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Segunda-feira, 11/12/2023
Falta de memória
Raul Almeida
+ de 4100 Acessos

A volta do Flagelo do Agreste ao centro do palco das quimeras, acontece por conta da absurda falta de qualidade do Cavalo de Tração, em que toda a prole da Viúva Alegre depositou esperanças de novos horizontes.
O discurso de um e de outro, em muitas ocasiões, se confundiram por conta da mesma matriz, assistencialista, vulgar e mentirosa: a indignação com o despautério na condução dos destinos da Res publica.
A corrupção, o nepotismo, o compadrio, a desfaçatez, os juros, os males econômicos, os miseráveis, o pão dos pobres, a fome, a falta de um ensino de qualidade, o descalabro com as políticas de habitação, etc, etc, etc. Um e outro, cada qual com o seu estilo, repetiram a mesma cantilena em todas as campanhas, desde sempre. Adicionaram variáveis étnicas, comportamentais, religiosas e mais algum outro penduricalho verborrágico, para conquistar a atenção e a cumplicidade do "povo”, a prole da Viúva.
O caso recente reveste-se de características bizarras. Um político profissional, de mais de 25 anos de carreira, declara aos berros que
- Não sou político! Não vou isso e aquilo!
-Todos os políticos são desonestos, etc, etc.
Seus ajudantes mais próximos fazem paródias com músicas populares, provocando o Congresso com: "se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”.
Ainda opaco, sofre um atentado covarde, perpetrado por um adepto do seu adversário.
Uma facada em público. O agressor foi e continua preso num hospício, ou coisa que valha. O resultado do feito é do conhecimento geral.Vitória do bem contra o "mal”, a corrupção, a roubalheira etc. e tal.
Depois da posse, começam a surgir denúncias de nepotismo, favorecimento de "companheiros” de outros tempos, da família, dos empregados domésticos e diversas situações antes repudiadas em seus discursos.
A inabilidade e ignorância no trato de assuntos, absurdamente, fáceis de resolver, em áreas sensíveis tais como: Saúde, segurança, e outras mais prosaicas como meio-ambiente, indigenismo, etc., acrescidas de absoluta falta de polidez, educação social, postura, junto com arrogância, prepotência, grosseria, bravatas e atitude, minimamente, civilizadas, empurrou para baixo todo aquele deslumbramento inicial.
O segundo ator dessa terrível pantomima, diferente do adversário, nunca negou as origens ordinárias nem sua condição inicial de tosco que progrediu ao encontrar a Urbe.
Nunca negou a sua origem política, gestada na atividade sindical, onde o protagonismo não demorou a revelar uma inteligência diferenciada, uma capacidade de aprendizado incomum, um carisma e objetividade próprias de uma liderança natural, autóctone, indiscutível. O passado miserável virou bandeira de lutas, o emprego fabril virou o campo fértil para as arengas igualitárias, reivindicações sindicais e o momento político, um Governo de ajuste cívico que secundava um período de instabilidades, foi a moldura a completar a figura do habilíssimo negociador que se mostrava valente e agressivo contra o “monstro”.Mas fazia acordos à socapa, coordenando o pode não pode com as autoridades da época.
Conta um delegado de grande nomeada, que o Flagelo do Agreste entrava e saía na sede do poder para negociar os movimentos sindicais, dentro do bagageiro de um automóvel. Assim não era visto! Depois, no palanque sindical, promovia o que tinha sido combinado em segredo com os, então, agentes da repressão.
A fila andou e o tal sindicalista, distributivista, líder do “povo” sofrido e indignado com os rumos dos governos posteriores ao período de ajustamento cívico de 1964 a 1985, chegou ao Olimpo caboclo. Finalmente presidente… E ali, com sua indiscutível habilidade e carisma foi aparelhando o Governo e estabelecendo o processo susserano,interrompido por uma escolha infeliz: A disléxica do Planalto.As trapalhadas, insubordinação ao "mestre”, tolices, erros e incapacidade crônica, acabaram de forma melancólica.
A inconfidência de um deputado com uma jornalista super-competente levou à descoberta do sistema de controle do Congresso, usado pelo Flagelo do Agreste.Tratava-se de um escândalo ciclópico de corrupção de grande parte dos congressistas,comprados através do mecanismo de gratificação, mesada, gorjeta mensal praticado pelo Planalto! O Mensalão!
A ponta do iceberg começou a rasgar o casco daquele Titanic de imoralidade administrativa.A torre de malfeitos começou a desabar.
Um Lava-jato no Paraná, um lugar de lavar automóveis, era usado por um doleiro como escritório.E começa uma operação policial que leva a investigações cada vez mais precisas e esclarecedoras. Além do Mensalão,um acordo de propinas atrelado a construtoras de grande porte e obras governamentais é posto à luz.As investigações são levadas a sério, os nomes que vão aparecendo surpreendem, levando o País ao estupor.No topo da lista, lá está ele: o Flagelo do Agreste.
Testemunhas são ouvidas e os delatores encantam os jornalistas e estufam os noticiários com os mais colossais absurdos.Os empresários que proporcionaram bilhões aos denunciados,tentam livrar-se da co-autoria dos fatos. Os meses vão passando até que, um dia, os veredictos dos ínclitos julgadores são propalados e o óbvio resplandece para orgulho e satisfação da patuleia indignada:
Cadeia para todos os criminosos! Corruptos! Ladrões!
A segunda instância dos processos confirma o resultado da primeira. Cadeia!
Mas…Os efeitos do Flagelo do Agreste permaneceram incrustados na máquina do Governo.
A ideia dos três poderes, tem como alicerce a Constituição e a isonomia entre eles. Na prática, a teoria se mostra menos clara. O Poder Judiciário é formado por funcionários indicados pelo Poder Executivo. O povo elege o Poder Legislativo. Mas o poder legislativo é exercido por um super exclusivo e mínimo número de parlamentares. Na verdade os que compõem a mesa diretora de cada uma das instâncias.O resto é massa de manobra. Alguns mais outros menos, mas quem manda são os componentes da Mesa, os partidos que os abrigam e fim de conversa.O que sobra é cognominado de "baixo-clero”. Só faz barulho.
O Poder Legislativo tem membros vitalícios. Mandatos intermináveis, a não ser quando o sino da Megera começa a tilintar ou quando completam idade provecta, mesmo que, ainda estejam gozando de suas faculdades físicas e mentais. O Poder Judiciário é formado por membros indicados pelo Poder Executivo. Se acontecer mudança na política, em tese, nada acontece no Judiciário. Um pequeno momento me engana que eu gosto.
A libertação e cancelamento das penas atribuídas em duas instâncias aos criminosos de colarinho branco, que envergonharam o País, detonaram empresas encheram seus próprios bolsos, e foram, praticamente, escorraçados depois da facada, foi concedida, pelos mesmos juízes que os condenaram… Judicialidades, meandros dos recursos forenses desculpas e razões tão absurdas como se um crime perdesse seu resultado nefando, por conta do endereço do tribunal.
Pior,o Malfeito foi contra a República, foi contra a Viúva alegre e sua prole miserável. Crimes materiais, morais, éticos e cívicos deixam o agente criminoso livre como se o endereço do Feito não fosse a própria nação.
A memória é fraca.
Os amigos, correligionários, as múmias beneficiárias no passado, rejubilaram-se e aproveitaram a caturrice, estreiteza, obliteração endógena do, outrora, cavaleiro da Luz e agora um troglodita pré histórico. A máquina de comunicação que não tinha sido desaparelhada, mas hostilizada, atuou por anos seguidos exaltando a estupidez, os enganos e as faltas com os compromissos de campanha. O compadrio, o nepotismo, a desfaçatez, a inabilidade na condução de políticas, o posicionamento sempre dúbio, inconsistente em relação a diversas questões internacionais, posicionando-se sempre de forma equivocada, prejudicaram a tentativa de continuidade, também negada lá no começo, quando dizia que não iria candidatar-se a reeleição.
Mesmo assim, metade da prole da Viúva quase impediu que o Flagelo voltasse com a mesma conversa, as mesmas múmias acrescidas de algumas ainda em processo de embalsamamento, enfim com a dupla Jean Valjean e Javert, do clássico romance de Victor Hugo, e mais toda uma variedade de atores e comportamentos que beiram ao estupor.
O Cavalo de Tração foi defenestrado por uma espuma mínima de ressentimentos, rejeição e ojeriza por ele mesmo provocada.
A prole da Viúva , encantada com a nova versão do panem et circenses e seus novos abrigados na lona verde-amarela, assistiu a demolição de ritos cívicos, a ascensão de novos artistas ao palco das surpresas, guardando as lembranças do que ainda não ficou resolvido.
Buscam processar o Cavalo de tração, impedir que volte a pista com seus coices e relinches e esquecem o que levou o Flagelo do Agreste para a cadeia . Esquecem da atuação nefasta dos Vulturinos areopagitas e suas casacas viradas pelo avesso.
Falta memória.


Postado por Raul Almeida
Em 11/12/2023 às 11h52

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