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Terça-feira, 4/4/2006
O Romanesco

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Sou Zequias, 23 anos, queimado de sol, família humilde, vim do nordeste, agora sou daqui, de dia trabalho de ambulante, de noite estou no supletivo, de onde venho nesta hora, dizem que tenho bom coração, vi um homem que parecia ter caído de algum lugar, não porque estivesse machucado, não estava, mas pelo jeito esticado no chão, atônito, empoeirado, amassado, a boca torta, perguntei se tinha caído, ele apenas sorriu, sorriso de sim, olhei pra cima, não havia de onde, as janelas dos velhos hotéis são altas e estão sempre fechadas, do poste também não dava, ele se levantou, me chamou pra andar, descemos a primeira rampa da avenida são joão e perambulamos pelo vale do anhangabaú, ocupado por camelôs e trabalhadores pobres como eu, muitos pombos, que decolam e pousam no asfalto, ele girou o corpo na garoa calada, e os olhos, me disse isto aqui é muito bom, é divino, e me puxou pelos braços, e eu ali sem rir, sem dizer dichote, perguntei de onde era, ele franziu a testa, fomos em direção ao viaduto santa efigênia, reparei na cara dele, dum branco de anjo, queixo e nariz esticados, cabelo ralo, longo e galego, e lá chegando, gritou, que ponte maravilhosa, falei vixe maria, e ele, repare neste chão, e foi declamando, parece uma cerâmica rosa, coisa encantadora de se ver, essa luz em volta, eu não tinha reparado, trabalho o dia todo no viaduto e nunca vi nada de especial, tudo comum, esse povaréu, essa zoada, mas de onde é mesmo você? insisti, vou lhe dizer sem cerimônias, ele falou, caí de um lugar muito especial, já sei, eu falei, você caiu do céu, não, não, nem tanto, caí foi de um livro, de um futuro romance, mas não precisam mais de mim, abracei meu padim, não posso dizer o nome do autor, nem do romance, prosseguiu, mas posso afirmar que a história se passa numa cidade distante, e se desvia pra cá, e este que você vê é o personagem principal, que não faz mais falta, o que faremos, perguntei, ande comigo pelo centro, ele disse, me puxando pelo braço, quem sabe me ajuda a recuperar a memória, ou melhor, o capítulo ignorado da história, jogado num lixo simbólico, espécie de reservatório do tempo real, entende?, eu disse que entendia, mas não entendia, ah, o santa efigênia, encerra beleza nas formas e brilhos, possíveis ladrilhos, eu devia ter feito um poema, lastimou, e eu mudo, é tarde, ele disse, vamos seguir, chegamos à rua são bento, rua comum, esse amontoado de gente e comércio, mas ele: veja os postes de luz, as belas luminárias, quarteirões fechados, bancas de revistas e livros, tinha de virar música, ele considerava, feito a rua do ouvidor, e nos afastamos, ensaiou uns passos de dança e cantarolou, inventando: planeta bento / praça da sé / rua são bento / coração de mãe / sois e sempre sereis assim / sois e sempre sereis assim... seguimos, eu temia pirar, mas ele atalhou, de que valerá ser sozinho?, pois tudo em volta é falso, miragem, espelho do nada: saio em busca de uma explicação para a vida, e mudando de tom: vamos à consolação, algo me diz que lá encontraremos a história, azuado e molhado no xixixi, segui os passos do anjo, do romanesco, cruzamos esquinas e esquinas da augusta, ele se deitou no chão com desalento, ergueu-se logo a seguir, observou no ar os fios deixados pelos ônibus elétricos, e caminhou rua acima, antiga, os velhos muros, nossos passos lentos, calculados, assim que nos aproximávamos da avenida paulista, o dia nos alcançando, espalhando brumas em nosso caminho, falei, incorporando a voz do poeta, e tudo quase clareou num branco intenso, e o corpo dele desaparecia na imensa página brilhante, que se formava no alto da augusta, no encontro com a paulista, página branca que descia de algum lugar especial, à procura de um personagem errante.

Rogério Miranda, no último Rascunho (aqui com autorização dos dois, do Miranda e do Pereira, o editor).


Postado por Julio Daio Borges
Em 4/4/2006 às 08h15


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