Cultura do remix | Alexandre Matias

busca | avançada
56501 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Spanish Town All Stars: de SP a Spanish Town
>>> Céu lança discografia em vinil no Sesc Belenzinho
>>> Sesc Belenzinho traz Cesar Camargo Mariano Trio no projeto Estação Brasileira
>>> Sesc Belenzinho realiza apresentações do espetáculo de dança Mulheres do Àse - Performance Ritual
>>> Zé Guilherme lança novo videoclipe com faixa do álbum ALUMIA
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> As Lavadeiras, duas pinturas de Elias Layon
>>> T.É.D.I.O. (com um T bem grande pra você)
>>> As palmeiras da Politécnica
>>> Como eu escrevo
>>> Goeldi, o Brasil sombrio
>>> Do canto ao silêncio das sereias
>>> Vespeiro silencioso: "Mayombe", de Pepetela
>>> A barata na cozinha
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> O Voto de Meu Pai
Colunistas
Últimos Posts
>>> Mon coeur s'ouvre à ta voix
>>> Palestra e lançamento em BH
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
Últimos Posts
>>> A Nova Era do Rádio
>>> Assim eu quero a vida
>>> Um sujeito chamado Benício
>>> A imaginação educada, de Northrop Frye
>>> Direções da véspera (Introdução)
>>> O tempo nos ensina - frase
>>> O Cinema onde os fracos não tem vez
>>> Senhor do Corpo e da alma - poema
>>> Fotogenia
>>> É Natal
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Infinitely Fascinating People
>>> Em defesa de Nuno Ramos e da arte
>>> O blog no espelho
>>> Head to head
>>> Uma seleção de fracassados
>>> Se minha gramática falasse
>>> Do canto ao silêncio das sereias
>>> Um conselho: não leia Germinal
>>> O que mata o prazer de ler?
>>> Doce presença
Mais Recentes
>>> Além do rio de Ziraldo pela Melhoramentos (1996)
>>> Tratado de Fisiologia Médica de Guyton & Hall pela Elsevier Saunders (2011)
>>> Morreu tio eurico! Rubião ficou rico! de Lilian Sypriano pela Formato (2007)
>>> Aprendiz de inventor de João anzanello carrascoza pela Atica (2012)
>>> Lembrançinhas pintadas lá do fundo de Pedro bandeira pela Objetiva (2006)
>>> Histologia Essencial de Leslie P. Gartner e James L. Hiatt pela Elsevier Saunders (2012)
>>> O princípio da Capacidade Contributiva no Estado democrático de Direito de Marcelo Saldanha Rohenkohl pela Quartier Latin (2007)
>>> Um fio de prosa de Diversos autores pela Global (2004)
>>> The top floor de David Evans pela Summertown Publishing (2011)
>>> O santinho de Luis fernando verissimo pela Alfaguara (2002)
>>> Fundamentos da Bioquímica de Fernanda Galante e Marcus Vinicius Ferreira de Araújo pela Rideel (2014)
>>> As aventuras do capitão cueca de Dav pilkey pela Cosacnaif (2019)
>>> Dicionário Compacto Ilustrado de Saúde de Carlos Roberto Lyra da Silva, Roberto Carlos Lyra da Silva, Dirce Laplaca Viana pela Yendis (2011)
>>> Capitao cueca e a revoltante revanche da robocueca radiotiva de Dav pilkey pela Cosacnaif (2013)
>>> Diario de um banana Rodrick é o cara de Jeff kinney pela VeR (2012)
>>> 1000 Curiosidades insólitas que um garoto deveria saber para descobrir que no mundo so tem louco de Anibal litvin pela VeR (2010)
>>> Vencer o Cancer de Mama de Antonio Carlos Buzaid e Fernando Maluf pela Dendrix (2015)
>>> Martini seco- coleçao rosa dos ventos de Fernando sabino pela Atica (1987)
>>> Quase 1.000 Absurdos de Todos Os Tempos de Anibal litvin pela VeR (2011)
>>> Diario de um banana segurando vela de Jeff kinney pela VeR (2012)
>>> A lógica do consumo de Martin Lindstrom pela Nova Fronteira S.A. (2009)
>>> Essais sur l'Histoire des Idées Socialistes de l'Antiquité à la Fin du XVIII Siècle de V. Volguine pela Editions du Progrès (1981)
>>> As aventuras de ook e gluk de Jorge beard pela Cosacnaify (2011)
>>> Mentes e manias TOC: Transtorno Obsessivo-Compulsivo de Ana Beatriz Barbosa Silva pela Fontanar (2011)
>>> O meu pé de laranja lima de José mauro de vasconcelos pela Melhoramentos (2014)
>>> O Jovem Torless de Robert Musil pela Record (1986)
>>> Scott pilgrim contra o mundo de Bryan lee o´malley pela Quadrinos na cia (2010)
>>> A droga do amor de Pedro bandeira pela Moderna (2014)
>>> Novo Código Tributário Alemão de Vários pela Forense (1978)
>>> Diario de um banana, maré de azar de Jeff kinney pela VeR (2013)
>>> Todos contra dante de Luis dill pela Seguinte (2014)
>>> O princípio da Boa-Fé e o Planejamento Tributário de Elcio Fonseca Reis pela Quartier Latin (2008)
>>> The walking dead, a ascensão do governador de Robert kirkman pela Galera (2014)
>>> Viagem ao centro da terra de Julio verne pela Melhoramentos (2010)
>>> O menino no espelho de Fernanda sabino pela Record (2014)
>>> Asa da palavra de Adriano bitarães netto pela Maza (2005)
>>> A odisséia de Homero pela Dlc (2013)
>>> Percy jackson e os olimpianos de Rick riordan pela Intrínsica (2014)
>>> Eu sou malala de Malala yousafzai pela Companhia das letras (2013)
>>> Histórias Para ler no Cemitério de Alfred Hitchcock Apresenta pela Record (1973)
>>> Os Irmãos Leme de Paulo Setúbal pela Saraiva (1959)
>>> Medeia de Eurípedes pela Martin claret (2013)
>>> Diario inventado de Flavia Saravy pela FTD (2010)
>>> A Colmeia de Camilo José Cela pela Bertrand Brasil (1992)
>>> Planejamento Fiscal - Aspectos Teóricos e Práticos de Pedro Anan Jr (Coordenação) pela Quartier Latin (2005)
>>> Cegueira Moral de Zygmunt Bauman & Leonidas Donskis pela Zahar (2014)
>>> Luna clara e apolo onze de Adriana Falcão pela Salamandra (2013)
>>> Ludi e os fantasmas da Biblioteca Nacional (Nova Ortografia) de Luciana Sandroni pela Manati (2011)
>>> Memórias de Uma Guerra Suja de Cláudio Guerra pela TopBooks (2012)
>>> Imposto de Renda Pessoa Jurídica - Teoria e Prática de Pedro Anan Jr. (Coordenador) pela Quartier Latin (2006)
ENSAIOS

Segunda-feira, 13/4/2009
Cultura do remix
Alexandre Matias

+ de 11200 Acessos

O termo remix surgiu nos anos 70, quando produtores e DJs descobriram que era possível mexer na música depois que ela havia sido gravada. Um conceito de certa maneira novo, a pós-produção ajudou a maturidade do rock nos anos 60, quando, liderada pelos Beatles, toda uma geração se dispôs a alterar a própria obra com efeitos, superposições e modulações que podiam mudar sutil ou completamente o que havia sido registrado em estúdio. Mas o que o produtor americano Tom Mould descobriu quase sem querer foi que era possível aproveitar este novo recurso e aplicá-lo em um mercado ainda mais recente, o da disco music. Ele quem começou a explorar as possibilidades de uma mesma música ser esticada, às vezes por mais de dez minutos, caso fosse necessário. Ciente da novíssima habilidade dos DJs de Nova York no final dos anos 70 (que, sozinhos, começaram a grudar as músicas umas nas outras, juntando batidas semelhantes e encaixando as músicas umas nas outras), Mould percebeu que poderia ajudar a movimentação da pista de dança se fizesse discos que ajudassem o DJ ― afinal, discos eram seus instrumentos. E assim foi inventando novidades como o breque instrumental no meio da música ― que poderia ser usado ou para prolongar a duração da música, usando-se dois discos, ou permitir que uma nova música entrasse ―, o single de 12 polegadas (com sulcos mais largos, em vez do compacto de sete) e, finalmente, o remix.

O conceito de remix, no entanto, não podia ficar limitado à pista de dança. Afinal, ele trata de um processo que começa a reverter o detalhismo cartesiano que categorizou o mundo em compartimentos tão diferentes que parece não ter conexões entre si. Aos poucos redescobrimos pontos em comum em áreas que antes julgávamos completamente alheias umas às outras ― intersecções entre arte e dinheiro, ciência e religião, paixão e lucro ― que nos fazem repensar completamente o cenário em que habitamos. Estamos, como Mould no final dos anos 70, descobrindo que existem formas de facilitar a vida de cada um dos DJs do mundo ― e todo mundo é um DJ em potencial. Como tal, todo ser humano edita sua própria realidade a partir de sentimentos, conceitos, princípios e valores que são, voltando à metáfora, as canções que ele quer que o resto do mundo ouça. Com os recentes avanços tecnológicos que tivemos ao final do século passado, começamos a remixar a realidade de forma mais drástica e consciente, seja no controle remoto, no uso da internet e em tudo que consumimos.

Mais do que na música, que ainda mantém alguns setores completamente alheios ao remix, a realidade atual é completamente remixada. Entre as roupas customizadas e os carros tunados, há um sem-fim de produtos que estão sendo reinventados por seus consumidores ― além de tantos outros produtos que foram feitos para ajudar as pessoas a criar, mais do que a simplesmente remixar. Se antes temíamos que a sociedade do consumo nos padronizasse e uniformizasse, estamos vendo um movimento bem diferente acontecendo hoje em dia ― e, a cada dia que passa, mais temos possibilidades disponíveis para alterar a nossa rotina.

Esse processo de remisturação é o oposto do que aconteceu, voltamos à música, quando o áudio começou a ser gravado. Artistas que nunca haviam aspirado o sucesso além de sua própria comunidade aos poucos se viram transformados em pequenas celebridades, vendendo um novo tipo de som novíssimo para o público em geral pelo único fato de ser gravado. Se antes a música popular era um processo coletivo, sem duração, gênero musical ou autoria definidos, à medida que o século XX amanhecia, surgiram novos astros de uma música que, devido a limitações técnicas (só era possível gravar três ou quatro minutos), passava a ter um tema só e começo, meio e fim. Assim surgiu o jazz, o blues, o tango, a moda de viola, o samba, o baião, a rumba, o country e o frevo, por exemplo, gêneros musicais que eram praticados na rua por todos que, quando um Robert Johnson ou Luiz Gonzaga chegava ao estúdio, era personalizado em um músico, quase sempre "o rei do tipo de música tal".

Estabelecida com o advento da mesma inovação tecnológica que deu origem aos idiomas modernos, aos países, aos livros e ao jornalismo (a palavra impressa), a autoria, como todos estes conceitos anteriores, vem, no entanto, sofrendo uma drástica derrocada que acompanha os primeiros passos de uma nova consciência planetária. O meio ambiente, o capitalismo moderno e a cultura pop funcionaram como agentes cruciais no despertar dessa sensação de que todos nós somos responsáveis por todo o planeta. A internet só nos conectou. Encontrou um ambiente propício para acelerar a troca de ideias e de informação a ponto de tornar-se, em pouquíssimo tempo, no sistema nervoso da humanidade.

Do mesmo jeito que o gênio não é alguém que veio do nada e venceu por conta de seus próprios esforços (sempre procure o contexto de onde o sujeito veio antes de comemorar a vitória da individualidade), a criatividade também não pertence a um só indivíduo. E se o século XX consolidou o conceito de autoria graças a várias revoluções tecnológicas do fim do século anterior (a fotografia, a rotativa, o gravador de som e de imagens ― basicamente invenções ligadas ao processo de registro), a revolução tecnológica que assistimos hoje é baseada em exposição, distribuição e troca. Estamos dispostos a fazer o conhecimento planetário possa se tornar acessível a todos os seres humanos e temos cada vez mais consciência disso ― como do nosso papel de agente desta distribuição, atuando como um DJ que, de acordo com as "músicas" (sentimentos, conceitos, princípios e valores) que escolhe, atinge um determinado tipo de público.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente no livro Para entender a internet, organizado por Juliano Spyer. Leia também Entrevista com Alexandre Matias.


Alexandre Matias
São Paulo, 13/4/2009

Mais Alexandre Matias
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




AÍDA
GIUSEPPE VERDI
FTD
(2012)
R$ 35,50



A FÊMEA DA ESPÉCIE
JOYCE CAROL OATES
RECORD
(2008)
R$ 19,00



ALEGRIA, ALEGRIA - CAETANO VELOSO (LITERATURA-MÚSICA BRASILEIRA)
CAETANO VELOSO
PEDRA Q RONCA
(1977)
R$ 120,00



DIETA NOTA 10 - COMER E EMAGRECER É MAIS SIMPLES DO QUE VOCÊ IMAGINA
DR. GUILHERME DE AZEVEDO RIBEIRO
BERTRAND BRASIL
(2006)
R$ 14,42



CADEIRAS PROIBIDAS - 5ª EDIÇÃO
IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
GLOBAL
(1988)
R$ 4,90



TODOS OS FOGOS, O FOGO
JULIO CORTÁZAR
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
(1984)
R$ 15,00



DISCOVERING WINE HARDCOVER
JOANNA SIMON
MITCHELL BEAZLEY
(2018)
R$ 50,00



5º CAVALEIRO
JAMES PATTERSON
ARQUEIRO
(2011)
R$ 6,00



ROUSSEAU - COLEÇÃO OS PENSADORES
ABRIL CULTURAL
ABRIL CULTURAL
(1978)
R$ 20,94



A PORTEIRA DO MUNDO
HERMILO BORBA FILHO
MERCADO ABERTO
(1994)
R$ 10,00





busca | avançada
56501 visitas/dia
1,0 milhão/mês