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Sexta-feira, 18/9/2015
Nem tudo é pessoal
Marta Barcellos

+ de 2300 Acessos

Lembro-me bem de quando começaram a aparecer os personal trainers nas academias. Eu achava esquisito. Primeiro, tinha aquele ar de frescura ou ostentação. Que nem falar ao celular andando na rua (eram os tempos do tijolão). Além disso, a relação entre treinador e treinado me intrigava: então eles precisavam ficar naquele papo furado durante uma hora, entre um aparelho e outro? De manhã cedo, quando tudo o que eu quero é ficar calada, aquilo parecia mais tortura do que abdominal. Mil vezes distrair-se na esteira com música ou televisão.

E se a ideia do personal fosse justamente a de tagarelar, e a modalidade tivesse o tal efeito terapêutico do "desabafo com o cabeleireiro", que algumas mulheres juravam funcionar? Salão é mais barato do que psicanálise, já ouvi dizerem.

Só sei que os tempos mudaram, e ninguém mais acha frescura ter personal trainer, e muito menos ostentar na rua o seu tijolão (os celulares voltaram a ser grandes, depois de ficarem mínimos). Personal é caro? OK, mas o custo vale os ganhos na saúde - aliás, exatamente como se dizia antigamente da psicanálise, que levava metade do salário.

Foi mais ou menos assim, por alegados motivos de saúde, que comecei a fazer ginástica com um personal - indicado pela fisiatra como a melhor forma de não lesionar novamente o joelho. Estou tentando, juro, mas ainda acho esquisito.

O curioso é que a onda do personal só faz ampliar: stylist, organizer, shopper (traduzindo fica ainda mais engraçado: estilista pessoal, organizador pessoal, comprador pessoal). Minha enteada anda entusiasmada com a nova nutricionista: trata-se de uma personal nutricionista. Ora, todo médico não presta um atendimento, digamos, pessoal? Mas ela explicou que, neste caso, o profissional vai à sua casa, vasculha sua geladeira, sua dispensa, e indica que alimentos você pode ou não ter na prateleira para a dieta realmente funcionar. Elimina os "sabotadores". E ainda dá bronca se você não comprou a centrífuga para fazer o suco verde.

Fiquei imaginando como é a vida de quem tem toda essa gama de profissionais (alguém rico, claro). O coitado chega em casa, abre a geladeira para tirar um naco do queijo canastra, que o amigo mineiro lhe trouxe de presente, e descobre que foi trocado pelo personal por um iogurte. Procura o livro que sabia precisamente onde estava na estante e... nada. Precisa se lembrar de como foi a catalogação feita pelo personal organizer. Depois de experimentar dois ou três looks sugeridos pelo personal stylist, a partir das compras feitas pelo personal shopper, decide-se por uma roupa antiguinha que sempre dá certo. Mas onde ela foi parar?

Particularmente, pretendo parar no personal trainer. E, assim mesmo, até ganhar asas (digo, joelho) para me virar sozinha e sem riscos na academia. A situação de alguém me servindo nunca foi confortável para mim. Até manicure e massagista me deixam um pouco sem graça, ainda mais se atenderem em domicílio. Já me explicaram que, para eles, é financeiramente melhor, mesmo assim na hora do atendimento sinto-me entre confusa e constrangida: devo ficar amiga ou dar gorjeta?

Aliás, fujo de toda situação em que no fim deve-se informalmente dar (ou não dar) gorjeta. Para fazer a unha (no salão, aceito a manicure da vez), arrumei a seguinte solução: dou a tal gorjeta padrão antes do atendimento, para ficar claro que faz parte do preço do serviço, e não do quanto ela vai me paparicar.

Meu problema, analisa um amigo, é a culpa histórica de estar na "Casa Grande", que todos da elite carregamos. Aquela situação tão bem retratada no imprescindível filme Que horas ela volta?. Segundo meu amigo, os orientais não veem humilhação alguma em servir ao outro de "forma pessoal", ou seja, física mesmo. Pode ser inclusive uma honra. Mas, em nosso país, esta relação está contaminada pelo passado de humilhação dos tempos escravistas.

Servir, ou ser servido, ainda hoje denota status e condição social. Por isso, inclusive, muitas pessoas que ascendem socialmente preferem imediatamente sair deste tipo de função. Ou, pelo menos, querem deixar clara a sua condição, nesta relação, de serem profissionais, e não "servos". Se o anglicismo "personal" tem a utilidade de esclarecer a profissionalização, viva a onda "personal". Só espero que não seja apenas mais um "jeitinho" brasileiro para mascarar preconceitos e hipocrisias.



Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 18/9/2015


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