Os novos condes de Lautréamont | Mariana Ianelli

busca | avançada
85935 visitas/dia
1,7 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* RSS, Twitter e Facebook
Últimas Notas
>>> Eu Maior, o filme de Fernando, Paulo e Marco Schultz e Andre Melman
>>> Diálogos de Platão, pela editora da Universidade Federal do Pará
>>> Porta dos Fundos
>>> Os Enamoramentos, de Javier Marías
>>> One Click, a História da Amazon, de Richard L. Brandt
>>> Amores & Arte de Amar, de Ovídio
>>> Gonzaga - De Pai pra Filho, de Breno Silveira
>>> Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade
Temas
Mais Recentes
>>> Maffesoli, Redes Sociais e o Mundo Reencantado
>>> Clube de leitura da Livraria Zaccara: um ano!
>>> Os EEUU e o golpe de 64
>>> Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo
>>> Família e Maldade
>>> O Corno em Série
>>> A Cidade do Improvável
>>> Um Lugar para Fugir Antes de Morrer
>>> O goleiro que ganhou o Nobel
>>> O Amor é Sexualmente Transmissível
Colunistas
Mais Recentes
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
>>> Steve Jobs (1955-2011)
>>> 11/9: Dez Anos Depois
>>> Séries de TV
>>> Discoteca Básica
Últimos Posts
>>> José Luiz Tejon no #MitA
>>> Araquém Alcântara #EuMaior
>>> John Huston: cinema e armas
>>> Paulo de Tarso Lima #EuMaior
>>> The Doors Live at The Bowl 68
>>> The Doors com Eddie Vedder
>>> Ricardo Lindemann #EuMaior
>>> AnaE lança novo livro em SP
>>> Professor Hermógenes #EuMaior
>>> Waldemar Falcão #EuMaior
Mais Recentes
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Psicodelia para Principiantes
Mais Recentes
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
>>> Antonio Henrique Amaral
Mais Recentes
>>> 40 mil seguidores no Twitter
>>> Comentários via Facebook
>>> Obrigado, Daniel Piza
>>> Seção Mais Acessados
>>> Digestivo no Facebook
>>> Você no Twitter do Digestivo
Mais Recentes
>>> 10 perguntas para Woody Allen
>>> Leituras, leitores e livros - Parte II
>>> A via férrea da poesia de Mario Alex Rosa
>>> De vinhos e oficinas literárias
>>> Entendendo - Foucault
>>> Circo Roda Brasil
>>> A Amazônia sem pátria
>>> Eu Maior, o filme de Fernando, Paulo e Marco Schultz e Andre Melman
>>> Inhotim: arte contemporânea e natureza
>>> O enigma de Michael Jackson
Mais Recentes
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Olga e a história que não deve ser esquecida
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> A teoria do caos
Mais Recentes
>>> CRESS-SP lamenta a não votação da PL Educação
>>> MC Indee Styla, de Barcelona, se apresenta no Rio
>>> Pedro Lemos e Serginho Lacerda sobem ao palco do Santa Comédia
>>> Estância do Lago oferece pacotes românticos para Dia dos Namorados
>>> Amor sem limites
>>> Mário Sabha Jr autografa 'Você ama ou fantasia tudo?' em Florianópolis
>>> EdUFSCar participa do XXI Seminário Nacional Universitas/Br
>>> Titular da UFSCar lança coleção na 36ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química
>>> MANDALAS TRANSLÚCIDOS
>>> CDI é a nova agência da Atos
ENSAIOS

Segunda-feira, 7/3/2011
Os novos condes de Lautréamont
Mariana Ianelli

+ de 1800 Acessos
+ 1 Comentário(s)

E se de repente artistas do mundo inteiro aderissem ao anonimato? Contando que toda obra de arte que se preze hoje exibe o epíteto da originalidade, este seria um expediente bastante original. Não deixaria de satisfazer também certo gosto pelo ato performático.

Excetuando-se o mal que isso acarretaria para a vaidade e o mercado que dela se aproveita, vale pensar no bem que faria, por exemplo, para a literatura.

Apagados o nome e a figura do escritor, ficaria o seu livro, um livro sendo tudo o que há, nem maior por ter a chancela de uma grife, nem menor por carência de fama. Um livro com seu justo peso e sua justa medida, louvável ou desprezível, impressionante ou insípido, envolvente ou fastidioso por ele mesmo, pelo que nele está escrito, do modo como está escrito, sem os atenuantes ou os encômios da crítica por se tratar deste ou daquele autor, sem a ressalva ao demasiado jovem ou a concessão ao demasiado velho, sem o anexo dos afetos ou das antipatias pessoais.

Um livro sendo tudo o que nele há de pensamento, olhar e voz de alguém cujo mistério da autoria, não garantindo mais os privilégios da consagração de um nome, reconduzisse todas as atenções para o texto como um corpo total, com suas virtudes e suas falhas levadas ao primeiro plano, despojadas de manto, chapéu, lapela amedalhada, gravata de lantejoulas e outros distintivos.

Quem sabe dentro deste fabuloso universo de escritos apócrifos surgissem muitas surpresas, e um livro, em circunstâncias costumeiras desprezado pela mídia, alçasse ao rol dos mais lidos e comentados, e um outro, antes merecedor do timbre das academias, fosse considerado simplesmente um gatinho perdido no meio de uma savana de leões.

O certo é que neste mar de vozes, um grande escritor, contrariando a ansiedade por seu reconhecimento e as ocasiões forjadas para sua autopromoção, levaria um tempo indefinível até ser descoberto, o tempo mágico em que se elaboram os encontros com os leitores, um a um.

E agora, sem estar submetido ao peso de nomes que eventualmente falam mais alto do que os livros, o leitor seria respeitado em sua participação soberana nas garimpagens e nas descobertas que fizesse de acordo com seus próprios critérios de exigência, interesse ou predileção.

Os escritores, por sua vez, não mais ocupados com atrativos adjacentes, poderiam empenhar um tempo extra no que é a alma mesma do seu ofício, a escrita, o livro, a palavra na sua força intrínseca e na sua jornada paciente através do tempo rumo a um destinatário igualmente anônimo.

No correr das águas, os livros iriam se entender entre si e com seus leitores, seguindo uma vida conquistada por seus méritos, dependendo aqui e ali de um pouco de sorte, mas, ainda assim, fazendo prevalecer os méritos, como deveria ser a vida de todos os filhos, que, já de seus pais, antes e para além do nome, herdaram o sangue.

É possível imaginar, neste cenário infinito de textos e de vozes atravessadas por outras vozes, um homem passeando entre mundos de papel coligidos em lombadas enigmáticas, um visitante qualquer que fosse movido pelo sentimento que nele despertam os títulos de alguns livros apanhados ao acaso, até que, subitamente, numa dessas leituras, o susto, o tremendo calafrio, como o de encontrar, com uma estocada de picareta, ouro na rocha: a descoberta de um novo Conde de Lautréamont muitos anos após a sua morte...

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no site Vida Breve.


Mariana Ianelli
Salvador, 7/3/2011

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Crítica literária ainda existe? de José Castello
02. Sermão ao cadáver de Amy de João Pereira Coutinho
03. Pierre Seghers: uma exposição de Manoel de Andrade
04. Allen Stewart Konigsberg de André Forastieri
05. Leonard Cohen de Mariana Ianelli


Mais Mariana Ianelli
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
6/5/2011
22h24min
Mariana, o grande perigo que enfrentaríamos se o mundo inteiro dos artistas aderissem ao anonimato, segundo o teor do seu texto, seria cair numa crítica formalista onde o conteúdo da escrita se destacaria da realidade e pairaria num universo paralelo só de livros. Creio que se abolíssemos as listas de livros mais vendidos que divulga-se por todos os lados, já provocaríamos algumas mudanças mais proveitosas.
[Leia outros Comentários de Tiago Pavan]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Companhia das Letras
Cortez Editora
WMF Martins Fontes
Bertrand Brasil
Civilização Brasileira
Globo Livros
Editora Conteúdo
Nova Fronteira
Best Seller
Editora Francis
Editora Record
Editora Perspectiva
Madras Editora
Intrínseca
Hedra
José Olympio
MercadoLivre
LIVROS


O HORROR DE DUNWICH


EMPRESAS BRASILEIRAS CENTENÁRIAS


EM ALGUMA PARTE ALGUMA


ÓCULOS, APARELHOS E ROCK'N'ROLL


DIÁLOGOS - FEDRO


OS LENTOS ANOS DE SANTINHA NA COMPANHIA DE EMILIANA


A MANOBRA DO REI DOS ELFOS


A RESPOSTA


ZAP COMIX


O DRAGÃO E OS DEMÔNIOS ESTRANGEIROS


ARGENTINA - GUIA DO TURISTA BRASILEIRO


SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS


O LIVRO DAS CORTESÃS


HISTÓRIA SOCIAL DA EDUCAÇÃO NO BRASIL (1926-1996)


A CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO E DA LINGUAGEM


busca | avançada
85935 visitas/dia
1,7 milhão/mês