Temperamental e Encantadora | BLOG DO EZEQUIEL SENA

busca | avançada
51020 visitas/dia
1,7 milhão/mês
Mais Recentes
>>> É HOJE (30/9): Mostra Imaginários no Cine Bijou
>>> Etapa apresenta concerto gratuito da Camerata Fukuda com o violinista Ricardo Herz
>>> SESC BELENZINHO RECEBE O GRUPO DÁGUAS
>>> Sesc 24 de Maio apresenta leitura dramática “O Cachorro Morto... e a Expulsão do Diabo” - 7 Leituras
>>> Chega ao Brasil novo espaço literário que provoca os sentidos, do toque ao aroma
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rodolfo Felipe Neder (1935-2022)
>>> A pior crônica do mundo
>>> O que lembro, tenho (Grande sertão: veredas)
>>> Neste Momento, poesia de André Dick
>>> Jô Soares (1938-2022)
>>> Casos de vestidos
>>> Elvis, o genial filme de Baz Luhrmann
>>> As fezes da esperança
>>> Quem vem lá?
>>> 80 anos do Paul McCartney
Colunistas
Últimos Posts
>>> Agnaldo Farias sobre Millôr Fernandes
>>> Marcelo Tripoli no TalksbyLeo
>>> Ivan Sant'Anna, o irmão de Sérgio Sant'Anna
>>> A Pathétique de Beethoven por Daniel Barenboim
>>> A história de Roberto Lee e da Avenue
>>> Canções Cruas, por Jacque Falcheti
>>> Running Up That Hill de Kate Bush por SingitLive
>>> Oye Como Va com Carlos e Cindy Blackman Santana
>>> Villa candidato a deputado federal (2022)
>>> A história do Meli, por Stelleo Tolda (2022)
Últimos Posts
>>> Bizarro ou sem noção
>>> Sete Belo
>>> Baby, a chuva deve cair. Blade Runner, 40 anos
>>> Conforme o combinado
>>> Primavera, teremos flores
>>> Além dos olhos
>>> Marocas e Hermengardas
>>> Que porcaria
>>> Singela flor
>>> O cerne sob a casca
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A linguagem de Shakespeare
>>> Negócios no Second Life
>>> Tem café?
>>> Melhores Solos de Slash
>>> A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb
>>> Sua majestade, o ator
>>> Sua majestade, o ator
>>> A arapuca da poesia de Ana Marques
>>> Motel barato, livro de arte
>>> Fórmula 1 via Twitter
Mais Recentes
>>> Você a Alma do Negócio de Roberto Shinyashiki pela Gente (2001)
>>> O Menino sem Imaginação de Carlos Eduardo Novaes pela Atica (2007)
>>> Carapintada de Renato Tapajós pela Ática (1994)
>>> Mulheres de Cinzas Vol 01 Areias do Imperador de Couto Mia pela Cia das Letras (2015)
>>> Legislação Agrária Atualizada Vol II de Lourenço Mário Prunes pela Sugestôes Literárias (1979)
>>> Contabilidade Nacional de Rossetti pela Atlas (1979)
>>> Saúde Total de Kenneth H. Cooper pela Entrelivros Cultural (1979)
>>> A Estrela da Tempestade de Almiro Caldeira pela Acl (2002)
>>> Empreendendo o Sucesso de Carlos Guilherme Biazzo Arantes e Outros pela Maltese (1992)
>>> Hipnotizando Maria de Richard Bach pela Iintegrare (2010)
>>> O Lider do Futuro de John Naisbitt pela Sextante (2007)
>>> Legislação de Agrotóxicos do Estado de Santa Catarina de Admir Bortolini pela Ioesc (1985)
>>> Microsoft Office Excel 2007 Rapido e Facil de Curtis Frye pela Bookman (2008)
>>> Poder Absoluto de David Baldacci pela Arqueiro (2013)
>>> O Príncipe da Privataria de Palmério Dória pela Geração (2013)
>>> Democracia Feita Em Casa de João Hermann Neto pela Câmara dos Deputados (1984)
>>> Luzes Veladas de Nena Silva Saraiva de Almeida pela Da Autora (1973)
>>> Mérito Universitário Catarinense Histórias de Sucesso de Randolfo Decker Org pela Funcitec (2001)
>>> Proyctar Es Fácil Tomo 3 de Varios Autores pela Afha (1976)
>>> Crescimento Econômico e Demanda de Energia no Brasil de Ivo Marcos Theis pela Furb (1990)
>>> Para Gostar de Ler Volume 2 - Crônicas de Fernando Sabino e Outros pela Ática (1978)
>>> O Caminho da Perfeição de Bhaktivedanta Swami Prabhupada pela The Bhaktivedanta Book Trust (2012)
>>> O Caminho de Gorette de Jaborandi e Pereira pela Papa Livro (2004)
>>> O Pintor Em: o Bushido de Ouro de Luigi Longo pela Marco Zero (2008)
>>> Educaçao Ludica de Juliane Di Paula Q Odinino e Outros pela Dioesc (2014)
BLOGS >>> Posts

Quarta-feira, 27/1/2016
Temperamental e Encantadora
Ezequiel Sena

+ de 4300 Acessos

Por Esechias Araújo Lima

Hoje, nossa casa amanheceu mais vazia. A sapeca Kyra achou de ir embora, voar. Confesso que não foi um animalzinho comum: temperamental, imprevisível, brigona, porte de Alteza.... Mas tamanha lhe era a ternura no olhar, que despertava incontrolável vontade de afagá-la.

Kyra tinha muito mais dos felinos que dos cães. Ficava à espreita e saltava sobre pássaros, roedores e o mais que fosse que lhe estivesse ao alcance. Sorrateiramente, como convém a gatos fazê-lo. Também não era de ladrar. Corria como uma seta em direção ao alvo. Mais parecia uma loba.

Tinha olhos orientais, puxados. Isso lhe conferia uma beleza singular. De verdes, foram-se acastanhando, ao decorrer do tempo, sem, contudo, perder o encanto.

Não era muito de festa. Não se pode dizer que era um cãozinho dócil, amoroso com quem quer que fosse, a não ser com Thayane, noiva de Pedro, meu filho do meio.

Um dia, em pleno cio, Kyra avançou contra mim - sabe-se lá por quê - e me feriu. Talvez um gesto brusco, ou a própria tensão do mênstruo, fê-la cravar-me os dentes em várias partes da mão e do antebraço direitos. O mais irracional de tudo é que continuei a amá-la na mesma intensidade. Explicável? Talvez. O amor é um sentimento incondicional, verdadeiramente divino.

Um dia, ela amanheceu demudada. A cauda baixa sinalizava tristeza, ou doença. Levei-lhe a uma clínica veterinária. Diagnosticado “piometra”, foi submetida a uma histerectomia.

Na última visita que lhe fiz, fui acompanhado por Pedro e Thayane. Como disse, Kyra nutria uma paixão inexplicável por Thay. Digo inexplicável, porque se viam muito esporadicamente, mas, ao vê-la, Kyra era tomada de uma euforia tal, que lhe cegava para quem estivesse por perto. Naquele território do encontro, só existiam Thayane e ela. Minha esperança era que a presença da pessoa a quem devotava tanto amor a fizesse demonstrar um laivo que fosse de reação, ao menos um pouco de alegria. Qual o quê! Prostrada e impassível estava, assim ficou, não obstante dose redobrada de carinho. Ali, foram-se as esperanças de que a traria de volta para casa.

Quando me ligaram comunicando a morte de Kyra, chorei um copioso choro de compaixão. E continuei a fazê-lo por perto de duas semanas. Até hoje, na verdade. Falta? Não creio que sinta muito a sua falta. As cenas mais consternadoras são as das visitas a ela na clínica.

Como disse, seu olhar miúdo era como uma seta de fogo dentro dos meus olhos, dizendo mais que palavras. Eu te entendia, “minha branca”. Ah, sim! Kyra era uma chow chow champanhe, com a juba bem alva e de um pelo sedoso, muito macio, daí tratá-la, carinhosamente, por “minha branca”. É que tenho outra - Nala é seu nome - também chow chow, caramelo, mais dócil, mas sem o algo a mais que distinguia Kyra de todos os demais animaizinhos que já conheci.

Retomando: as cenas que me doem são aquelas em que, durante as visitas, ela, meio que emburrada - já o era por natureza e isso recrudesceu com o desconforto da doença -, me dirigia um olhar de rogo para tirá-la dali. Na penúltima, ela estava ao soro. Mesmo assim, ao acarinhá-la, olhava-me com incisivo pedido que a levasse para casa.

Kyra não era de temer. Sempre foi uma guerreira. Quando ainda bem novinha, por recomendação da veterinária, ficou num espaço meio escuro, separado, para evitar o contato com a outra já imunizada por todas as doses de vacinas. Kyra saía dali por uma porta lateral apenas para os passeios matinal e vespertino, ou para suas brincadeiras com meus filhos e comigo. Aguentou essa quarentena sem qualquer demonstração de impaciência.

E agora? Bem... quase sempre, ao abrir o portão da garagem, tenho a sensação de que ela vem ao meu encontro, saltando sobre mim, como a demonstrar a sua alegria, meio contida, sim, mas que me fazia abraçá-la tomado de muito afeto, afagar-lhe as orelhas curtas e arredondadas e derramar-lhe a porção incontida de carinho que lhe trazia guardado nas mãos, nos olhos e - por que não? - na alma.

Dos quase seis anos de vida (foi o quanto durou), há muitas fotos de Kyra. Mas ela vai ser sempre muito mais que “apenas uma foto na parede” como a Itabira de Drummond. Por certo, ocupará seu lugar em minhas lembranças, carregando de mim um punhado generoso de saudade e uma irracional esperança de ainda tê-la por perto.

André, meu filho mais novo, ao ler esta crônica, me disse o que não tive coragem de dizer: “ela deve estar no céu caçando borboletas e passarinhos”. Pedro afirmou que ela vai nos fazer festa quando nos encontrarmos. Não é um mero sofisma. Creio nisso.

Assim sendo, o mistério da vida me permite arriscar: “- Quem sabe um dia - não é, ‘minha branca’? - a gente se vê “num outro nível de vínculo” e eu ainda te afague as orelhas, desta vez sem as cicatrizes suas e minhas, nem esta lágrima teimosa que me desce pela face numa madrugada de 20 de janeiro, às cinco e meia desta manhã chuvosa.


Postado por Ezequiel Sena
Em 27/1/2016 às 16h29


Mais BLOG DO EZEQUIEL SENA
Mais Digestivo Blogs
Ative seu Blog no Digestivo Cultural!

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Superbonita
Org. Sonia Biondo
Globo
(2007)



Liberdade é Poder Decidir- Uso de Drogas
Maria Eliza de Lamboy; Maria de Lourdes Zemel
Ftd
(2000)



Da Organização do Estado dos Poderes e Histórico das Constituições
Rodrigo César Rebello Pibho
Saraiva
(2016)



Dois Mundos um Herói
Rezendeevil
Objetiva
(2015)



Trabalhos de Amor Perdidos
Jorge Furtado
Objetiva
(2006)



An American Beauty
Erin Yorke
Harlequin Historical
(1990)



Livro - No Ar Rarefeito - de Bolso
Jon Krakauer
Companhia de Bolso
(2006)



Churchill - Visionário. Estadista. Historiador
John Lukacs
Zahar
(2002)



Magya - Primeiro Livro - Septimus Heap
Angie Sage, Waldea Barcellos
Rocco
(2008)



A Pedra do Poder e o Segredo dos Signos-um Guia para o Próximo Milênio
J. Zeralva
Interágil Comunicação





busca | avançada
51020 visitas/dia
1,7 milhão/mês