Oderint Dum Metuant | Elton Mesquita | Digestivo Cultural

busca | avançada
83662 visitas/dia
2,6 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Livro ensina a lidar com os obstáculos do Transtorno do Déficit de Atenção
>>> João Trevisan: Corpo e Alma || Museu de Arte Sacra
>>> Samir Yazbek e Marici Salomão estão à frente do ciclo on-line “Pensando a dramaturgia hoje”
>>> Chá das Cinco com Literatura recebe Luís Fernando Amâncio
>>> Shopping Granja Vianna de portas abertas
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Cem encontros ilustrados de Dirce Waltrick
>>> Poética e política no Pântano de Dolhnikoff
>>> A situação atual da poesia e seu possível futuro
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
Colunistas
Últimos Posts
>>> Hemingway by Ken Burns
>>> Cultura ou culturas brasileiras?
>>> DevOps e o método ágil, por Pedro Doria
>>> Spectreman
>>> Contardo Calligaris e Pedro Herz
>>> Keith Haring em São Paulo
>>> Kevin Rose by Jason Calacanis
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
Últimos Posts
>>> Geração# terá estreia no feriado de 21 de abril
>>> Patrulheiros Campinas recebem a Geração#
>>> Curtíssimas: mostra virtual estreia sexta, 16.
>>> Estreia: Geração# terá sessões virtuais gratuitas
>>> Gota d'agua
>>> Forças idênticas para sentidos opostos
>>> Entristecer
>>> Na pele: relação Brasil e Portugal é tema de obra
>>> Single de Natasha Sahar retrata vida de jovem gay
>>> A melancolia dos dias (uma vida sem cinema)
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Matrix, ou o camarada Buda
>>> Honestidade
>>> Action culturelle
>>> Google Blog
>>> A morte do jornal, pela New Yorker
>>> Mucha Mierda
>>> O trabalho camponês na América
>>> Anna Karenina, Kariênina ou a do trem
>>> Um rancho e um violão
>>> Da fatalidade do desejo
Mais Recentes
>>> O Código da Vinci de Dan Brown pela Sextante (2004)
>>> A pergunta a varias mãos de Carlos Rodrigues brandão pela Cortez (2003)
>>> Short Cuts - Cenas da Vida de Raymond Carver pela Rocco (1994)
>>> Da Unidade Transcendente das Religiões de Frithjof Schuon, Fernando Guedes Galvão pela Martins (1953)
>>> Lilith, A Lua Negra de Roberto Sicuteri pela Paz e Terra (1985)
>>> Elementos Fundamentais Para Uma Ampliação da Arte de Curar de Rudolf Steiner e Ita Wegman pela Antroposófica (2007)
>>> Filha Mãe Avó e Puta de Gabriela Leite pela Objetiva (2009)
>>> Revenue Management Maximização de Receitas de Robert G. Cross pela Campus (1998)
>>> A Coisa Terrível que Aconteceu com Barnab Brocket de John Boyne pela Companhia das Letrinhas (2013)
>>> Os Criminosos Vieram para o Chá de Stella Carr pela Ftd (2001)
>>> A Outra Face História de Uma Garota Afegã de Deborah Ellis pela Ática (2012)
>>> Toko Ghoul nº2 de Sui Ishida pela Panini
>>> Bíblia de Aparecida para Crianças de Lois Rock pela Santuário (2010)
>>> O Sabor da Qualidade de Subir Chowdhury pela Sextante (2006)
>>> A Aprendiz de Vivianne Aventura pela Landscape (2005)
>>> Auto sugestão Consciente O Que Digo O que Faço de Emile Coué pela Ediouro
>>> Um Dono para Buscapé de Giselda Laporta Nicolelis pela Moderna (1983)
>>> No Beco do Sabão de Odette de Barros Mott pela Atual (1985)
>>> O Diário de M. H. de Thalles Paraíso pela Talento (2016)
>>> O Principe Fantasma de Ganymédes José pela Atual (1987)
>>> Vidas de Grandes Compositores de Henry Thomaz pela Globo (1952)
>>> Quincas Borba de Machado de Assis pela Globo (1997)
>>> Gramática: Teoria e Atividade de Maria Aparecida Paschoalin; Neusa Terezinha Spadot pela Ftd (2008)
>>> Esaú e Jacó de Machado de Assis pela Globo (1997)
>>> Tarde Demais para Chorar Cedo Demais para Morrer de Edith Pendleton pela Circulo do Livro
COLUNAS >>> Especial Guerra no Iraque

Sexta-feira, 28/3/2003
Oderint Dum Metuant
Elton Mesquita

+ de 6100 Acessos

Hoje pela manhã, este link chegou ao meu conhecimento, através deste blog.

Trata-se de um arquivo mp3 de um programa de rádio onde um refugiado iraquiano identificado como Muhammad discute com uma pacifista americana sobre a guerra iminente. "Como, exatamente, deixar Saddam no poder promoverá paz e justiça no Iraque?", Muhammad pergunta. A jovem não consegue montar uma frase coerente. Nervosa, ela ri e sai do tópico diversas vezes. Em alguns segundos, o ouvinte inteligente, mas desinformado, terá a impressão desagradável de que as manifestações pela paz não passam de balidos débeis emitidos por liberais bem-vestidos que não têm idéia sobre o que estão falando, quando na verdade a opção pela "Paz" nem sequer existe fora do contexto estrito de necessidade prima facie.

Ouvir, da boca de alguém que efetivamente passou pela opressão, uma argumentação apaixonada pela derrubada do regime de Saddam tem esse efeito. Pelo tom de voz de Muhammad, nota-se que este homem está comprometido com a causa da guerra. É a voz de ódio fomentado por anos de opressão. "Famílias perderam vinte, trinta parentes quando Saddam atacou a população com gás", ele diz. A jovem pacifista, reduzida pelo seu interlocutor enfurecido a uma "garotinha" armada de uma "simplista diplomacia nickelodeon", não sabe o que dizer.

Agora, pode-se simpatizar com os sentimentos de Muhammad - mas nunca aprovar a conclusão a que ele chega. Afinal de contas, este homem está em território seguro. Para uma amostra da diversidade de opiniões do iraquianos sobre a invasão, tente este link. É o blog de um iraquiano que está no Iraque, e que, em determinado momento, diz: "Ninguém aqui no Iraque é pró-guerra (veja, eu disse 'guerra', e não 'troca de regime'; nenhum ser humano arrazoado irá pedir a você que lhe administre a surra de sua vida, a não ser que você seja um membro do Clube da Luta, e se você ouvir iraquianos [no Iraque, não expatriados], dizendo 'Ei, bombaerdeiem com tudo', tenha certeza de que é o desespero e 10 anos de dureza e opressão falando. Não há uma única pessoa dentro do Iraque [e este é um 'dentro' em negrito, piscando e sublinhado] que esteja gritando e pulando pras bombas caírem. Não somos suicidas, sabe. Não todos nós, pelo menos".

Além disso, não é necessário muito esforço, nem ir muito longe, para constatar que os motivos realmente importantes para um posicionamento contra a atual invasão dos EUA ao território Iraquiano passam longe dos etéreos e provavelmente inatingíveis conceitos de "paz e justiça para todos num mundo perfeito". Trata-se, simplesmente, de uma questão de pragmatismo, honestidade - e, talvez o mais importante - precaução.

Ser contra a ação militar americana no Iraque seria uma reação automática beirando a fisiologia em qualquer ser humano com o mínimo de amor-próprio e respeito pela própria inteligência. Pois se os procedimentos diplomáticos da ONU foram desrespeitados, e se os protocolos e resoluções do Conselho de Segurança foram abertamente desmoralizados, não o foram mais que a inteligência dos cidadãos ao redor do mundo, que tiveram que conviver com falácias, desmentidos, rumores, escritórios grampeados, distorções dos fatos, pura e simples ESTUPIDEZ, incompetência e ignorância arrogante.

Esta, desde o princípio, tem sido uma campanha desonesta e burra, orquestrada por pessoas que conhecem a extensão do próprio poder e que desistiram de qualquer fachada de decência e humanidade fora dos horários de pronunciamento do presidente Bush. É uma campanha fundamentalmente errada e baseada em algumas das mais memoráveis distorções da realidade já vistas.

A não ser que seja possível se sentir confortável num cenário onde se é tratado como uma criança que pouco sabe, e que deveria deixar determinados assuntos nas mãos dos adultos, não vejo como se pode ser a favor deste ataque, que aliás não está começando agora: Mães iraquianas têm visto seus filhos morrer de desnutrição já desde o final da primeira Guerra do Golfo, por causa de um dos maiores embargos econômicos já perpetrados. E os EUA sabiam que Saddam não se importaria nem um pouco. Assim se configura um ato de irresponsabilidade criminosa tão monumental que chega a ser anestesiante, o que talvez explique, mas não justifique, o modo irresponsável como o tema da guerra têm sido tratado em alguns círculos da web. Compreendo que seja fácil e tentador exibir uma mordacidade que se basta em se imaginar desafiadora do status quo politicamente correto, quando não se sabe do horror diário que determinadas políticas têm infligido em certas regiões do mundo. Mas digressiono.

Vou tentar levantar alguns pontos baseados no meu argumento de que ser contra a invasão americana ao Iraque não significa necessariamente estar-se disposto a perder tempo com vagos sentimentos "boa-gente" pela Paz Mundial. Pela ordem:

Pragmatismo
Saddam Hussein foi derrotado na primeira Guerra do Golfo e fugiu. E descobrimos todos que errar não é só humano, como deve ser governamental, pois Saddam conseguiu fugir apesar de toda a vigilância da CIA em cima dele - e voltou ao poder. A intervenção americana não se aproveitou do fato de que o ditador tinha fugido para instalar um regime democrático. Por algum motivo, isso nunca aconteceu. Muhammad, nosso imigrante enfurecido, parece ter se esquecido disso. Portanto, primeiro: Não há garantias de que Saddam será deposto. E segundo: Não há garantias de que o presidente eleito após a guerra, se de fato os EUA conseguirem depor Saddam, não será uma cobra criada pela CIA como Noriega, Pol Pot, Bin Laden etc etc etc, ou seja, um mero fantoche dos interesses de Washington, que poderá, futuramente, se o padrão se repetir (e não há porque não se repetir), se voltar contra a mão que o alimenta.

Honestidade
A resolução 1411 do Conselho de Segurança da ONU - que exige do Iraque obediência às resoluções dos inspetores da ONU - não autoriza a intervenção militar. Não está no texto da resolução em nenhum lugar. Simples assim.

O Presidente Bush diz que 35 nações apóiam os Estados Unidos. De 193 reconhecidas pela ONU. Olhando a lista, encontramos países como Eritréia (quem?) e Etiópia (subitamente possuidora de inaudito peso político). O apoio da Turquia foi comprado - e a maioria da população turca se manifestou contra a guerra.

Não preciso lembrar que o ataque ao Iraque é o fato culminante da Campanha Contra o Terror (lembra?), que, por meios inescrutáveis a qualquer pessoa com o mínimo de amor à lógica, conseguiu ligar Osama Bin Laden a Saddam Hussein (nenhum dos seqüestradores dos aviões era iraquiano, e Osama já chamou o líder iraquiano de "infiel"). Irresponsabilidade mentirosa, manipulação dos fatos para interesse próprio. Injustificável e obsceno.

Um longo etc. se segue, abarcando escritórios da União Européia grampeados, documentos forjados, rumores desmentidos, mas por motivos de espaço não me será possível discorrer sobre todos.

Precaução
Qualquer capo da máfia ou valentão de jardim de infância poderá falar com autoridade sobre o que os EUA estão fazendo neste momento no cenário mundial. Se chama estabelecer credibilidade. A mensagem enviada a todas as nações do mundo é: "Não queremos e não precisamos de aprovação. Podemos fazer o que quisermos, onde quisermos, com quem quisermos, e não há nada que ninguém possa fazer a respeito disso". É fácil perceber o panorama que se desenha no horizonte, não a partir de agora (tivéssemos nós a sorte de dizer que este incidente "abre um precedente"), mas desde o final da Segunda Grande Guerra, quando os EUA começaram a estabelecer objetivamente sua política internacional. "Oderint dum metuant": "Que nos odeiem, contanto que nos temam".


Elton Mesquita
Rio de Janeiro, 28/3/2003


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Existem vários modos de vencer de Fabio Gomes
02. De Middangeard à Terra Média de Celso A. Uequed Pitol
03. Etapas em combustão de Fabio Gomes
04. O ato de criação no texto dos artistas (Parte I) de Jardel Dias Cavalcanti
05. Beijo surdo de Ana Elisa Ribeiro


Mais Elton Mesquita
Mais Especial Guerra no Iraque
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Raise the Issues Students Book
Carol Numrich
Longman do Brasil
(1994)



Ciência do Futuro e Futuro da Ciência: Redes e Políticas de Nanoc
Jorge Luiz dos Santos Junior
Eduerj
(2013)



O Número Nupcial no Livro Viii da República; Ciência, Técnica e F
Cadernos História e Filosofia da Ciência, 1
Unicamp
(1994)



Voce Me Viu por Ai
Cristina a Castrucci
Prata
(2013)



Para Gostar de Ler Volume 9
Clarice Lispector e Outros
Ática
(1984)



Tradição, Conhecimento e Prática dos Vinhos
Danio Braga e Celio Alzer
José Olympio
(2003)



Epistemologia Linguistica
Khalil Salem
Fiuza
(2011)



Traveller Intermediate B1 Studants Book
H Q Mitchell
Mm Publications
(2009)



Le Français En Classe de 4º - Nouveau Progremme (capa Dura)
Marcel Barral, Georges Griffe, Jean Fournier
Bordas
(1965)



Rodas 50 Anos Borghoff
Luiz Pietsch Jr e Tito Cavalcanti
GB Rio
(1962)





busca | avançada
83662 visitas/dia
2,6 milhões/mês