Esquecendo de mim | Marta Barcellos | Digestivo Cultural

busca | avançada
34554 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
>>> Leminski, estações da poesia, por R. G. Lopes
>>> Crônica em sustenido
Colunistas
Últimos Posts
>>> Banco Inter É uma BOLHA???
>>> Não Aguento Mais a Empiricus
>>> Nubank na Hotmart
>>> O recente choque do petróleo
>>> Armínio comenta Paulo Guedes
>>> Jesus não era cristão
>>> Analisando o Amazon Prime
>>> Amazon Prime no Brasil
>>> Censura na Bienal do Rio 2019
>>> Tocalivros
Últimos Posts
>>> O céu sem o azul
>>> Ofendículos
>>> Grito primal V
>>> Grito primal IV
>>> Inequações de um travesseiro
>>> Caroço
>>> Serial Killer
>>> O jardim e as flores
>>> Agradecer antes, para pedir depois
>>> Esse é o meu vovô
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Por que escrevo
>>> História dos Estados Unidos
>>> Meu Telefunken
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> O apanhador no campo de centeio
>>> Curriculum vitae
>>> O Salão e a Selva
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Por que a Geração Y vai mal no ENEM?
>>> Por que a Geração Y vai mal no ENEM?
Mais Recentes
>>> O Ponto de Mutação de Fritjof Capra pela Círculo do Livro (1990)
>>> Plexus de Henry Miller pela Record (1967)
>>> Uma Questão de Fé de Jodi Picoult pela Planeta (2008)
>>> Vivendo seu Amor de Carolyn Rathbun Sutton e Ardis Dick Stenbakken (compilação) pela Casa Publicadora Brasileira (2017)
>>> O Significado da Astrologia de Elizabeth Teissier pela Bertrand (1979)
>>> Um amor de gato de Glenn Dromgoole pela Publifolha (2002)
>>> Origami & Artesanato em Papel de Paul Jackson & Angela A'Court pela Edelbra (1995)
>>> Gestão de Pessoas de Idalberto Chiavenato pela Campus (2010)
>>> Album de família de Danielle Stell pela Record
>>> Passageiros da ilusão de Danielle Stell pela Record (1988)
>>> Casa forte de Danielle Stell pela Record
>>> Segredo de uma promessa de Danielle Stell pela Record
>>> Enquanto o amor não vem de Iyanla Vanzant pela Sextante (1999)
>>> Relembrança de Danielle Stell pela Record
>>> O Egypto de Eça de Queiroz pela Porto (1926)
>>> Momentos de paixão de Danielle Stell pela Record
>>> Um desconhecido de Danielle Stell pela Record
>>> Uma vez só na vida de Danielle Stell pela Record
>>> O apelo do amor de Danielle Stell pela Record (1983)
>>> Agora e sempre de Danielle Stell pela Record (1985)
>>> O Princípio Constitucional da Igualdade e o Direito do Consumidor de Adriana Carvalho Pinto Vieira pela Mandamentos/ Belo Horizonte (2002)
>>> Histórias Anunciadas de Djalma França pela Decálogo/ belo Horizonte (2003)
>>> Constituição da República Federativa do Brasil de Senado Federal pela Senado Federal (2006)
>>> Eterna Sabedoria de Ergos pela Fraternidade Branca Universal do Arcanjo Mickael (1974)
>>> Leasing Agrário e Arrendamento Rural como Opção de Compra de Lucas Abreu Barroso pela Del Rey/ Belo Horizonte (2001)
>>> Contratos Internacionais de Seguros de Antonio Marcio da Cunha Guimarães pela Revista dos Tribunais (2002)
>>> Amor de Perdição / Eurico, o Presbítero de Camilo Castelo Branco / Alexandre Herculano pela Círculo do livro (1978)
>>> Carajás de Paulo Pinheiro pela Casa Publicadora Brasileira (2007)
>>> Menopausa de Diversos pela Nova Cultural (2003)
>>> Guia de Dietas de Diversos pela Nova Cultural (2001)
>>> Seguros: Uma Questão Atual de Coordenado pela EPM/ IBDS pela Max Limonard (2001)
>>> O Significado dos Sonhos de Diversos pela Nova Cultural (2002)
>>> A Dieta do Tipo Sanguíneo - A B O AB de Peter J. D'Adamo pela Campus (2005)
>>> Cem Noites - Tapuias de Ofélia e Narbal Fontes pela Ática (1982)
>>> Direito do Trabalho ao Alcance de Todos de José Alberto Couto Maciel pela Ltr (1980)
>>> Manon Lescaut de Abade Prévost pela Ediouro (1980)
>>> A Reta e a Curva: Reflexões Sobre o Nosso Tempo de Riccardo Campa (com) O. Niemeyer (...) pela Max Limonard (1986)
>>> Introdução às Dificuldades de Aprendizagem de Vítor da Fonseca pela Artes Médicas (1995)
>>> Dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual: Violação... de Eduardo S. Pimenta/ Autografado pela Revista dos Tribunais (1994)
>>> O Cortiço de Aluísio Azevedo pela Ática (1988)
>>> A Voz do Mestre de Kahlil Gibran pela Círculo do livro (1973)
>>> O Jovem e seus Assuntos de David Wilkerson pela Betânia (1979)
>>> Emília no País da Gramática de Monteiro Lobato pela Brasiliense (1978)
>>> The Art Direction Handbook for Film de Michael Rizzo pela Focal Press (2005)
>>> A Escrava Isaura de Bernardo Guimarães pela Melhoramentos (1963)
>>> O Grande Conflito de Ellen G. White pela Casa Publicadora Brasileira (1983)
>>> Filosofia do Espírito de Jerome A. Shaffer pela Zahar (1980)
>>> Muito Além das Estrelas de Álvaro Cardoso Gomes pela Moderna (1997)
>>> A Grande Esperança de Ellen G. White pela Casa Publicadora Brasileira (2011)
>>> É Fácil Jogar Xadrez de Cássio de Luna Freire pela Ediouro (1972)
COLUNAS

Sexta-feira, 25/5/2012
Esquecendo de mim
Marta Barcellos

+ de 4100 Acessos

A memória é o que há. Quem já conheceu uma pessoa que teve perda de massa encefálica, com danos na memória, sabe do que estou falando. Ou mesmo quem convive com um idoso com demência. Pois é. Sentimentos à parte, é impossível ignorar a sensação de que o que sobra, sem a memória, é uma semipessoa - uma prova viva da inconsistência da alma, do espírito ou do que quer que seja a nossa construção da essência do verdadeiramente humano.

Há, claro, a possibilidade de essa essência humana sem memória ser reconstruída, mesmo que precariamente, e desta forma voltar a fazer sentido, quando tudo o que se quer é crer. Nada mais poderoso e incontestável do que a crença. Então, para esta mãe que cuida do filho sobrevivente do desastre de carro, ou para esse filho que se dedica a captar os lapsos de lucidez da mãe com Alzheimer, existe o humano sem memória. E apenas para eles.

Isso tudo me vem à mente - sempre ela - quando me pergunto por que andamos tão preocupados com a memória. Talvez, nestes tempos sem deuses nem ideologias, ela seja mesmo o que nos resta.

Queremos escrever a nossa biografia na linha do Tempo e deixar o álbum de fotografias da nossa vida na posteridade da internet. Sentimos a urgência de lembrar e ser lembrados. E que desespero quando perdemos a memória - do computador. A ironia é que, como a memória também é feita de esquecimento e fabulações, temos tanto controle sobre ela quanto sobre a nuvem que abriga o nosso back-up.

A memória física parece ser o que nos restou, o que ainda nos faz humanos - "ainda" porque já se fala por aí no pós-humano. Esquecer é como morrer sem deixar vestígios. Por isso haja fosfosol, café com coca zero, alertas no smartphone, listinhas de papel na bolsa - e que desespero não saber onde estão as chaves de casa...

Cultuamos a memória como nunca, a nossa e a dos outros. Biografias e casos reais nos ensinam a viver quando não há mais de onde tirar motivos ou esperanças: alma, deus, natureza, o novo iPhone... tudo parece tão provisório!

Precisamos desse grande arquivo da vida para nos basear, um arquivo no qual se possa acessar informações e histórias de outras vidas aos borbotões. Uma dose diária de Google e outra de Facebook para nos alimentar e também nos inserir no mundo, deixando o nosso rastro de imagem cool e conectada.

Só que existe um problema: um belo dia, acordamos querendo esquecer. Há algo de insuportável em colecionar memórias. Principalmente nossas próprias memórias. Por mais que tenhamos inventado cuidadosamente a nossa autobiografia e recebido treinamentos intensivos nos últimos anos para deixar a modéstia e a discrição de lado, ser nós mesmos, com tanta intensidade, cansa.

Mesmo quem lapidou um bom personagem para esta encenação narcísica atual um dia para de se divertir. Talvez porque até os borrões da autoficção são criados por nós mesmos - este "eu" que nos persegue - a partir de experiências e expectativas que tentamos corresponder.

É nessa hora de cansaço que dá vontade de usar aquele aparelho do filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças, que simplesmente apaga recordações. Ou de sair para comprar cigarros na esquina e nunca mais voltar. Ou de tornar-se o personagem anônimo na multidão dos livros de João Gilberto Noll.

Muita calma. Contra a saturação da memória de nós mesmos, não é preciso radicalizar tanto. Recomendam-se coisas menos irreversíveis do que caminhar a esmo na ponte Rio-Niterói à noite.

Pode-se, por exemplo, viajar temporariamente para um lugar estrangeiro - de verdade ou por meio de um bom livro. Mas, atenção: um romance. Nunca recorra a um livro de auto-ajuda ou a qualquer produto e serviço que envolva os prefixos "auto" ou "personal". O tiro sairá pela culatra. Outra recomendação é ajudar alguém, com a expressa condição de não contar a ninguém. Tem inspiração religiosa, mas funciona.

É bastante indicado também expor-se ao máximo a obras de arte, de preferência aquelas absolutamente resistentes a "interpretações pessoais". As melhores são as que "apenas" arrepiam a gente.

Há quem relate bons resultados com a meditação. No entanto, pela quantidade de celebridades (celebridade = pessoa que vive do próprio narcisismo) adeptas, tenho minhas dúvidas. Nunca tentei de verdade.

De qualquer forma, penso que, na falta de drogas eficientes, deveríamos nos prescrever estas doses diárias de esquecimento de nós mesmos entre amigos e familiares. Quando minha filha era pequena, lembro de meu esforço para representar, em casa, uma propaganda de frutas tão eficiente quanto à do McDonald's: "Hummm... Nossa... Que delícia de abacaxi! Tão doce e ainda por cima é cheio de vitamina C, que ajuda a dar cambalhotas!"

Talvez, para contrabalançar tanta pressão de sermos garotos-propaganda de nós mesmos, aumentando nosso capital de convencimento na internet ou nas relações de trabalho, deveríamos trocar dicas e experiências sobre práticas de auto-esquecimento. Algo como: "Hummm... Que máximo... Foi como entrar num filme ou ser personagem de um livro. Melhor que spa! Fiquei três dias longe do Facebook e do Twitter enquanto caminhava como um estrangeiro nas ruas do centro do Rio. E sem tirar nem uma foto! Você tem que experimentar!"

Para finalizar, e antes que eu me esqueça (ops), há outra prática bem boa que descobri recentemente: escrever ficção. O único efeito colateral é a possibilidade de ser assombrado pela memória de um personagem....



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 25/5/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Subjuntivo Subiu no Telhado de Marilia Mota Silva
02. Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I) de Jardel Dias Cavalcanti
03. Cisne Negro: por uma inversão na ditadura do gozar de Lucas Carvalho Peto
04. Orgasmo ao avesso de Débora Carvalho
05. Por que Coetzee de Daniel Lopes


Mais Marta Barcellos
Mais Acessadas de Marta Barcellos em 2012
01. A Paris de Chico Buarque - 19/10/2012
02. O fim do livro, não do mundo - 20/4/2012
03. O Facebook e a Alta Cultura - 17/8/2012
04. Esquecendo de mim - 25/5/2012
05. O direito autoral vai sobreviver à internet? - 27/1/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O INCRÍVEL TESTAMENTO DE DOM AGAPITO
HÉLDER MOURA
CHIADO
(2012)
R$ 27,00



L´HOMME DE LONDRES
GEORGES SIMENON
PRESSES DE LA CITÉ
(2004)
R$ 40,00
+ frete grátis



MAYA
JOSTEIN GAARDER
COMPANHIA DAS LETRAS
(2000)
R$ 12,00



PRODUÇÃO DE TEXTOS E USOS DA LINGUAGEM - CURSO DE REDAÇÃO
SAMIRA YOUSSEFF CAMPEDELLI E JESUS BARBOSA SOUZA
SARAIVA
(1999)
R$ 6,95



GÊMEOS NÃO SE AMAM
ROBERT LUDLUM
RECORD
(1976)
R$ 4,00



SELEÇÕES DO READERS DIGEST DE JUNHO DE 1964
TITO LEITE (REDATOR CHEFE)
YPIRANGA
(1964)
R$ 7,00



A CRIANÇA ALUCINADA
RENÉ JEAN CLOT
PAZ E TERRA
(1989)
R$ 21,82



A ARANHA, A DOR DE CABEÇA E OUTRAS MALES QUE ASSOLAM O MUNDO
FERNANDA LOPES DE ALMEIDA
ÁTICA
(2005)
R$ 8,70



BALAS DE ESTALO E CRITICA
MACHADO DE ASSIS
GLOBO
R$ 5,00



THE GREEN CITY INDEX: A SUMMARY OF THE GREEN CITY INDEX RESEARCH SERIE
SIEMENS AIG
SIEMENS
(2012)
R$ 25,82





busca | avançada
34554 visitas/dia
1,1 milhão/mês