Palavrões | Sirio Possenti

busca | avançada
77579 visitas/dia
2,1 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Clássico de Charles Dickens retrata as misérias sociais da industrialização inglesa
>>> Clube latino-americano de Jazz por streaming terá transmissão gratuita no Brasil
>>> Fora da Casinha realizará apresentações circenses virtuais voltadas para toda família
>>> As Clês narram as vozes femininas do mundo
>>> Programa DIVERSAS estreia na Rádio USP dia 11 de março
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Um antigo romance de inverno
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> Assim como o desejo se acende com uma qualquer mão
>>> Faça você mesmo: a história de um livro
>>> Da fatalidade do desejo
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Isto é para quando você vier
>>> 2021, o ano da inveja
>>> Pobre rua do Vale Formoso
>>> O que fazer com este corpo?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Queen na pandemia
>>> Introducing Baden Powell and His Guitar
>>> Elon Musk no Clubhouse
>>> Mehmari, Salmaso e Milton Nascimento
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A profissão de fé de um Livreiro
>>> O ar de uma teimosia
>>> Zuza Homem de Mello no Supertônica
>>> Para Ouvir Sylvia Telles
>>> Van Halen ao vivo em 1991
Últimos Posts
>>> Tiro ao alvo
>>> A TETRALOGIA BUARQUEANA
>>> Bom de bico
>>> Diário oxigenado
>>> Canção corações separados
>>> Relógio de pulso
>>> Centopéia perambulante
>>> Fio desemcapado
>>> Verbo a(fiado)
>>> Janelário
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A melhor versão shakespeariana de Kurosawa
>>> Cultura às moscas
>>> Cuba e O Direito de Amar (3)
>>> Sobre A Produção Contemporânea
>>> Ingmar Bergman, cada um tem o seu
>>> Entrevista com GermanoCWB
>>> A palavra silenciosa
>>> O menino e o Homem Aranha
>>> À beira do caminho
>>> William Faulkner e a aposta de Pascal
Mais Recentes
>>> Pra Que Serve Matemática ? Semelhança de Imenes- Jakubo - Lellis pela Atual
>>> Pra Que Serve Matemática ? Equação do 2º Grau de Imenes- Jakubo - Lellis pela Atual
>>> Pra Que Serve Matemática ? Álgebra de Imenes- Jakubo - Lellis pela Atual
>>> A Viagem de Uma Alma de Peter Richelieu pela Pensamento (1972)
>>> Harry Potter e a Ordem da Fênix de J. K. Rowling pela Rocco (2003)
>>> O Sorriso do Lagarto de João Ubaldo Ribeiro pela Nova Fronteira (1989)
>>> As 10 Mulheres Que Você Vai Ser Até os 35 de Alison James pela Best Seller (2009)
>>> Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe pela Martin Claret (2001)
>>> Cascata de Luz de Irene Pacheco Machado pela Recanto
>>> O Amanhã a Deus Pertence de Zibia Gasparetto pela Vida & Consciência (2006)
>>> A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera pela Rio Gráfica
>>> Sheila Levine Está Morta e Vivendo Em Nova York de Gail Parent pela Bertrand Brasil (2007)
>>> Espelho Meu de Edgar J. Hyde pela Ciranda Cultural (2010)
>>> A 2ª Morte de R a Ranieri pela Edifrater (1997)
>>> O Melhor de Mim de Nicholas Sparks pela Arqueiro (2014)
>>> Cem Melhoramentos Crônicas (que, na Verdade, São 129) de Mario Prata pela Planeta (2007)
>>> Pare de Sofrer de Zibia Gasparetto pela Vida e Consciência (1997)
>>> Harmonização de Francisco Cândido Xavier pela Geem
>>> Mulheres Alteradas 1 de Maitena pela Rocco
>>> Vernon God Little de Dbc Pierre pela Record (2004)
>>> Seja Líder de Si Mesmo de Augusto Cury pela Sextante (2004)
>>> Crônicas para Gostar de Ler Volume 5 de Carlos Drummond de Andrade pela Atica
>>> As Ilusões Perdidas de Honor é de Balzac pela Victor Civita
>>> O Pequeno Príncipe 25 Edição de Antoine de Saint Exupéry pela Agir (1983)
>>> Autoridade Docente no Ensino Superior: Discussão e Encaminhamentos de Maria Lucia M. Carvalho Vasconcelos pela Intertexto (2006)
ENSAIOS

Segunda-feira, 28/12/2009
Palavrões
Sirio Possenti

+ de 7100 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Quando um palavrão aparece fora de lugar ou sai da boca de quem não se esperaria, a reação é um pouco escandalizada. No Brasil, menos do que em outros países. Duvido que um jornal chileno reproduzisse o palavrão de um político de seu país (claro, na hipótese improvável de algum político chileno dizer um palavrão em público).

Nossa televisão, de vez em quando, afrouxa as regras: Faustão tornou "pentelho" aceitável nos domingos à tarde, e Boris Casoy, de vez em quando, abria espaço para um "bunda de fora". Programas de humor, claro, são um pouco mais liberais. Quando são apresentados ao vivo, os apresentadores olham seus relógios para conferir se podem falar mais livremente. É só ver o CQC para comprovar.

Mudanças em relação a palavras tabu refletem mudanças sociais. Não faz muito tempo que não se podia falar publicamente em menstruação ou em camisinha. O fato de nem nos darmos mais conta de que tais palavras já foram proibidas (ao lado de "babaca", por exemplo) é o mais claro sinal de que as coisas mudaram. No caso, acho eu, para melhor.

(O que me lembra da avó que pedia à neta que não dissesse mais certas palavras, que achava inadequadas. Uma era bacana e outra, nojenta, acrescentou. E a neta perguntou, inocentemente, quais eram as palavras!).

Lendo qualquer texto que trate de tabus linguísticos (palavrões são os exemplos mais claros), descobrem-se dois aspectos aparentemente contraditórios de sua vida numa comunidade linguística. Primeiro: são controlados (e não propriamente proibidos), de forma que nem todos os falantes os empregam, ou os empregam impunemente. Digamos, para simplificar bastante, que são mais admissíveis para homens que para mulheres, e são mais admissíveis em lugares privados do que em público (estádios de futebol não valem como contraexemplo, está claro). Segundo: são valorizados, o que significa que os que proferem palavras proibidas são considerados de certa forma heróicos, corajosos, por terem a coragem de violar certas regras (ou de desafiar forças ocultas). Lembro como eram valorizados (os risos sorrateiros eram a prova) na minha terrinha os lavradores que berravam blasfêmias quando suas juntas de bois não lhes obedeciam, nas idas e vindas pelos morros, puxando o arado...

Que palavras tabu sejam mais privadas e masculinas são dois traços que batem com outras representações mais ou menos valorizadas da masculinidade, entre as quais está uma certa grosseria, que pega bem entre homens (em bares, vestiários, saunas etc.). É um comportamento que acompanha e apimenta outros comportamentos que estão mais ou menos no limite (entre os quais está o consumo da bebida). Não esqueçamos que circula um comercial de carro cujo slogan é "para poucos e maus". Os bonzinhos, sabe-se, não arranjam nada...

Há episódios históricos interessantes em relação aos palavrões. O Pasquim foi francamente inovador, especialmente em suas entrevistas, quando eles abundavam. O jornal vinha cheio de asteriscos. É a vantagem da escrita. Ninguém pode ficar desenhando asteriscos no ar quando fala.

Mas nem só de palavrão vive o tabu. Outras palavras são consideradas perigosas, e são evitadas de alguma forma: muita gente não diz nomes de doenças, por exemplo, ou não tem coragem de dizer "morrer" (diz "faltar") nem "diabo" (no máximo, diz "diacho", o que permite expressar uma carga emotiva e, ao, mesmo tempo, evitar que o Cujo apareça ou aja). Quem leu Grande Sertão: Veredas sabe o quanto Riobaldo evitava dizer o nome dele. De quebra, aprendeu um bom número de nomes alternativos.

Em suma: dizer palavrões é violar regras sociais. Sabemos mais ou menos como elas funcionam. Como sempre, a certeza aumenta quando uma regra é violada. Como foi o caso da fala do presidente Lula no Maranhão (mas ninguém deu bola para o fato de Zé Simão dizer que DEM agora quer dizer "Deu Em M...", seja porque é um humorista, seja porque esta notícia circulou bem menos). Nixon ficou famoso pela quantidade de palavrões que dizia, mas o fazia em seu gabinete, discutindo com os assessores mais próximos.

Além disso, há termos técnicos que os substituem. Nenhum de nós vai ao laboratório para fazer exame de m... Mas, convenhamos, ninguém dirá que quer tirar alguém das fezes...

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no Terra Magazine, em dezembro de 2009. Leia também: "É a mãe!".


Sirio Possenti
São Paulo, 28/12/2009

Mais Sirio Possenti
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
31/12/2009
14h37min
Sem falso moralismo. Palavrão depende do contexto. Fora isso, é falta de educação.
[Leia outros Comentários de Marcos Plata]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Textos Medievais Portuguêses e Seus Problemas
Serafim da Silva Neto
Ministério da Saúde e Educa
(1956)
R$ 24,50



A Linha Amarela - por Onde Passa e Proximidades
Vera Voto
Prefeitura do Rio de Janeiro
(1998)
R$ 9,80



Mr. North
Thornton Wilder
Best Seller
(1985)
R$ 10,00



Contabilidade Rural
Jospe Carlos Marion
Atlas
(2009)
R$ 20,00



Mies Van der Rohe Critical Essays
Vários Autores
Moma
(1990)
R$ 100,00



Histoire de Leurope et de La France - de 1610 a 1789 - 10412
Victor Duruy
Hachette
(1892)
R$ 85,00



Repressão Penal da Greve
Christiano Falk Fragoso
Lumen Juris
(2016)
R$ 115,00



O outro lado do tabuleiro (Literatura Infanto-Juvenil)
Eliane Ganem
Record
(2000)
R$ 10,00



Atenção Plena Mindfulness - Esoterico
Mark Williams E Dany Penman
Sextante
R$ 39,00



Quantificação Em Psicologia
W. L. Hays
Herder
(1970)
R$ 5,00





busca | avançada
77579 visitas/dia
2,1 milhões/mês