O que é canção, por Luiz Tatit | Digestivo Cultural

busca | avançada
29109 visitas/dia
737 mil/mês
Mais Recentes
>>> Músico Dudu Oliveira lança seu disco de estreia no Todas as Bossas da TV Brasil
>>> Antenize recebe Lázaro Ramos no especial sobre literatura deste sábado (18) na TV Brasil
>>> Festa
>>> Shopping Metrô Tucuruvi e Livrarias Curitiba preparam uma programação especial para este mês
>>> São Paulo recebe neste sábado o festival "Eu Quero Arte Perto de Mim"
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Não quero ser Capitu
>>> Desdizer: a poética de Antonio Carlos Secchin
>>> Pra que mentir? Vadico, Noel e o samba
>>> De quantos modos um menino queima?
>>> Entrevista com a tradutora Denise Bottmann
>>> O Brasil que eu quero
>>> O dia em que não conheci Chico Buarque
>>> Um Furto
>>> Mais outro cais
>>> A falta que Tom Wolfe fará
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Frases e verdades
>>> Música & Filosofia
>>> Casa de couro
>>> Saber viver a vida é fundamental
>>> Não sei se você já deitou em estrelas.
>>> UM OLHAR SOBRE A FILOSOFIA (PARTE I)
>>> Globo News: entrevista candidatos
>>> Corpo e alma
>>> Cada poesia a seu tempo
>>> De Repente 30! Qual o Tabu Atual de Ter Essa Idade
Blogueiros
Mais Recentes
>>> As viúvas da Bizz
>>> As viúvas da Bizz
>>> As viúvas da Bizz
>>> O filósofo da contracultura
>>> A resistência, de Ernesto Sabato
>>> A poética anárquica de Paulo Leminski
>>> A poética anárquica de Paulo Leminski
>>> Satã, uma biografia
>>> Escola, literatura e sociedade: esquizofrenia
>>> O mensalão, 5 anos depois, pelo Valor Econômico
Mais Recentes
>>> Você e Seu Sangue de Heloisa Bernardes pela H. L. B. - Cursos e Serviços (2004)
>>> Turco de Rough Guides pela Publifolha (2009)
>>> The mill on the floss de George Eliot pela Oxford University Press (1981)
>>> Teoria da restauração de Cesare Brandi pela Ateliê Editorial (2004)
>>> Queimada viva de Souad pela Planeta (2004)
>>> Pré-história de André Leroi-Gourhan pela Pioneira (1981)
>>> Platão de Bernard Williams pela UNESP (2000)
>>> Pedra só de José Inácio Vieira de Melo pela Escrituras (2012)
>>> Os búrios de Domingos Maria da Silva pela Câmara Municipal de Terras de Bouros (1988)
>>> O patrimônio em processo de Maria Cecília Londres Fonseca pela UFMG (2005)
>>> O leilão do lote 49 de Thomas Pynchon pela Companhia das Letras (1993)
>>> O homem que matou o escritor de Sérgio Rodrigues pela Objetiva (2000)
>>> O fator humano de Graham Greene pela L&PM Pocket (2008)
>>> O cortiço de Aluísio Azevedo pela Nobel (2010)
>>> O centro industrial do Rio de Janeiro de Edgard Carone pela Cátedra (1978)
>>> O capitalismo tardio de João Manuel Cardoso de Mello pela UNESP (2009)
>>> O capital, vol. 1: o processo de produção do capital de Karl Marx pela Civilização Brasileira (1998)
>>> Norma e forma de E. H. Gombrich pela Martins Fontes (1990)
>>> Morte abjeta de Bernardo Guimarães & Maria Judith Ribeiro pela M. J. Ribeiro (2002)
>>> Memórias do social de Henri-Pierre Jeudy pela Forense Universitária (1990)
>>> Magos de Isaac Asimov pela Melhoramentos (1990)
>>> Lolita de Vladimir Nabokov pela Abril (1981)
>>> História da casa brasileira de Carlos Lemos pela Contexto (1989)
>>> Hegel de Georg W. F. Hegel pela Nova Cultural (2000)
>>> Habitações indígenas de Sylvia Caiuby Novaes (org.) pela Nobel (1983)
>>> Gaston Bachelard: o arauto da pós-modernidade de Elyana Barbosa pela EDUFBA (1993)
>>> Galope amarelo e outros poemas de Florisvaldo Matos pela Fundação Gregório de Mattos (2001)
>>> Estrangeiro de Ronaldo Costa Fernandes pela Sette Letras (1997)
>>> Estado e capitalismo de Octavio Ianni pela Brasiliense (1989)
>>> Espacio, tiempo y arquitectura de Abdulio Bruno Giudici pela Nobuko (2004)
>>> El concepto del espacio arquitectónico de Giulio Carlo Argan pela Ediciones Nueva Visión (1984)
>>> Economia política da urbanização de Paul Singer pela Brasiliense (1987)
>>> Depois da arquitectura moderna de Paolo Portoghesi pela Edições 70 (1985)
>>> Contos escolhidos de Luís Pimentel pela Secult-BA (2006)
>>> Compreender Aristóteles de François Stirn pela Vozes (2006)
>>> Comédia em tom menor de Hans Keilson pela Companhia das Letras (2011)
>>> Canto mínimo de Adelmo Oliveira pela Imago (2000)
>>> Breve história diplomática de Portugal de José Calvet de Magalhães pela Publicações Europa-América (1990)
>>> Breve história das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal de José Calvet de Magalhães pela Paz & Terra (1999)
>>> Antropologia social de E. E. Evans Pritchard pela Edições 70 (2002)
>>> Adorno de Theodor W. Adorno pela Nova Cultural (2000)
>>> A língua e a cultura portuguesas no Tempo dos Filipes de Pilar Vásquez Cuesta pela Publicações Europa-América (1986)
>>> A imagem da cidade de Kevin Lynch pela Martins Fontes (1988)
>>> A história sem fim de Michael Ende pela Martins Fontes (1985)
>>> A hispanidade em São Paulo de Aracy A. Amaral pela Nobel (1981)
>>> A good scent from a strange mountain: stories de Robert Olen Butler pela Penguin (1993)
>>> A caligrafia do soluço & Poesia anterior de Florisvaldo Mattos pela Casa de Palavras (1996)
>>> A arquitetura de Günter Weimer pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992)
>>> Bíblia do Pescador 2010 de Mateus Zillig pela Grupo 1 (2010)
>>> Introdução à Economia de José Paschoal Rossetti pela Atlas (1997)
BLOG >>> Posts

Quarta-feira, 8/8/2007
O que é canção, por Luiz Tatit

+ de 25100 Acessos

Para entender, analisar e mergulhar de cabeça no universo da música popular brasileira, nada melhor do que começar pelo começo, pela raiz: O que é canção? Ora, uma pergunta aparentemente fácil de responder, mas que chega a confundir quem pensa que é sinônimo de música. O cantor, compositor e professor titular do Departamento de Lingüística da USP, Luiz Tatit, discorreu ontem sobre a complexidade que existe na criação de uma canção, na primeira aula do curso de MPB do Espaço da Revista Cult. Essa questão já foi até tema de um livro publicado pelo próprio Tatit.

A combinação entre letra, melodia e harmonia não é tão antiga quanto se parece. Aqui no Brasil, a canção nasceu na década de 1920, com a invenção do gravador. Até então, as músicas feitas na época eram muito improvisadas, não havia nada fixo para que todos decorassem e cantassem. Era até freqüente os compositores não decorarem a própria composição, apenas o refrão, o que Tatit chama de "gravador natural", por ser repetido muitas vezes.

Com a possibilidade de gravar, começou uma verdadeira corrida para ver quem fazia a melhor música. "A primeira gravação, 'Pelo Telefone', do Donga, era na verdade vários refrãos que juntaram em uma mesma música. Eram brincadeiras de aliteração, isso jamais poderia ser um modelo de canção", conta. Durante toda década foram feitas tentativas de se chegar a um formato e daí que começou a surgir uma divisão de partes nas músicas, as estrofes e o refrão, e a ser estabelecido esse modelo. "A canção já surgiu como comércio. Com um modelo já definido, começou uma produção em série." Os cantores da época encomendavam as músicas para os compositores, que recebiam por canção.


Luiz Tatit, durante a aula do curso de MPB

Mas o grande "xis" da questão, o que faz uma música ser considerada uma canção, nas palavras de Tatit, é a fala por trás da melodia. Tanto a letra quanto a melodia devem passar a mesma mensagem, como na época em que surgiram as primeiras canções, em que pareciam recados: amorosos, uma bronca ou até uma exaltação. Além disso, canção é diferente de música ou de poesia, pois "não adianta fazer poesia, porque, se ela não puder ser dita, não vira canção. E você pode ter também uma música extremamente elaborada, mas se ela não suscitar uma letra, não tiver entoação, também não é canção". Por isso o termo "cancionista", aplicado naqueles que não são músicos profissionais, mas que sabem compor canções.

Além da entoação e do "sobe e desce" presentes na fala, a melodia recebe influência forte também do ritmo e da letra da canção, estabelecendo uma relação direta com as vogais e consoantes. "A gente tem uma música na fala porque existe vogal. Pode durar mais ou menos tempo, mas são elas que determinam a altura do som, são as vogais que afinam", explica o compositor. Já a consoante representa o corte - da vogal e do sentimentalismo da canção. "Quando a canção é romântica, as vogais duram mais, justamente para você sentir a vibração de cada nota que o cantor está cantando. Uma canção mais rítmica não precisa alongar tanto as vogais, ela quer provocar estímulos de dança."

Se em uma música a vogal dura bastante, esse efeito traz a sensação de que há uma busca e uma distância entre o sujeito e o objeto, por isso simboliza perda, um dos temas mais recorrentes de músicas de amor. Já naquelas canções com uma melodia mais acelerada, sem vogais prolongadas, os trajetos são condensados e não há falta nem necessidade de nada. Daí a razão de as canções com ritmo mais rápido passarem a sensação de alegria e festividade.

O samba é um dos estilos musicais que mais respeita a entoação da fala, pois tem um ritmo quebrado, ou seja, que não se encaixa nos compassos quadrados de uma música convencional, se assemelhando ao que é a fala, que não respeita nenhum padrão, pois é natural. E o rap, pode ser considerado uma canção? Ao contrário dos que dizem que o rap simboliza o final dos tempos na música, Tatit polemiza ao dizer que é uma canção pura. "É como se a canção chegasse em sua raiz, pois é alguém falando, com algumas organizações de métrica. O rap quer passar mensagens e, para isso, é necessário aproximar ao máximo da fala", justifica.

Apesar de existir um modelo, um padrão de canção, vem à tona uma pergunta: existe alguma fórmula para compor? Bom, não há uma regra, mas Tatit defende a criação de uma faculdade de canção, ou pelo menos de algum departamento específico dentro de uma faculdade de música ou de letras, que, segundo ele, não contribuem na formação de cancionistas. Mas, além da teoria, seria necessário treinar o ouvido e a sensibilidade musical dos alunos. A aula termina com um desafio: "Todos nós podemos ser compositores, afinal, todos nós falamos. Só depende da nossa habilidade de fixar a canção na memória."

Para ir além
Curso de MPB do Espaço da Revista Cult


Postado por Débora Costa e Silva
Em 8/8/2007 às 18h13


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Mehmari e os 75 anos de Gil de Julio Daio Borges
02. Cornell e o Alice Mudgarden de Luís Fernando Amâncio
03. Ajudando um amigo de Julio Daio Borges
04. Ed Catmull por Jason Calacanis de Julio Daio Borges
05. Daphne Koller do Coursera de Julio Daio Borges


Mais Débora Costa e Silva no Blog
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




BECO DAS GARRAFAS, UMA LEMBRANÇA
MARCELLO CERQUEIRA
REVAN
(1994)
R$ 15,00



SEGREDOS PARA O SUCESSO E A FELICIDADE - 2ª EDIÇÃO
OG MANDINO
RECORD
(1997)
R$ 11,90



REVISTA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA - NÚMERO 14 - MULHERES, A REVOLUÇÃO MAIS LONGA
MOACIR FELIX (ED.)
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
(1967)
R$ 15,00



DOMINANDO ECLIPSE
EDSON GONÇALVES
CIÊNCIA MODERNA
(2006)
R$ 35,00



PALÁCIO DA ALVORADA
GOVERNO FEDERAL
DO AUTOR
R$ 10,00



BANDEIRANTES - COLEÇÃO DE OLHO NO MUNDO RECREIO Nº 13
EDITORA KLICK
KLICK
(2000)
R$ 8,00



ANJOS - TUDO QUE VOCÊ QUERIA SABER Nº 1 - COM FITA K7
BIBA ARRUDA / MIRNA GRZICH
TRÊS
R$ 15,00



AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - VOLUME ÚNICO
C. S. LEWIS
MARTINS FONTES
(2016)
R$ 49,90



O CASO ROSENBERG 50 ANOS DEPOIS
ASSEF KFOURI
CÓDEX
(2003)
R$ 15,00



JOURNAL OF THE BRAZILIAN COMPUTER SOCIETY Nº 3 VOL 6 APRIL 2000
SOCIEDADE BRASILEIRA DE COMPUTAÇÃO
SBC
(2000)
R$ 7,00





busca | avançada
29109 visitas/dia
737 mil/mês