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Quarta-feira, 14/1/2009
O melhor de 2008 ― literatura e cinema
Milton Ribeiro

+ de 10500 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Raramente nos aproximaremos de um grupo de pessoas e estas, sejam elas quais forem, estarão discutindo literatura. Ou, se estiverem, dificilmente o livro discutido é recente. A cultura comum, a cultura como assunto de conversa é o cinema ― e olhe lá ―, não a literatura. Digo isso porque 2008 foi o ano em que finalmente pudemos discutir um livro que muitos tinham lido, ou que muitos tinham ouvido falar e sabiam do que se tratava e que era escrito por um escritor, não por uma Bruna Surfistinha. 2008 foi o ano de um livro escrito em 2007: O filho eterno, de Cristovão Tezza. Só isso já bastaria para que escondêssemos nossas previsões apocalípticas na gaveta à esquerda.

Espécie de relato autobiográfico disfarçado de romance, o livro de Tezza narra a dilacerante relação entre um pai escritor e seu filho, vítima da Síndrome de Down. É um livro que impressiona tanto pela franqueza e coragem da exposição quanto por seu texto. Tezza faz um livro de frases longas e que não deseja comprar o leitor com facilidades. Mereceu a chuva de prêmios que caiu-lhe sobre a cabeça: o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte no ano passado, o Portugal Telecom, o Jabuti de melhor romance, o Prêmio Bravo de Literatura e a primeira edição do recém criado Prêmio São Paulo de Literatura ― o certame que mais pagou a um autor no Brasil: R$ 200 mil.

No terreno das estréias, Pó de parede, de Carol Bensimon, foi o melhor de 2008. Formado de três novelas de boas histórias e esplendidamente escritas, o volume não é o tradicional livro de estréia autobiográfico e íntimo; é antes uma música de câmara elegante, leve e tranquila, que evoca realidades externas com algum desencanto. A voz da autora é incomum, mas a linguagem não é exagerada ou cansativa. Nenhuma das três histórias é esquecível, mas minha preferência vai para "Falta céu", onde, a partir de poucas informações, uma situação bastante complexa é construída. Bensimon deixa lacunas a serem preenchidas pela experiência do leitor e consegue direcionar e surpreender nossa fantasia. É autora para se acompanhar de perto.

No plano internacional, o melhor romance que li foi El común olvido, de Sylvia Molloy. O livro é de 2002! Incompreensível que nunca tenha sido traduzido no Brasil. Narrado na primeira pessoa, inicia-se com a chegada de Daniel ao Aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, com as cinzas de sua mãe. Ele emigrara para os Estados Unidos ainda criança, logo após a separação dos pais, acompanhado da mãe. Poucas vezes tinha retornado à Argentina e o pai já morrera há anos. Daniel fala de si, de sua profissão de tradutor, da tese que escreve, mas o foco logo se altera. Este "Em busca da mãe perdida" torna-se uma arrebatadora demonstração dos enganos de nossa memória, levada com virtuosismo pela autora. Cada item que é acrescentado ou retificado em sua memória, cada acontecimento ― a sexualidade da mãe, o acidente de carro, as brigas com o pai, a apresentação da amante da mãe ―, torna impossível o retorno à vida anterior. As retificações e questionamentos são apresentados pela autora com a mesma lentidão e tranqüilidade com que Kafka comprazia-se ― ou parecia comprazer-se ― em mostrar coisas que nos parecem verdadeiros horrores não por si, mas pelo deslocamento a que sua aceitação nos obriga. É importante dizer que Molloy tem de Kafka apenas a característica de ser imperturbável, pois seu humor e elegantes anedotas são tipicamente platinas.

Acho que nunca vi tantos filmes regulares como em 2008. Pouca coisa era agressivamente ruim e quase nada era indiscutivelmente bom. Mas acho que dá para salvar 4,5 filmes. Podemos começar por O Segredo do Grão, de Abdel Kechiche, um filme de visceral realismo que tem como tema a singela inauguração de um restaurante dentro de um barco numa cidade portuária da França. Trata do choque cultural entre a comunidade árabe e a francesa, mas é universal ao descrever detalhadamente conflitos familiares. A câmara móvel de Kechiche é apenas aparentada dos filmes do Dogma 95, pois ela não serve para demonstrar movimento ou despojamento, estando mais a serviço da busca de ângulos originais, muitas vezes aproximando-se dos atores como se quisesse penetrá-los ou acariciá-los.

Outro grande filme foi o romeno 4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu, Palma de Ouro de 2007. Ele conta a história de duas colegas de quarto obrigadas a uma verdadeira odisséia para que uma delas pudesse realizar um aborto ilegal na Romênia de Ceaucescu. É um filme sem a menor preocupação moral ou religiosa. Descreve como as duas fizeram para livrar-se de um incômodo. Gabita, a grávida, deixa a operacionalização do aborto para Otilia, sua amiga. Gabita parece indiferente enquanto Otilia faz contatos com aborteiros, porteiros ― todos pequenos ditadores cheios de mistérios ― e depois trata de livrar-se do corpo do inquilino da amiga. Estes dois filmes têm algo em comum: ambos têm longas cenas que causam enorme angústia ao espectador.

E sim, os dois filmes dos irmãos Coen foram excelentes. Em No country for old men (Este país não é para velhos em Portugal e um título qualquer no Brasil), a acidez dos Coen cai adequadamente para narrar com frieza uma história amalucada e violenta. Meio western, meio thriller, quase sem trilha sonora e com cenas antológicas, é um grande filme. Já Burn after reading (surpreendentemente Queime depois de ler no Brasil) tem a paranóia americana como alvo. É um filme que conta muita coisa em círculos, não chega a lugar algum e nem deseja, mas nos arranca boas risadas. A cena de George Clooney em pânico por motivos que o espectador sabe serem falsos vai para minha galeria pessoal de momentos inesquecíveis.

Disse 4,5 filmes? Pois é, o 0,5 é do excelente Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen.

E o Prêmio de Maior Mico de 2008 vai para o discursivo homem de cuecas: Batman: O Cavaleiro das Trevas.

Nota do Editor
Milton Ribeiro mantém o blog Milton Ribeiro, no portal O pensador selvagem.


Milton Ribeiro
Porto Alegre, 14/1/2009


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
21/1/2009
10h06min
Os comentários sobre literatura e cinema de Milton Ribeiro perdem um pouco da consistência quando ele usa a primeira pessoa. Dão a idéia de estarem acima do bem e do mal, como uma verdade indiscutível.
[Leia outros Comentários de Marcos Plata]
21/1/2009
12h09min
Marcos, saio em defesa do Milton porque também me valho da primeira pessoa em meus textos. Se estamos dando nossa opinião pessoal, que pessoa poderemos utilizar se não a primeira? O Milton em momento algum prega suas opiniões como verdades absolutas, mas sim como suas opiniões, só isso.
[Leia outros Comentários de Rafael Rodrigues]
5/4/2010
00h18min
Usei a busca do site para encontrar algo sobre "O segredo do grão" e encontrei uma rápida resenha-quase-uma-citação nesse texto. O filme merecia um pouco mais, na minha opinião. Nunca tinha visto a luz do sol ser utilizada de maneira tão explícita. A luz dos postes, de dentro de casa, das lâmpadas fluorescentes. A luz ambiente é a estrela do filme, e seu objetivo é iluminar os diálogos e as situações sem roteiro que vemos na tela. Sem luzes e efeitos especiais, a humanidade dos personagens, da economia, da política, da sociedade salta aos olhos. É preciso sobreviver, mas será preciso fazê-lo sem abrir mão de nossa dignidade, quando ainda há alguma? Talvez seja esse o segredo do grão.
[Leia outros Comentários de arqpita]
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