50 anos de poesia concreta | Camila Diniz Ferreira

busca | avançada
34463 visitas/dia
1,3 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
ENSAIOS

Segunda-feira, 18/12/2006
50 anos de poesia concreta
Camila Diniz Ferreira

+ de 31600 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Em dezembro de 1956, ou seja, há exatos 50 anos, era lançada no Brasil a poesia concreta, no âmbito da Exposição Nacional de Arte Concreta realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em fevereiro de 1957, a mesma exposição foi transferida para o Rio de Janeiro e realizada, desta vez, no saguão do Ministério da Educação e Cultura. Ao lado de pintores e escultores concretos, o público via pela primeira vez uma nova forma de poesia, exposta em cartazes e chamando atenção pelo aspecto visual como as palavras eram organizadas no espaço branco. Os poetas concretos propunham a superação do verso e o uso de novos recursos expressivos conectados com o mundo contemporâneo. Iniciava-se assim o movimento concretista que influenciaria, nacional e internacionalmente, a produção poética a partir dos anos 50.

Os idealizadores do movimento concreto foram os poetas do chamado Grupo Noigandres, os paulistas Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos — responsáveis pela elaboração teórica e prática da nova poesia. Os três se reuniram em torno da revista-livro Noigandres, a partir de 1952 (foram publicados cinco números). Logo outros poetas integraram-se ao movimento, como os cariocas José Lino Grünewald, Ronaldo Azeredo e Wlademir Dias Pino e o maranhense Ferreira Gullar.

A denominação poesia concreta surgiu do encontro na Europa de Pignatari com o poeta suíço-boliviano Eugen Gomringer, então secretário do artista plástico Max Bill. Gomringer também produzia poemas visuais e permutacionais, que ele chamava de constelações. Em sintonia com Pignatari, logo em seguida o termo poesia concreta seria encampado por Gomringer e por outros poetas de várias nacionalidades: Henri Chopin, Pierre Garnier, Ian Hamilton Finlay, Vaclav Havel, Ernest Jandl, Kitasono Katue, Hansjorgen Mayer, Franz Mon, Edwin Morgan, Mary Ellen Solt, Adriano Spatola, Emmett Williams etc. O movimento se espalhou por todo o mundo, levando à exploração de recursos "verbivocovisuais" na poesia por diversos criadores.

Os concretos identificavam como precursores o Mallarmé do "Un Coup de Dés" ("Lance de Dados"), os caligramas de Apollinaire, o futurismo e o dadaísmo, o método de montagem ideogrâmica da poesia de Ezra Pound, a sintaxe visual de e. e. cummings e a prosa revolucionária de Joyce (Ulisses e Finnegans Wake) com suas palavras-montagem; no Brasil, destacavam a poesia sintética de Oswald de Andrade e a arquitetura funcional do verso de João Cabral de Melo Neto. Foram estabelecidas conexões com a música dodecafônica e serial, e com as artes plásticas de caráter abstrato-construtivo. Cinema, linguagem publicitária, televisão e quadrinhos também estavam dentro do campo de interesse dos concretos.

Juntamente com sua prática poética, os concretos teorizaram bastante, publicando diversos livros de ensaios (inclusive o volume Teoria da poesia concreta), e desenvolveram um grande projeto de tradução, incluindo poetas de diversas línguas e países, em geral, aqueles que foram decisivos para a evolução da arte poética: Mallarmé, Pound, cummings, Maiakovski e toda a poesia russa moderna etc. Recuperaram também criticamente, através de "revisões", poetas brasileiros inovadores que estavam esquecidos como Sousândrade, Pedro Kilkerry, Oswald e Pagu (Patrícia Galvão), Luís Aranha etc.

Em razão de discordâncias teóricas, Ferreira Gullar desligou-se do projeto original, criando o neoconcretismo, fundamental principalmente para a evolução das artes plásticas no Brasil, com nomes como Lígia Clark, Amilcar de Castro, Hélio Oiticica, Lígia Pape etc. Wlademir Dias Pino também seguiu uma trilha própria, enfatizando o uso de recursos não-verbais, derivando para uma posição independente que levou à criação do poema-processo.

Poetas de linguagens diferentes, mas que também entendiam a poesia como uma experiência criativa ou de vanguarda, aproximaram-se e dialogaram com o grupo concreto. Edgard Braga e Pedro Xisto, poetas mais velhos, aderiram ao movimento. Mário Faustino, mantendo sempre uma posição individual e sem abrir mão do verso, apoiou e divulgou o concretismo na sua página Poesia-Experiência, no Jornal do Brasil, reconhecendo sua importância. Em Minas Gerais, os poetas Affonso Ávila e Laís Corrêa de Araújo, sem abrir mão de um trabalho próprio e diferenciado, sempre estiveram em contato com os concretistas, dialogando com eles e mantendo uma relação de afinidade e amizade. Em 1963, Ávila coordenou a Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, integrando novos poetas e críticos com os concretos paulistas, procurando estabelecer assim uma perspectiva crítica e participante para a poesia do momento. José Paulo Paes aproximou-se do movimento a partir do livro Anatomias, publicado em 1967, com uma poesia sintética que conciliava humor e crítica social. O mineiro Erthos Albino de Souza, radicado na Bahia, criou mais tarde uma "ponte" com os concretos, realizando as primeiras e pioneiras experiências poéticas utilizando o computador no Brasil — como o poema visual "Le Tombeau de Mallarmé" — e editando a revista de poesia experimental Código, em Salvador.

Poetas de gerações mais jovens também se aproximaram dos concretos. O mais conhecido deles é o paranaense Paulo Leminski que participou da Semana em BH, onde conheceu Augusto e Haroldo de Campos, e publicou seus primeiros poemas na revista Invenção — porta-voz do movimento a partir de 1962 (foram publicados cinco números). No final dos anos 1960, o movimento tropicalista na música popular (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé, Os Mutantes, Gal Costa, Rogério Duprat e outros) estabeleceu um diálogo com os concretos que resultou em discos e canções com alto teor criativo. Mais recentemente, Walter Franco e Arnaldo Antunes (este também através de poemas e livros) deram continuidade a experiências sonoro-poéticas que se referenciam ao universo da poesia concreta. Paralelamente, no âmbito da música erudita, Gilberto Mendes e Willy Corrêa de Oliveira já vinham musicando diversos poemas dos concretos.

Com o passar do tempo, os principais criadores da poesia concreta — Augusto, Décio e Haroldo — seguiram caminhos pessoais, desenvolvendo projetos individuais, mas sempre se orientando pelo experimentalismo e pela invenção: Augusto deu ênfase à visualidade, ao som e à cor nos seus poemas, utilizando os novos recursos tecnológicos possibilitados pelo computador, nos livros Despoesia e Não — também oralizou seus poemas no CD Poesia é risco (em colaboração com Cid Campos); Décio enveredou por uma prosa criativa e inquieta, com influxos semióticos, em O Rosto da Memória, Panteros e Errâncias e por processos de experimentação de novas linguagens e Haroldo acentuou sua versatilidade verbal, algo barroca, nas Galáxias e em poemas onde, muitas vezes, retoma e revivifica o verso, como em "A educação dos cinco sentidos". Segundo Pignatari, "antes da poesia concreta: versos são versos. Com a poesia concreta: versos não são versos. Depois da poesia concreta: versos são versos. Só que a dois dedos da página, do olho e do ouvido. E da história".

Para ir além
Leia também "50 anos de enganação"

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pela autora. Originalmente publicado no Suplemento Literário de Minas Gerais. Escrito em co-autoria com Carlos Ávila.


Camila Diniz Ferreira
Belo Horizonte, 18/12/2006

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Lembranças de Ariano Suassuna de Leandro Carvalho
02. Sergio Britto & eu de Michelle Strzoda
03. Jane Fonda em biografia definitiva de Sonia Nolasco
04. Crítica literária ainda existe? de José Castello
05. Ninho vazio de Lélia Almeida


Mais Camila Diniz Ferreira
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
31/12/2006
18h10min
Toda literatura jovem é bem vinda para idealizar-se uma sociedade melhor e com educação disciplinada...
[Leia outros Comentários de Vanessa]
2/4/2010
11h37min
Engraçado você lincar tudo isso num texto tão irônico quanto este do Rogério Pereira e Paulo Polzonoff Jr. Aliás, quem são eles? O bom de ler um texto assim é que a gente percebe bem claro em que os rapazes sustentam suas opiniões (ironia). Sempre uma cobra mordendo o rabo, né? Pois não me proponho a discutir essas questões do gosto poético, mas me pergunto se tradutores tão profícuos que foram os concretos (a um incompetente é possível negar essa afirmação?) poderiam realmente ser considerados anacrônicos diante de pessoas que ainda sustentam que o verso é necessário à poesia.
[Leia outros Comentários de Marcelo]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O NOSSO REINO
VALTER HUGO MÃE
34
(2012)
R$ 20,00



ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA NO BRASIL
YVES BRUAND
PERSPECTIVA
(1999)
R$ 90,00



MÉDICO DE ALDEIA
A. J. CRONIN
RECORD
(1978)
R$ 7,19



POEM-ANDO ALÉM FRONTEIRAS: DEZ POETAS CONTEMPORÂNEAS IRLANDESAS E PORT
GISELE GIANDONI WOLKOFF (ORGANIZAÇÃO E TRADUÇÃO)
PALIMAGE
(2011)
R$ 20,00



CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL
MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO
SARAIVA
(1981)
R$ 25,00



BAÍA DOS TIGRES 2A. EDIÇÃO
PEDRO ROSA MENDES
PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE
(2000)
R$ 66,78



EM DISCUSSÃO O BRASIL
RUY MESQUITA
CIP
(1981)
R$ 10,00



TESTE DEINE INTELLIGENZ
PETER LAUSTER
HT
(1974)
R$ 15,00



CONTEMPORARY AMERICAN ARCHITECTS VOL. III
PHILIP JODIDIO
TASCHEN
(1997)
R$ 49,90



FRAGMENTOS DA PALAVRA PERDIDA
ARNALDO MARCÉU
SOMA
(1984)
R$ 18,00





busca | avançada
34463 visitas/dia
1,3 milhão/mês