Ao Portal Galego da Língua | Digestivo Cultural

busca | avançada
28797 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Almundo traz até 40% de desconto em seu primeiro Outlet 2019
>>> Ex-Titã Paulo Miklos apresenta seu terceiro álbum no Sesc Belenzinho
>>> Companhia de Teatro Heliópolis coloca em cena as duas faces da justiça em nova montagem
>>> Cunha realiza 2ª edição do Verão na Montanha - Cunha Fest, festival de jazz e blues
>>> Artista ucraniana expõe pela 1a vez no Brasil
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> As palmeiras da Politécnica
>>> Como eu escrevo
>>> Goeldi, o Brasil sombrio
>>> Do canto ao silêncio das sereias
>>> Vespeiro silencioso: "Mayombe", de Pepetela
>>> A barata na cozinha
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> O Voto de Meu Pai
>>> Inferno em digestão
>>> Hilda Hilst delirante, de Ana Lucia Vasconcelos
Colunistas
Últimos Posts
>>> Mon coeur s'ouvre à ta voix
>>> Palestra e lançamento em BH
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
Últimos Posts
>>> Assim eu quero a vida
>>> Um sujeito chamado Benício
>>> A imaginação educada, de Northrop Frye
>>> Direções da véspera (Introdução)
>>> O tempo nos ensina - frase
>>> O Cinema onde os fracos não tem vez
>>> Senhor do Corpo e da alma - poema
>>> Fotogenia
>>> É Natal
>>> Canções de amor
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Jabá é sempre jabá
>>> Guimarães Rosa: um baiano de sangue
>>> Contra reforma ortográfica
>>> Wilhelm Reich, éter, deus e o diabo (parte I)
>>> O certo e o errado no ensino da Língua Portuguesa
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Sobre caramujos e Omolu
>>> Sobre a vida no campo
>>> O óbvio final de Belíssima
>>> Unidade na multiplicidade
Mais Recentes
>>> Curso de Direito Aeronáutico de Luis Ivani de Amorim Araújo pela Forense (1998)
>>> Patologia bucal de William G. Shafer / Maynard K. Hine / Barnet M. Levy pela Mundi (1961)
>>> Dicionário Internacional de Economia e Finanças de Bernard e Colli pela Forense-Universitária (1998)
>>> Tratado de Direito Privado - Tomo 10 de Pontes de Miranda pela BookSeller (2000)
>>> Tratado de Direito Privado - Tomo 22 de Pontes pela BookSeller (2003)
>>> Didático de Enfermagem Teoria e Prática - Volume I de José Jardes da Gama - Sandra Maria da Penha pela Eureka (2017)
>>> Geografia 7º Ano - Espaço e Vivência - Livro do Aluno de Levon Boligian e Outros pela Atual (2016)
>>> The Adventures of Tom Sawayer de Mark Twain pela Sterling (2010)
>>> Ataque do Comando P. Q de Moacyr Scliar pela Ática (2006)
>>> Uma Aventura no Mundo de Tarsila de Mércia M Leitão - Neide Duarte pela Do Brasil (1999)
>>> Educando Filhos Responsáveis de Elizabeth M Ellis pela Ática (1997)
>>> Celebridade de Chris Rojek pela Racco (2008)
>>> O Pagador de Promessas de Dias Gomes pela Ediouro (2006)
>>> Tudo é Poesia - Livro II - 2ª Edição de Ray Lima pela Queima - Bucha (2005)
>>> Os Escravos de Castro Alves pela Cedic
>>> Geografia - Volume Único - Vereda Digital - Livro do Aluno de Bacic Silva Lozano pela Moderna (2012)
>>> Nuevo Listo Parte a - Livro do Aluno de Roberta Amendola pela Santillana (2012)
>>> Jornadas - Português - 6º Ano - Livro do Aluno de Dileta Delmanto - Laiz B de Carvalho pela Saraiva (2016)
>>> Jornadas - Português - 9º Ano - Livro do Aluno de Dileta Delmanto - Laiz B de Carvalho pela Saraiva (2016)
>>> E Agora, Mãe? - 3ª Edição de Isabel Vieira pela Moderna (2018)
>>> É de Morte! de Flávia Savary pela Ftd (2014)
>>> Os Três Mosqueteiros Em Cordel de Klévisson Viana pela Leya (2011)
>>> História 360º - Livro do Aluno de Alfredo Boulos Júnior pela Ftd (2017)
>>> Hyperlink - 2 Edition de Albina Escobar pela Pearson (2014)
>>> Access - Volume 1 - Livro do Aluno de Luiz Otávio Barros pela Richomond (2016)
>>> Davi e a Árvore da Riqueza de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2017)
>>> O Patinho Feio de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2005)
>>> Os Animais do Mundinho de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2007)
>>> Um Mundinho de Paz de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2012)
>>> João e o Pé de Feijão de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2006)
>>> A Riqueza Está Em Toda Parte de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2015)
>>> Dinheiro Nasce Em Árvore? de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2018)
>>> Uma Escada Chamada Vida: Coleção Crescer e Enriquecer de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2018)
>>> A Magia do Lixo - 3ª Edição de Jonar Brasileiro - Kátia Rocha pela Humanidades Educação (2016)
>>> De Olho na Amazônia - 2ª Edição de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen pela Dcl (2011)
>>> A Receita da Prosperidade de Angélica Rodrigues Santos - Rogério Olegário pela Humanidades Educação (2017)
>>> Projeto Teláris - História 9º Ano - Livro do Aluno de Gislane Azevedo - Reinaldo Seriacopi pela Ática (2015)
>>> 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer: um Guia para Toda a Vida de Mara e Outros pela Sextante (2006)
>>> Conexões: George Washington a Compadre Washington de Super Interessante pela Abril (2016)
>>> Super 30 Anos: as Revoluções das Três Últimas Décadas de Abril pela Abril (2017)
>>> Acontecem Há Mais de Cem Anos de Elto Koltz pela Prazer de Ler (2011)
>>> A Bússola e a Balança: por um Mundo Mais Justo de Maria Lúcia de Arruda Aranha pela Moderna (2001)
>>> Sistemas Digitais: Fundamentos e Aplicações - 9ª Edição de Floyd pela Bookman (2007)
>>> Contos de Exemplo de Luís da Câmara Cascudo pela Global (2014)
>>> Globalização: o Que é Isso, Afinal? 2ª Edição de Cristina Strazzacappa - Valdir Montanari pela Moderna (2006)
>>> Educando Filhos Responsáveis de Elizabeth M Ellis pela Ática (1997)
>>> Noilde Ramalho: uma História de Amor à Educação de Daladier Pessoa Cunha Lima pela Liga de Ensino do Rn (2004)
>>> O Homem Que Se Achava Napo Leão: por uma História Política da Loucura de Laure Murat pela Três Estrelas (2009)
>>> Brincadeiras do Tempo da Vovozinha de Maria das Graças Brandão Soares pela Gracinha (2012)
>>> Almanaque Anos 70: Lembranças e Curiosidades de uma Década Muito Doida de Ana Maria Bahiana pela Ediouro (2006)
BLOG >>> Posts

Sexta-feira, 7/8/2009
Ao Portal Galego da Língua

+ de 4200 Acessos
+ 1 Comentário(s)

1. O embrião do Digestivo Cultural surgiu no ano 2000 com uma newsletter e hoje é um dos principais sites de cultura do Brasil [Histórico]. Qual é o grande diferencial do Digestivo?

É difícil resumir tudo numa resposta só, mas vou tentar... Acho que, em primeiro lugar, as pessoas, os colaboradores, que eu tive a sorte de encontrar e trazer para dentro do projeto. Desde os primeiros colunistas até os últimos, passando pelos jornalistas que simpatizaram (e simpatizam) com a nossa causa, passando pelos parceiros (e anunciantes) e passando pelos editores-assistentes e eventuais freelancers [Expediente].

Em segundo lugar, eu acho que houve uma questão de timing, porque hoje, quase uma década mais tarde, seria praticamente impossível causar o mesmo impacto. O Digestivo pegou o intervalo entre a última geração de importantes jornalistas culturais (formados pela grande imprensa) — como Daniel Piza e Luís Antônio Giron — e a consolidação da blogosfera na internet brasileira. Muita gente boa, que não tinha onde publicar (porque os veículos impressos não absorviam e as ferramentas de publicação, na internet, eram complicadas), veio para o Digestivo.

Em terceiro lugar, eu pude empreender ainda morando na casa dos meus pais e contando com a compreensão da minha namorada. Porque foram anos de consolidação. Pode parecer contraditório, em se tratando de um projeto na internet, mas eu acredito que qualquer empreendimento toma tempo, não importa em que plataforma você esteja trabalhando. Porque envolve criação de marca, desenvolvimento de produto e maturação de mercado consumidor. Depois da bolha, ninguém queria saber da internet — ela só voltou a interessar com a Web 2.0...

2. Em que momento você decidiu "viver do Digestivo"?

Eu decidi muito cedo, porque os feedbacks apareceram muito rápido. Lembro bastante dos e-mails do Millôr Fernandes e do Mino Carta. Depois a citação na Carta Capital ao lado do No Mínimo, através do Sérgio Augusto [Editorial "Por aí"]; em seguida, a citação do Daniel Piza, na coluna dele, no Estadão [Editorial "Mídia"]. Mais para frente, a menção no Manhattan Connection e a chegada da Sonia Nolasco, produzindo ensaios inéditos e dizendo que, se o Paulo Francis fosse vivo, faria o mesmo... Tudo bem que eu já tinha obtido algum reconhecimento (na minha fase de colunista independente), mas isso tudo foi praticamente uma consagração — e eu mal tinha 30 anos... Claro que saí do emprego e fui viver do Digestivo — mas só fui viver dele, efetivamente, muito tempo depois, com a empresa aberta etc.

3. O que a internet adicionou à cultura?

Também é difícil resumir numa única resposta... Eu diria que em termos de fruição (ou consumo) de cultura, foi uma revolução, embora nem todo mundo tenha se dado conta. Eu sei que existe a questão dos direitos autorais, eu sei que muita gente perdeu o emprego por causa disso, e muitas indústrias continuam virando pó, mas o benefício, para a média das pessoas, foi enorme.

Com o advento da internet, você tem muito mais que uma biblioteca ao alcance do mouse, você tem uma capacidade de produzir, distribuir e viver da sua produção que não existia antes. Eu, por exemplo, até montei um jornalzinho no tempo da faculdade, mas que não gerou nenhum feedback. Se não fosse a internet, minha experiência de publisher teria fica só nisso. Assim como a minha vida, eu sei que a internet transformou a vida de muitas outras pessoas. É um renascimento; mas como a velha indústria cultural está morrendo junto, fica parecendo que a internet é o "anticristo"; não é — é a salvação.

4. O Digestivo Cultural entrevistou diferentes personalidades como Lúcia Guimarães, Miguel Sanches Neto e Douglas Diegues. É uma diversidade sem tamanho, você lê as obras de todos os seus entrevistados?

Gostei da pergunta. Porque as entrevistas me dão um trabalho enorme...! Em geral, entrevisto pessoas de quem já acompanho a produção. Logo, na maioria das vezes, já li quase tudo; então, procuro ler o que falta. Primeiro, peço a autorização do possível entrevistado. Depois, faço uma pesquisa, sobre a sua produção, para não me esquecer de nada. Monto uma pauta e redijo as perguntas. Envio para a pessoa. Passa-se um tempo... (Às vezes, um tempo que não tem fim.) Voltam as respostas. Reviso, "formato" (HTML) e coloco os links. Levo ao ar. Dias depois, releio e escrevo a introdução (ou o "abre", como dizem).

Como é por escrito, muitos entrevistados se assustam e literalmente não conseguem terminar de responder. Em algumas épocas, sou obrigado a disparar até três entrevistas (listas de perguntas), para diferentes entrevistados, a fim receber uma única coleção de respostas. Para você ver como não estou mentindo, o Alexandre Inagaki, no seu último aniversário, sinalizou, no Twitter, quando o cumprimentei: "Um dia ainda hei de responder àquela entrevista!". Se o resultado não fosse tão espetacular (quando vêm as respostas), eu já teria parado ou mudado a fórmula...

5. A cultura no Brasil é um bom negócio?

No curto e no médio prazos, raramente é bom negócio. Porque, a não ser que você seja o Chico Buarque (que estourou aos 20), vai ter de esperar por uma consagração que só chega na meia-idade (Milton Hatoum, por exemplo). Os poetas, e os verdadeiros artistas, são "antenas da raça" (Pound). E estar na vanguarda tem o seu preço: você pode até ser compreendido em vida, mas também pode morrer na incompreensão (Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Fernando Pessoa).

No longo prazo, é um excelente negócio. É como um poço de petróleo, que continua jorrando por tempo indeterminado. É um bom negócio para os herdeiros, se quisermos pensar em termos de gerações. Durante décadas, essas pessoas vão usufruir do espólio do "artista da família", sem ter de criar nada novo, apenas negociando melhores contratos de distribuição. O artista é um "criador de valor" como poucos, porque, se não for cineasta ou artista plástico, consume pouca matéria-prima — e devolve algo inestimável para a sociedade.

6. E a internet cultural, é bom negócio?

Como todo mundo sabe, estamos numa fase de transição. Quem está tentando vender alguma coisa pela qual as pessoas não querem mais pagar, está tendo problemas. As pessoas não querem mais pagar por conteúdo que possam encontrar de graça, por exemplo. Música, alguns tipos de texto, imagens, alguns vídeos... No início do Digestivo, nós imaginávamos que poderíamos construir um business em cima de "produção de conteúdo" — mas, como ideia, não frutificou. Quer dizer, eu até escrevo para algumas publicações — mas é não algo "escalável" (como se diz em inglês). É uma coisa que o Julio faz, mas não é algo que o Digestivo possa fazer (porque não existe demanda para tanto).

Eu acho que, depois da chegada da internet, a cultura tem de ser pensada como serviço, e não mais como produto. As pessoas não compram mais CDs ou discos (como compravam antes); mas elas continuam comprando ingressos para shows. Economicamente, penso no Digestivo como um "agente facilitador" — por ter criado uma comunidade em torno do site, que pode se interessar pelas mensagens dos parceiros (e anunciantes). Não adianta resolver o meu problema de publisher (ou de autor), eu tenho de provar, para os meus clientes, por que estar com o Digestivo é importante (para eles).

7. Em sua opinião e fazendo um exercício de "achologia futuróloga", o que podemos esperar de novidades para 2010 (o Twitter já está ai, as redes sociais também, e agora?)

Eu espero a consolidação do Twitter, e do Facebook, no Brasil. Em termos de mais novidades, eu não saberia prever. Nem me arriscaria...!

Espero a consolidação do Twitter, porque ele é mais fácil de atualizar do que um blog. Quem não fez mídia até agora, com os blogs, vai fazer com os microblogs (e com o celular). Pode ser que surjam concorrentes do Twitter; ou, então, que o Twitter não seja a única "central de microposts". Certamente, aparecerão inúmeros "Twitter-alguma coisa", derivando ferramentas ou propondo novos usos.

E do Facebook espero consolidação, porque muita gente está cansada do Orkut. As pessoas se sentem muito expostas, há muitos crimes lá — e o Google não tem interesse em desenvolver o Orkut, porque ele só é relevante no Brasil. O Facebook, como site, é mais sofisticado, permite maior controle da exposição e tem interesse em crescer no Brasil. O Orkut foi importante; mas, por não ser "a menina dos olhos" do Google, ficou meio abandonado. O Facebook é o novo capítulo dessa história.

8. Diz a máxima (antiga e) popular "O brasileiro não lê". O Digestivo Cultural atinge mais de 1 milhão de acessos/mês. Comparando esses dois números a primeira afirmação não é incoerente? O brasileiro acessa e lê ou são sempre os mesmos usuários conectados?

Aqui vale uma explicação. São 1 milhão de páginas navegadas por mês no Digestivo Cultural, mas não são 1 milhão de leitores (!). São mais ou menos 300 mil visitantes-únicos mensais [Audiência]. Logo, fazendo a conta, chegamos a 10 mil "leitores"/dia, no Digestivo. É razoável, se você pensar na tiragem de algumas revistas culturais no Brasil (de dezenas de milhares de exemplares).

E, claro, há os "paraquedistas"... A porcentagem de visitas que o Google traz é significativa para o Digestivo. E deve ser assim, se você está na internet. Todo mundo quer estar "bem no Google". A vantagem, para nós, é que uma busca às vezes traz um leitor que originalmente não se interessaria por uma "revista cultural de banca", mas que desembarca no Digestivo Cultural e, de repente, vira nosso leitor.

9. Utilizando a mesma expressão "acessa e lê", como você analisa a imprensa atual (jornais, TV, rádio)?

Com o advento dos feeds (RSS), em meados dos anos 2000, eu fui lendo cada vez menos mídia impressa, ou consumindo cada vez menos mídia tradicional. Porque você pode "assinar" desde o TechCrunch até as atualizações de um "microblogueiro" no Twitter. Indiretamente, acabo "lendo" a velha imprensa, claro, mas não é a minha primeira opção. Hoje, mais que os "leitores de feeds", tenho usado o próprio Twitter (como fonte de informação) — o princípio é simples: minha "rede de contatos" é mais relevante, para encontrar informação (do meu interesse), do que a grande mídia (que produz para um leitor mais "impessoal").

Quando me cai um jornal ou uma revistas nas mãos, eu vejo muita dependência das assessorias de imprensa, da "agenda" e dos press releases. Quem edita os cadernos culturais, das principais revistas e jornais, não são os editores, são as assessorias de imprensa, sempre a serviço da indústria. Antes mesmo da internet, já se havia eliminado a necessidade de anunciar, bastando, para isso, contratar um bom assessor de imprensa, que "divulga" o produto (ou serviço) editorialmente. É um círculo vicioso...

A internet tem a chance de quebrar esse círculo. Os colaboradores do Digestivo, por exemplo, escrevem por paixão. Eles não vão se deixar seduzir, facilmente, pelas assessorias de imprensa (que fornecem CDs, DVDs, ingressos, convites, refeições, tudo de graça, para que os jornalistas escrevam favoravelmente sobre seus clientes). Tanto que a Piauí e a Serrote, as melhores revistas impressas do Brasil de hoje, mandam uma banana para as assessorias de imprensa...

10. Quais são os sites que você acessa?

Prefiro responder indicando as pessoas (ou até "entidades") que mais sigo no Twitter: @crisdias, @inagaki, @malvados, @jampa, @bluebusbr, @techcrunch, @steverubel, @tweetmeme, @scottkarp e @timoreilly.

11. E quais foram os últimos livros que você leu?

Estou sempre tentando ler: a obra completa de algum autor (agora, do Nélson Rodrigues; faltam algumas peças...); um clássico (atualmente, Dom Quixote, na edição do quarto centenário da Real Academia Española); um clássico contemporâneo (estou acabando Genealogia da Moral, de Nietzsche; vou começar O Mundo é Plano, de Thomas Friedman); um "contemporâneo" (acabei Caio F., da Paula Dip; vou começar O Crash de 2008, de Charles Morris).

12. E o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo? É o fim de uma reserva de mercado ou é o último suspiro de uma profissão em extinção?

Tem gente hoje que diz: "Os jornais acabam; o jornalismo, não". Eu já digo, para polemizar um pouco: "O jornalismo não acaba; mas os jornalistas, não sei, não...".

Nunca se fez tanto jornalismo (mesmo que amadoristicamente) e nunca se pagou tão pouco pelo trabalho jornalístico. Parece fazer sentido, em termos econômicos: há muita oferta de "jornalismo" (bom ou ruim) na internet; as pessoas, os leitores, querem "pagar" cada vez menos pelo jornalismo (há uma pequena demanda por trabalho especializado).

Eu mesmo faço jornalismo quase por amor à arte, porque ganho muito mais como empreendedor do que como "escritor". Ou seja: se você não for o Paulo Coelho (ou coisa que o valha), escrever não é um crime que costuma compensar. Claro que responder a esta entrevista, receber os feedbacks que recebo e conhecer as pessoas (e as obras) que conheço, não tem preço, mas não sei se aconselharia alguém a "se formar" jornalista...

Nota
Entrevista concecida a ZeCarlos, para o Portal Galego da Língua.


Postado por Julio Daio Borges
Em 7/8/2009 à 00h45


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Eleições 2018 - Afif na JP de Julio Daio Borges
02. Lançamentos em BH de Ana Elisa Ribeiro
03. Lançamento paulistano do Álbum de Ana Elisa Ribeiro
04. Pensar Edição, Fazer Livro 2 de Ana Elisa Ribeiro
05. Ana Elisa Ribeiro lança Álbum de Ana Elisa Ribeiro


Mais Julio Daio Borges no Blog
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/8/2009
19h15min
Gosto da parte de entrevista do Blog, passo horas no Digestivo e até tenho meus colunistas favoritos. Me assusta saber que se paga cada vez menos para um jornalista, é triste.
[Leia outros Comentários de Silvia Caroline ]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




LITERATURA/POLÍTICA/CULTURA (1994 - 2004)
IZABEL MARGATO, RENATO CORDEIRO GOMES
UFMG
(2008)
R$ 50,00



LE GOLF 365 PARCOURS DANS LE MONDE
ROBERT SIDORSKY
HERMÉ
(2005)
R$ 199,00



LA JUSTICE ET LA VIOLENCE (TEXTES ET DOCUMENTS PHILOSOPHIQUES)
PRÉSENTÉS PAR - ROBERT DERATHÉ
CLASSIQUES HACHETTE
(1958)
R$ 15,00



A MORTE DO DIVINO SÓCRATES
JEAN PAUL MONGIN
MARTINS FONTES
(2012)
R$ 27,96



FILHAS DA DEUSA: AS MULHERES SANTAS NA ÍNDIA DE HOJE - LINDA JOHNSEN (RELIGIÃO/HINDUÍSMO)
LINDA JOHNSEN
NOVA ERA
(2009)
R$ 8,00



MORTE ABJETA
BERNARDO GUIMARÃES & MARIA JUDITH RIBEIRO
M. J. RIBEIRO
(2002)
R$ 19,00



POÇO DOS DESEJOS
ROSEANA MURRAY
MODERNA
(2014)
R$ 35,70



HOMENS SÃO DE MARTE - MULHERES SÃO DE VÊNUS (RELAÇÕES HUMANAS)
JOHN GRAY, PH. D.
ROCCO
(1995)
R$ 5,00



REVISTA BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOPATOLOGIA VOL 19 Nº 2 MAR/ABRIL
NÃO INFORMADO
S.B.A.I
(1996)
R$ 4,00



CEM ANOS DE SOLIDÃO - GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ
GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ
RECORD
(2017)
R$ 29,99





busca | avançada
28797 visitas/dia
1,0 milhão/mês