Letra de música é poesia? | Digestivo Cultural

busca | avançada
72073 visitas/dia
1,8 milhão/mês
Mais Recentes
>>> OSC Usina da Imaginação, de SC, apresenta obras de crianças e jovens produzidas na pandemia
>>> Poeta paulista lança “O que habita inabitáveis lugares” abordando as relações humanas durante a pand
>>> Biografias e Microrroteiros do Parque
>>> MONUMENTOS NA ARTE: O OBJETO ESCULTÓRICO E A CRISE ESTÉTICA DA REPRESENTAÇÃO
>>> Cia Triptal faz ensaios abertos para Pedreira das Almas, de Jorge Andrade
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Eleições na quinta série
>>> Mãos de veludo: Toda terça, de Carola Saavedra
>>> A ostra, o Algarve e o vento
>>> O abalo sísmico de Luiz Vilela
>>> A poesia com outras palavras, Ana Martins Marques
>>> Lourival, Dorival, assim como você e eu
>>> O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis
>>> LSD 3 - uma entrevista com Bento Araujo
>>> Errando por Nomadland
>>> É um brinquedo inofensivo...
Colunistas
Últimos Posts
>>> Max Chafkin sobre Peter Thiel
>>> Jimmy Page no Brasil
>>> Michael Dell on Play Nice But Win
>>> A história de José Galló
>>> Discoteca Básica por Ricardo Alexandre
>>> Marc Andreessen em 1995
>>> Cris Correa, empreendedores e empreendedorismo
>>> Uma história do Mosaic
>>> Uma história da Chilli Beans
>>> Depeche Mode no Kazagastão
Últimos Posts
>>> Mundo Brasil
>>> Anônimos
>>> Eu tu eles
>>> Brasileira muda paisagens de Veneza com exposição
>>> Os inocentes do crepúsculo
>>> Inação
>>> Fuga em concerto
>>> Unindo retalhos
>>> Gente sem direção
>>> Além do ontem
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O lado A e o lado B de Durval Discos
>>> Stabat Mater, de Giovanni Battista Pergolesi
>>> Açaí com jabá - curta-metragem
>>> End User: We read the manuals
>>> Vivo
>>> Águas de Março
>>> Quando o virtual cai na real
>>> Um Amor Anarquista
>>> ego shots fazem bem à saúde
>>> Curso de Criação Literária
Mais Recentes
>>> Tex Nº 247 de G. L. Bonelli pela Globo (1990)
>>> Os gansos selvagens de Bassan de Anne Hébert pela Guanabara (1986)
>>> Tex Nº 244 de G. L. Bonelli pela Globo (1990)
>>> Deixemos falar o vento de Juan Carlos Onetti pela Francisco Alves (1981)
>>> Tex Coleção Nº 125 de G. L. Bonelli pela Globo (1997)
>>> Tex Nº 303 de G. L. Bonelli pela Globo (1994)
>>> Tex Coleção Nº 33 de G. L. Bonelli pela Globo (1989)
>>> A Sutil Arte de Ligar o Foda-se de Mark Manson pela Intrinseca (2017)
>>> Desenho Mecânico de José Oliveira, Luiz Fiorani, Luiz Junior e Luiz Bonasi pela Tetra
>>> Desenho Técnico de José Oliveira, Luiz Fiorani, Luiz Junior e Luiz Bonasi pela Tetra
>>> História da gastronomia paulista de História da gastronomia paulista pela Sem
>>> Resgate de um cão de Patricia Highsmith pela Brasiliense (1989)
>>> O resgate do tigre de Colleen Houck pela Arqueiro (2012)
>>> Small G de Patricia Highsmith pela Mandarim (1996)
>>> As Brumas de Avalon - A Grande Rainha - livro 2 de Marion Zimmer Bradley pela Imago (1989)
>>> O amor não tem limites de Amadeu Ribeiro pela Vida & Consciência (2013)
>>> Fabulosos X-Men: Revolução de Brian Michael Bendis pela Panini Comics (2015)
>>> As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia - livro 1 de Marion Zimmer Bradley pela Imago (1989)
>>> O diário de Edith de Patricia Highsmith pela Brasiliense (1989)
>>> Desperta ao amanhecer de C.C. Hunter pela Jangada (2012)
>>> O grito da coruja de Patricia Highsmith pela Brasiliense (1988)
>>> A maldição do tigre de Colleen Houck pela Arqueiro (2011)
>>> Cela de vidro de Patricia Highsmith pela Brasiliense (1990)
>>> Thor: Em Nome do Pai de J. Michael Straczynski pela Panini Comics (2012)
>>> O manual do bruxo de Allan Zola Kronzek pela Sextante (2003)
BLOG >>> Posts

Quinta-feira, 16/8/2007
Letra de música é poesia?

+ de 34900 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Uma viagem pelo tempo e espaço dentro do universo das poéticas letras de música. Se fosse para resumir em uma frase a aula que o letrista e jornalista Carlos Rennó deu no curso de MPB do Espaço da Revista Cult, na última terça-feira, seria essa. A viagem durou quase duas horas e, apesar de não termos saído da sala de aula localizada próxima à estação Vergueiro do metrô, fomos longe. De Orestes Barbosa a Prince, analisando rimas, estrofes, influências musicais e comentando as curiosidades, Rennó mostrou exemplos diversos da chamada "poesia cantada", ultrapassando os limites da MPB.

"Para mim, é muito claro que letra de música é uma modalidade de poesia, é poesia cantada", dispara o letrista logo no início da noite. E explica: "É poesia porque é palavra em forma poética e se dá num espaço de melodia, assim como a poesia literária se dá num espaço em branco da página". Poético, não? A grande "mágica" que faz uma letra ser considerada poesia na verdade não depende só de seus versos, mas da combinação de letra e música. "Quando palavras e sons se aderem, algo mais incide sob a música, fazendo com que ela ganhe uma força poética maior e mais intensa que o mesmo verso ou a mesma frase melódica separados."

O primeiro letrista-poeta que Rennó considera importante é Orestes Barbosa, que produziu grande parte de sua obra nas décadas de 20 e 30. Além de escrever poemas literários, fazia muitas parcerias com Sílvio Caldas, entre elas, uma canção muito famosa, "Chão de estrelas". "Ele foi uma espécie de pré-Vinicius (de Moraes) por se dedicar à música e à poesia" comenta. Um dos trechos mais bonitos e poéticos de sua famosa canção foi destacado na aula:

A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisava nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão


Esta música contém um exemplo de construção de imagem característico de um poema. Há uma associação entre o céu estrelado e o sal, a luz da lua no chão, formando o chão de estrelas, que dá nome à música. Uma das histórias curiosas que Rennó nos confidenciou foi a de que o nome da música era "Pomba rola que voou", por conta de um outro trecho da canção. Por sugestão do poeta Guilherme de Almeida, ele mudou (e salvou a canção de um título não muito romântico).

Enquanto falava de Barbosa, Rennó se confundiu e acabou soltando o nome de Prince no meio da conversa. Se justificou dizendo que Prince também tem letras que fazem associações de imagens e metáforas, como "Chão de Estrelas", mas em outro universo. "When 2 R in love" seria uma delas. "Os artistas podem ser de origens completamente diferentes, mas há um plano em que eles conversam", filosofa.

Além do casamento entre letra e melodia, questão também detalhadamente explicada na primeira aula do curso por Luiz Tatit, Rennó ressalta a importância do intérprete em uma canção e destaca Dorival Caymmi como um dos mais exemplares. E ainda elegeu a música "Coqueiro de Itapuã" do baiano como uma das mais poéticas de toda a história da MPB. "Não há nada melhor do que Caymmi cantando Caymmi, aquilo se instaura, no ambiente em que está se ouvindo a canção, não é simples como pode parecer."

Apesar de enfatizar várias vezes a grandeza do trabalho de Vinicius de Moraes, classificando-o como um dos maiores poetas do Brasil, Rennó discorreu mais sobre a obra poética de Caetano Veloso e Chico Buarque do que do parceiro de Tom Jobim. Uma das análises mais profundas foi feita com a letra de "Sampa", da qual o jornalista diz não entender o porquê de sua popularidade, pois se tornou quase um hino da cidade. "Não faz sentido, pois ela apresenta elementos típicos de poesia erudita, não de poesia de canção feita por um cancionista que quer que sua canção se torne popular. Caetano não facilitou."

Nem sempre se pode explicar as razões de uma música se tornar popular, mas em contrapartida ele acredita que nós brasileiros temos mais canções intelectualizadas do que os americanos, que são os reis da música popular no mundo. "Mais até do que nós, porque eles inventaram um negócio chamado jazz". E é esse ritmo uma das grandes paixões do letrista, que produziu em 2000 o CD Cole Porter e George Gershwin - Canções, Versões. Além das versões, Rennó também é parceiro de vários músicos importantes como Gilberto Gil, Peninha, Tom Zé, Chico César e Lenine. E quando é ele o compositor, o que vem primeiro: a letra-poema ou a melodia? "Eu prefiro fazer letra sobre música, fica mais poético. Mas tem muito parceiro que me pede a letra primeiro, só que aí, por conta da influência literária, acabo escrevendo demais", conta, rindo.

Para ir além
Curso de MPB do Espaço da Revista Cult


Postado por Débora Costa e Silva
Em 16/8/2007 às 18h05


Mais Débora Costa e Silva no Blog
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
23/8/2007
22h28min
quero conhecer mais a história desses belos poetas
[Leia outros Comentários de marcelo terras]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A Magia da Comunicação
Dr. Lair Ribeiro
Leitura
(2002)



Você e a Eternidade
Lobsang Rampa
Record
(1965)



Farsantes & Fantasmas
Antonio Carlos Olivieri
Record
(2012)



O Pergaminho de Masada
Paul Block & Robert Vaughan
Novo Conceito
(2007)



Memorial de Maria Moura
Rachel de Queiroz
Mediafashion
(2008)



Daughters of Castle Deverill
Santa Montefiore
Simon & Schuster
(2016)



Ecos do Nada - Autografado
Izabel Fabiano Salles
Atena
(1963)



Descartes: Obras Escolhidas - 1ª Edição
J. Guinsburg (org.)
Perspectiva
(2010)



Psicologia Aplicada á Administração
Maria Aparecida Ferreira de Aguiar
Consultoria
(1992)



Gestão Estratégica
Martius Rodriguez
Campus
(2005)





busca | avançada
72073 visitas/dia
1,8 milhão/mês