Carta ao(à) escritor(a) em sua primeira edição | Ana Elisa Ribeiro | Digestivo Cultural

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Sexta-feira, 7/6/2019
Carta ao(à) escritor(a) em sua primeira edição
Ana Elisa Ribeiro

+ de 3000 Acessos

Caro ou cara autor(a), muito provavelmente seu livro impresso terá apenas uma edição, com uma pequeníssima tiragem. Mas isso não importa. São tempos de celebrizar. Então não tem muita importância quantos exemplares existiram ou existem desse livro. O importante mesmo é o barulho que se fizer em torno dele. Faz mais sentido, então, você manter bem vivas suas contas no Facebook, no Instagram e sua amizade com jornalistas e outros escritores sob as luzes. O demais é resto.

A diferença entre edição e tiragem? Pouca, na prática. Hoje em dia, devido aos avanços tecnológicos - em especial os digitais, claro, é possível imprimir dois livros apenas, se quisermos. E as pessoas não se importarão muito com isso. Quem procura saber as tiragens de um livro? Quem garante que as tiragens informadas em alguns colofões ou fichas foram mesmo as tiragens reais? Quantas histórias correm pelos bastidores de editores desonestos que informam uma tiragem e imprimem outra? Enfim, tiragem, caro(a) autor(a), é a quantidade de exemplares impressos. No mundo digital isso inexiste, não faz o menor sentido, porque aí nada se mede em existência física, propriamente. Até mesmo os dispositivos onde a pessoa lerá não serão mais os mesmos dentro de alguns anos ou meses. Então pode esquecer. A edição, sim, pode coincidir com a tiragem, mas mudar. Quando se lança uma obra pela primeira vez, trata-se da primeira edição. Se em algum momento forem feitas mudanças de alguma monta, indica-se outra edição. Geralmente isso ocorre porque foram feitas correções, atualizações, acréscimos, etc. Sem mudança alguma, não há por que dizer que foi segunda edição, compreende? Trata-se apenas da primeira edição em segunda tiragem. Mandaram imprimir de novo o mesmo texto. Mas essas coisas podem ser confusas. Coisas do mundo dos impressos.

O seu livro, como eu dizia ou alertava, terá apenas uma edição, provavelmente. E se for impresso, uma pequena tiragem. Nos tempos do offset, era comum que uma tiragem tivesse no mínimo 300 exemplares. Questão de custo, de máquina, de tinta, de ajuste. Hoje, não. A impressão digital prescinde disso. Como já dito, uma edição pode ter dois exemplares impressos: um pro seu arquivo pessoal e outro pra sua mãe, se ela quiser lê-lo(la). No mais, é fazer flyer, anunciar lançamento em livraria ou espaço dado a isso, avisar os amigos e os inimigos, dar-se ao desfrute. Pode sair no jornal uma notinha ou uma capa, dizendo que você lança seu livro de estreia e já pode ser considerado(a) uma promessa. Isso depende de muita coisa e nem tanto do próprio livro.

Aliás, nenhum critério deste jogo é claro. Não espere por isso. Não acredite em histórias pessoais de sucesso e superação como se fossem a regra. Evite investigar o por trás das coisas, se quiser manter a sanidade. Esqueça o lance da meritocracia. Leia apenas de soslaio as discussões sobre critérios extraliterários e os debates sobre qualidade e valor literário. Toque o bonde. Não frequente cursos de como ser escritor de sucesso e não se importe com carreiras meteóricas. Deixe acontecer.

Esta minha carta, até, pode ser ignorada... para ser coerente com o parágrafo anterior. Mas ao menos ela quer lhe dar a real. Não há critérios claros e nem uma escadinha arrumadinha para subir, rumo ao reconhecimento, ao sucesso, ao cânone, se for seu desejo. Para chegar ao cânone, por exemplo, você precisará de muitos elementos, e todos são misteriosos. Mas seria bom que, além de ter seus livros propagados pela imprensa e pela crítica mais visível, você conseguisse ser indicado(a) em escolas - sim, essas de ensino fundamental e médio - e que defendessem algumas dissertações e teses sobre você na universidade. Talvez seja difícil alcançar tudo isso, concorda? Muitos críticos, hoje, são também os professores universitários e os poetas. De maneira que essa multiplicidade de papeis nos confunde tudo. Melhor deixar acontecer.

Não se compare. Pode ser viciante abrir um livro do(a) novo(a) gênio(a) da semana e pensar: o que ele(a) tem que eu não tenho? Bem, às vezes ocorre de você ser melhor, por qualquer razão. Mas aí as explicações são complexas também. Você não é aquela pessoa, não esteve nas mesmas contingências, não nasceu em tal ou qual lugar, não trabalhou aqui ou ali, não teve contato com não sei quem, não teve uma apresentação respeitável de um gênio mais velho (ou velha, mas elas são mais raras), etc. etc. etc. Impossível saber. Portanto evite comparar-se e pensar no mérito alheio. Vá na sua trilha e pronto.

Prepare-se, por toda a sua vida, para a frustração. Nunca se sabe o que uma pessoa quer ao enveredar pelos caminhos da literatura contemporânea (seja em que tempo for). Tenho certeza de que muitos e muitas de nós pensamos, ao encontrar aquela editora disposta (e hoje há mais delas), que nosso livro será uma descoberta, que será comentado, consumido, lido (ah!), falado. Contenha-se. Muitos de nós pensamos assim: lancei meu primeiro livro por esta editora pequena, logo um crítico descobrirá minha genialidade e uma editora grande, dessas multinacionais, virá comprar meu passe e me fará famoso(a). Ano que vem estarei na mesa principal da Flip. Depois ganharei o Oceanos e tudo estará resolvido. De novo: contenha-se. Não acontece assim. Na maioria das vezes, não acontece. Há uma hierarquia para os livros, para as editoras, para os prêmios, para os eventos, para tudo. Drummond já dizia dos poetas municipais, estaduais, etc. Leve na esportiva. Se você escreve para si, para resolver um contentamento seu, saberá sobreviver. O resto será uma partida de... truco. Meio na sorte, meio no grito e com muito blefe.


LeP



Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 7/6/2019


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