próxima do zero. A proposta é mostrar um viés de uma cultura brasileira, um pequeno espaço desse macrocosmo, além de tentar agir com algum nível com a promoção da cultural local. Recentemente fui convidado para dar uma palestra em uma escola pública: poder falar de literatura e de escrita para um grupo de crianças de classe baixa que estão sendo iniciadas pelos professores na leitura e ver um olhar contente no rosto de cada uma delas derruba qualquer ofensa que um anônimo envie por e-mail.

Acredito que enquanto consumidores de literatura, precisamos pensar que existe um mundo muito além do que pensar exclusivamente na produção de grande amplitude nacional. Há vivências muito vastas que podem ser abordadas dentro da literatura. Os usos e costumes de uma cidade podem gerar uma literatura que faça sentido dentro daquela região. E isso precisa ser valorizado, mesmo que os autores, por questões financeiras, de produção e muitas outras, não consigam atingir a excelência dos grandes autores. Esses precisam existir, pois dão o norte da literatura brasileira enquanto pertencente a uma única nação. Porém, é essa literatura de baixa expressão que pode mostrar uma conjuntura muito mais vasta do que se pode perceber.


Postado por Guilherme Carvalhal
Em 30/11/2015 às 23h54


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