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Quinta-feira, 31/3/2016
Obstinação
Heberti Rodrigo

+ de 600 Acessos

Meu post anterior, Contagem Regressiva, vem sendo reescrito há 3 dias. Durante uma das releituras lembrei de haver enviado a alguns amigos as palavras do escritor alemão Hermann Hesse. Como há um forte vinculo de idéias entre o texto que Hesse escreveu e Contagem Regressiva, resolvi, então, transcrevê-lo:


"Existe uma virtude - e só uma - a que muito amo: - a obstinação. Não atribuo o mesmo valor a todas as virtudes de que falam os livros e os professores. Entretanto, poderíamos abranger sob uma só palavra todas as virtudes inventadas pelo homem. Virtude é - obedecer! Toda a questão está em sabermos a quem obedecer...Também a obstinação é obediência. Mas todas as outras virtudes, tão estimadas e decantadas, são obediência a leis feitas pelos homens. Só a obstinação é que não dá a menor importância a tais leis... O obstinado obedece a outra lei, a uma lei única, absolutamente sagrada: - à lei em si mesma, ao sentido (Sinn) de seu próprio ser (des Eigenen).

Mas tomemos a palavra em seu sentido literal! Literalmente, que quer dizer "obstinação" (Eigensinn)? Significa que alguém tem seu sentido próprio, sua marca pessoal (eigenen Sinn). Ou não será isso?

Na verdade, tudo quanto existe sobre a terra tem seu "sentido próprio" (eigenen Sinn). Sim, todas as coisas o têm. Cada pedra, cada folha de grama, cada flor, cada arbusto cresce; cada animal vive, age e sente prefeitamente de acordo com seu "sentido próprio". É exatamente devido a isso que o mundo é tão bom, rico e belo. Se existem flores e frutos, carvalhos e bétulas, cavalos e galinhas, estanho e ferro, ouro e carvão, tudo isso resulta única e exclusivamente do fato de cada coisa, por mínima que seja, trazer em si mesma, dentro do universo, o seu "sentido", o seu selo, sua lei própria, e segui-la sempre de maneira total e inexorável.

Na terra só existem dois pequenos e desditosos seres aos quais não é concedido seguir esse apelo eterno; aos quais não é dado ser, crescer, viver e morrer sempre do modo como lhes impõe seu "sentido próprio" e inato. São o homem e o animal.

Só o homem e os animais por ele domesticados são condenados a seguir não a voz da vida e do progresso e, sim, leis outras, estabelecidas pelo próprio homem e por ele mesmo sempre, de tempos em tempos, alteradas ou violadas. É exatamente isso o que há de mais estranho: aqueles poucos homens que desrespeitam as leis arbitrárias para seguirem suas próprias leis naturais - são na maioria das vezes condenados e apedrejados para, depois, serem eles, precisamente eles, para sempre homenageados como heróis e libertadores!

(...) Pois bem. "Trágico" outra coisa não designa senão o destino do herói. Exatamente porque o herói se obstina em romper com as leis com que tentam sufocá-lo. E prossegue tenaz, em busca de sua própria estrela.

Por isso e somente por isso, amplia-se e abre-se sempre mais em direção a toda a humanidade a vivência do "sentido próprio" de cada coisa. O herói trágico, o homem obstinado, está sempre a apontar aos milhões de homens "submissos", aos covardes, que a desobediência a regulamentos humanos não é mero capricho arbitrário. É a fidelidade a uma lei mais sublime e sagrada. Noutros termos: o sentido gregário exige de cada um acomodação e submissão. Mas não reserva a humanidade suas honras mais elevadas aos acomodados, aos tolerantes, aos covardes, aos dóceis. E, sim, precisamente aos rebeldes, aos obstinados, aos heróis!

(...) "Egoísmo" - dirão alguns. Só que esse egoísmo é de todo diverso do egoísmo do homem ávido de dinheiro ou fascinado pelas seduções do poder.

A pessoa possuída pela obstinação que aqui advogo não procura o dinheiro nem o poder. Não os menospreza, como o faz o fanfarrão e o altruísta hipócrita e conformado.

Ao contrário. O ouro é de pouca monta para a pessoa que se descobriu e se transformou num verdadeiro obstinado, o ouro, e também o poder, e todas as coisas em cuja busca os homens se batem e acabam por se matar. Uma só coisa, e esta elevadíssima, é a sua meta verdadeira: - é a força misteriosa que nele habita e o faz viver e o ajuda a crescer interiormente. Não pode essa força ser conservada, aumentada ou aprofundada por meio do dinheiro ou coisas semellhantes. Dinheiro e poder são invenções da falta de confiança entre os homens. Quem, no seu íntimo, não confia na força da vida; quem não a possui, necessita buscar um substituto - por exemplo, o dinheiro - para se compensar dessa carência.

Para quem confia em si próprio, para quem outra coisa não deseja senão viver pura e simplesmente o seu destino e deixá-lo seguir seu caminho, os outros sucedâneos, demasiado apreciados e de todos tão estimados, caem a um nível inferior de meros meios que é agradável ter e usar, sem que sejam, entretanto, de decisiva importância."
Hermann Hesse


Postado por Heberti Rodrigo
Em 31/3/2016 às 08h24


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