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Sexta-feira, 17/8/2012
O Facebook e a Alta Cultura
Marta Barcellos

+ de 4200 Acessos

Estou criticamente no Facebook, e desconfio dos superadaptados.

Há alguns dias fiz uma espécie de teste, embora não fosse esta a intenção. Com diferença de poucos minutos, postei (ou publiquei, como prefere o site) duas coisas: uma foto minha em um lançamento de livro, com o comentário de que uma nova edição fora lançada em inglês ("não é chique?"), e o link da minha última coluna no Digestivo.

Com a experiência de ex-blogueira, mas a inexperiência de quem não desenvolveu lá muito traquejo em redes sociais, dessa vez procurei fazer um comentário sobre a coluna. Ou, como se diz no jornalismo, uma 'chamada' - com a linguagem apropriada ao meio, claro. Nas colunas anteriores, quando me lembrava de divulgá-las no Facebook, só colocava o link - sem comentário, chamada, status ou sei lá como o site de Zuckerberg e seus acionistas chama atualmente o texto curto o suficiente para ser curtido por quem passa apressado por murais abarrotados de novidades.

Deu-se o seguinte: a coluna, como acontecera das vezes anteriores, passou batida. Quer dizer, aqui no Digestivo, neste momento, o marcador dá conta de 759 acessos. Mas nenhum dos meus 241 amigos do Facebook pareceu notar o link. Já a foto - uma foto que eu informava ser do ano passado - chamou a atenção. De forma muito simpática, dezenas de amigos curtiram e me parabenizaram pela edição em inglês, o que me deixou um pouco encabulada, por eu não ser adepta da autopromoção em formato tão pessoal. De qualquer jeito, eu tinha descoberto o caminho para lidar com o FB como ferramenta de divulgação...

O que me deixou encasquetada foi pensar em como teria sido o processo de uma publicação se tornar popular e a outra, não. Tentei imaginar o que teria acontecido na tela de cada um dos meus 241 amigos, em como funcionam os meandros dos algoritmos do Facebook, dos interesses de seus patrocinadores e anunciantes. As pessoas naturalmente curtem mais um tipo de publicação (uma foto, uma autopromoção) e menos outro tipo (um conteúdo maior, que precisa ser lido na internet "de fora")? Ou estão sendo induzidas a isso?

Nada demais que estejam sendo induzidas. Mudar - ou tentar mudar - comportamentos faz parte do jogo do mercado, do consumo, do capitalismo no qual vivemos. A tecnologia, sem dúvida, potencializa isso. Pode haver um interesse hoje em tornar nossa interação narcisista e superficial, assim como no passado parecia interessante a emissoras de TV nos tornar zumbis atentos a mensagens comerciais, ou ainda como os primeiros shopping centers faziam corredores escorregadios e sem bancos para que os consumidores ficassem atentos apenas às vitrines.

Levas de consumidores foram treinados e agiram como previam os estímulos, e outras levas de alguma forma se rebelaram. Hoje há controles remotos e sofás em corredores de shoppings - o que pode ser analisado como conquista do consumidor, ou adaptação dos modelos de negócios. O certo é que, enquanto houver um ambiente democrático, o consumidor/internauta pode surpreender as empresas que o disputam, se entediando de repente ou se rebelando - e o ambiente ágil da internet também potencializa isso.

Por tudo isso, vou continuar frequentando o Facebook para ver aonde vamos chegar. Estarei atenta e crítica, aproveitando a tal interatividade para questionar ou me rebelar sempre que for possível. Às vezes estranho que na minha lista de amigos não tenha mais gente esperneando ou fazendo piada sobre o próprio Facebook. Ao contrário, parece haver um esforço para se adaptar.

Mas sou otimista. Nem todo mundo virou zumbi na frente da TV, nem todo mundo vai virar narcisista e superficial nas redes sociais. Pressinto uma próxima onda, um lugar de resistência, um canal descoberto no controle remoto, uma outra internet pertinho de nós. No mesmo dia do meu teste involuntário no Facebook (preciso usar e testar mais...), li no jornal que sobrou no Rio dois colunistas, dos quais gosto muito, de certa forma fazendo a mesma aposta: a da convivência entre o conteúdo de qualidade, ou a "alta cultura", com os interesses comerciais que hoje parecem voltados para o superficial ou "popular".

Depois de descobrir um canal na TV com bons documentários, como exceção, Arthur Dapieve lembrava aos programadores de plantão que gosto cultural não é eterno, mas derivado de "movediças circunstâncias":

"Poderíamos chamar a programação composta por documentários sobre história e arte, concertos de música clássica, espetáculos de balé, de 'Classe A' se essa expressão não fosse culturalmente desprovida de qualquer significado no Brasil. Com as notórias exceções que batizam institutos e fundações, o apreço pela arte nunca foi característico da elite econômica brasileira. A música ruim que toca na laje toca também na cobertura. No momento em que quase todos, dos produtores de cultura aos fabricantes de geladeiras, direcionam seu trabalho para a 'Classe C' - gerando reação de indivíduos ou grupos postos em segundo plano - parece-me haver um equívoco compartilhado entre os que abominam e os que exaltam um suposto gosto emergente. E o equívoco é considerar que, além de ser único, esse gosto não está sujeito a mudanças, mudanças que, com o aumento do acesso à internet ou à TV por assinatura, podem ser bastante rápidas.

Já Hermano Vianna, sempre entusiasta das novidades tecnológicas, decidiu defender a "chatice" da "alta cultura", diante da cobrança, na Flip, por debates mais divertidos ou empolgantes:

"Não vou esbravejar contra a 'lógica do consumo' que tomou conta da cobertura e da atitude da plateia mesmo em eventos de Alta Cultura. (...) Porém, preciso defender com unhas e dentes o nosso direito ao morno, ao pálido, e - radicalizando - ao chato. Alguns dos espetáculos mais marcantes da minha vida, ou alguns livros que mais amei, foram de uma chatice avassaladora - e só atravessando vastos desertos de tédio (pois sou muito disciplinado) consegui perceber suas belezas. Se a chamada Alta Cultura perder essa permissão de nos entediar, muitas obras primas da Humanidade deixarão de ser criadas. Também preciso defender os escritores malas. É muita crueldade exigir que, além de escrever bem, tenham talento para divertir ou esquentar plateias impacientes, com déficit de atenção ou com hiperatividade só controlada com muita ritalina. Ficou chato, não está a fim de enfrentar a chatice? Navegue pela internet do seu smartphone, mas mantenha um ouvido ligado no palco: quem sabe daqui a vinte minutos o escritor morno não solte uma frase brilhante de poucos caracteres e perfeitamente retuitável?"

Vista por este ângulo - o da convivência -, a profusão de smartphones e tablets que tanto me irritou na Flip não parece ruim... Afinal, quero mais é conciliar os mundos e acabar com as falsas dicotomias, e que o meu mural no Facebook tenha, além de links interessantes, fotos fofas dos filhos dos meus amigos. Só vamos torcer para o FB não boicotar os links que nos levam a outras internets. Senão, mudamos de canal, ou vamos curtir no shopping com livrarias e sofás.



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 17/8/2012


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