Ser mãe | Lélia Almeida

busca | avançada
38611 visitas/dia
1,4 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda GELPI, vencedora do concurso EDP LIVE BANDS BRASIL, lança seu primeiro álbum com a Sony
>>> Celso Sabadin e Francisco Ucha lançam livro sobre a vida de Moracy do Val amanhã na Livraria da Vila
>>> No Dia dos Pais, boa comida, lugar bacana e MPB requintada são as opções para acertar no presente
>>> Livro destaca a utilização da robótica nas salas de aula
>>> São Paulo recebe o lançamento do livro Bluebell
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Rinoceronte, poemas em prosa de Ronald Polito
>>> A forca de cascavel — Angústia (FUVEST 2020)
>>> O reinado estético: Luís XV e Madame de Pompadour
>>> 7 de Setembro
>>> Outros cantos, de Maria Valéria Rezende
>>> Notas confessionais de um angustiado (VII)
>>> Eu não entendo nada de alta gastronomia - Parte 1
>>> Treliças bem trançadas
>>> Meu Telefunken
>>> Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Colunistas
Últimos Posts
>>> Revisores de Texto em pauta
>>> Diogo Salles no podcast Guide
>>> Uma História do Mercado Livre
>>> Washington Olivetto no Day1
>>> Robinson Shiba do China in Box
>>> Karnal, Cortella e Pondé
>>> Canal Livre com FHC
>>> A história de cada livro
>>> Guia Crowdfunding de Livros
>>> Crise da Democracia
Últimos Posts
>>> Uma crônica de Cinema
>>> Visitação ao desenho de Jair Glass
>>> Desiguais
>>> Quanto às perdas I
>>> A caminho, caminhemos nós
>>> MEMÓRIA
>>> Inesquecíveis cinco dias de Julho
>>> Primavera
>>> Quando a Juventude Te Ferra Economicamente
>>> Bens de consumo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Ser intelectual dói
>>> O Tigrão vai te ensinar
>>> O hiperconto e a literatura digital
>>> Aberta a temporada de caça
>>> Se for viajar de navio...
>>> Incompatibilidade...
>>> Alguns Jesus em 10 anos
>>> Blogues: uma (não tão) breve história (II)
>>> Picasso e As Senhoritas de Avignon (Parte I)
>>> Asia de volta ao mapa
Mais Recentes
>>> O Livro da moda de Alexandra Black pela Publifolha (2015)
>>> Rejuvelhecer a saude como prioridade de Sergio Abramoff pela Intrinseca (2017)
>>> O livro das evidencias de John Banville Tradução Fabio Bonillo pela Biblioteca Azul - globo (2018)
>>> O futebol explica o Brasil de Marcos Guterman pela Contexto (2014)
>>> O Macaco e a Essencia de Aldous Huxley pela Globo (2017)
>>> BATISTAS, Sua Trajetória em Santo Antônio de Jesus: o fim do monopólio da fé na Terra do Padre Mateus de Jorgevan Alves da Silva pela Fonte Editorial (2018)
>>> Playboy Bárbara Borges de Diversos pela Abril (2009)
>>> Sarah de Theresa Michaels pela Nova Cultural (1999)
>>> A Bela e o Barão de Deborah Hale pela Nova Cultural (2003)
>>> O estilo na História. Gibbon & Ranke & Macaulay & Burckhardt de Peter Gay pela Companhia das Letras (1990)
>>> Playboy Simony de Diversos pela Abril (1994)
>>> Invasão no Mundo da Superfície de Mark Cheverton pela Galera Junior (2015)
>>> José Lins Do Rego- Literatura Comentada de Benjamin Abdala Jr. pela Abril Educação (1982)
>>> A modernidade vienense e as crises de identidade de Jacques Le Rider pela Civilização Brasileira (1993)
>>> Machado De Assis - Literatura Comentada de Marisa Lajolo pela Abril Educação (1980)
>>> A Viena de Wittgenstein de Allan Janik & Stephen Toulmin pela Campus (1991)
>>> O Velho e o Mar de Ernest Hemingway pela Círculo do livro (1980)
>>> Veneno de Alan Scholefield pela Abril cultural (1984)
>>> O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad pela Record (2007)
>>> Os Dragões do Éden de Carl Sagan pela Francisco Alves (1980)
>>> O Espião que sabia demais de John Le Carré pela Abril cultural (1984)
>>> Administração de Materiais de Jorge Sequeira de Araújo pela Atlas (1981)
>>> Introdução à Programação Linear de R. Stansbury Stockton pela Atlas (1975)
>>> Como lidar com Clientes Difíceis de Dave Anderson pela Sextante (2010)
>>> As 3 Leis do Desempenho de Steve Zaffron e Dave Logan pela Primavera (2009)
>>> Curso de Educação Mediúnica 1º Ano de Vários Autores pela Feesp (1996)
>>> Recursos para uma Vida Natural de Eliza M. S. Biazzi pela Casa Publicadora Brasileira (2001)
>>> Jesus enxuga minhas Lágrimas de Elza de Almeida pela Fotograma (1999)
>>> As Aventuras de Robinson Crusoé de Daniel Defoe pela LPM Pocket (1997)
>>> Bulunga o Rei Azul de Pedro Bloch pela Moderna (1991)
>>> Menino de Engenho de José Lins do Rego pela José Olympio (1982)
>>> Terra dos Homens de Antoine de Saint-Exupéry pela Nova Fronteira (1988)
>>> O Menino de Areia de Tahar Ben Jelloun pela Nova Fronteira (1985)
>>> Aspectos Endócrinos de Interesse à Estomatologia de Janete Dias Almeida pela Unesp (1999)
>>> Nociones de Historia Linguística y Estetica Literaria de Antonio Vilanova- Nestor Lujan pela Editorial Teide/ Barcelona (1950)
>>> El Estilo: El Problema y Su Solucion de Bennison Gray pela Editorial Castalia/ Madrid (1974)
>>> El Cuento y Sus Claves de Raúl A. Piérola/ Alba Omil (profs. Univ. Tucumán pela Editorial Nova, Buenos Aires (1955)
>>> Las Fuentes de La Creacion Literaria de Carmelo M. Bonet pela Libr. del Collegio/ B. Aires (1943)
>>> As Hortaliças na Medicina Doméstica/ Encadernado de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar (1976)
>>> A Flora Nacional na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Arlington Park de Rachel Cusk pela Companhia das Letras (2007)
>>> Muitas Vidas, Muitos Mestres de Brian L Weiss pela Salamandra (1991)
>>> As Frutas na Medicina Doméstica de Alfons Balbach pela A Edificação do Lar
>>> Coleção Agatha Christie - Box 8 de Agatha Christie; Sonia Coutinho; Archibaldo Figueira pela HarperCollins (2019)
>>> As Irmãs Aguero de Cristina García pela Record (1998)
>>> Não Faça Tempestade Em Copo Dágua no Amor de Richard Carlson pela Rocco (2001)
>>> Um Estudo Em Vermelho - Edição De Bolso de Arthur Conan Doyle pela Zahar (2013)
>>> Eu, Dommenique de Dommenique Luxor pela Leya (2011)
>>> Os Cavaleiros da Praga Divina de Marcos Rey pela Global (2015)
>>> O Futuro da Filosofia da Práxis de Leandro Konder pela ExpressãoPopular (2018)
ENSAIOS

Segunda-feira, 16/5/2011
Ser mãe
Lélia Almeida

+ de 6400 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Têm dois dias no ano em que eu invariavelmente choro. É quase como um choro com data marcada. Apesar dos choros outros do resto do ano, têm dois dias do ano em que eu sempre choro e da mesma dor. Dor de ver o meu menino crescer: quando eu compro o material escolar no início do ano e no dia do aniversário dele. Ele, o meu menino, faz anos e eu me lembro daquela frase da Elizabeth Stone: "Tomar a decisão de ter um filho é grave. É decidir, para sempre, ter o seu coração andando por aí, fora do seu corpo".

Nós, as pobres mães, passamos uma vida inteira sendo chamadas de castradoras, relapsas, superprotetoras, onipotentes e adjetivos mais ou menos nesse padrão de qualidade e que terminam sempre por comprovar a nossa total ineficiência no que se refere a alcançar o ideal materno absurdo traçado por essa sociedade patriarcal, cheia de filhos homens exigentes e mimados que esperam das mães o impossível e um pouco mais.

Mas eu tenho me perguntado algumas coisas, assim, de vez em quando, passando uma roupa, fazendo uma comida, coisas dessas que devem passar pela cabeça das mães do mundo inteiro, em qualquer lugar e qualquer tempo.

Como não se sentir onipotente depois de passar anos, noites em claro, cada vez que começa o inverno, cuidando da otite do menino, que só se acalma depois de uma velada daquelas, de panos quentes, remédios e uma paciência sem fim, para que o pequeno possa desmaiar de cansaço no nosso colo?

É mais ou menos como sentir-se uma deusa ilegítima, mas a dor passou e ele dorme, finalmente.

Quando o menino nasceu, e, uns dias depois, quando dei o primeiro banho nele, fiquei aterrorizada. Meu Deus, pro resto da minha vida, a esta hora eu vou fazer o mesmo movimento, o mesmo gesto, dar banho no menino, todos os dias, pra sempre!

Não é pra sempre, mas tem muita coisa que uma mãe não sabe quando os filhos nascem, ou esquecem de se lembrar: eles vão crescer um dia e vão tomar banho sozinhos, só que até isso acontecer, somos verdadeiras craques em movimentos mecânicos em determinadas horas do dia.

Como não se sentir onipotente vendo que ele aprendeu a amarrar os sapatos? Já ensinou uma criança a amarrar os sapatos?, naquela idade que é a mesma em que elas não têm paciência para absolutamente nada, menos ainda para aprender a amarrar os sapatos? Tente, é outra vã vitória materna que a criatura vai carregar para sempre, sapatos bem amarrados nos pés, independentes das nossas rugas.

E a primeira excursão sozinho, e a primeira vez na escola nova, a primeira bicicleta, e aqueles desenhos lindos onde eu, a mãe, apareço sempre como uma verdadeira perua, de vestido vermelho, colares, pulseiras e bolsas que jamais usaria na vida, com a legenda embaixo: A mãe!

Sim, esta sou eu, esse monstro repressor, essa santa de paciência que leva a metade da vida tentando socializar um menino que vai passar a vida inteira sendo elogiadíssimo porque é igual ao pai.

Vida complicada a das mães, para quem não sabe.

Assim mesmo eu choro. Quando compro o material escolar, primeiro pelo preço, depois porque sempre aparecem novos ítens naquela infindável lista onde eu termino por supor que o menino já está quase aprendendo a ler, a escrever e isso quase me mata de alegria, orgulho e emoção, tudo junto, misturado. E quando ele faz aniversário.

Começo uns dias antes com uma melancolia meio sem explicação e no dia da festa, quer dizer, um dia antes, é inevitável, o choro vem, e então eu lembro porque estou chorando e lembro que é assim, todos os anos, afinal.

É na hora de enrolar os negrinhos, sabe, vou enrolando aquela quantidade enorme de negrinhos, que vão ser consumidos em cinco rápidos minutos por boquinhas ávidas e sujas de chocolate, e vou chorando.

Os meus negrinhos, os que eu faço para o dia do aniversário do meu filho, têm, no fundo, um gosto meio salgado, só apreciável para quem tem um paladar muito apurado, que é o sal diluído das minhas lágrimas anuais, aquelas que eu contei antes.

Porque eu vou enrolando os negrinhos e vou pensando: o menino vingou, mais um ano e o menino está vingando.

E é como se me surgissem todos os dias da nossa pequena e simples vida em comum e eu me sentisse uma mulher enorme, vitoriosa, porque depois de tantos dias difíceis, de tantas noites sem dormir, das tantas vezes sem dinheiro, do enorme medo e da responsabilidade de ter de cuidar do bem-estar e da saúde do menino, ele está ali, se lambuzando com os restos da lata de leite condensado, do meu lado, ele vingou e eu me sinto uma deusa, uma deusa que chora como um rato, mas uma deusa.

E eu me sinto pequena, igual a todas as mães do mundo que enrolam negrinhos no dia do aniversário dos seus filhos e que tem as mesmas preocupações. Eu me sinto pequena e com o coração quente, amolecido, porque este menino que vingou é o menino do meu coração, aquele com quem eu brigo todos os dias de manhã para acordar e ir para o colégio (e ele tem um mau humor horrível como o meu!), aquele que me ensinou que as relações de amor na vida das pessoas são uma construção diária, vida inteira, que filho a gente não gosta só porque pariu, mas porque aprende a gostar no meio da guerra doméstica, todo dia um pouquinho, aprende a conhecer, a ver o jeito, a entender, se surpreender, porque filho vem pra ensinar o nosso tamanho, a resistência do nosso coração, o olhar para o outro, a ter paciência com o que cresce ali, do lado, perto, é filho que ensina a gente a ser mãe.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no blog Mujer de Palabras. (Leia também "A hora certa para ser mãe".)


Lélia Almeida
Brasília, 16/5/2011

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Chega de Escola de André Forastieri
02. Sexo virtual de Lélia Almeida
03. As letras de música de hoje de André Forastieri
04. Obama ou Olama? de Marcelo Sant'Iago
05. Diga: trinta e três de Antonio Prata


Mais Lélia Almeida
Mais Acessados de Lélia Almeida
01. Meu filho e minha mãe - 21/2/2011
02. Sexo virtual - 27/12/2010
03. Ser mãe - 16/5/2011
04. Homenagem a Pilar del Río - 21/3/2011
05. Ninho vazio - 18/7/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
16/5/2011
14h45min
Como me identifiquei com este texto. A minha já vai fazer um ano e eu fico aqui me preparando psicologicamente para quando ela crescer. Já é difícil aguentar como ela aceita ir no colo de todo mundo, fica de boa com a babá... e ama ficar no chão brincando. Mas quando decidi ter um filho, fiz isso depois de pensar muito que gostaria de ter alguém para esperar no Natal. E só.
[Leia outros Comentários de Débora Carvalho]
11/6/2011
11h59min
Adorei o texto. Sou pai, meus dois filhos já estão crescidos, participei intensamente dessa fase narrada no texto (o primeiro banho foi meu, noites em claro curando otites, brigadeiros mil nos aniversários, etc.). Ando, ultimamente, refletindo sobre a importância fundamental da mãe na formação do filho, na relação especial do filho com a mãe durante a infância, importância não valorizada na sociedade, que, injustamente, puxa mais pelo pai. Vale muito a mãe investir em seu filho, a vida depois recompensará.
[Leia outros Comentários de José Frid]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




NOITE DE CAÇA
ALEXANDRE DIAS E ANDERSON ALMEIDA
BRAINSTORE
(2004)
R$ 18,00



50 WOMEN ARTISTS YOU SHOULD KNOW
MELANIE KLIER; CHRISTIANE WEIDEMANN; PETRA LARASS
PRESTEL
(2008)
R$ 45,00



GUIA DE CONVERSAÇÃO BERLITZ - FRANCÊS
BERLITZ
MARTINS
(2007)
R$ 36,47



PROCESSO PENAL VOL, 2
FERNANDO DA C, TOURINHO FILHO
JALOVI
(1975)
R$ 6,00



A DIVINA REVELAÇAO DO MUNDO ESPIRITUAL
MARY BAXTER E DR T LOWERY
DYNAMUS
(2010)
R$ 18,90



O SÉTIMO JURADO
PAULO FERNANDO SILVEIRA
JURUÁ
(2002)
R$ 60,00



PAPÁVERUM MILLÔR
MILLÔR FERNANDES
NORDICA
(1974)
R$ 5,00



OCIDENTE DIVIDIDO, O
HABERMAS
UNESP
(2016)
R$ 42,44



ILUMINAR NA OPÇÃO PELO CRISTO
PAULO LISBOA
VOZES (PETRÓPOLIS, RJ)
(1977)
R$ 31,28



LAW OF ELECTRONIC FUND TRANSFER SYSTEMS
DONALD L. BAKER - ROLAND E. BRANDEL
WARREN GORHAM & LAMONT
(1986)
R$ 190,00





busca | avançada
38611 visitas/dia
1,4 milhão/mês