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Segunda-feira, 1/11/2010
O Salinger que poucos leram
Jorio Dauster

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Entre 1940 e 1965, J.D. Salinger publicou um total de 36 contos e um romance. Daqueles, treze foram reunidos em três volumes bem conhecidos: Nove Estórias; Franny e Zooey; e Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira e Seymour, uma apresentação. Os vinte e dois restantes há muito permanecem enterrados, e em larga medida ignorados (exceto por alguns poucos fãs), nas revistas em que apareceram. Esses vinte e dois contos estão reproduzidos nestes dois volumes. Alguns imaturos, outros excelentes, são talvez a chave mestra para entender o tema religioso de Salinger em sua permanente evolução, desde os primeiros conflitos sociais dos adolescentes de classe média, passando pelas frustrações do intelectual nos tempos de guerra, até chegar à figura místico-literária do próprio Seymour, o ápice da caminhada de Salinger em busca de seu eu mais profundo.

Por incrível que pareça, essas poucas ― e instrutivas ― linhas constituem o prefácio de uma edição pirata de tudo aquilo que Salinger se recusara a publicar sob a forma de livro antes de mergulhar na reclusão e no mais absoluto silêncio autoral. Entre as vinte e duas peças, lá está a última vinda a público há exatos trinta e sete anos, "Hapworth 16, 1924", e que talvez ainda possa ser lançada entre capas duras para gáudio das hostes salingerianas em todo o mundo.

Quando saiu O apanhador no campo de centeio, em 1951, Salinger já publicara 27 contos em diversas revistas, tais como Collier´s, The Saturday Evening Post, Cosmopolitan, Story, Mademoiselle, Cosmopolitan e The New Yorker. Seis deles foram integrar o volume das Nove Estórias, publicada em 1953, mas a partir daí começaram a rarear as aparições de Salinger em pessoa e também em letra de forma: Franny e Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira só apareceram em 1955, Zooey em 1957, Seymour, uma apresentação em 1959, até o derradeiro "Hapworth 16, 1924" em junho de 1965.

Enquanto isso, crescia de forma estupenda a fama do autor, já então objeto de verdadeiro culto, transformado em guru de todos os adolescentes que se identificavam com Holden Caufield na sua rejeição das falsidades da vida adulta. Quando ficou claro que os contos não incluídos na coletânea jamais veriam a luz do dia com o beneplácito do autor, estabeleceu-se uma verdadeira caçada às revistas que os haviam abrigado originalmente. Para os jovens fãs incapazes de disputar os cobiçados exemplares com colecionadores mais abonados, o instrumento de eleição era a gilete e o campo de ação as bibliotecas públicas e universitárias: nessas últimas, diz-se que não resta incólume um único dos números visados.

E foi então, se não me engano no início dos 70, que recebi de um colega diplomata lotado no exterior um artigo do Herald Tribune sobre Salinger. Sabedor de que eu co-traduzira o Apanhador no campo de centeio e Nove estórias (o primeiro com Álvaro Alencar e Antônio Rocha, o segundo apenas com Álvaro) mandava-me a matéria por imaginar que eu gostaria de conhecer a luta do autor para coibir uma edição fantasma que, certamente se valendo dos esforços daqueles bravos cirurgiões de revistas, continha os vinte e dois contos que ele condenara ao esquecimento. Segundo a matéria jornalística, não havia muito que a polícia pudesse fazer: os vendedores piratas ofereciam os exemplares de livraria em livraria, cobrando em espécie e desaparecendo a seguir; os livreiros, por sua vez, escondiam os volumes em algum canto bem seguro da loja e, auferindo um belo lucro, só os ofereciam a clientes de confiança. Para mim, labutando no Planalto Central, ficava a certeza de que não teria nem mesmo a chance de cometer o pecadilho de comprar a obra pirata.

Eis-me, alguns anos depois, caminhando pelas ruas de Paris, para onde havia sido levado por uma reunião de cunho econômico. Nem me recordo por que, naquele dia, me afastara tanto do tradicional roteiro hotel-local da conferência-embaixada-hotel que costumava palmilhar. Por força do hábito, dou uma breve paradinha diante da vitrina de modesta livraria, passo os olhos a galope pelos títulos franceses e... Estranha dupla de volumes: capas brancas com o desenho de uma mulher e uma menina, vestidas nos trinques e empoleiradas na beira de uma cama com dossel e volumosos travesseiros, conversando com um soldado sentado diante delas numa poltrona; na parte superior, em letras vermelhas sobre fundo rosa no melhor estilo belle époque, o nome do autor; mais abaixo, "March 1940" (mês em que foi publicado o primeiro conto, "Young Folks"); na parte inferior, os títulos dos contos (17 no primeiro volume, 5 no segundo) e, num retângulo rosa-pálido, as palavras que me deixaram atônito: Featuring The Complete Uncollected Short Stories!

Confesso que entrei disparado na livraria, perseguido pela ideia insana de que lá dentro já estaria alguém finalizando a compra daquele pequeno tesouro. Evidentemente, a loja estava às moscas, a senhora que me atendeu sem dúvida jamais ouvira falar em J.D. Salinger, e pelo jeito ficou muito feliz quando me declarei disposto a levar não só a dupla da vitrina, mas também as duas outras que dormitavam numa prateleira mal iluminada (e com as quais presenteei meus co-tradutores).

Na época, sem pensar muito sobre o assunto, achei que aqueles volumes eram parte da operação iniciada no outro lado do Atlântico, quem sabe as sobras que tiveram de buscar outros mercados fugindo à repressão policial. Agora, porém, ao escrever estas notas, olhei com mais cuidado as publicações, que obviamente não trazem nenhuma indicação bibliográfica, e convenci-me de que não parecem ser um produto norte-americano. Contribuem para isso o rebuscado da capa e alguns erros de impressão no prefácio ("skelton key", "tracable" e "adolesents"), denunciando uma provável origem gaulesa. Mas a melhor pista, que consistia em saber se o artigo do Herald Tribune falava ou não de dois volumes, havia se perdido nas brumas do passado.

Fica o mistério policial, passível de ser resolvido por algum fã mais bem informado do que eu. Mas restará para sempre o mistério maior, a tessitura inconsútil que transformou um devotado tradutor de Salinger em cúmplice confesso (embora impenitente) de um doce atentado à propriedade intelectual do ermitão de New Hampshire.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Jorio Dauster é embaixador, consultor de empresas e tradutor.


Jorio Dauster
Rio de Janeiro, 1/11/2010

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