A máquina de guerra da Netflix e Brad Pitt | Relivaldo Pinho

busca | avançada
32696 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Michael Jackson: a lenda viva
>>> Gente que corre
>>> Numa casa na rua das Frigideiras
>>> Numa casa na rua das Frigideiras
>>> Reinaldo Azevedo no Fórum CLP
>>> Introdução ao filosofar, de Gerd Bornheim
>>> Companheiro dileto
>>> O Vendedor de Passados
>>> Eugène Delacroix, um quadro uma revolução
>>> Meus Livros
Mais Recentes
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
>>> A Igreja Católica de Hans Kung pela Objetiva (2002)
>>> O Comunismo de Richard Pipes pela Objetiva (2002)
>>> Lições para o Cotidiano de Masaharu Taniguchi pela Seicho-No-Ie (1996)
>>> Guerra sem fim – Edição especial de Joe Haldeman pela Aleph (2019)
>>> O Renascimento de Paul Johnson pela Objetiva (2001)
>>> Homeopatia a Ciência e a Cura de Ralph Twentyman pela Círculo do livro (1989)
>>> A Descoberta do Amor em Versos de Diversos pela Cen (2003)
>>> O Islã de Karen Armastrong pela Objetiva (2001)
>>> O Sumiço do Mentiroso de Lourenço Cazarré pela Atual (1998)
>>> A Turma da Tia e os Bilhetes Misteriosos de Ganymédes José pela Ftd (1991)
>>> Camões Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões pela L&PM Pocket (2008)
>>> Destruição e Equilíbrio de Sérgio de Almeida Rodrigues pela Atual (1989)
>>> Armadilha para Lobisomem de Luiz Roberto Guedes pela Cortez (2005)
>>> A Menina que Descobriu o Brasil de Ilka Brunhilde Laurito pela Ftd (2001)
>>> Guerra no Rio de Ganymédes José pela Moderna (1992)
>>> Paraíso de Toni Morrison pela Companhia das Letras (1998)
>>> Introduction à la Psycholinguistique de Hans Hörmann pela Larousse Université (1974)
>>> A idéia de cultura de Victor Hell pela Martins Fontes (1989)
>>> Poesia Concreta de Lumna Mara Simon (Org.) pela Abril (1982)
>>> Las Armas Secretas de Julio Cortazar pela Editorial sudamericana/ Buenos Aires (1970)
>>> Maio Apagou o Inverno de Carlos Roberto Douglas pela Ateniense/ S.P (1994)
>>> Utopia Selvagem de Darcy Ribeiro pela Nova Fronteira (1982)
>>> Twittando o Amor, Contando Uma História em 140 Caracteres de Teresa Medeiros pela Novo Conceito (2014)
>>> Estrela Oculta de Robert A. Heinlein pela Francisco Alves/ RJ. (1981)
>>> O Alimento dos Deuses de H. G. Wells (herbert George - 1866-1946) pela Francisco Alves/ RJ. (1984)
>>> Focus de Arthur Miller pela Ediouro (2001)
>>> Trinta Anos Depois da Volta - o Brasil na II Guerra Mundial de Octávio Costa (ilustr): Carlos Scliar pela Expressão e Cultura (1977)
>>> Tuareg (formato Original) de Alberto Vázquez- Figueiroa pela L&pm, Porto Alegre (2000)
>>> Cenas Noturnas na Bíblia (v. 1) : Tardes e Manhãs Que Conduzem... de Christian Chen pela Tesouro Aberto/ Belo Horizonte (2001)
>>> Fall of the House of Windsor (capa Dura; Sobrecapa) de Nigel Blundell & Susan Blackhall pela Contemporay Books/ L. A. (1992)
>>> Todos os Homens do Presidente de Carl Bernstein & Bob Woodward pela Francisco Alves/ RJ. (1977)
>>> A Primeira Comunhão de Verônica de Vários: Pia Sociedade de S. Paulo pela Edições Paulinas (1959)
>>> O Grande Livramento de Valdemiro Santiago: Apóstolo pela Impd (2009)
>>> Poema Sujo de Ferreira Gullar/ Pref.: Alcides Villaça pela Livr José Olympio Ed. (2001)
>>> Poema Sujo de Ferreira Gullar/ Pref.: Alcides Villaça pela Livr José Olympio Ed. (2001)
>>> Poema Sujo de Ferreira Gullar/ Pref.: Alcides Villaça pela Livr José Olympio Ed. (2001)
>>> Poema Sujo de Ferreira Gullar/ Pref.: Alcides Villaça pela Livr José Olympio Ed. (2001)
>>> Poema Sujo de Ferreira Gullar/ Pref.: Alcides Villaça pela Livr José Olympio Ed. (2001)
>>> O Poder dos Pais Que Oram de Stormie Omartian pela Mundo Cristão (2001)
BLOGS >>> Posts

Quarta-feira, 7/6/2017
A máquina de guerra da Netflix e Brad Pitt
Relivaldo Pinho

+ de 1200 Acessos


Reprodução


A mudança em curso da transmissão de conteúdo via streaming, em fluxo contínuo, certamente está transformando o modo de consumo de mensagens, especialmente em relação aos filmes, o que impacta, diretamente, o cinema. Mudou-se o gerenciamento; a guerra é outra.

War Machine, o filme estrelado por Brad Pitt, que estreou mundialmente no último dia 26 na Netflix, faz parte desses conteúdos que a nova tecnologia oferece. A novidade já ocupa, há algum tempo, as discussões em torno de um novo tipo de produção, difusão e consumo imagético.

Já em meados do Século 20, as pesquisas sobre a mídia assinalavam algumas questões que surgiam em relação às características do processo comunicacional massificado. Dentre esses estudos, Paul Lazarsfeld e Robert Merton publicariam, em 1948, seu clássico Comunicação de massa, gosto popular e ação social organizada.

Nesse trabalho, que fundamenta a chamada Teoria Funcionalista da Comunicação, Lazarsfeld e Merton apontam, como um dos problemas causados pela indústria midiática, uma certa tendência a uma “Disfunção narcotizante”.

O uso, por parte do receptor, dos meios de comunicação se daria a um nível secundário, “desempenho substitutivo. Acaba confundindo ‘conhecer’ os problemas do momento com ‘fazer’ algo a ‘seu’ respeito [...]. ‘Está’ preocupado. ‘Está’ informado. Tem todos os tipos de ideias em relação a qualquer coisa a ser feita. Após o jantar, depois de ouvir seus programas de rádio favoritos [o rádio ainda era o meio predominante] e da leitura do segundo jornal naquele dia, chegou a hora de dormir”.

Essas ideias, evidentemente, são, mesmo em seu aspecto geral, bastante conhecidas e serviram aos mais variados propósitos. Mas algumas questões, que se relacionam com esses temas, ainda podem ser colocadas diante da implementação dos novos mecanismos midiáticos, como o streaming.

Os estudos da teoria funcionalista se dão em outro momento. Não se poderia imaginar, por exemplo, que o espectador teria a possibilidade de escolher como, onde e quando ele realizaria o consumo das mensagens. Não se vislumbrava a ideia de que o consumidor não precisasse mais, passivamente, aguardar a mensagem a ser difundida. Era impensável, talvez, que o destinatário tivesse essa autonomia, nesse fluxo comunicacional, no momento de sua recepção.

Como falar de uma disfunção narcotizante nesse cenário? Ainda podemos nos referir a um público massificado e conformista que, agora, consome meios e mensagens em mídias múltiplas? Ainda podemos, com esses tipos de emissão na internet, que se misturam com outros meios de interação, falar de um consumo secundário, exclusivamente substitutivo?

Algumas teorias contemporâneas sobre a comunicação já indicam, há alguns anos, que temos que tratar essas modificações na produção midiática como um sinal de uma mudança estrutural dessa indústria e de seus efeitos.

Estamos diante de uma modificação que pode não significar uma desestabilização completa e sistemática da produção, difusão e consumo de grandes produtos imagéticos de alto custo e com grandes astros, mas que não pode ser ignorada.

Se não há hoje uma guerra de produtores, porque a produção desses artefatos é cada vez mais capaz de se adequar aos diversos meios, estamos diante de uma mudança do campo de batalha, de seus atores e cenários, não desprezível.



Em uma das cenas de War Machine, o general (o protagonista), solitário, antes de dormir, está deitado em sua cama. A câmera se aproxima, lentamente. O enquadramento nos mostra que ele lê um livro sobre gerenciamento. Ele suspira. Sabe que sua guerra está perdida.

Mas a máquina de guerra da Netflix, estrelada por Brad Pitt, não. É um dos capítulos dessa história. Como filme - sarcástico e irônico, sobre os bastidores políticos e midiáticos da presença norte-americana no Afeganistão; longe de ser um desastre; longe de ser um Dr. Fantástico (Stanley Kubrick, 1964) - talvez pouco importe.

O fato de ser uma grande produção, estrelada por um ícone do cinema atual (também produtor do filme) e não depender do retorno das bilheterias, marca muito mais o consumo de grandes produtos imagéticos nessa contemporaneidade, do que a história da estética cinematográfica.

Estratégias de guerra costumam ser lógicas. A guerra, talvez, não esteja declarada. Nesse ultimato, gerencia-se e adapta-se a produção; adapta-se e gerencia-se a estética.


Relivaldo Pinho é escritor, pesquisador e professor.


Texto publicado em O Liberal, 05 de junho de 2017, p. 2.


Postado por Relivaldo Pinho
Em 7/6/2017 à 00h03


Mais Relivaldo Pinho
Mais Digestivo Blogs
Ative seu Blog no Digestivo Cultural!

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




PENSADORES
MARIO VITOR SANTOS
REALEJO
(2015)
R$ 54,90



SUN PRINTS
LINDA MCCARTNEY
BULFINCH
(2001)
R$ 120,00



ESTUDO DIRIGIDO DE LITERATURA BRASILEIRA - VOL 3
AUDEMARO TARANTO GOULART OSCAR VIEIRA DA SILV...
DO BRASIL
(1975)
R$ 17,51



UNION ATLANTIC
ADAM HASLETT
RECORD
(2014)
R$ 22,00



OS FENÔMENOS PARANORMAIS DE THOMAS GREEN MORTON
MÁRIO AMARAL MACHADO
EDIOURO
(1984)
R$ 10,00



INTRODUÇÃO À TEORIA ECONÔMICA
MACOS CINTRA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE
MCGRAW-HILL
(1976)
R$ 10,00



OS FUNDAMENTOS DA FÍSICA 1 - MECÂNICA
RAMALHO; NICOLAU E TOLEDO
MODERNA
(2007)
R$ 85,00



DO FRACASSO AO SUCESSO
R. STANGANELLI
PARMA
(1985)
R$ 20,00



A ESCRAVA ISAURA
BERNARDO GUIMARÃES
L&PM
(2009)
R$ 6,00



NOVAS VERTENTES DO DIREITO DO COMÉRCIO INTERNACIONAL
JETE JANE FIORATI / VALERIO DE OLIVEIRA MAZZUOLI
MANOLE
(2003)
R$ 10,00





busca | avançada
32696 visitas/dia
1,3 milhão/mês