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Quinta-feira, 16/10/2003
Top 10 da literatura
Lucas Rodrigues Pires

+ de 7700 Acessos

Momento Alta Fidelidade, para elencar meus Top 10 em literatura, como proposto pelo editor deste Digestivo a seus colunistas.

Elencar os 10 livros e autores que nos marcam é das tarefas mais complicadas que há. Cada vez que escolhemos algo, também renunciamos a algo. Quando fui eleger os meus, o número 10 ficou pequeno para englobar o que me é essencial em termos de literatura (e isso sem contar em obras específicas de alguma área de conhecimento).

Antes de qualquer coisa é preciso deixar claro que as obras citadas aqui são, por enquanto, as Top 10 da minha lista, isto é, provisoriamente. O que quer dizer que, a qualquer momento, diante de uma leitura nova, posso vir a incluir um novo integrante. A leitura e nossas preferências são moldadas pelo tempo.

Creio que uma biblioteca que se preze não pode deixar de fora nosso maior escritor. Sim, ele mesmo, Machado de Assis. Eis uma leitura obrigatória nas escolas e que não passa como enfadonho pelos alunos (refiro-me especificamente aos romances realistas e não aos da fase romântica do autor); creio que, pelo contrário, sua leitura encarna o que de melhor a literatura oferece ao leitor – diversão, apreensão, linguagem e uma boa história. Nada é mais prazeroso e essencial do que ler Dom Casmurro. A questão de ter Capitu traído ou não Bentinho ainda não foi resolvida e nunca será, mas tal questionamento já rendeu páginas e página de análises no mundo acadêmico e também da sala de aula. Mas, no fundo, não é esse mistério universal que faz da obra grandiosa. É ele como um todo, como espírito.

Tão grande quanto Dom Casmurro, até maior em termos de narrativa, é Os Maias, de Eça de Queirós. Aqui, devo admitir que muito de minha leitura recente teve como ponto de partida filmes, adaptações cinematográficas de livros. Como o cinema é minha área maior de atuação, muito do que é filmado oriundo da literatura me faz ir à fonte. E cada vez mais tal artifício me inspira, me seduz. Dos 10 livros aqui citados por mim, dois deles foram ao cinema e um para a televisão.

Os Maias foi adaptado como minissérie da TV Globo com direção de Luiz Fernando Carvalho, o mesmo que filmou Lavoura Arcaica, não por acaso o livro de Raduan Nassar consta aqui e com certeza o filme é dos meus 10 mais. Eça tem uma qualidade pouco vista em escritores – escreve os costumes de sua sociedade, a portuguesa, como quem fala de suas mãos. Conhece aquilo a que se refere e sabe como poucos criticar com elegância. Como não se compadecer das aventuras amorosas de Carlos da Maia, mesmo a relação incestuosa não-consciente com sua irmã, ou das divagações e sonhos do escritor João da Ega, as palavras vivas do poeta Alencar? E dentro de todos esses discursos que se encontram o leitor tem um painel rico de relações humanas, filosofias, artes, ideologias, nacionalismos etc. Os Maias é o romance que me marcou pelas palavras bem colocadas e por ter os tipos mais humanos (humano em todos os aspectos, principalmente os negativos) da literatura que me passou em mãos até hoje.

Muito de nossas leituras são motivadas por momentos. Muito do que gostamos é em decorrência do que vivemos naquele instante de nossas vidas. E desses momentos nascem paixões e relações que não se rompem jamais. Tenho uma relação dessas com Álvares de Azevedo, o poeta romântico de Se eu morresse amanhã. Estudar o romantismo no 2º Grau escancarou a força desse poeta em minha vida. Sentir suas palavras de amor e morte a mulheres desejadas mas não alcançadas são uma sedução que todo jovem tímido e introspectivo deve ter se entregado. Ler sua poesia (escreveu peças teatrais também e uma narrativa), em especial Lira dos 20 Anos e ser influenciado por ela foi a herança deixada a mim. Como a muitos, creio. Como não admirar alguém que escreve tais versos com menos de 20 anos e morre na flor da idade sem ter experimentado o verdadeiro e completo amor? Ele não viveu um amor pleno, mas falou dele como poucos.

Dos autores clássicos e mais antigos devo citar aqui ainda Goethe. Confesso que li pouco ou quase nada desse autor, mas a leitura de Os Sofrimentos do Jovem Werther apimentou minha relação com o romantismo e seu ideal de amor. Parecia que o viver a fase do sofrer de amor era mais puro e sincero que viver aquele próprio amor em si. E desse sofrimento nasciam obras maravilhosas, e um tanto disso talvez tenha ficado em mim. (Cony, que mais embaixo será citado, tem uma teoria interessante a esse respeito: só escreve literatura o homem que não é feliz, pois se feliz fosse, não teria tempo para essas coisas. Acredito um pouco nessa teoria).

Todos nós já fomos Werther na vida, todos já gostamos de alguém que não podia ou queria retribuir o que sentíamos. Nessa narrativa, Goethe monta a história em forma de monólogo epistolar, com as cartas do jovem Werther ao amigo Wilhelm contando sua paixão, desilusão e atitudes frente à vida, à natureza e a um amor impossível que lhe brotara e que só podia levá-lo à tragédia.

“E tu, bondosa alma, que te sentes tão angustiada como ele, consola-te com os seus sofrimentos, e permite que este pequeno livro se torne seu amigo, se por destino ou culpa própria não tiveres outro mais achegado!”. Eis as palavras de Goethe que precedem a história em si. Werther foi a mim grande amigo e cúmplice.

Se perceberem bem, os autores já citados (quatro até agora) são todos dos séculos 18 e 19. Minhas leituras talvez estejam voltadas ao século 20, à literatura contemporânea, mas estou corrigindo essa pendência, e comecei com o mergulho em Flaubert, mais exatamente Madame Bovary. Esta é minha leitura atual e já poderia incluí-la aqui nos meus 10 preferidos. Só não o faço porque a leitura não está completa.

Do século 20 é impossível não começar com o maior deles, outra figurinha carimbada, Franz Kafka. Esse tcheco também morreu e concebeu sua obra muito jovem e talvez ela seja a que mais refletiu e antecipou seu mundo. Hoje, vivemos num mundo kafkiano por excelência. O impacto da leitura de Kafka é algo que fica incrustado na alma, não desgruda e nos dá certa sensação de claustrofobia. É assim perante A Metamorfose e O Processo, suas obras mais conhecidas. Mas se a obra de Kafka é digna das melhores notas, sua vida foi muito o combustível para sua literatura. A relação conflituosa com o pai toou toda sua visão de mundo e fez dele o que é hoje. Nesse sentido, e no que me é mais importante e caro em Kafka, sua obra mais dilacerante é Carta ao Pai. Eis uma carta que ele escreveu ao pai expondo todo sua angústia e sofrimento perante a figura tirânica e castradora do progenitor. Kafka escreve tudo o que nunca conseguiu dizer. A linguagem é objetiva, o texto esclarecedor, arrebatador, com elementos de compreensão para toda a sua obra literária. E assim entende-se o sentimento de culpa que rasgava internamente o autor. Kafka em vida foi o que poderíamos chamar de fracasso total – não casou (tendo noivado diversas vezes), viveu mediocremente, era fraco emocionalmente e fisicamente e não acreditava ser bom em nada; enfim, um infeliz. Mas esse homem nos deu a chave para a compreensão do mundo moderno, dilacerado por guerras e pela falta de compreensão e intolerância que caracterizou o século 20, o século de Kafka.

Gostar de Carta ao Pai é próprio daqueles que pensam e refletem suas relações com seus pais. O conflito de gerações está implícito, mas não apenas isso. Tenho essa diferença e um pouco desse hiato com meu pai. Talvez por essa razão, o desabafo de Kafka me seja tão caro. E não só ele, pois outros dois livros dos meus Top 10 trazem para o epicentro da problemática da narrativa a relação pai-filho. São eles Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, e Quase Memória, de Carlos Heitor Cony.

A relação de conflito está marcada em Lavoura Arcaica tanto quanto em Carta ao Pai, mas naquele o filho enfrenta o pai num diálogo (melhor seria dizer monólogos alternados) cheio de metáforas, que caracteriza o momento ápice do arcaísmo a que se refere o título do livro. Nassar escreveu uma obra de exercício lingüístico, lírico ao extremo e repleto de referências à cultura libanesa, coisa que poucos de nós consegue abstrair. Mas mesmo assim, a força com que cada palavra é dita, o impacto de cada metáfora transforma meras palavras em algo vivo dentro de nós. Não há excesso, apenas exatidão. O personagem André é pura ebulição de desejos, é intenso sonho de um amor proibido (e incestuoso) e de uma liberdade que jamais encontraria no seio da família. Raduan Nassar tem um dos textos mais belos da literatura brasileira da segunda metade do século 20. Escreveu muito pouco, o livro já citado, a novela Um Copo de Cólera e a coletânea de contos Menina a Caminho. Todos são tocantes, impossível se manter indiferente a eles. Deste último, destaco o conto O Ventre Seco.

Cony é um dos queridinhos da mídia atual. Escritor carioca, sempre restringiu seu universo literário à Cidade Maravilhosa, numa certa burguesia típica da cidade. Quase Memória marcou a volta à literatura depois de mais de 20 anos sem escrever. Ele já disse infinitas vezes que voltou a escrever porque se sentia triste com a doença e posterior morte de sua cachorra Mila. Esse reencontro com a tristeza foi também seu ápice do encontro com a literatura. Quase Memória volta no tempo para um acerto de contas do autor com seu pai, uma espécie de Quixote moderno. Sua relação com o pai, aqui desencadeada pelo recebimento de um embrulho, é esmiuçada de forma pura e emotiva, sem cair no sentimentalismo. É um grande livro, com grande desenvoltura de seu autor e momentos brilhantes de emoção e boa literatura.

Contemporâneo nosso também é José Saramago, que escreveu, para mim, o romance definitivo sobre o cristianismo, O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Esse livro foi uma espécie de batismo de consciência dentro de minha formação humanística. A visão de um ateu para a história de Cristo parece soar como algo inoportuno, mas na verdade é uma ode a uma figura humana maravilhosa jogada no meio de figuras humanas terríveis. Saramago foi excomungado e condenado por muitos, mas sua obra não deixa de santificar um deus humano, mostrando que o bem está dentro do mal e vice-versa.

Comunista e escritor como Saramago, o italiano Ítalo Calvino ganhou minha admiração com os contos de Amores Difíceis e Palomar. Apesar de ser o conto, a narrativa mais concisa, o gênero em que o autor melhor se expressou (como deixou claro em Seis Propostas para o Próximo Milênio), considero imprescindível sua literatura de maior fôlego, e aqui incluo as três histórias incluídas em Os Nossos Antepassados (mas não esqueçamos de Se Um Viajante numa Noite de Inverno). Publicadas em épocas diferentes, e só depois reunidas num único volume por vontade do autor e por crer que formavam uma trilogia, O Cavaleiro Inexistente, O Barão nas Árvores e O Visconde Partido ao Meio refletem, no campo do surreal, a fragmentação do mundo moderno. Personagens bizarros, cheio de questionamentos, envoltos em contextos históricos, eis a forma que Calvino encontrou para expressar seu descontentamento com os rumos da humanidade.

Para finalizar, não poderia não mencionar outra trilogia – O Senhor dos Anéis. Li o livro antes de estrear os filmes e estes só me fizeram gostar mais do texto de Tolkien. A eterna luta do bem contra o mal é freqüente na literatura, mas o inglês coloca personagens complexos e humanos em sua trama. Não há a turma dos bonzinhos e mauzinhos. Todos podem fazer parte de ambos os lados, e o Um Anel é a prova cabal de que não há bem que não seja passível de corrupção. E quais as armas para se lutar contra o mal? Tolkien escreve 1.200 páginas tratando sobre a amizade, o sacrifício pessoal em prol de um bem maior e a solidariedade, eis os temas centrais dessa obra monumental.

10 autores, 10 livros, 10 amigos... Muitos amigos ainda a angariar. O importante é se dispor a eles, enfrentá-los.


Lucas Rodrigues Pires
São Paulo, 16/10/2003


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