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Segunda-feira, 20/1/2003
A Fantástica Viagem de Eça de Queirós
Najah Zein

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Diz-se de Eça de Queirós, um homem esguio, magro, de pescoço muito alto com uma cabeça pequena. Parecia ter sido desenhado com um preto intenso e um amarelo desmaiado. Considerado um Deus pela sua geração, Eça foi o pioneiro do realismo da literatura portuguesa.

José Maria Eça de Queirós nasceu em Póvoa do Varzim, no dia 25 de novembro de 1845. Sua mãe, D. Carolina Augusta Pereira d'Eça, o deu à luz como fruto de um caso que tivera com o Dr. José Maria Teixeira de Queirós que, na época era delegado do procurador régio Ponte do Lima. Dadas às circunstâncias, Eça teve que ser criado longe de seus pais para que não comprometesse a carreira de José Maria. Até os dez anos, foi criado com os avós paternos na zona rural de Verdemilho. Quando eles faleceram foi viver com seus pais, já casados, na cidade do Porto, onde foi matriculado no internato Colégio da Lapa. As circunstâncias de seu nascimento influenciaram fortemente sua vida. Foi rejeitado por sua mãe e só foi legitimado aos 40 anos, por conta de seu casamento.

Os Anos em Coimbra
Quando fez 16 anos, mudou-se para Coimbra para cursar Direito. Os anos em que passou lá, onde se misturavam correntes românticas e positivistas, provavelmente foram os mais importantes e decisivos na sua formação intelectual e cívica. Nessa época Eça fazia parte de uma geração definida por Antero de Quental como "a primeira em Portugal que saiu decididamente e conscientemente da velha estrada da tradição". Mais tarde em sua vida, Eça de Queirós faria um retrato da vida coimbrã num texto chamado Antero de Quintal, onde registra os acontecimentos e suas descobertas culturais que o moldaram e relata também o convívio com o Poeta dos Sonetos.

O tom inconformista que há em toda sua obra nasceu desses seus anos em Coimbra. Uma época da qual tinha grande saudade, apesar de sempre ter repreendido a Universidade de Coimbra, onde estudou, descrevendo-a como "madrasta amarga e carrancuda".

Eça, O Jornalista
Foi no jornalismo que o seu inconfundível estilo realista foi criado, mas apesar disso pouco se fala do Eça jornalista, cronista e repórter.

Atraído mais pela escrita do que pelo pleito nos tribunais, Eça deixou Coimbra após terminar o curso de Direito, mudando-se para Lisboa, onde esbarrou com Batalha Reis na Gazeta de Portugal. Em dezembro de 1866, aos 21 anos, foi para Évora, onde lançou o jornal "Distrito de Évora". Nele desempenhou vários papéis: diretor, cronista, correspondente, folhetinista, analista político e analista de artes. Durante sete intensos meses, ele comandou este jornal.

Pode-se dizer que Eça de Queirós nunca mais abandonou o jornalismo. Após sua experiência em Évora, ele voltou a colaborar com a "Gazeta de Portugal", até juntar-se a Ramalho Ortigão para escrever "As Farpas", um marco de forte crítica que saiu no mesmo ano da realização das Conferências Democráticas do Casino (movimento que tinha como objetivo a ligação de Portugal ao movimento moderno da Europa e cujo mentor era Antero de Quental). Foram 16 meses de ferroadas irônicas aos políticos de sua época.

Mas entre Évora e As Farpas, Eça escreveu quatro crônicas-reportagens que foram publicadas no Diário de Notícias: De Port-Said a Suez, que foi o inspirado na sua viagem ao Oriente com o conde Resende, para presenciar a abertura do canal de Suez. Colaborou com vários outros jornais, como o "Actualidade", do Porto, e a partir de 1880 iniciou sua importante colaboração com a "Gazeta de Notícias", do Rio de Janeiro (colaboração que durou 16 anos). Foi aqui que foram publicadas A Relíquia e as Cartas de Fradique Mendes, assim como as crônicas que depois foram reunidas em livros intituladas de Cartas de Inglaterra, Ecos de Paris, Cartas Familiares e Bilhetes de Paris. Ao todo, Eça foi colaborador em mais de uma dezena de jornais e revistas.

Sobre os jornais o escritor disse: "É grande dever do jornalismo fazer conhecer o estado das causas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias de sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os atos culposos, frouxos ou nocivos, velar sobre o poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e maternal em presença das outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes. Que o jornalismo possa sempre dizer: comigo estão a razão e a justiça!".

Eça e o Brasil
Eça nunca chegou a vir ao Brasil, mas de uma certa forma, sua vida sempre esteve ligada ao nosso país. Desde suas colaborações com a "Gazeta de Notícias" e a "Revista Moderna", até os amigos brasileiros que fez em Londres e Paris e principalmente pelo impacto de suas obras aqui, tudo contribuiu para a criação de uma ligação forte entre Eça e o Brasil.

Seu primeiro contato com o Brasil foi com sua ama, Ana Joaquina Leal de Barros, pernambucana. Antes até, quando ainda não era nascido: seus bisavós aqui se refugiaram na época das lutas liberais e seu avô paterno, Dr. Joaquim José de Queirós e Almeida, nasceu no Rio de Janeiro. Nasceu no Brasil também seu pai. Ao voltarem para Portugal, levaram com eles um casal de criados negros, Rosa e Mateus. Eça obteve uma forte influência brasileira ao ouvir as cantigas e as histórias misteriosas do sertão contadas pelo casal.

Quando Eça iniciou sua carreira consular, inicialmente concorreu à vaga de cônsul aqui no Brasil, mostrando já sua afinidade com nosso país. Mas infelizmente não a conseguiu.

Sua casa em Paris era freqüentemente visitada por intelectuais e diplomatas brasileiros como Domício da Gama, Eduardo Prado, Olavo Bilac, Paulo Prado, Magalhães de Azevedo e o barão de Rio Branco. Segundo Eça, estes foram "grandes e inesquecíveis amigos", com quem conviveu durante muitos anos.

Numa de suas publicações em "As Farpas", em fevereiro de 1872, Eça ridicularizou o imperador D. Pedro II, quando este visitou Portugal. Esta sua crítica foi publicada clandestinamente aqui no Brasil e foi aproveitada pela propaganda republicana. Se este texto chocou apenas os monarquistas, a crônica O Brasileiro, também publicada em "As Farpas", chocou a todos. Nele, Eça descreve o brasileiro como "um tipo humano risível".

Foi apenas seis anos mais tarde que suas obras realmente começaram a fazer sucesso aqui no Brasil. Em 1878, com a edição de O Primo Basílio, Machado de Assis, por ser romancista e não apreciar o realismo, fez uma forte crítica a esta obra e também a O Crime do Padre Amaro. Isto fez com que surgissem vários artigos em defesa de Eça, o que contribuiu para a rápida divulgação de suas obras aqui.

Se quisermos resumir as qualidades da prosa de Eça de Queirós temos que falar da originalidade de seu estilo. Sobre si mesmo escreveu: "Não me falta o processo: tenho-o superior a Balzac, Zola e tutti quanti". Também achava que em seu estilo faltava força, mas tinha "limpidez, fibra, transparência, precisão, claridade". Já nos últimos anos de sua vida, em 1894, numa carta a Alberto de Oliveira, disse que a arte de escrever era, como a beleza, "um dom dos deuses", frisando que precisão, limpidez e ritmo são "qualidades da Razão e das melhores!". Qualidades que se vê em Os Maias.

Eça de Querós morreu no dia 16 de agosto de 1900 em Neuilly, arredores de Paris. Nos anos após sua morte foram publicados A Ilustre Casa de Ramires, As Cidades e as Cerras, Contos e Últimas Páginas.


Najah Zein
Rio de Janeiro, 20/1/2003


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