As pessoas, os escritores | Claudia Lage

busca | avançada
74458 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Mais Recentes
>>> DIA 5 DE OUTUBRO – BJÖRK DIGITAL ONLINE!
>>> Próxima Live do Grupontapé será realizada com o ator e diretor teatral do Grupo Galpão de Belo Horiz
>>> Contos do Índio e da Floresta estreia dias 03 e 04 de outubro na Sympla Streaming
>>> “Conversa de Criança – Coronavírus” discute o acolhimento das emoções das crianças durante pandemia
>>> São Paulo ganha grafitti gigante que propõe reflexão sobre igualdade racial
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Partilha do Enigma: poesia de Rodrigo Garcia Lopes
>>> Meu malvado favorito
>>> A pintura do caos, de Kate Manhães
>>> Nem morta!
>>> O pai tá on: um ano de paternidade
>>> Prêmio Nobel de Literatura para um brasileiro - I
>>> Contentamento descontente: Niketche e poligamia
>>> Cinemateca, Cinemateca Brasileira nossa
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Um nu “escandaloso” de Eduardo Sívori
Colunistas
Últimos Posts
>>> A última performance gravada de Jimmi Hendrix
>>> Sebo de Livros do Seu Odilon
>>> Sucharita Kodali no Fórum 2020
>>> Leitura e livros em pauta
>>> Soul Bossa Nova
>>> Andreessen Horowitz e o futuro dos Marketplaces
>>> Clair de lune, de Debussy, por Lang Lang
>>> Reid Hoffman sobre Marketplaces
>>> Frederico Trajano sobre a retomada
>>> Stock Pickers ao vivo na Expert 2020
Últimos Posts
>>> Assim ainda caminha a humanidade
>>> Três tempos
>>> Matéria subtil
>>> Poder & Tensão
>>> Deu branco
>>> Entre o corpo e a alma
>>> Amuleto
>>> Caracóis me mordam
>>> Nome borrado
>>> De Corpo e alma
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Zé Rodrix, 5 anos depois
>>> Ser intelectual dói
>>> Falta alguma coisa ali no meio
>>> A desgraça de ser escritor
>>> Encontros (e desencontros) com Daniel Piza
>>> Plantar bananeira, assoviar e chupar cana
>>> Leitores (e, não, autores) novos
>>> Olgária Matos
>>> É Julio mesmo, sem acento
>>> Feeling lucky today?
Mais Recentes
>>> Ilusões pesadas de Sacha Sperling pela Companhia das letras (2011)
>>> Básico de Contabilidade + Finanças de Margarida Autran e Cláudio Ulysses F. Coelho pela Senac (2014)
>>> Bruce Springsteen de Somtrês pela Três
>>> Peter Frampton = O príncipe da Guitarra de Somtrês pela Editrês
>>> Luthiers=Artesãos Musicais Brasileiros de Carlos Roque pela Do autor (2003)
>>> Psicanalise e religião de Grégoire Lemercier pela Brasília / Rio
>>> Psicanalise e religião de Grégoire Lemercier pela Brasília / Rio
>>> Sae Digital Espanhol 9º Ano - Livro 1 de Eduarda Regina Drabczynski da Mata pela Sae Digital (2017)
>>> Toque Violão em um toque de Tadeu Moura pela Toque Musical (2014)
>>> Dr. Slump nº 5 de Akira Toriyama pela Conrad (2002)
>>> John Lennon de Domingo Alzugaray pela Cátia Alzugaray (1999)
>>> A Vida com minha Irmã Madonna de Christopher Ciccone pela Planeta (2020)
>>> Reiki Plus Manual do Terapeuta Profissional de Segundo Grau de David G. Jarrel pela Pensamento (1995)
>>> A Teologia Tem Algo a Dizer a Respeito do Ser Humano? de Hermilio Pretto pela Paulus (2003)
>>> Ouvindo Estrelas de Marco Mazzola pela Planeta (2007)
>>> Gurus de Max Bohm; João Piccioni pela Empiricus (2018)
>>> Criptomoedas: melhor que dinheiro de André Franco. Vinícius Bazan pela Empiricus (2018)
>>> Todas as entrevistas da Lado A Discos de Neigmar de Souza Vieira pela Do autor (2015)
>>> Meio Ambiente e Atividades 8º ano de Cláudia Freitas de Oliveira pela Sas (2016)
>>> Para um homem de êxito de Lidia María Riba pela Vergara & riba (2004)
>>> A arte de virar a página de Adriana Falcão pela Fontanar (2009)
>>> Uma mulher chamada guitarra de Vinícius de Moraes pela Boa companhia (2013)
>>> Mozipédia=A enciclopédia de Morrissey e dos Smiths de Simon Goddard pela Leya (2013)
>>> Crônica de D. Fernando de Fernão Lopes pela Livraria Clássica (1966)
>>> Sete Pecados Capitais de Corey Taylor pela BestSeller (2013)
>>> Rafael Ilha = As pedras do meu caminho de Sonia Abrão pela Escrituras (2015)
>>> Presente do Mar de Anne Morrow Lindberg pela Crescer (2002)
>>> Quarto de despejo de Carolina Maria de Jesus pela Ática (2005)
>>> Crônica de D. Pedro I de Fernão Lopes pela Livraria Clássica (1963)
>>> Impact 2 - Students Book de James Taylor / Manuel Luna / Cristina Herrero pela MacMillan (1994)
>>> Inocência de Visconde de Taunay pela Ática (2001)
>>> Anjos na Neve de David Guterson pela Record (1999)
>>> Arte de Viver de Ansdré Maurois pela Vecchi (1940)
>>> Impact 1 - Students Book de James Taylor / Manuel Luna / Cristina Herrero pela MacMillan (1994)
>>> Como se ensina a ser menina : o sexismo na escola de Montserrant Moreno, Ulisses Ferreira de Araújo, Ana Venite Fuzatto pela Moderna (1999)
>>> A abadia de Northanger de Jane Austen. Rodrigi Breunig e Ivo Barroso pela L e pm pocket (2012)
>>> Anti-Justine de Restif de La Bretonne, Marina Appenzeller pela L e pm pocket (2010)
>>> O Líder em você de Stuart R. Levine - Michael A. Crom pela Record (1997)
>>> A Saga dos Kennedy de Rose Fitzgerald Kennedy pela Artenova (1974)
>>> Oscar Niemeyer - Perfis do Rio de Marcos Sá Corrêa pela Relume Dumará (1996)
>>> Ponha Ordem no Seu Mundo Interior de Gordon MacDonald pela Betânia (1988)
>>> Voce existe e todos ganham com isto de Bachir Haidar Jorge (autografado) pela Redec (1977)
>>> Análise Transacional pela Imagem de Agostinho Minicucci pela Cortez & Moraes (1979)
>>> Logosofia Ciência e Método de Carlos B.Gonzãlez Pecotche (Raumsol) pela Logosófica (1980)
>>> Teilhard de Chardin, Aventureiro do Espírito - 1965 de Nöel Martin-deslias pela Duas Cidades (1965)
>>> O Sucesso Não Ocorre por Acaso de Lair Ribeiro Dr. pela Objetiva (1993)
>>> Salão de Sinuca - 2004 de Chico Anysio pela Landscape (2004)
>>> Os Significados dos Versículos do Alcorão Sagrado de Samir El Hayek pela Gratisquran
>>> As Metas do Plano Nacional de Cultura - 2012 de Ana de Hollanda e Sérgio Mamberti pela Imprensa Oficial (2012)
>>> As Metas do Plano Nacional de Cultura - 2013 de Ana de Hollanda e Sérgio Mamberti pela Imprensa Oficial (2013)
ENSAIOS

Segunda-feira, 30/3/2009
As pessoas, os escritores
Claudia Lage

+ de 5700 Acessos
+ 4 Comentário(s)

O escritor William Faulkner tinha boas lembranças de seu emprego num bordel. "Para um artista, é o melhor lugar", declarou, "Têm-se liberdade econômica, um teto em cima e quase nada para fazer, salvo cuidar de umas escriturações simples e ir mensalmente pagar à polícia local. O lugar é quieto durante as manhãs, o melhor momento do dia para a literatura. E há bastante vida social à noite, o que afasta o tédio". Hilda Hilst mudou-se para um sítio isolado, onde escrevia durante o dia, e aguardava a visita de discos voadores ao anoitecer. Para Ernest Hemingway, os melhores lugares eram os hotéis. "Basta uma cama, uma boa mesa e um quarto limpo." Françoise Sagan exigia apenas que o lugar fosse bastante iluminado. Caio Fernando Abreu não escrevia sem uma rosa amarela e uma foto de Virginia Woolf à sua frente. Balzac escreveu a sua Comédia Humana trancado secretamente em um quarto minúsculo, fugindo de credores. Nelson Rodrigues criava seus personagens em meio ao burburinho frenético das redações de jornal. Anton Tchekhov elaborava a maior parte de seus contos entre consultas médicas e diagnósticos. Clarice Lispector escrevia com a sua Olivetti no colo, entre os filhos e os afazeres domésticos. Gustave Flaubert fazia dos corpos de suas amantes sólidos apoios para a pena e os papéis.

Dorothy Parker levava seis meses para escrever um conto. Primeiro imaginava-o do início ao fim, só depois se sentava para escrever frase a frase. Ela nunca tinha o primeiro esboço porque não conseguia escrever cinco palavras sem modificar sete, como dizia. Dorothy Canfield Fisher comparava a redação de um primeiro rascunho a uma descida de esqui por uma encosta íngreme, que ela não tinha a certeza de ser bastante hábil para realizar: "Eu escrevia tão depressa quanto o meu lápis permitia, indicando palavras inteiras com os meus rabiscos". Frank O'Connor preferia escrever o que lhe viesse à cabeça, ou ao papel, sem julgamentos. Acreditava que no emaranhado de ideias apareceria o contorno principal da sua história. William Styron confessava ter uma necessidade neurótica de melhorar cada parágrafo, até mesmo cada frase, à medida que escrevia, o que tornava o ato de reescrever interminável. Françoise Sagan levava no máximo três dias revisando cada novela. A maior parte do tempo era dedicada a eliminar vícios literários: "Adjetivos, advérbios e toda palavra que lá estivesse apenas para produzir efeito". Georges Simenon era da mesma opinião. "Corto tudo que for muito literário", declarou uma vez em uma entrevista, "Se me deparo com uma bela frase, por exemplo, elimino-a". A beleza para ele era na maioria das vezes apenas decorativa. Julio Cortázar achava por bem desconfiar sempre dos seus textos, se não "corremos o risco de nos tornarmos cegos como aquelas mães que julgam os seus filhos os mais belos e inteligentes de todos, e assim esperam que o mundo inteiro faça". Clarice Lispector não relia os seus livros depois de entregá-los à editora. "Tenho náuseas", dizia.

William Faulkner não era contra a técnica, mas achava que ela muitas vezes assumia em demasiado o comando da imaginação artística, antes que o próprio escritor pudesse deitar-lhe a mão. "O trabalho assim não é mais do que uma questão de ajustar os tijolos uns sobre os outros. Já que o escritor provavelmente sabe cada palavra que virá até o fim antes de escrever a primeira." Difícil tarefa de manter a vivacidade dentro de uma forma, ele considerava. "O objetivo de todo artista é deter o movimento, que é a vida, por meios artificiais, e conservá-lo fixo, de modo que, cem anos depois quando um estranho o fitar, ele se mova novamente." Henry Miller descobriu com o tempo que a sua melhor técnica era não ter técnica nenhuma. "Jamais achei que deveria aderir a qualquer maneira de tratar um tema. Permaneço aberto e flexível, pronto para seguir a direção dos ventos ou das correntes de pensamento." Truman Capote buscava manter um domínio estilístico e emocional sobre o que escrevia. Para ele, uma história poderia ser arruinada por causa de um ritmo equivocado de uma frase ― principalmente se for na parte final, ou por um erro na divisão dos parágrafos ou de pontuação. "A arte de escrever possui leis de perspectiva, luz e sombra, assim como a pintura e a música. Se a gente nasce conhecendo-as, ótimo. Se não, devemos aprendê-las e depois readaptá-las para que se ajustem a nós." Katherine Anne Porter buscava como escritora uma visão singular para os acontecimentos. "É aí que começa o trabalho, com as consequências dos atos, não com os atos em si mesmos. É nas reverberações, nas implicações que o artista trabalha."

Henry Miller um dia cortou o cordão umbilical com a literatura. "Abandonei as influências e resolvi escrever partindo de minha experiência, daquilo que eu sabia e sentia. E isso foi a minha salvação." Deixou de ser um literato para ser um escritor, como ele disse. "Abandonei as ideias e os conceitos em prol da vitalidade." Em busca da pulsação vital da palavra escrita, muitos escritores equivocadamente olham mais para fora ― para aquilo que chamam de realidade ― do que para dentro ― para aquilo que chamam de sonho ou imaginação, lamentou Paul Valéry. "Lançar mão da realidade é uma espécie de embuste", considerava Françoise Sagan, "A arte deve colher a realidade de surpresa". Para a escritora, a arte não deveria inculcar o real como sendo uma preocupação. "Nada é mais irreal que certos romances chamados realistas ― e que não passam de pesadelos. É possível conseguir ― se num romance certa verdade sensorial ― o verdadeiro sentimento de um personagem ― eis tudo. A ilusão da arte por certo é fazer com que se acredite que a grande literatura é muito ligada à vida, mas exatamente o oposto é que é verdadeiro. A vida é amorfa; a literatura, formal." Ernest Hemingway considerava a busca da vitalidade, e não da realidade, a sua saga literária. "De todas as coisas que se sabe e das que não se sabe, a gente faz algo através de nossa invenção, que não é uma representação, mas é algo inteiramente novo e mais verdadeiro do que qualquer coisa verdadeira e viva. A gente lhe dá vida. Pelo tempo que dura uma leitura, e pelo tempo que a leitura ressoar em alguém, lhe dá imortalidade. Eis aí por que se escreve."

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pela autora. Originalmente publicado no jornal Rascunho, na edição de março de 2009.


Claudia Lage
Niterói, 30/3/2009

Quem leu este, também leu esse(s):
01. A Trilogia de Máximo Górki de Nei Duclós
02. Fielding, a prosa da razão sensual de Daniel Piza
03. Um pastor para o século 21 de José Castello
04. A Música Erudita no Brasil de Lauro Machado Coelho


Mais Claudia Lage
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
31/3/2009
18h35min
Escrever é sempre um ato de liberdade, é a vontade de estabelecer os parâmetros, a busca de nossos sonhos em plena realidade. Escrever vai além de fantasiar...
[Leia outros Comentários de Manoel Messias Perei]
3/4/2009
08h57min
Maravilhoso seu texto! Chegou para mim numa boa hora, quando estou refletindo muito sobre o ato de escrever.
[Leia outros Comentários de Nirton Venancio]
11/5/2009
07h11min
Para os que gostam do tema [como funciona um escritor?], sugiro, após a leitura deste excelente artigo da Claudia Lage, uma atenciosa consulta ao Interview Archive Index no site da Paris Review. Abs.
[Leia outros Comentários de Claudio Soares]
11/5/2009
19h06min
O melhor lugar para escrever? Onde a inspiração venha, seja num bordel, com todo o estresse dum local impróprio à nossa imagem pública; no escritório, mesmo naquele dia lotado de prazos finais; em casa, com aquele monte de parentes cobrando a nossa atenção ou o feijão já queimando... O melhor lugar para se escrever é onde a vontade de escrever chega. Pelo menos para mim, ao iniciar um texto. Depois, ah... o depois. O engajamento que levará a cabo um texto depende muito da nossa capacidade de imposição de limites, isso para aqueles que não são escritores profissionais e gastam os recursos próprios e de terceiros para manter essa mania. Sim, porque, enquanto escrever não trouxer retorno financeiro, para os que nos cercam não passa de uma mania. Mania de escrever para participar de um concurso, mania de escrever para escancarar o que todos sabem, mania de escrever só para dar vida a palavras que não querem ser esquecidas, mania de se entregar até que o mundo desarmônico deixe de nos tocar.
[Leia outros Comentários de Eliana de Freitas]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




RESTITUIÇÃO
ROBSON RODOVALHO
SARA BRASIL
(2014)
R$ 5,00



QUEST-CE QUE LA "CONSTITUTION" DANS LES MONARCHIES IBÉRIQUES, DE
REVISTA THEMIS ANO I, Nº 2 DE 2000
ALMEDINA
(2001)
R$ 49,28



OPINIÃO PUBLICA- TECNICA DE FORMAÇÃO DE PROBLEMAS E CONTROLE
SARAH CHUCID DA VIA
LOYOLA
(1983)
R$ 20,00



MÚSICA CAIPIRA
JOSÉ HAMILTON RIBEIRO
REALEJO
(2015)
R$ 71,39



SOCIEDADE SECRETA
TOM DOLBY
ID
(2010)
R$ 9,00



IV MANUAL DE OTORRINOLARINGOLOGIA PEDIATRICA ...
VARIOS AUTORES
ORL
(2006)
R$ 23,90



MAPAS RODOVIÁRIOS DO BRASIL
PRIMAX SOCIEDADE ANONIMA
PRIMAX EDIÇAO S. PAULO
R$ 34,90



1933 - A CRISE DO TENENTISMO
HÉLIO SILVA
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
(1968)
R$ 20,00



TEX EM CORES Nº 10 - O SENHOR DAS ONÇAS
SERGIO BONELLI
MYTHOS
(2011)
R$ 29,90



O IRMÃO QUE VEIO DE LONGE
MOACYR SCILAR
COMPANHIA DAS LETRINHAS
(2009)
R$ 11,00





busca | avançada
74458 visitas/dia
2,2 milhões/mês