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Quinta-feira, 12/11/2015
Quando amor e terra quase se confundem
Elisa Andrade Buzzo

+ de 2100 Acessos

São histórias que poderiam se passar em qualquer comunidade agrícola isolada do globo. Dois longas-metragens e um documentário, em cartaz na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, têm como protagonistas aqueles que buscam seguir suas convicções e paixões, mesmo em condições adversas, sobretudo geradas pelo meio familiar e pela cultura local. Nessa jornada pela qual perpassam as personagens, imersas todas em regiões montanhosas, a relação campo versus cidade é uma sombra que os acompanha.

Em Ixcanul (2015), filme guatemalteco dirigido por Jayro Bustamante, María, uma menina maia é levada a um matrimônio forçado. Ela é apática quanto ao pretendente, e está aos poucos descobrindo sua sexualidade. Começa a amar alguém, Pepe, jovem humilde que trabalha na colheita do café e sonha ir além do vulcão, para os Estados Unidos. Com uma belíssima fotografia, imagens raras da paisagem local, um colorido figurino típico (embora num contraponto à sobriedade das roupas do dia a dia camponês), diálogos curtos e bem dosados, o longa alcança um resultado muito sensível e consistente. María parece querer ir além da vida que leva, e está disposta a fugir com Pepe. Ele se configura como o elo com a cidade. María sequer imagina como seja uma. Sua vida, ainda que talvez não se dê conta, é tão pré-determinada que os acontecimentos dão uma volta e a colocam ao mesmo lugar indesejado.

Embora tenha o desejo de ir para a cidade, esse é tão pouco delineado, pois nem ao menos sabe como é o mundo urbano. Assim como no outro longa que será comentado, a cidade é mais como um outro lugar, inacessível, distante demais, que pode ser uma tentativa de dispersão diante do embrutecimento e da inexorabilidade de sociedades fechadas em si, e que, assim, permanece como um impossível além das montanhas, além das plantações, do vulcão ou dos pastos. Ixcanul fala, então, do amor, da condição feminina, mas também, diante das condições de extrema pobreza e exploração da força de trabalho camponesa, dos destinos moldados pela força, pela impunidade e pelo mandonismo certas vezes sutil em terras longínquas.

A cidade também pode representar a perda das tradições ancestrais, e assim ser vista com maus olhos, ou então consistir numa abertura para um futuro diferente, supostamente mais de acordo com o desenvolvimento econômico-tecnológico atual. Essas são algumas das questões do filme Nômade celestial (2015), do Quirquistão, de Mirlan Abdykalykov. Uma família de nômades vive nas montanhas desse país, na Ásia central. A paisagem local é ampla e bela, e o dia a dia é todo cercado por cavalos criados soltos. Um casal de idosos e sua nora, Shaiyr, assim como sua pequena filha Umsunai convivem ainda sob o signo da morte do homem da casa, marido de Shaiyr. Após essa morte, o filho mais velho do casal é enviado à cidade, para estudar. A questão da jovem viúva reconstruir uma vida de casada se torna latente com a chegada de Ermek, um citadino que trabalha temporariamente numa estação de meteorologia nas montanhas.

Assim, Shaiyr também se depara com importantes questões que envolvem não só a sua felicidade pessoal, mas também o destino de toda sua família atenta às tradições de seu modo de vida nômade. Não parece ser à toa, e chega a ser contraditório, que essas mulheres protagonistas tenham em suas mãos a chave da existência de sua família, mas se sintam engessadas por seu próprio papel principal. Como em Ixcanul, as decisões e os atos de Shaiyr no âmbito sentimental trará sérias consequências familiares, até mesmo determinará seu futuro. As vias de acesso, como a rodovia em Ixcanul, aqui também aparecem como o local de passagem, de trânsito ao universo citadino. Sendo que outro elemento, a construção de uma ferrovia próxima ao local onde a família nômade reside, irá deflagrar trágicas e inevitáveis consequências ao seu modo de vida tradicional.

Da mesma forma, vemos em Nômade celestial o tal elo citadino, o qual se conforma nas figuras de Ermek e o filho. São eles que trazem não só objetos da cidade, sem os quais a família pode continuar a viver, mas um desejo de no campo restar apenas temporariamente - é na cidade que sua vida adquire o formato confortável que aspiram. Shaiyr permanece muito calada nesse fogo cruzado, e, assim como a garota maia, María, é uma personagem extremamente lacônica, com pouquíssimas falas ao longo do filme. O convite de Ermek para que eles se casem e morem na cidade desencadeia uma atitude reativa. No entanto, aqui a vida das personagens parece menos determinista que no longa da Guatemala, e as possibilidades de mudanças de modo de vida parecem mais abertas e um pouco menos venenosas, justamente porque não há a presença de um sistema agrícola exploratório.

Por fim, vejamos o documentário português Volta à terra, com direção de João Pedro Plácido. Temos outro entorno deslumbrante, a aldeia de Uz, no Minho, região montanhosa ao norte de Portugal rica em paisagens naturais. Uz tem apenas 49 habitantes, que vivem da agricultura de subsistência. O cotidiano local é mostrado no decorrer de um ano, seguindo as estações. Dentre alguns de seus habitantes retratados, tem destaque Daniel, de 21 anos. O jovem camponês gosta do modo de vida rural, e não pretende se mudar para a cidade tão cedo, nem mesmo na busca por um amor. É mesmo avesso à televisão e cuida do gado, em adoráveis e muitas vezes divertidas cenas com Cereja, Laranja, Galante e outros animais. Numa agenda anota as datas dos partos das vacas. Pois num contraponto, aqui temos um jovem real, procurando uma namorada (na festa para o verão o vemos flertando, e sua procura vem à tona em conversas familiares), porém ele não está disposto a seguir uma amada real na cidade, mas ambiciona que ela venha juntar-se a ele em seu mundo rural, com suas atividades bem delineadas. Daniel vai contra a corrente da imigração que esvaziou essas aldeias portuguesas da região.

Como as personagens mulheres das ficções, o vemos à vontade em seu meio natural, o campo. Por outro lado, a cidade não lhe traz certo fascínio, ainda que exatamente a ele pareça mais à mão tal possibilidade de mudança. Será difícil para o jovem camponês, deixa implícito o roteiro do documentário, atrair uma jovem disposta a compartilhar de seu modo de vida. E assim será difícil María, por sua vez, como mulher, abandonar as necessidades de seus pais, tão atados que estão à terra que lhes é apenas cedida pelas contingências. Por sua vez, Shaiyr se encontra no limiar da civilização moderna, que avança seja na forma dos trilhos ou de um marido estudado. Daniel está enraizado na terra de seu campo e parece que o amor por ela ainda é mais concreto do que os volúveis horizontes futuros do coração.


Elisa Andrade Buzzo
São Paulo, 12/11/2015


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