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Sexta-feira, 3/8/2012
Uma nova forma de captação para projetos culturais
Marcelo Spalding

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Ser artista é escrever, pintar, fotografar, desenhar, esculpir, cantar, tocar, atuar, filmar. Ser artista é fazer arte. Mas não só.

Todo artista, pelo menos no começo de sua carreira, depois de concluir seu processo de criação precisou ir além dele para divulgar, distribuir, viabilizar sua arte. Um músico sonha em gravar seu disco (ainda), um escritor em lançar seu livro, um artista em expor em galerias conhecidas. E todos eles deparam-se com o mesmo e grande problema: a captação de recursos.

Dedé Ribeiro, produtora cultural com pós-graduação na Sorbonne, diretora da Liga Produtora e professora de produção cultural no Rio Grande do Sul, afirma que a produção cultural mudou drasticamente nos últimos 20 anos por duas razões: a econômica e a tecnológica. Por um lado, o poder aquisitivo da população melhorou, surgiram mecanismos de incentivo, como leis federais, estaduais e municipais, e o próprio público paulatinamente vem crescendo. Por outro, a internet encurtou as distâncias e facilitou o contato entre as partes envolvidas.

Hoje, realmente, temos no Brasil a famosa Lei Rouanet e diversos editais que gravitam em torno dela, como o Petrobras Cultural e o Natura Cultural. Em muitos Estados, como o Rio Grande do Sul, temos Leis de Incentivo à Cultura, também funcionando pela renúncia fiscal de grandes empresas. E há ainda os Fundos Pro-Cultura, como o FUMPROARTE, de Porto Alegre, que funcionam como uma espécie de premiação.

Entretanto, apesar de relativamente recentes, todas essas alternativas já são bem conhecidas do mercado cultural e estão, em sua grande maioria, saturadas pelas demandas de instituições sólidas e organizadas para receber estes recursos, como prefeituras com suas feiras ou festas, catedrais com suas restaurações, associação de amigos de teatros, bibliotecas, palcos. Sem contar, é claro, na demanda dos grandes artistas, de rostos conhecidos do grande público e da mídia, que lutam pelo mesmo dinheiro.

Por isso é tão comum a queixa de artistas sobre a relativa facilidade para aprovar o projeto numa lei de incentivo, em especial a Lei Rouanet, mas a enorme dificuldade em captar os recursos financeiros necessários depois junto às grandes empresas que podem fazer essa renúncia fiscal.

Aos artistas locais ou iniciantes restam, então, poucas alternativas. Os Fundos Pró-Cultura municipais ainda são a melhor delas, mas aqui gostaria de mencionar uma outra possibilidade que tem se mostrado eficiente em muitos casos e pode ser fundamental como ponto de partida para um projeto cultural: o financiamento colaborativo.

Os sites de financiamento colaborativo são uma espécie de vaquinha da era digital: você envia um projeto para o curador do site avaliar se está dentro de sua política. Sendo aprovado, o projeto vai para o site e as pessoas podem contribuir com seu projeto. Caso o valor total seja atingido, o site repassa o valor integral ao artista, descontando sua comissão; caso o valor não seja atingido, o site devolve aos colaboradores.

Vale salientar que apesar de usar o termo "financiamento", trata-se, na verdade, de uma doação, pois o artista precisará dar apenas a contrapartida mencionada no projeto, mas não pagar pelo valor arrecadado. É, de certa forma, o milenar mecenato, mas agora pulverizado, com várias pessoas contribuindo com um pouco de dinheiro.

Os fotógrafos Ânderson Astor e Marcelo Cury utilizaram-se de um desses sites, o Catarse, para arrecadar os recursos necessários para a produção do projeto de fotografia Caminhos da Praia. O objetivo da dupla era atravessar o vasto litoral gaúcho a pé, no inverno, fotografando as etapas da viagem. Para tanto, precisavam de pouco mais de R$ 5 mil. Conseguiram R$ 6.400,00 em 45 dias.

Ânderson conta que cerca de metade dos colaboradores eram seus conhecidos (amigos e familiares), mas que a outra metade era composta por pessoas que eles jamais haviam visto e atribuem isso à divulgação pelas redes sociais e à qualidade do projeto: "fundamental nesse aspecto é que haja uma contrapartida para os colaboradores, que no caso do Caminhos da Praia era uma cópia fotográfica impressa e assinada, com tamanho e qualidade de impressão de acordo com o valor da contribuição", afirma.

Outro projeto totalmente financiado por este tipo de plataforma e que tem chamado a atenção aqui no RS é o novo CD de Vitor Ramil, Foi no mês que vem. O período de captação ainda nem encerrou e já foram arrecadados quase R$ 70 mil reais, mais do que os R$ 60 mil necessários para a produção do CD. Para sensibilizar os apoiadores, a produção do músico dividiu a contribuição em faixas que vão de R$ 10,00 a R$ 2 mil, variando a contrapartida de acordo com a faixa de valor.

Quem contribui com R$ 20,00, por exemplo, tem direito a download do álbum duplo Foi no mês que vem antes do seu lançamento e acesso a vídeos das sessões de gravação na internet. Já quem contribui com R$ 100,00 tem direito a um songbook autografado de Vitor Ramil com 60 músicas, o álbum duplo Foi no mês que vem autografado, download do álbum duplo Foi no mês que vem antes do seu lançamento e acesso a vídeos das sessões de gravação na internet. E quem contribui com R$ 2 mil leva uma gravura original que deu origem à capa do disco, 5 unidades do álbum duplo Foi no mês que vem, camiseta, songbook autografado de Vitor Ramil com 60 músicas, download do álbum antes do seu lançamento e acesso a vídeos das sessões de gravação na internet.

Dedé Ribeiro diverte-se ao lembrar que ainda nos anos 80 utilizou-se de uma estratégia parecida para a produção daqueles que seriam alguns dos primeiros discos independentes do Rio Grande do Sul: a emissão de bônus. A fim de produzir os discos de músicos como Nei Lisboa e de Nelson Coelho de Castro, eram vendidos bônus com a promessa de entrega do LP assim que este ficasse pronto, e com o dinheiro arrecadado era feita a produção. O bônus que ajudou Nei Lisboa a lançar seu primeiro disco é lembrado até hoje pelo inventivo nome de "neilisbônus": "antes tínhamos que ficar em volta apenas das pessoas que conhecíamos", lembra Dedé, que se entusiasma com as possibilidades que a internet traz para esse tipo de negócio.

Evidentemente não é nada fácil bancar a produção de um longa-metragem ou uma turnê pela Europa com esse tipo de financiamento, e pelo bem da verdade a maioria dos projetos publicados nos sites não atinge o valor necessário. Tais plataformas, entretanto, têm se mostrado uma alternativa viável para o ponto de partida de um artista (não por acaso o maior site norte-americano de financiamento para projetos criativos chama-se KickStarter). E assim vai se fazendo, produzindo e viabilizando arte de forma independente, sem a ajuda dos governos ou das empresas, mas com o carinho e o entusiasmo dos amigos.



Marcelo Spalding
Porto Alegre, 3/8/2012


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