Crítica à arte contemporânea | Maurício Dias | Digestivo Cultural

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Segunda-feira, 20/5/2002
Crítica à arte contemporânea
Maurício Dias

+ de 26300 Acessos
+ 18 Comentário(s)

Não gosto de maior parte da dita arte contemporânea. Mas não tenho conflitos com os artistas que a praticam; todos têm direito a fazer arte. Uma criança de seis anos pode desenhar à vontade, bem como um paciente da Dra. Nise da Silveira podia produzir suas imagens da forma que lhe conviesse. A Dra. Nise, para quem não sabe, foi uma das idealizadoras de um projeto no Rio de Janeiro que incentivava seus pacientes psiquiátricos a praticarem arte.

A arte é uma forma de interação com o mundo, e sua prática é terapêutica a todos, até mesmo pelo simples axioma Machadiano: “Precisamos matar o tempo, ou ele nos mata.”

E desenhar, pintar ou esculpir são uma ótima forma de matar o tempo. Em mais de um sentido: se no século XVII o pintor holandês Vermeer matava o tempo desenhando, suas obras driblaram o tempo, eternizando o artista. O tempo não matou Vermeer, que ainda está entre nós.

Contudo, voltemos ao início do parágrafo anterior: minha briga não é com os artistas contemporâneos; mas com a mídia e os cadernos culturais, que dão um espaço hegemônico a instalações e abstracionismo. Inclusive, chegando a boicotar a boa arte figurativa, talvez por temer que a comparação fizesse o público ver que tem sido constantemente logrado.

Alguém pode argumentar que não há como estabelecer um parâmetro entre estilos tão díspares quanto, digamos, pintores da renascença e abstracionistas americanos. Sei que são mundos completamente diferentes, a pintura perdeu a necessidade de ser uma representação documental por causa da fotografia, mas parâmetros sempre existiram. Basta respeitar os contextos.

Um homem de 1,80 metro é um sujeito alto? Na geração do meu pai era, hoje em dia é comum. Na Suécia 1,80 m deve ser a altura média; na Indonésia deve ser bem alto; na Itália do período gótico seria um gigante. Olha como traçamos um parâmetro entre mundos completamente diferentes. E sempre existiram mais altos e mais baixos, mesmo antes de se convencionarem medidas como pés, polegadas ou centímetros. As medidas são apenas um critério.

Duccio, artista italiano do século XIV, pintava bem? Muito bem. Na sua época a questão da perspectiva não estava bem resolvida, o conhecimento de anatomia não pode ser comparado com o que o Renascimento mostraria duzentos anos depois; mas Duccio estava entre o que havia então de melhor. E resistiu ao crivo dos séculos, sendo grande até hoje.

Expressividade, composição das imagens, uso das cores, anatomia, perspectiva, estes são alguns critérios da pintura. Como polegadas ou centímetros são os critérios de altura.

Alguém pode perguntar: E a criatividade, o senso de observação, a inserção de caracteres pessoais na obra, a interação com o tempo em que se vive, não são critérios para avaliar uma obra visual?

Sim, é claro. Mas estes são critérios pertinentes à todas as artes. Aqueles que listei antes diziam respeito apenas às artes visuais. Uso das cores, anatomia, etc. não dizem respeito à obra de um músico, ou um escritor. Os critérios destas artes são outros, e para saírem-se bem os artistas destas áreas devem dominá-los.

Só o conhecimento pleno de seu métier liberta o artista para dar asas à imaginação. Não gosto de muita coisa que Picasso fez nas décadas de 20 e 30, mas é certo que se ele alcançou a libertação do jugo da forma foi justamente por dominar esta mesma forma em sua plenitude.

Hoje em dia, qualquer grafiteiro de quinze anos quer desconstruir. Não teve nem tempo de aprender a desenhar um pé, mas quer transgredir – embora nem mesmo saiba a que ele quer transgredir.

Uma analogia, para realçar a importância dos critérios: no futebol, que todos nós brazucas conhecemos bem, quando um jogador atinge outro é falta, punida com tiro livre direto. Uma falta mais violenta é punida com o cartão amarelo, a repetição de falta violenta deve ser punida com o cartão vermelho, que acarreta na expulsão do jogador faltoso.

Falta, cartão amarelo, cartão vermelho são critérios do futebol. Se, de uma hora pra outra, acabássemos com estes critérios, quem seria beneficiado? Os craques, como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Roger e Ricardinho? Ou os beneficiados seriam os pernas-de-pau, os caneleiros, os cabeças-de-bagre?

Pode-se alegar que com a abolição dos critérios se criaria um novo esporte: um porradobol, ou canelobol, que seria uma evolução e segmentação do futebol, como o são o futsal, o futvôlei. Tudo bem. Só que os astros do futsal e do futvôlei não têm, e acho que jamais terão, o mesmo reconhecimento que os craques dos gramados. Seja no número de paixões que despertam, seja no salário que recebem. Nas artes plásticas é o contrário. O filho rebelde ganha mais que o pai milenar, seja em espaço na mídia, espaço físico para exposições, seja em dinheiro pura e simplesmente. Tudo isto, em imensa parte, por causa do beneplácito da mídia.

Se a sociedade contemporânea procura abolir os critérios da pintura, talvez seja justamente por reconhecer que através deles não tem como competir com o passado. O que não é verdade para todos, até porque não há uma competição direta: o fato de eu saber que Rembrandt foi superior tecnicamente ao nosso contemporâneo Lucian Freud não me impede de gostar muito do segundo. E além de Freud, há muitos artistas que nos dias que correm seguem com qualidade a tradição figurativa - embora constantemente boicotados pela mídia, que mais e mais se vê voltada para um conceito algo estranho, fluido e volátil, que é este de “mercado de arte”. Arte é uma mercadoria? Também o é, claro, visto que pode ser comprada ou vendida, mas não é também uma expressão de sentimentos, idéias, saber? Deveria ser julgada pelo seu valor pecuniário ou pelo seu valor artístico?

Até porque este valor pecuniário é estabelecido num certo conluio marchands/críticos, como pode ser visto no livro de James Gardner, Cultura ou Lixo? (Culture or Trash?, Versão em português de Fausto Wolff, Editora Civilização Brasileira.)

Assim, na selva do vale-tudo contemporâneo os critérios seculares foram substituídos por um único e novo critério: bom trânsito com a mídia. E isto se consegue de muitas formas: no período de formação do artista – que é cada vez mais breve – entra-se para grupos e “escolas de artes visuais” que sigam os ditames da moda e já tenham espaço cativo nos periódicos; chama-se críticos de jornais para escrever textos de livros-portfólios, catálogos ou exposições – pois cada vez mais, não há arte visual contemporânea sem texto. A arte já não se explica por si própria, é preciso um texto para tentar ordenar aquele caos e traduzi-lo ao público.

Mais uma vez digo: minha briga não é com os artistas. Não concordo com a idéia de buscar fama e mercado em vez do saber. Mas a opção é deles, que fiquem em paz com suas consciências. E quanto a buscarem a aproximação e simpatia de críticos, eu não seria louco de os censurar por isto; o marketing e o cultivo das boas relações são necessários à sobrevivência do artista, ainda mais num mercado pequeno como o brasileiro. Minha crítica é aos críticos, que aceitam serem cortejados com festas, presentes, etc.

Um crítico que escreve por encomenda para determinados artistas sentir-se-á livre para criticar estes mesmos artistas depois? Ou procurará manter sempre um relacionamento cordial para no futuro obter novos “bicos”?

Enquanto isso, artistas de fora das panelas têm seu talento negado. E como isso é feito? Ora, os críticos de arte não podem falar mal de pintores figurativos que tenham evidente conhecimento de seu ofício. Até porque, se os críticos falassem mal, abririam espaço para uma resposta, geraria polêmica, e isso não interessa a aqueles que têm nas mãos, para usar ao seu bel prazer, uma das mais mortíferas armas de todos os tempos: a mídia. Assim, certos críticos adotam uma postura extremamente hipócrita: simplesmente não mencionam nunca a existência de determinados artistas. “Não posso falar mal, que o cara conhece arte e vai pegar no meu pé. Então o relego ao limbo. Não o menciono. Está tendo uma exposição dele? Não cito. Já que não posso falar mal, simplesmente ignoro.”

Em 2001 a exposição do espanhol Joaquin Sorolla no Rio de Janeiro foi ignorada pelo caderno cultural de um dos maiores jornais do Brasil. Quantas pessoas que poderiam ter se interessado pela obra não deixaram de ir ao Museu Nacional de Belas Artes simplesmente por não terem sido informadas, função esta que cabe aos jornalistas e críticos de arte? Se eu me queixo por isto, não é porque considere Sorolla uma vítima de nada. A um homem com um talento daqueles dificilmente poder-se-á atribuir a condição de vítima, visto que tal talento é uma bênção. Além disso, na sua terra natal sua obra é reconhecida e o museu que leva seu nome é bem apreciado. Ele já está morto há mais de sessenta anos, e teve uma vida confortável e produtiva; não lhe fará diferença nenhuma o fato de sua obra não ter sido devidamente admirada numa cidade de um país periférico. A vítima, quem sofreu com o silêncio sobre a exposição, foi o público carioca, que perdeu a oportunidade de ver uma grande obra.

E isto vive acontecendo em escala menor, com artistas nacionais, vivos, que se vêem privados do contato com o público, uma das metas da arte.

E este tipo de pensamento radicalmente anti-acadêmico, talvez até mesmo uma ideologia, já domina nossas faculdades de artes há pelo menos trinta anos. As provas e os cursos de mestrado em belas-artes tem um percentual enorme de arte contemporânea em sua bibliografia. Daí, quem não gosta de arte contemporânea muitas vezes desiste de fazer o mestrado. O que acarreta num controle cada vez maior desta – repito – ideologia sobre nossa intelectualidade.

Esta situação se repete pelo mundo todo, mas no Rio de Janeiro, particularmente, um fato contribuiu para isto: a transferência da Escola de Belas Artes da UFRJ do centro da cidade para a Ilha Universitária do Fundão. No centro, a escola estava próxima do Museu Nacional, assim como do núcleo vital da vida urbana: dos chopes da Cinelândia, da malandragem boêmia da Lapa, dos executivos engravatados – eventuais mecenas. No Fundão não há nada senão estudantes e professores. E chegar lá sem carro não é tarefa das mais fáceis, o que isola ainda mais o lugar.

Na época da transferência da EBA o centro do Rio ainda não estava coalhado de espaços culturais, iniciativas louváveis que se seguiram ao pioneirismo bem-sucedido do Centro Cultural Banco do Brasil. Hoje, com tantas casas de cultura no centro da cidade, seria ainda mais importante que os alunos de belas artes se beneficiassem de uma proximidade com tais espaços. Para sua própria formação enquanto estudantes, assim como para a divulgação de seus trabalhos.

Some-se a isto o fato de a pintura não ser uma arte totalmente integrada ao cotidiano brasileiro, sendo sua apreciação restrita às elites. Nos países de grande tradição em pintura, como Espanha e Holanda, qualquer cozinheira ou operário sabe dizer ao menos os nomes dos mais importantes pintores locais. Já aqui, onde há um volume de leitura insatisfatório, a educação pública é uma vergonha e o índice de analfabetismo funcional é alto, as palavras dos formadores de opinião ganham um peso enorme. Mesmo que eles sejam jornalistas sem nenhuma formação específica em artes. Aliás, todo crítico, em qualquer área, deveria estar minimamente inteirado da práxis do tema que vai abordar.

Como eu perguntei antes: Um homem de 1,80 metro é um sujeito alto?

Essa pergunta só faz sentido porque temos pessoas com menos de 1,80 m, pessoas que medem exatamente 1,80 m e pessoas que medem mais de 1,80 m. Numa sociedade homogeneizada, onde todos tivessem 1,80 m, a pergunta não teria sentido.

E é justamente uma homogeneização, um nivelamento por baixo que todo o sistema de ensino de artes, aliado ao despreparo/manipulação dos críticos está criando. Os efeitos já se fazem sentir em todas as exposições e galerias. Se não se lutar para reverter este quadro, estaremos perdendo décadas, dedicando espaço exagerado ao descartável. Depois será trabalhoso para recobrar o tempo perdido. Poderemos acabar tendo que, como no século XIX, importar professores europeus para vir aqui ensinar desenho e pintura, pois o conhecimento já adquirido por alguns nomes está sendo varrido para debaixo do tapete, em prol do oba-oba pós-moderno. Ou alguém acredita que autodidatismo e o do it yourself vão continuar sendo a tônica indefinidamente, e este troço de “professor” é coisa do passado?

Para ir além

Vou mostrar a seguir uma lista de links onde o leitor poderá, por seus próprios olhos fazer uma comparação entre artistas da antiguidade e contemporâneos de diversas tendências. Não vou, como muitos críticos fazem, omitir aqueles que não se enquadram em meus parâmetros. Veja tudo, e reflita você mesmo.

E já que falamos em artes, depois que o leitor se aventurar pelos links listados, recomendo a leitura dos ensaios de Affonso Romano Sant'anna, que podem ser encontrados em :
http://www.expressoarte.com/abertura2.htm

Sorolla
(Seu lugar deveria ser junto aos pintores do passado, último item desta lista de links. Ao invés disso, ele encabeça a lista apenas por ter sido o pivô de uma crise que me motivou a escrever na época várias cartas a jornais e revistas.)
http://www.getty.edu/art/collections/bio/a786-1.html
www.artchive.com/artchive/S/sorolla.html
http://www.allposters.com/gallery.asp?aid=85097&item=140934

José Bechara
http://www.pr.gov.br/maa/josebechara/obra01.html
(Para avançar, clique em “próxima”, no canto inferior direito. São vinte obras, que consistem em “oxidação sobre lona de caminhão”.)

Renata Cazzani
http://www.renatacazzani.com.br/br/cazzani.asp
(Clicando em “percepções” você poderá ver pareceres elogiosos à obra da artista escritos por Wilson Coutinho, crítico de arte que escreve ocasionalmente em O Globo. Já falei o que acho da proximidade crítico – artista em meu texto acima.)

João Câmara
http://www.joao.camarafilho.nom.br/pt/frme-pinturas.html
(Recomendo um clique na opção que mostra as pinturas do período 1990-1998. Clique nas pinturas desejadas para vê-las ampliadas. O moço sabe pintar.)
http://www.joao.camarafilho.nom.br/pt/index.html
(Aqui voce pode escolher entre pinturas, gravuras e desenhos.)

Eric Fischl
www.ericfischl.com
Com uma página só de estátuas em:
http://www.ericfischl.com/sculpture.htm
http://www.broadartfoundation.org/collection/fischl.html
http://www.gagosian.com/gg/artists/fischl/fischl.html

Lucian Freud
http://www.artchive.com/artchive/ftptoc/freud_ext.html
(Role a barra da direita para baixo e terá acesso ao menu das obras.)
http://www.nga.gov.au/freud/#

Ernesto Neto
http://www25.brinkster.com/eneto/
(Aí poderá ver obras com nomes como “Nave Óvulo Organoide” e “Vórtice Ogum Tempo”. Há também uma entrevista que poderá ser extremamente esclarecedora.)

Jasper Johns
http://www.moma.org/exhibitions/johns/works.html
http://www.philamuseum.org/exhibitions/exhibits/johns.shtml
http://www.artinaclick.com/search/results.asp?fk_Artist=4521

Mais abstracionistas
http://www.allposters.com/gallery.asp?aid=525505&item=290434
http://www.allposters.com/gallery.asp?aid=525505&item=201288
http://www.allposters.com/gallery.asp?aid=525505&item=153346
http://www.artunframed.com/abstract_art_prints.htm

Richard Serra
http://www.guggenheimcollection.org/site/artist_works_144A_0.html

Rubens
http://www.artunframed.com/images/artmis61/rubens14.jpg
http://www.artunframed.com/images/reynolds55/rubens179.jpg
(Veja a tigresa no canto inferior direito.)
http://www.artunframed.com/images/artmis61/rubens13.jpg
http://www.artunframed.com/images/reynolds55/rubens388.jpg

Tiepolo
http://www.artunframed.com/images/artmis63/tiepolo50.jpg

Caravaggio
http://www.artunframed.com/images/artmis41/carava997.jpg

Rembrandt
http://www.artunframed.com/images/artists54/rembran89.jpg

Gerrit van Honthorst
http://www.artunframed.com/images/artmis14/honthorst99.jpg

Millais
http://www.artunframed.com/images/demuth/millais47.jpg

Renoir
http://www.artunframed.com/images/artists54/renoir218.jpg
http://www.artunframed.com/images/artmis59/renoir23.jpg

(Neste mesmo site, http://www.artunframed.com, seria bom que se procurasse pintores como Ticiano [na janela de busca convém escrever Titian, pois o site é em inglês], Velazquez, Goya, Van Gogh, Klimt... Há tantos nomes que merecem ser vistos. A quem não é familiarizado com a história da arte e se interessar pelo assunto, recomendo o livro da Freira Wendy Beckett, História da Pintura [Editora Ática], que é uma agradável e bem produzida introdução.)


Maurício Dias
Rio de Janeiro, 20/5/2002


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
23/5/2002
14h19min
Mensagem apropriada para o momento.Linguagem fácil, exemplos muito bem feitos e pleno conhecimento da matéria. Parabéns, continue, estamos presisando.
[Leia outros Comentários de Cleusa M.Arantes de ]
24/5/2002
23h31min
Este é sem sombra de dúvida um dos melhores e mais elucidativos textos sobre arte contemporânea que já li. Pena que a maioria dos críticos de arte não seja capaz de analisar a situação de um ponto de vista tão alto. Gostei do que está escrito e do que você optou por não escrever.
[Leia outros Comentários de Eduardo Arruda]
24/5/2002
23h35min
Muito interessante o seu artigo. Abordei esse tema em minha tese de mestrado. Vejo que algumas pessoas, como você e Affonso Romano de Santana estão procurando dar um basta ao grande número de mistificações que se abrigam à sombra da verdadeira arte moderna. Parabéns.
[Leia outros Comentários de Maria de Fátima C. N]
30/5/2002
20h26min
É, meu caro Maurício, às vezes a verdade dói pra muitos. Sempre achei que essa arte contemporânea é, em parte, embromação, coisa de quem não foi ou é capaz de absorver aqueles conhecimentos e a técnica necessários a uma boa e sincera produção artística. Mas, nem todos embromam, é preciso que se faça justiça. Quem, em sã consciência poderia nivelar toda essa produção por baixo, sem pesar isso ou aquilo, levando em conta as características de cada um? Por certo que algo necessita ser feito em prol da arte do passado, a figurativa, face à campanha insidiosa de alguns marchands abomináveis, de mãos dadas com alguns críticos horrendos, experts em produzir gênios da arte a partir de cabeças ocas e, o que é pior, lançando a confusão e a dúvida no público pouco esclarecido a respeito do que seja Arte, com "A" maiúsculo. Como você bem o disse, levaremos tempo para consertar toda essa bagunça produzida por eles.Críticos de arte? Marchands? Muitos deveriam enfrentar a barra do tribunal, por serem criminosos, em sua prática persuassiva de que lixo é (também) Arte! Cadeia com eles!
[Leia outros Comentários de Afonso Barreto]
21/7/2002
5.
02h57min
Obrigada por suas palavras !
[Leia outros Comentários de Marina Leite]
30/5/2003
22h58min
Maurício, gostei do seu texto, de sua crítica ao "grand monde" das artes plásticas -mas creio que deve-se tomar cuidado com uma defesa radical do passadismo em detrimento d enovas buscas estéticas - que, como sabemos, muitos artistas fazem de forma séria, não comercial. Há também um univeros de obras ocntemporâneas que não só criticam a arte enquanto comércio quanto também se dissolvem para não se tornarem mercadoria. de qualquer forma, devemos também tomar cuidado para não esperar encontrar um mundo de "rembrandts de feira hippie" que andam por aí, ocm seus desenhinhos muito bem feitos mas, no entanto, carentes de uma riqueza artística que vai além do simples empenho técnico. como sabemos, van Gogh desenhava mal. delacrois dizia que aos olhos de Ingres ele era apenas um borrador de tela. portanto, as coisas se complicam - e a arte está aí justamente para isso, para que nosso pensamento não seja unilateral. abraço,jardel
[Leia outros Comentários de jardel]
30/10/2003
01h57min
Ultimamente tenho lido muitas críticas ao que se diz contemporâneo, e tenho que concordar: a arte atual na mídia deixa muito a desejar. Assim como no mundo fonográfico, se quiser qualidade terá que ir além das vitrines das lojas e nem pensar em procurar na TV. É uma pena que no mundo artístico em geral o dinheiro tem tido muito mais valor e a verdadeira arte tem se perdido atrás dessa bagunça comercial. O que me alegra é que mesmo "atrás dessa bagunça comercial", ela está lá. Enfim, adorei o texto.
[Leia outros Comentários de Carlos Baroni]
14/2/2004
14h43min
Gostaria de tecer um breve comentário sobre o que o prezado Jardel escreveu. Primeiro, não sei o que vc. entende com bom desenho, provavelmente todo aquele possua uma forte aderência com o real, estou errado? O desenho possui suas questões sendo uma delas a representação. Mas em momento algum a representação é um fundamento da arte. Van Gogh era um ótimo desenhista e o motivo pelo qual Delacroix afirma que para Ingres ele era apenas um borrador é simples: Ingres trabalha na instância da linha e da poética visual, enquanto Delacroix tende mais para o que podemos chamar como o mundo enquanto película visual. O que falta hoje em dia é uma retomada das questões da produção da imagem, questões estas que perpassam toda a história da arte, entenda-se do paleolítico até a primeira metade do século XX.
[Leia outros Comentários de Renato]
11/11/2004
17h16min
A história se repete. Hoje todos enchem a boca pra elogiar as obras dos impressionistas, entre eles Monet, enquanto que na época em que essas obras foram produzidas eram consideradas "lixo". Não digo com isso que devemos aceitar qualquer coisa, mas devemos abrir a mente para uma arte mais conceitual. E o desafio é grande, saber separar o joio do trigo. E dentro da arte contemporânea existe muita coisa inovadora e que merece reconhecimento e respeito.
[Leia outros Comentários de Luiz Paulo]
31/8/2006
20h25min
Uma aula completa, que todo aspirante a artista deveria ler.
[Leia outros Comentários de Suzanna Schlemm]
9/9/2006
03h01min
E aí Maurício, tudo bem? Não te encontrei por acaso, não, cara. Curso o último período de artes plásticas da UFU, acabo de voltar da casa do meu orientador, estou defendendo meu projeto 1(final de curso). Trabalho com o figurativo e tivemos uma discussão (acadêmica) sobre exatamente seu artigo. Defendo a arte figurativa sem desmerecer a abstração, mas não concordo com a hierarquia atual "conquistada" pela abstração, graças ao radical Sr. Greenberg e seus modernosos seguidores, que agem como estilistas da São Paulo Fashion Week, ditadores de modas sazonais e suas modelos esquálidas, que com seus conceitos e exemplos insanos, contribuem muito para a saúde de milhares de adolescentes... ô, dó! Tenho medo desse pessoal. Me sinto como o cocô do mosquito. Se você puder me ajudar, me retorne este e-mail. Um abraço, Luciano. P.S.: Vou brigar na banca, defendendo meu ponto de vista (o nosso ;-)...)
[Leia outros Comentários de Luciano Mendonça]
19/2/2007
17h19min
Parabéns! Nada mais a acrescentar!!!
[Leia outros Comentários de Yeda Arouche]
23/3/2007
14h52min
Como atual estudante de 1º ano de artes visuais, posso dizer que concordo plenamente com a crítica. Em nossas salas de aula temos, hoje, professores que nos desestimulam a aprender a técnica e estimulam a produzir desenhos cada vez menos detalhados, séries gigantescas de uma mesma representação até chegarmos numa síntese daquilo que inicialmente representamos, ou seja: quase nada. Os alunos que já possuem um grande domínio da técnica são obrigados a tentar "desaprendê-la" para que seus trabalhos estejam dentro daquilo que o professor espera. Não acho que tudo da arte contemporânea é descartável, como você mesmo mencionou, mas acho que hoje a atenção dada a trabalhos pouquíssimo convincentes quanto à condição de obra de arte (tomando como exemplo uma boa parte da última Bienal de São Paulo), é deveras exagerada, e como você mencionou também, falta espaço para os artistas que acreditam que a arte é mais do que rabiscos ou pinceladas aleatórias. Eu, e muitos outros, estamos limitados.
[Leia outros Comentários de Carla Lutz Dias]
14/7/2008
15h52min
Colegas: me entristece saber que estou na contramão da arte e que muitos, como eu, estão sofrendo. Sou a favor do estudo da técnica, da pesquisa, do enriquecimento cultural, do pensar sobre o fazer... não interessa se isso vai levar minha produção a um rótulo de arte figurativa, abstracionista ou contemporânea. Como artista, estou em busca da minha verdade. Tenho minhas ressalvas sobre algumas produções contemporâneas, e sobre a ação da mídia, mas também já vi muita coisa boa nesse meio e por isso gostaria de não generalizar. Queria que o artista de hoje fosse mais trabalhador e menos voltado para as facilidades de não ter que produzir de fato, para estar na arte contemporânea. Vejo com clareza que isso acontece dentro e fora das universidades, pouco se trabalha nas obras e em grande parte (com exceções) se delega ao discurso o sucesso da obra. Então estaríamos falando de arte literária e não de artes visuais.
[Leia outros Comentários de Cristina Jacó]
11/9/2009
10h48min
Realmente este debate é bem extenso e este texto é ótimo! Existe arte contemporânea de extremo bom gosto e, como no passado, também aconteceram repúdio a grandes mestres consagrados hoje. O que assusta é a ditadura dos críticos, curadores e a mídia em geral.... Pois sufocam, retalham, destróem para na semana seguinte construir outro mito, e o vazio se instala, nada quer dizer nada e as pessoas continuam sem sentido. Pode se fazer arte contemporânea e exprimir o sentido pictórico, como muitos o fazem de maneira bem original, o que não pode é associar "Arte" com a futilidade inconstante da "moda".
[Leia outros Comentários de Kelson Frost]
11/11/2010
09h48min
Parabéns e obrigado pelo ótimo artigo, sei que é um pouco tarde para comentá-lo, mas só agora o vi. Por apenas me aventurar pelo caminho das artes ainda não me considero um catedrático ou artista plástico, posso apenas dizer que sou um humilde buscador de conhecimento da arte. Com certeza este artigo me fez aprender um pouco mais. Confesso que admiro muito mais a arte descritiva do que a abstrata e gosto muito do óleo e dos retratos, mas também flerto com a arte abstrata. Sei que ainda estou buscando meu caminho. Concordo com os pontos que dizem que o artista de hoje sobrevive mais com o "lobby" do que com o valor de sua obra em termos artísticos, mas infelizmente isso que se tornou o mercado, a sociedade. Volto a parabenizá-lo e espero poder aprender mais com seus artigos.
[Leia outros Comentários de Demi Lopes]
22/11/2010
16h30min
Muito bom! Adorei ler, só parei no final. Bom ponto de vista, bons argumentos.
[Leia outros Comentários de iata]
7/4/2013
19h42min
"Beijo na boca é coisa do passado. A moda agora é namorar pelado." 2000, Furacão.
[Leia outros Comentários de Cau. ]
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