busca | avançada
23876 visitas hoje
59 mil no mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter
* Feeds & Twitter
Últimas Notas
>>> Centenário de Noel Rosa, por Francisco Bosco, na Rádio Batuta
>>> Caminhos de um Brasil Solidário, de Luis Eduardo e Ana Elisa Salvatore
>>> WikiLeaks, uma arma contra o abuso de poder
>>> O Kindle 3 e as respostas da Amazon ao iPad
>>> O Google em crise de meia-idade
>>> Os primeiros volumes da Penguin Companhia
>>> Não contem com o fim do livro, uma conversa com Umberto Eco
>>> Coleção MPBaby, pela MCD
Temas
Mais Recentes
>>> A quem interessa uma sociedade alienada?
>>> Meus álbuns: '00 - '09 ― Pt. 5
>>> A ilusão da alma, de Eduardo Giannetti
>>> Introdução ao filosofar, de Gerd Bornheim
>>> Sobre o preço dos livros 2/2
>>> Nasce um imortal: José Saramago
>>> Nas redes do sexo
>>> Instantes: a história do poema que não é de Borges
>>> O elogio da narrativa
>>> Sobre o preço dos livros 1/2
Colunistas
Mais Recentes
>>> Eleições 2010
>>> Copa 2010
>>> iPad
>>> Futuro do Cinema
>>> Livro Eletrônico
>>> Melhores de 2000-2009
Últimos Posts
>>> Ping: a rede social da Apple
>>> A nova Apple TV
>>> Fred Wilson e a 'morte' da Web
>>> Christian Barbosa no MitA
>>> Nosso Lar
>>> João Moreira Salles e o fim
>>> Tim Ferriss e a autopublicação
>>> O sertão do tamanho do mundo
>>> 3 perguntas: Bumblefoot
>>> Economist matando os blogs
Mais Recentes
>>> Um kadish para Tony Judt
>>> Bill Gates e o Internet Explorer
>>> Jim Clark e a Nestcape
>>> Marc Andreessen e o Mosaic
>>> O dia em que Paulo Coelho chorou
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> O entusiasmo de Lobato
>>> O senhor embaixador
Mais Recentes
>>> Ryoki Inoue
>>> Harry Crowl
>>> Ron Bumblefoot Thal
>>> Noga Sklar
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
Mais Recentes
>>> Newsletter: 50 mil Assinantes
>>> Editoras como Parceiras
>>> Feeds dos Autores
>>> Comentários Liberados
>>> 10 mil seguidores no Twitter
>>> Newsletters à sua escolha
Mais Recentes
>>> Vendi meus livros, mas doeu (Walter Luiz Cid do N)
>>> Nossa esquecida finitude (Gabriel Marques)
>>> O mercado do jabá (carlos roberto rocha)
>>> O interesse na alienação (Débora Carvalho )
>>> Já não estamos vacinados? (wellvis)
>>> Vigiar os políticos (Carla Ceres)
>>> Meu novo ídolo! (Alberto de C Freitas)
>>> Necessidade de pensar (Manoel Messias Perei)
>>> Nossos livros de bolso (Rafael Rodrigues)
>>> E se fosse psicografado? (José Frid)
Mais Recentes
>>> Quem tem medo do Besteirol?
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Dos amores possíveis
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> Quanto custa rechear seu Currículo Lattes
COLUNAS

Quinta-feira, 9/10/2008
A literatura do desgosto
Gabriela Vargas
+ de 1300 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Muitos escritores são bons. Alguns escritores são realmente bons. Poucos conseguem ultrapassar as barreiras nacionais para tornarem-se mundialmente conhecidos. Podem ser contados nos dedos os escritores que são tão amados e odiados como Michel Houellebecq.

Ao pôr fim à difícil situação em que a literatura francesa se encontrava há mais de quarenta anos, restrita apenas a região, ele abriu as fronteiras não apenas da França, mas também do continente europeu, com o seu primeiro romance. Extensão do domínio da luta (Sulina, 2002, 142 págs.) foi lançado em 1994 pela editora Maurice Nadeau e traduzido para o português por Juremir Machado da Silva pela Editora Sulina, em 2002.

Após esse livro, Houellebecq lançou outros tantos que causaram polêmica e fizeram sucesso, como Partículas Elementares, que o tornou multimilionário com a recente adaptação para o cinema. O longa-metragem foi dirigido por Oskar Roehler e, naturalmente, chegou aos cinemas do Brasil com dois anos de atraso.

O escritor francês adquiriu notoriedade e respeito na área da literatura ao ser comparado a grandes escritores. Seu texto duro, pesado, cru, sem grandes variações lingüísticas muito lembra Jean-Paul Sartre. Alguns críticos freqüentemente comparam-no a Balzac e Schopenhauer.

Em Extensão do domínio da luta, de apenas 142 páginas, o leitor tem a impressão de morrer progressivamente, primeiro levando bofetadas e depois cuspindo sangue. O personagem principal é um jovem analista de programas de uma empresa de informática que narra sua vida, desde a primeira página, com uma voraz descrença no mundo. Alguns traços autobiográficos são notáveis. O narrador sofre pela separação ocorrida há algum tempo com Verónique. Michel Houellebecq entrou em depressão após o término do seu casamento. Seguindo mais ou menos por essa linha, o narrador-personagem vai se perdendo. Primeiro, é o carro. Ele esquece onde estacionou e desiste de procurar. Depois, são meses viajando a trabalho e, durante esse meio tempo, cresce a depressão profunda e destrutiva.

O próprio autor considera o seu romance a aprendizagem do desgosto. Pelos pensamentos e narrativa do personagem, nota-se o total desencanto com a humanidade e o desespero de uma pessoa que não vê mais razão na vida, apenas um vazio. Em certos momentos vem à cabeça o grande filósofo Nietzsche e o seu niilismo, em que não se tem valorização no sentido e muito menos presença de finalidade.

Em meio ao conflito existencial-social do narrador, ele escreve bestiários, gênero improvisado pelo próprio, o que era, originalmente, na Idade Média, um catálogo escrito por monges sobre os animais. "O bestiário é um gênero literário como qualquer outro, talvez até superior aos outros. Seja como for, escrevo bestiários". Através das vielas alternativas da arte ele consegue sentir prazer na vida transformando-se num indivíduo livre e solitário, o que diminui a sensação do vazio proporcionada pela sociedade contemporânea homogeneizada, a qual ele se refere com duras críticas.

"Debaixo dos nossos olhos, o mundo se uniformiza; os meios de comunicação avançam; o interior dos apartamentos se enriquece de novos equipamentos. As relações humanas tornam-se progressivamente impossíveis, o que reduz, na mesma proporção, a quantidade de peripécias de que se compõe uma vida. E, aos poucos, o rosto da morte aparece, em todo o seu esplendor. O terceiro milênio mostra a sua cara".

Uma questão extremamente relevante no livro é a teoria que o personagem cria com a relação entre a hierarquia financeira e a hierarquia sexual.

"Em nossas sociedades o sexo representa, clara e abertamente, um segundo sistema de diferenciação, completamente independente do dinheiro; e se comporta como um sistema de diferenciação no mínimo tão impiedoso quanto o outro [...] Num sistema econômico totalmente liberal, alguns acumulam fortunas consideráveis; outros chafurdam no desemprego e na miséria. Num sistema sexual totalmente liberal, alguns têm a vida erótica variada e excitante, enquanto os outros estão reduzidos à masturbação e à solidão. O liberalismo é a extensão do domínio da luta."

Nesse momento o leitor pára e tenta refletir, meio atordoado. Houellebecq escreve verdades cortantes, mas mesmo assim continua-se lendo, à espera do próximo corte. É como se o texto tão limpo e cruel causasse dependência. O seu estilo, único, pode levar a uma leitura positiva. Como assim? Ele é o pessimismo em pessoa, realmente... Porém, através de uma explicação niilista, essa crítica à sociedade, que a revela sem escrúpulos e mostra os indivíduos sem um real fundamento dentro da mesma, pode servir para incentivar a nossa responsabilidade e liberdade. Agora, se o leitor entender o livro em sua forma mais simples e brutal, no aniquilamento de todos os valores, declínio constante e perda de sentido na vida, creio que seja melhor não ler nem a primeira página.

Michel Houellebecq é um escritor complicado. Nem os que admiram sua literatura são capazes de compreendê-la. Muitos o odeiam exatamente por essa razão, outros pelas freqüentes polêmicas que ele causa na imprensa. Mas todos terão de reconhecer que somente um bom escritor poderia gerar tanta controvérsia a nível mundial e que com idade relativamente jovem, 52 anos, o autor de Extensão do domínio da luta é um fenômeno.

Para ir além






Gabriela Vargas
Porto Alegre, 9/10/2008

Quem leu este, também leu esse(s):
01. O pior Rubem Fonseca é sempre um bom livro de Luiz Rebinski Junior
02. Alberto Caeiro, o tal Guardador de Rebanhos de Julio Daio Borges
03. União entre música e poesia de Nanda Rovere


Mais Gabriela Vargas
Mais Colunas Recentes

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
9/10/2008
15h44min
Dez razões para se ler um livro deprimente:
1 - O leitor infeliz se identifica com o escritor infeliz.
2 - O leitor vê que sempre há alguém mais infeliz que ele.
3 - O leitor nota que, embora infeliz, é inteligente, porque o livro é considerado difícil (na verdade, difícil de agüentar).
4 - O leitor se acha muito humano, por sentir a dor do mundo.
5 - O leitor sente inebriado pela auto-piedade.
6 - O leitor sai dizendo que leu um livro para poucos e se considera um eleito.
7 - Se o livro tiver qualidade, acentuam-se as vantagens acima.
8 - Se o livro não tiver qualidade, o livro vira cult, o leitor vira fã e abre um fã clube.
9 - O leitor aprende outra língua, para ler no original.
10 - O escritor fica feliz com seus leitores, embora tenha que forçar o tom depressivo em suas obras pelo resto da vida.
[Leia outros Comentários de mauro judice]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Hedra
Editora Paz e Terra
Editora Globo
Editora Planeta
Campus-Elsevier
AIC
Conrad Editora
Editora Record
Companhia das Letras
Editora Unicamp
Intrínseca
Livraria Cultura
Editora Objetiva
KindleBookBr
Cosac Naify
Submarino
PROMOÇÕES
Campus-Elsevier

A Era do Twitter
Shel Israel
por R$ 69,90


Viral Loop
Adam Penenberg
por R$ 66,00


Design Thinking
Tim Brown
por R$ 69,90


Criação e Inovação no Caos
Jeremy Gutsche
por R$ 89,90


O Legado de Peter Drucker
Bruce Rosenstein
por R$ 39,90


Criação de novos negócios
José C.A. Dornelas
Jeffry A. Timmons

por R$ 149,90


Cobiçado
David Freemantle
por R$ 59,90


Inspire-se!
Jim Champy
por R$ 49,90


Destaque-se
Jim Champy
por R$ 29,90


As grandes religiões do mundo
Stephen Prothero
por R$ 79,90


A Geração Y no trabalho
Nicole Lipkin
April Perrymore

por R$ 59,90


Profissão: Investidor
Jason Zweig
por R$ 77,00


Previsivelmente Irracional
Dan Ariely
por R$ 55,90


Positivamente Irracional
Dan Ariely
por R$ 69,90


Formação de Traders
Rodrigo Puga
Márcio Rodrigues

por R$ 45,00

busca | avançada
23876 visitas hoje
59 mil no mês