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Quinta-feira, 18/6/2015
A barba grisalha
ANDRÉ LUIZ ALVEZ

+ de 600 Acessos

Nesses dias de frio, por descuido, preguiça e diversão, deixei a barba crescer. Daí veio o espanto, dias depois, ao me dar de frente do espelho com os fios quase totalmente grisalhos escorrendo no meu rosto. - A vida é como o dia, quando se vê já é à tardinha e não fizemos nem a metade do que pretendíamos ao acordar. — Sei que Quintana escreveu algo parecido, mas é tão verdadeiro que a frase saiu agora dos meus dedos de forma irresistível — Antes que o reflexo embace no espelho, encaro os fios brancos da barba grisalha e fico sobressaltado com uma bolsa inchada abaixo dos olhos. Era de manhã e eu mal havia acordado claro que meus olhos ainda estavam inchados — pensei -, mas a barba branca não tinha desculpas, era a conta do tempo, que passou ligeiro e eu não vi. Lembrei da conversa do amigo Pedro, que de repente, do nada, passou a ter dificuldade para entender o que as outras pessoas falavam. Desconfiado, procurou ajuda médica e o diagnóstico o surpreendeu: "você não tem nada, apenas está ficando velho". E ele nunca mais se incomodou de pedir ao interlocutor que repetisse a pergunta, prossegue com o rosto virado para o lado, a mão em concha em torno da orelha, tentando escutar o que seu ouvido se recusa compreender. Pedro é mais velho do que eu, mas mantém um indisfarçável sorriso de menino no rosto completamente liso, sem nenhuma farpa branca a denunciar o avanço do tempo. Coço novamente a barba grisalha e me convenço que ela é um certificado que estou envelhecendo e o menino de antes ficou apenas na lembrança. Por um momento penso que estou melhor assim, mais maduro e sereno, muito diferente do que fui antes. Não gosto quando rebusco o passado e encontro aquele rapaz magro do cabelo cachopa e a mente vazia, que varava as noites bebendo com os amigos, deixando para depois o que da fato mais importava. Certa vez, pediram a Nelson Rodrigues um conselho para os mais jovens e a resposta veio certeira: "envelheçam". Quando jovens, pensamos que podemos mudar o futuro para melhor, armado por desatinos e manobras infelizes, mas agora, coçando os pelos grisalhos abaixo do queixo, se pudesse, voltaria ao passado e faria quase tudo diferente; erraria menos, acreditaria menos, não desistiria facilmente de alguns abandonos, buscaria mais, pegaria outra estrada diferente daquela que antes julguei mais atraente. Sei que se acontecesse, algum amigo de então reclamaria do meu jeito senhorio e me compararia com algum velhote prepotente da barba branca e tolos conselhos. Até hoje me comove quando encontro com um antigo amigo como aconteceu recentemente. A primeira confusão foi que já não sabíamos o nome um do outro, que logo desfizemos na franqueza natural de homens maduros. Impressionante os castigos do tempo. Ele era um prezado amigo, por um bom tempo convivemos diariamente em total harmonia, um admirando o outro de tal forma que o apresentei aos Beatles e ele me emprestou um livro inesquecível: "O amor nos tempos do cólera", do Gabo. Enquanto ele perguntava de outro amigo sumido, lembrei de um personagem tolo que se matou porque não queria envelhecer. Mantive os olhos abertos, mas o pensamento noutro lugar, ao mesmo tempo em que ele prosseguia divagando, eu ia pisando de leve naquela nuvem fina do passado, de modo que cheguei a ouvir na mente uma canção dos tempos que éramos jovens, na qual o Renato Russo dizia "ainda é cedo" e estalei os dedos ao perceber que só agora fui entender o que o poeta cantor queria dizer. O antigo amigo se afasta prometendo voltar, mas eu sei que provavelmente aquela foi a última vez que nos falamos: a amizade é uma avenida de duas mãos, uma que vem e a outra que vai, tão embaçada que a companhia ao lado se esvai e nem percebemos. Desligo o pensamento, pego o aparelho de barbear e encaro a barba grisalha refletida no espelho, mas recuo, conformado: nem se eu tivesse o sorriso de menino do amigo Pedro, não conseguiria disfarçar o mais nítido retrato de homem maduro no qual me transformei. Resta aguardar que os anos caminhem por um longo tempo, até que eu sinta o sopro do vento tocando meu corpo magro, enlevado pelo frio impenetrável que move lentamente a barba completamente branca. É o vento, a roda que gira, o tempo que passa.

Postado por ANDRÉ LUIZ ALVEZ
Em 18/6/2015 às 10h02


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