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COLUNAS

Terça-feira, 4/3/2003
Dois candidatos ao Oscar
Clarissa Kuschnir

+ de 1300 Acessos

Dois grandes filmes concorrentes ao Oscar estão chegando aos cinemas e sem dúvida são fortes candidatos a saírem com os principais prêmios da academia.

O primeiro é o drama "O Pianista" de Roman Polanski, que recebeu a Palma de Ouro em Cannes em 2002, além das sete indicações ao Oscar e mais um monte de prêmios pelo mundo. Baseado nas memórias do livro "O Pianista" de Wladislaw Szpilman, que é o próprio personagem, um pianista talentoso polonês Judeu sofre horrores durante a segunda guerra mundial e consegue sobreviver no gueto de Varsóvia.

O cineasta conseguiu sintetizar de forma clara, fria e precisa o sofrimento dos judeus na Polônia na mão dos alemães e principalmente de Wladislaw Szpilman (interpretado pelo ator Adrien Brody), que consegue escapar da deportação da Polônia e se esconde na capital, que foi praticamente destruída. Roman Polanski há muito tempo desejava fazer um filme sobre esse período, então o Pianista foi a oportunidade para ele levar para as telas essa história triste e emocionante, deixando o filme o mais próximo possível da realidade e longe de qualquer mentira criada pela indústria.

O que mais choca é ver como o povo judeu sofreu, e ver que realmente os alemães não pensavam duas vezes para eliminar desde crianças até os idosos. Eram milhares de judeus mortos pelas ruas de Varsóvia, onde o personagem passava e se deparava com cadáveres sem saber qual seria seu destino. Mas ele estava sempre lutando, seja contra a fome, para proteger a família, e pela própria vida.

Pode-se dizer que, apesar de ter sofrido, o personagem por duas vezes teve sua vida salva por pessoas que foram seus anjos da guarda. O primeiro: um policial que o admirava como músico; e o segundo: um guarda alemão que cansou das barbaridades de seus companheiros dando comida e poupando a vida de Szpilman.

Não espere que o personagem durante as duas horas e meia de filme toque piano sem parar, são poucos os momentos que o espectador terá o prazer de ouvir o talento do pianista. Mas o filme vale pela reconstrução muito próxima e verdadeira do holocausto, que Polanski conseguiu colocar nas telas do cinema (apesar de ser um tema muito comum, abordado em diversos longas metragens como "A Lista De Schindler").

Sobre o musical "Chicago"
A era dos musicais voltou com o magnífico "Moulin Rouge", e o cinema nos presenteia com mais um filme do gênero: outro grande espetáculo da sétima arte, "Chicago". Como é bom ver o talento de grandes estrelas em um filme que dá a oportunidade de cantar, dançar e representar ao mesmo tempo.

O elenco fica por conta das belas Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger, e do eterno galã Richard Gere (que até surpreende como cantor e dançarino). Mas quem realmente arrasa nos números musicais é Zeta-Jones, por ter sido dançarina e cantora antes de se tornar atriz hollywoodiana.

A história se passa na cidade de Chicago, na década de 20, e conta a trajetória de Roxie (interpretada por Renée Zellweger), que sonha em se tornar vedete. Roxie assassina seu amante, ao descobrir que foi enganada por ele, e vai para a cadeia feminina, onde vira uma celebridade da imprensa de um dia para o outro. Para completar, Roxie ainda tem um marido bonzinho que, apesar de traído, quer ajudá-la a sair da prisão. Nisso, sua concorrente e colega de cadeia, a vedete Velma Kelly (Zeta-Jones), que também é uma assassina, se vê ameaçada por Roxie e tenta se aproximar dela de todas as maneiras. Por último, para salvar a pele de Roxie, surge o advogado canastrão e boa pinta, Billy Flynn (Richard Gere), que consegue ganhar todas as causas de suas clientes, libertando-as da prisão.

Toda a história se transforma num número musical, em que os atores interpretam de forma divertida e irônica o que se passa com os personagens. Sem contar que o resto do elenco coadjuvante se sai muito bem, principalmente a atriz e compositora Queen Latifah, que interpreta a Mama (a chefe das prisioneiras).

A fita é diversão do começo ao fim, e não é um dramalhão. Os diálogos são inteligentes e a trilha, interpretada pelos próprios atores, consegue envolver o espectador (mesmo aqueles que não gostam ou não estão muito acostumados com o gênero musical). E aí que "Chicago" supera "Moulin Rouge".



Clarissa Kuschnir
São Paulo, 4/3/2003

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