Blog | Digestivo Cultural

busca | avançada
20751 visitas/dia
635 mil/mês
Mais Recentes
>>> TV Brasil apresenta show do Nação Zumbi no programa Todas as Bossas
>>> TV Brasil apresenta final da série O Tempo entre Costuras nesta sexta (13/1)
>>> TV Brasil homenageia Zygmunt Bauman nesta sexta (13/1)
>>> Teatro do Incêndio promove oficina cênica grátis com Kleber Montanheiro
>>> Valadão Muda o Mundo
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Meshugá, a loucura judaica, de Jacques Fux
>>> O Natal de Charles Dickens
>>> Sobre mais duas novelas de Lúcio Cardoso
>>> Gerald Thomas: uma autobiografia
>>> Neste Natal etc. e tal
>>> 'Hysteria' Revisitada
>>> O tremor na poesia, Fábio Weintraub
>>> Lançamento de Viktor Frankl
>>> E por falar em aposentadoria
>>> O quanto podemos compreender
Colunistas
Últimos Posts
>>> Ajudando um amigo
>>> Ebook gratuito
>>> Poesia para jovens
>>> Nirvana pra todos os gostos
>>> Diego Reeberg, do Catarse
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Lançamento e workshop em BH
>>> Reid Hoffman por Tim Ferriss
>>> Software Programs the World
>>> Daphne Koller do Coursera
Últimos Posts
>>> Abraço
>>> Paralamas do Sucesso: Novo álbum e shows em SP
>>> Lô Borges ou a estreia 45 anos depois
>>> Águas abertas ao mito
>>> Arranha-céu
>>> Da população ao empoderamento de Brasília
>>> Belém do Pará, ano um. 401.
>>> Na trilha de um corredor
>>> Entropias
>>> Sigmund Freud, neuroses e ciúme em destaque
Blogueiros
Mais Recentes
>>> O filho eterno e seus prêmios literários
>>> 21º de Mozart: Pollini e Muti
>>> Software Programs the World
>>> Fudeus existe
>>> Um brasileiro no Uzbequistão (V)
>>> Por que os blogs de jornalistas não funcionam
>>> Poesia para jovens
>>> Alguém ainda acredita em Deus?
>>> Eu nunca fui nerd
>>> Um brasileiro no Uzbequistão (IV)
Mais Recentes
>>> Autoconocimiento transformador- Los Eneatipos en la Vida, La Literatura y la Clinica
>>> Gente de la Puszta - Gyula Illyes (Literatura Húngara) - Em Espanhol
>>> Sol e Aço - Yukio Mishima (Literatura Japonesa)
>>> Morte em pleno Verão - Yukio Mishima (Literatura Japonesa)
>>> O Evangelho Segundo Jesus Cristo - José Saramago (Literatura Portuguesa)
>>> O Diário de Anne Frank
>>> The Brontë Sisters
>>> As Pelejas de Ojuara - Neil de Castro (Romance Brasileiro)
>>> Vício Inerente
>>> Rebecca - A Mulher Inesquecível - Daphne du Maurier (Literatura Norte-Americana)
>>> Água Para Elefantes
>>> Escritores em Ação - (Entrevistas) - Literatura Estrangeira
>>> The Wolf of Wall Street
>>> Cuentos Cubanos del Siglo XIX (Literatura Cubana) - Em Espanhol
>>> O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares
>>> O sofá - Crébillon Fils (Literatura Francesa)
>>> E Não Sobrou Nenhum
>>> A Balada de Adam Henry
>>> The Chaperone
>>> Vocação Para o Mal
>>> As Aventuras de Sherlock Holmes: Volume 1
>>> Solar
>>> Morte Súbita
>>> O Jardim de Cimento
>>> Eu, Malika Oufkir, prisioneira do Rei
>>> O Cinema, Invenção do Século
>>> Gone Girl
>>> Indian Summer - The Secret History of the End of an Empire
>>> O Homem do Castelo Alto
>>> O Vendedor de Histórias
>>> Sapatólatras Anônimas 1041
>>> Deus esta Nas Pequenas Coisas do Casamento 985
>>> Classicos da Poesia Brasileira 776, 777 , 792
>>> Resgate no Tempo - 572
>>> Infância e Adolescência - 609
>>> O Poder do Super Bicho - 573
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 89 - DEZ/2013
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 93 - ABR/2014
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 91 - FEV/2014
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 08
>>> Abaixo a Ditadura
>>> O aniversario do seu Alfabeto
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 07
>>> Cuidado Dona Mata
>>> Carta da Terra
>>> O Filho do cacador
>>> Sonhos, Grilos e Paixoes
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 10
>>> O menino do pijama listrado
>>> Historias de Fantasmas
BLOG

Quinta-feira, 12/1/2017
Blog
Redação

 
Belém do Pará, ano um. 401.



À sombra dos urubus, Belém chega aos 401 anos. Foto: Maycon Nunes


Quão estranha e sofrida pode ser (ou é) uma cidade castigada pelo calor e pela chuva quase diariamente? Quão esperançosa é uma cidade que é capital de um estado que desde o hino já setencia: “teu destino é viver entre festas, do progresso, da paz e do amor”? Quão suja e abandonada é uma cidade com uma “infinidade de obras-sem-fim” e monturos de lixo, em que seus próprios habitantes e filhos não se intimidam e, em qualquer local e a qualquer momento, escarram grosso e raivosamente em dezenas de cusparadas destinadas ao solo citadino, amaldiçoando-o? Quão alegre e diversificada é uma cidade que na cultura, em que pese a gestão raquítica (pública e privada), possui uma produção rica, peculiar e instigante?
Após o quase apagado aniversário de 400 anos em 2016 (você lembra de algum grande evento na cidade no período? Uma grande reportagem? Algo que não fosse o clichê chato e insuportável de bolo-no-Ver-o-Peso-risos-e-olhares-famintos-e-baldes-com-bolos-cores-sabores-da-cidade-morena?), talvez seja hora de olhar para o passado "de relance" e, urgentemente, projetar e executar um/ no futuro ações minimamente concretas que ajudem a melhorar esta cidade. Belém pode começar então uma nova trajetória. Vive o 'ano um'. O 401.

Siga-me no Facebook!

Longe de clichês midiáticos e turísticos, este texto tem o propósito de incomodar, ainda que seu alcance, eu sei, seja mínimo. Mesmo assim, é feito com uma certeza: Belém precisa de seus filhos aqui nascidos e os calorosamente adotados. Cada um, ao seu modo, vive a experiência de viver e estar aqui na cidade, na Amazônia.
Para alguma mudança é preciso pensar esta cidade, conhecê-la, perder-se nela (Benjamin), experienciá-la em seus diversos aspectos. Levando tudo isto em conta é que nos últimos dias entrevistei doze pessoas, mesmo número da data de aniversário da capital paraense, para comentarem sobre o futuro da cidade. Credos, cores, profissões, idades, origens diferentes e muitas outras características misturam-se em um caleidoscópio que possui um único desejo que, no final, é um sonho: a melhoria de Belém.

CONTEXTOS
Esta melhoria, sabemos, é (ou deveria ser...) pensada (e não é executada) há anos, décadas e, talvez, séculos. Para a professora e pesquisadora Larissa Leal, “como qualquer cidade nascida no Brasil do século XVI, Belém tem vários problemas de infraestrutura urbana que precisam, acima de tudo, de muita vontade política para resolver. Saneamento é o maior destes problemas pra mim, porque ele tem a ver com a própria dignidade humana, basta andar pelos bairros à beira do rio Guamá para ver isso num cenário mais grave. Por isso, esse é o passo 1 para elevar a qualidade de vida na nossa cidade nesse recomeço, sua maior urgência”, destaca. Mestra em Letras e Linguística, Larissa é professora de Língua e Literatura do Instituto Federal Goiano - Campus Posse e mora em Goiás desde 2012, mas sempre volta à terra natal.


Área de palafitas em Belém, uma grande periferia. Foto: Daniel Leite. A foto integra o acervo do projeto de pesquisa Fisionomia Belém.

A opinião da docente se aproxima de outra professora: Sabine Reiter, alemã, professora desde 2013 na Universidade Federal do Pará (UFPA). Diz Sabine que “da minha perspectiva de ‘fora’, acho que a cidade precisa com mais urgência um sistema de saneamento para todos os bairros. Também acho que seria bom pensar em um bom ‘clima urbano’, do tipo como foi implementado pelo Senador Lemos na Belle Époque: mais árvores nas ruas para dar sombra e ar mais fresco em toda a cidade (e não apenas nos bairros centrais). O trânsito também precisaria de reajustes – atualmente são muitos carros para uma cidade que foi construída para uma população bem menor”, explica.
O trânsito também preocupa outro estrangeiro que fez de Belém sua segunda casa. Para o antropólogo colombiano Diego Léon Blanco, as “angústias” metropolitanas possuem uma explicação maior, mais complexa e universal da que vemos e vivemos diariamente nas vias da capital: “os prefeitos estão sem novas ideias”, decreta.
“Se nesta época de redes sociais, a conexão imediata e simultânea é a natureza da nossa cultura, a cotidianidade dos deslocamento em carros e ônibus está fora dessas simultaneidades. Passamos horas e horas nas ruas, os carros andam até 200 quilômetros por hora, mas no tráfego das 18h são tartarugas. Ainda bem que o tempo consumido no tédio do tráfego aproveitamos no mundo do nosso celular. O que ainda não se resolve nas ruas e nas estradas pelo tempo gasto, se resolve no não tempo sem fio de nossos móveis”, explica Diego.


A imagem é em um ônibus em um dia qualquer de Belém, mas poderia ser em outra metrópole.Foto: Maycon Nunes

O colombiano, que no último ano residiu na Cidade do México, vai além: “a mobilidade em Belém é um caos em crescimento. Então, como resolver? Quem vai deixar de usar carro? Em grandes cidades como Bogotá ou Cidade de México muitas pessoas usam carros de 4, 5 metros de comprimento para uma pessoa só! Um ser humano na estrada de uma grande cidade ocupa todo esse espaço! Em outras cidades do mundo estão resolvendo o assunto com pequenos carros elétricos, metrôs, ciclovias, ideias para pensar a mobilidade na cidade de outra maneira”, sugere.
Falar de trânsito onde se sonha em um dia ter acesso a um minguado e já ultrapassado “sistema” de Bus Rapid Transit (BRT), tais iniciativas são impensáveis. Para aumentar o desconforto, basta lembrar que em capitais menores e sem o “legado da Copa”, outras iniciativas bem mais ousadas já foram tentadas e já existem há anos, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Maceió, cidade cuja geografia e organização em suas áreas afastadas das praias se assemelha e recorda bastante a estrutura da Cidade Nova, em Ananindeua, região metropolitana.

POTENCIALIDADES DEVE(RIA)M SER EXPLORADAS
Na cidade que ignora as outras mais próximas e esquece de si mesma, nem ao menos a cultura e o turismo de fato são bem explorados e/ou servem de grande e constante consolo. Uma rápida pesquisa no Google Trends mostra que nos últimos treze anos, notícias, imagens e dados sobre Manaus foram bem mais buscados que Belém. O que é lógico pelo (novamente) tal “efeito Copa”, pode ferir o "ego paraora" pela observação do caráter de inércia a que muitas vezes estamos submetidos e que alimentamos... Nesse sentido, a gestão cultural insípida – mas que começa a dar sinais de maior organização e crescimento – talvez mais atrapalhe que colabore.


Segundo o Google Trends, desde 2004 até 12 de janeiro de 2017, Manaus é muito mais "buscada" que Belém. Lembre-se: no site você pesquisa, busca, o que tem interesse, precisa saber, quer conhecer mais... Imagem: Pesquisa de Enderson Oliveira/ Reprodução Google Trends

Para o diretor e roteirista Fernando Segtowick, “basicamente o que se tem falado de positivo sobre Belém é a sua cultura, mas, infelizmente, os espaços voltados a ela estão situados, na sua grande maioria, nos bairros centrais da cidade. Se pudesse dar uma sugestão é a criação e o fomento de espaços/iniciativas culturais na periferia de Belém. Quem sabe um circuito de salas de cinemas populares como foi feito pela Spcine em São Paulo? Sem dúvida, na realidade atual da cidade parece um sonho, mas que poderia começar pelo incentivo aos cineclubes nesse bairros. É triste que se tenham poucas salas de cinema na cidade, e, a grande maioria, voltada unicamente ao cinema comercial”, exemplifica.
A ousadia da ideia de Fernando não é aleatória e possui certa lógica, considerando a proximidade e atenção do produtor sobre gestão. Com trajetória peculiar e importante que vai além dos clichês de Belém e Amazônia, Fernando é sócio da produtora multiplataforma MARAHU. Recentemente dirigiu as séries "Eu Moro Aqui”, vencedora do 1o Edital Cultura de Audiovisual e "Diz Aí Amazônida", exibida no Canal Futura, e indicada ao Prêmio TAL como umas melhores séries de relevância social da América Latina. Em 2017, vai lançar dois curta-metragens: o documentário “O Caminho das Pedras" e a ficção "Canção do Amor Perfeito".



Gestão, gestão, gestão... Talvez a falta dela seja o grande problema do corolário dos demais que aqui são listados e que você já deve ter lembrado ou observado ao olhar pela janela ou outro local que tenha acesso agora.
É necessário ter pensamento estratégico e gestão desde coisas “pequenas”, como cuidar deste blog e página no Facebook; bem maiores como criar, inovar e manter espaços/lojas/casas de show (observemos, em especial nos bairros do Umarizal e do Reduto, a quantidade de locais que abrem, "tornam-se sucesso" e, em alguns meses, fecham as portas, sendo prosseguidos por outros lugares que seguirão no mesmo ciclo) até chegar de fato na necessidade de uma gestão focada literalmente na política (tal qual o conceito aristotélico), pública, atualizada e citadina.
Neste sentido, para Tienay Costa, cientista política e professora, “nossa cidade tem tantas potencialidades, porém precisamos urgentemente de uma gestão pública mais comprometida e responsável, que possa priorizar não apenas o turismo ou o crescimento econômico, mas também a promoção de oportunidades, a valorização cultural, a segurança e a democratização do espaço público. Se eu pudesse dar um conselho a Belém, diria para sermos mais exigentes com nossos representantes e menos individualistas do ponto de vista político. Para os 401 anos e diante, desejo mais senso de coletividade, mais consciência e criticidade”, define.
Indo além, a publicitária, professora e candomblecista Thiane Neves Barros, comenta que "Belém precisa urgentemente garantir direitos à sua população. Direito ao transporte acessível e de qualidade, direito à moradia e à saúde em toda a sua extensão, gerar oportunidades de crescimento horizontal tanto na cidade quanto nas ilhas. Nesse ano 01, precisamos recomeçar olhando para as pessoas, pensar na Belém que queremos, planejar e estabelecer metas para uma cidade que tem todo o potencial para ser mais harmônica. Belém merece um pacote de políticas públicas que precisa ir além das gestões partidárias. Desejo que a população de Belém seja menos violentada pelas balas de um Estado tão opressor e pela má gestão política, que as periferias não sejam mais o palco de tantas chacinas, que a juventude negra tenha as mesmas oportunidades que as juventudes brancas e asiáticas. Desejo menos cárcere, menos linchamento, menos punitivismo".



É ainda Thiane que complementa: "que os Povos Tradicionais de Matriz Africana (candomblé, umbanda, pena e maracá, mina, Daime, e todas as demais) tenham as mesmas garantias que o poder público municipal possibilita às demais religiosidades, que as populações indígenas sejam respeitadas nessa cidade e que as gestões sejam cada vez menos racistas. Não existe um bom futuro para Belém, se o racismo continuar matando tanto por aqui. Desejo também menos feminicídio, mais atenção primária de combate à violência contra as mulheres. Temos como pensar em um recomeço com equilíbrio, equidade e garantia de direitos aos povos e suas tradições que constituem a população dessa cidade que é a minha cidade. Eu amo Belém e sonho com outros 400 anos para nós", afirma.
Segundo a mesma linha de pensamentos e desejos, o ator e diretor teatral Caled Garcês, por exemplo, deseja que Belém tenha “muita segurança e cuidado que acolhe tantos corações, ritmos, belezas naturais, crenças e fé. Que as pessoas possam olhar com mais carinho e zelo pra esse lugar que é lindo na sua essência mas que por falta de cuidado, acaba refletindo uma realidade que não é a que esperamos: a do abandono. Eu desejo que a cidade morena, terra das mangueiras, do Círio e tacacá seja cuidada da maneira que merece, com amor, carinho e respeito para que a sua beleza resplandeça não somente para os que aqui habitam, mas para o mundo. Eu desejo mudanças para ti, Terra do açaí, e que os frutos de todos esses cuidados te tornem a Belém Morena onde todos amem e queiram estar", enfatiza.


Com pouco mais de 1,5 milhões de habitantes, o crescimento de Belém é completamente desordenado.Foto: Cezar Magalhães

LUGARES (DE FALA)
Repleta de imaginários e lugares de fala como “nada aqui presta”; “ruim com fulano, pior sem ele”; “no tempo do Barata...”; “na época da Borracha...”, talvez (a população de) Belém seja marcada pela inércia. Sejamos sinceros e atenciosos: reclamamos muito, fazemos pouco (e não raramente ainda duvidamos/ criticamos quem faz), cansamos rapidamente. Esperar uma solução dos céus é mais cômodo e mais simples. Ad(Mirar) outros locais é melhor ainda. O “problema” é que tal admiração muitas vezes também parte de imaginários (nem sempre "reais") como “lugar com mais oportunidades”, “cidade maravilhosa”, “lá pelo menos tem praia”, “vou poder usar roupa de frio” e assim por diante. Neste contexto, uma região torna-se mais especial: o Sudeste. O El Dorado da Amazônia contemporânea. A Pasárgada pós-moderna onde se-trampando-tudo-dá.
Sair de Belém e exilar-se e/ou tentar crescer em outra cidade é errado? Claro que não. A atitude ajuda de fato a capital paraense? Provavelmente não, o que não significa que é algo condenável, obviamente. Pelo contrário: só se cresce em contato com o outro, com as trocas.
“Como leitora do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e professora visitante na UFPA desejo às universidades da cidade que se abram mais, que recebam mais estudantes e professores de fora e mandem os seus docentes e estudantes para outros lugares, e que aprendam línguas estrangeiras (não só o inglês), porque cada nova língua pode dar uma nova visão ao mundo e possibilita um conhecimento e entendimento melhor do "outro" e um diálogo entre pessoas com perspectivas diversas”, destacou Sabine Reiter, que é linguista e entre 2001 e 2006 trabalhou como pesquisadora em um projeto de cooperação alemão-brasileiro no Museu Paraense Emilio Goeldi na área de documentação de línguas indígenas.
Indo além, esse imaginário-devoção por outras capitais pode causar outros tipos de “danos” à capital paraense. Neste sentido, a editora de vídeos Adrianna Oliveira aconselha: “Invista nos seus. Não pense que o que vem de fora sempre é melhor. Talvez, dessa maneira, Belém não seja na nossa memória, apenas a cidade da nossa infância, um ambiente que não nos pertence mais porque tivemos, quase que obrigatoriamente, tentar a vida em outro lugar. Assim, eu acredito que um dia, talvez, ela seja ovacionada como um lugar que te pede, mas que te dá de volta também”.


A cidade se reflete em uma poça qualquer de água e lama... Foto: Angelo Cavalcante. A foto integra o acervo do projeto de pesquisa Fisionomia Belém.

Adrianna afirma ainda que “Eu tenho a impressão de que quase tudo fora do eixo sudeste, centro oeste e sul é mais difícil. Frete grátis para todo o Brasil, exceto norte e nordeste. Nortista é nordestino no sudeste, castanha do Pará agora é castanha do Brasil. O que é nosso, no fim das contas acaba sendo deles também, mas as oportunidades deles quase nunca são nossas. Então o que eu desejo pra gente é orgulho, daqueles bons, porque a gente remanesceu a muitas dificuldades e ainda assim continuamos a produzir. Desejo também que trabalhadores se ajudem, que a gente incentive os profissionais daqui ao invés de acreditar mais uma vez que o que vem de fora é melhor”, destaca.
Curioso é perceber que talvez pessoas "de fora" por vezes vaorizem mais a cidade que nós mesmos. Para a colombiana Ana Patricia Cacua Gélvez, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários da UFPA, a população de Belém em geral é "muito acolhedora, são pessoas muito boas, que ajudam muito os estrangeiros", enfatiza. Ainda assim, não deixa de lado os problemas estruturais que a cidade possui, em especial o lixo e a insegurança. "Meu desejo é que Belém fosse muito mais limpa, tem muito lixo nas ruas. A solução com o problema da limpeza pede urgência", afirma.
"À medida que a gente passa mais tempo na cidade a gente aprende a ter mais carinho pela cidade, muito mais amor, como se fosse parte nossa, por isso torço que tenha mais índices de emprego, que as pessoas fiquem bem e que seja uma cidade mais segura e especialmente mais limpa", deseja a pesquisadora.

A "CIDADE POLIFÔNICA" E SUAS PERSPECTIVAS
Para tal fazer emergir tal orgulho, talvez seja necessário fazer uma força-tarefa em áreas/ “instituições” como na educação, nas famílias e nas mídias. Mais ainda: deveria vir com a proximidade da história para (re)conhecer de fato Belém. Estranhá-la. Compreendê-la. Aceitá-la. Sem resignação, mas sim com a paciência de quem sonha em fazer um grande amor crescer e melhorar ao seu lado.
As ações conjuntas são sugeridas por Sandro Ruggeri Dulcet, espanhol nascido em Barcelona, em 1962. Formado em Arte Dramática com especialidade em cenografia teatral, mora em Belém desde 1994. Atualmente Sandro dirige a empresa de tradução e interpretação Humana Com & Trad e o Instituto Humana, que atua na área da arte educação e em projetos sociais.
Para Sandro, deve haver uma intervenção e modificações levando em conta:
a) Cidade como espaço de convivência; a relação entre o usuário do espaço urbano e o próprio espaço físico: inúmeros exemplos de falta de percepção por parte dos cidadãos de que esse espaço é de uso partilhado, onde os meus direitos têm que entrar em sintonia com os dos outros. A falta de percepção deveria ser corrigida pelo poder público, que falha na aplicação do Código de Postura. A solução passa por uma intervenção maior e mais harmoniosa de todos os participantes. Essa intervenção envolve aspectos pontuais como a limpeza, o comércio informal, e mais amplos como a construção onde o antigo e o moderno entrem num diálogo mais proveitoso.


Natureza e urbanidade se encontram e dialogam, pacificamente ou não, diariamente na capital paraense. Foto: Maycon Nunes

b) Cidade como espaço de educação ambiental: Trata-se de uma cidade na Amazônia, água e floresta deveriam ser os protagonistas, mais do que asfalto e prédios. Por que não fazer de cada canteiro um lugar para que as diferentes espécies locais sejam conhecidas, com informações detalhadas sobre a história biológica da Região? Isso passa por um projeto de arborização que teria como objetivo, também, fazer com que o pedestre pudesse andar nas ruas ao abrigo do sol equatorial e da chuva torrencial.
c) Cidade como espaço de luz: No mesmo sentido, aproveitar tudo aquilo que nos lembre que esta cidade não é uma cidade implantada, mas tem as suas peculiaridades, o seu jeito pessoal e intransferível, e o seu urbanismo e arquitetura deveriam refletir isso, sem cair num regionalismo folclórico e bairrismo redutor. Nesse sentido, as construções e o espaço urbano deveriam levar em consideração o clima, a iluminação, o regime das chuvas na hora de ser projetados e na sua realização.
Metas bonitas, quiçá utópicas, mas que precisariam de ações e pessoas de fato interessadas em ajudar a capital. E muito mais além. Para o doutor em Ciências Sociais, pesquisador, professor e escritor Relivaldo Pinho, “os problemas da cidade continuam os mesmos de algumas décadas e eles não serão resolvidos por jargões como ‘vontade política’, ‘determinação’, ‘coragem pra fazer’ e coisas do gênero. Belém precisa enfrentar a crise de sua urbanidade com conhecimento, planejamento, legislação mais eficiente. Se isso é um aspecto decisivo, isso não garante uma mudança do espírito de uma cidade que vem se deteriorando”, explica.
“Inchada, desordenada, violenta, Belém precisará de muito tempo para mudar esse espírito do tempo que a vem marcando e gravando em seus habitantes a sensação de suportar sobreviver na cidade e não de viver como uma experiência cotidiana. O cotidiano belenense, com exceção da sua imagem veiculada com saudosismo e uma valorização insustentável de uma identidade romantizada, sobrevive precariamente”, decreta o autor de "Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia" (Ed.ufpa.) e diretor, junto com Yasmin Pires, do documentário Fisionomia Belém.



Como se nota, neste ciclo de ações e percepções, práticas e modos de compreensão de nenhum modo se distanciam. Pelo contrário. É o próprio Relivaldo que afirma que “espero, sinceramente, que a cidade sofra uma modificação nesses aspectos estruturais. E que essa modificação atinja, posteriormente, a subjetividade de seus habitantes. Belém só enfrentará esse desafio se tiver o retorno em ações estruturantes e se seus habitantes conseguirem assimilar um sentido de experiência que funde, minimamente, um sentido de pertencimento”.
De qualquer modo, o que sempre segue presente é a necessidade imperativa de que a mudança de fato, depende de cada um de nós. Clichê? Sim. Bastante. Porém, é necessário sim compreender o papel de cada um e desenvolvê-lo da melhor forma possível.
Por fim, para Marcelo Vieira, jornalista especializado em Sustentabilidade e professor, mora no Rio de Janeiro desde 2010, que mas mantém laços firmes com a terra natal, “Belém precisa mais do que nunca dos belenenses, tanto os nascidos aqui como os que a adotaram como cidade do coração, os que estão perto e os que estão longe, como é o meu caso". E isto porque é necessário "pensar a cidade com os olhos no futuro, no crescimento sustentado, na inclusão e no respeito, eliminando o oportunismo voltado a favorecer um ou outro grupo na luta pelo domínio político e econômico. Precisamos aprender a ser os cidadãos da Belém dos nossos sonhos - é o caminho para que ela se torne realidade”, finaliza.

Feliz chance de nova vida, Belém. Feliz ano um, 401.

Por Enderson Oliveira

[Comente este Post]

Postado por Blog de Enderson Oliveira
12/1/2017 às 18h12

 
Na trilha de um corredor

Hoje é segunda-feira. Ainda estou “curtindo” as dores da corrida de sábado. Foram as 3 horas e 43 minutos mais longos da minha vida.

Quando me inscrevi para participar dos 23 km da primeira Ultra Trail Rota das Águas, realizada em Gaspar-SC, apesar de já ter participado de outras provas que julgava semelhantes, eu não tinha a menor noção do que me aguardava.

Éramos uns 150 corredores fazendo esse percurso (os outros faziam percursos de 8 ou de 50 km) e, logo após a largada, numa estrada de terra, entramos em fila indiana numa trilha da mata, que, apesar de estreita, ainda permitia que se fizessem ultrapassagens em vários pontos sem a necessidade de “empurrar” o colega à sua frente no mato.

A partir desse momento, me senti numa montanha-russa, ora subindo, ora descendo, ora fazendo curvas fechadas, ora “freando”, para não me perder nas descidas das intermináveis trilhas.

Corri “às cegas” nos primeiros quilômetros, pois meu Garmim (relógio com GPS) não estava localizando o satélite, ou seja, eu não sabia qual era o meu ritmo, tampouco o percurso que já havia percorrido e, por ironia do destino, foi esse pequeno problema que me ajudou a completar essa prova.

O gosto por corridas em trilhas ainda é muito recente em minha vida de corredor e, apesar de todo o prazer que hoje elas me proporcionam, há sempre um lado negro e sabotador da nossa mente com que temos que aprender a lidar. São aqueles momentos de dificuldades em que você pensa que poderia estar no conforto de sua casa ou em qualquer outro lugar, menos ali, numa trilha no meio do mato!

Como até então eu só havia participado de trilhas no litoral catarinense (Guarda do Embaú, Praia do Rosa, Lagoa da Conceição), lugares lindos, com vistas paradisíacas, eu não estava preparado para correr num local que, digamos, não oferecia esse bônus da vista de “perder o fôlego”, ou de correr à beira-mar, com uma brisa marinha me acariciando o rosto.

Não, definitivamente, durante esses 23 km de corrida, caminhada e quase rastejamento barranco acima, o que eu enxergava era somente mato, mato, e... Muito mato! É claro que, para os olhos de um botânico, por exemplo, talvez houvesse muitas espécies raras e maravilhosas de plantas a serem contempladas com um prazer idêntico ao que eu sentia quando corria nas paisagens de cartões postais das trilhas do litoral. Mas, infelizmente, não era o tipo de beleza que eu sequer imaginava que pudesse existir naquele momento e lugar.

Eu reclamo das trilhas sem paisagens, mas, paradoxalmente, acabava sentindo saudades delas nos pequenos trechos de terra batida, quando saía do mato, onde a poeira e a força inclemente do sol das 10 horas da manhã me faziam lembrar e, até mesmo, desejar voltar ao abafado, mas gostoso abraço úmido das árvores que me protegiam daquela bola de fogo.

Apesar das dificuldades impostas por todo o trajeto, as primeiras duas horas de corrida foram relativamente agradáveis. Eu vinha correndo num bom ritmo e ainda estava inteiro. Mas, após essas duas horas, eu comecei a ficar um pouco chateado, entediado eu diria, pois a falta do Garmim, no início da corrida (agora ele já estava funcionando) me deixara sem norte, pois eu não sabia qual a distância que já havia percorrido e, principalmente, qual a distância para terminar a minha saga.

E continuei correndo, caminhando, rastejando, quando, como num passe de mágica, avistei a linha de chegada. Naquele momento, eu já estava me arrastando há mais de 3 horas, e não acreditei que a minha aventura havia terminado. E, como sempre, aquela força vinda das entranhas do meu corpo me atingiu como um choque de 220 volts para me acordar para a realidade da chegada. Meu sorriso se abriu espontaneamente para as pessoas que ali estavam, e consegui me reerguer para o tímido, mas triunfante sprint final...

Logo à frente, eu vi uma mangueira d`água trazendo aquele precioso líquido gelado do alto do morro, fazendo às vezes de chuveiro, mas não parei, pois antes eu queria cruzar a linha de chegada, que, na minha doce inocência, era somente alguns metros à minha frente... Ledo engano!

Logo após aquele verdadeiro oásis no meio do deserto de árvores, eis que um staff (pessoa ligada à organização da corrida) sinaliza-me para continuar e adentrar novamente na trilha da mata. Pensei que era uma brincadeira de mau gosto (pois a chegada era para o outro lado), mas, pela insistência daquele mercador de más notícias, tive que seguir em frente, totalmente desanimado, destruído. O sorriso e a força que estavam comigo um segundo atrás pareciam lembranças de uma infância remota. Será que era verdade?! Sim, era verdade...

E foi aí que eu entendi o porquê de meu Garmim não ter funcionado logo no início da prova, pois, se eu tivesse a mínima noção de que ainda faltavam quase 3 km de trilhas, eu teria desistido de completá-las, tamanho era o meu desgaste, tanto físico quanto emocional.

Eu praticamente me arrastei nesses últimos 3 km de subidas íngremes, tendo que administrar um conflito de interesses totalmente divergentes entre o meu corpo (que queria parar devido à exaustão) e o meu cérebro (que insistia em encontrar o lado positivo daquele momento).

Corri praticamente sozinho durante todo esse trajeto, tendo como companhia somente a “minha mata”, que me consolava à sua maneira, ou melhor, à maneira que “eu” enxergava (me protegendo do sol).

Eu estava tão só que, em determinado momento, me peguei falando sozinho, criando novas estratégias para não pensar na distância que ainda faltava para concluir a prova. E, de fato, de alguma forma, acabei me desligando totalmente e me concentrei somente em seguir em frente, correndo nas descidas e me arrastando nas subidas.

Foi aí que avistei um túnel e me lembrei de que, em algum momento, alguém da organização havia comentado sobre essa passagem da trilha para dentro do parque aquático.

Agora sim, eu já podia comemorar, pois ninguém mais iria impedir a minha chegada e, numa rápida reunião interna, selei o acordo de paz entre meu cérebro inacessível e meu corpo reclamão, e pude saborear em toda a sua plenitude aquele momento tão desejado, cruzando a linha de chegada com a deliciosa sensação de que tudo valera a pena...De que viver vale a pena! E, dessa vez, além do banquete (água e frutas) à minha espera, fui agraciado com um revigorante banho de mangueira, com aquela água cristalina e imaculada, vinda diretamente do ventre da mata, inundando meu corpo e minha alma com toda energia da natureza.

[Comente este Post]

Postado por Blog de Isaac Rincaweski
12/1/2017 às 08h04

 
Sigmund Freud, neuroses e ciúme em destaque



Sigmund Freud em seu escritório em Viena, 1937. Foto feita pela Princesa Eugenie de Greece, filha de Marie Bonaparte. Photo by Bourgeron Collection/RDA/Hulton Archive/Getty Images.


Na próxima terça-feira (10) terá início em Belém do Pará o “Ciclo Leituras de Freud”, no centro de Estudos Psicanalíticos do Pará (EPA), de 19h às 21h. O ciclo tem a finalidade introduzir, continuar ou aprofundar estudos em psicanálise, a partir de textos de Sigmund Freud, lidos no original alemão.
O ciclo será conduzido por Ernani Chaves, professor titular da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA), importante estudioso brasileiro da obra de Freud e tradutor do volume de ensaios sobre Estética, publicados pela Editora Autêntica.
“Freud é considerado um pensador necessário e indispensável para problematizar questões fundamentais do nosso tempo. Nesse sentido, não se trata apenas de uma leitura clínica de Freud, mas também de uma leitura do social por meio de Freud”, explica Ernani.

Veja também: Das praças das cidades às dos shoppings: uma conversa com Ernani Chaves

O primeiro texto analisado é o ensaio “Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranoia e na homossexualidade”. Na obra é discutido não somente o aspecto clínico, mas também seu alcance social, na medida em que ele foi reapropriado por outros autores no interior da discussão da gênese do preconceito e dos processos de exclusão. Ao discernir três tipos de ciúme, o “normal”, o “projetivo” e o “delirante”, Freud abre um leque de perspectivas interessantes para pensarmos alguns aspectos da violência contra o outro atribuída ao ciúme.
Ainda de acordo com Ernani, "o curso discutirá como a massificação das formas de controle e vigilância por meio das novas tecnologias se conectam às formas delirantes ou projetivas do ciúme, cujas consequências podem ser trágicas", finaliza.

O MINISTRANTE
Ernani Chaves é doutor em Filosofia. Realizou estágios de pesquisa no exterior na Alemanha e na França. Possui pós-doutorados na Universidade Técnica de Berlim (1998) e na Universidade de Weimar (2003).

Veja ainda: Palestra “Walter Benjamin e a Fotografia de Cidades”, de Ernani Chaves, está disponível no Youtube

Foi pesquisador Associado na Universidade Técnica de Berlim (janeiro e fevereiro de 2013), pesquisador sênior na École Normale Superieure de Paris, de março a junho de 2015. Autor de livros e vários artigos nacionais e internacionais. Publicou recentemente, pela Editora Autêntica, uma tradução de textos de Freud sobre Estética.

SERVIÇO
Ciclo “Leituras de Freud”, com Ernani Chaves
Onde? Estudos Psicanalíticos do Pará (EPA), localizada no Ed. Village Boulevard (Av. Senador Lemos, 435, sala 301, Umarizal, Belém)
Quando? Terças de janeiro (10, 17, 24 e 31), de 19h às 21h
Inscrições: R$180,00.
Mais informações: (91)99982-2582/ (91)3085-2010/ epa@epapsicanalise.com.br


Por Enderson Oliveira

[Comente este Post]

Postado por Blog de Enderson Oliveira
9/1/2017 às 09h21

 
"The End of the World? In Brazil

Escrevi 2 versões de uma carta ao NYTimes. Qual vocês preferem?

Dears,

I don't find articles such as "The End of the World? In Brazil, It’s Already Here", by Vanessa Barbara, dated Jan 5, productive in the least. It is poorly argued; it uses exaggerated language and distorts facts; it contradicts reporting made on the ground by the Times hard-working correspondents. The analysis is inadequate and ideological, resorting to jargon and name calling.

These superficial opinion pieces by Vanessa Barbara represent the worst tendencies in Brazilian journalism. The Times would never accept such low quality journalism from American journalists or about the US. It is condescending and insulting that you publish it just because it comes from a Third World country.

Sincerely yours, Felipe Pait Brookline, Massachusetts

Dears,

It is a disservice to journalism to publish the article "The End of the World? In Brazil, It’s Already Here", by Vanessa Barbara, dated Jan. 5, 2017. It is poorly argued, uses ideological jargon to accuse people and organizations of guilt by association, resorts to exaggeration and distortion of facts, and contradicts the reporting done by your hard-working correspondents in Brazil. The article is dismissive about the efforts of a country trying to find its way out a challenging situation. Political debate in Brazil has been polarized in recent years, and it is easy to find an opinionator who will support extreme criticism of one side or another. We have seen where this leads in the United States.

You would not accept such low standards from an American journalist or from writing about the United States. It is condescending and insulting that you lower your standards and keep publishing such poorly researched and written pieces about a Third World country.

Yours sincerely, Felipe Pait Brookline, Massachusetts

http://www.nytimes.com/2017/01/05/opinion/the-end-of-the-world-in-brazil-its-already-here.html?rref=collection%2Ftimestopic%2FBarbara%2C%20Vanessa&action=click&contentCollection=opinion®ion=stream&module=stream_unit&version=latest&contentPlacement=1&pgtype=collection

[Comente este Post]

Postado por O Blog do Pait
7/1/2017 às 16h29

 
Artista de Rua - Stand by Me

Com muita freqüência encontro com um de meus vizinhos no portão de nosso prédio. Em muitos desses encontros ele carrega suas telas debaixo dos braços (as que têm as bicicletas como tema, em especial, me agradam muito) para tentar expô-las nas cafeterias e bares da cidade. Já conseguiu vender algumas. De uns tempos para cá comecei a pensar cada vez com mais assiduidade sobre a vantagem de ser pintor ou músico na hora de mostrar o próprio trabalho. O que um escritor faria nestas situações, além de colocar seus livros na calçada e tentar vendê-los sem que ninguém os lesse. Uma música, assim como um quadro gosta-se ou não quase que de imediato. Já a leitura exige mais tempo e um certo esforço, coisas raras de se encontrar nas pessoas hoje em dia. Logo um escritor dificilmente venderá os livros que expor na rua. Em se tratando de um escritor como eu que nem possui livros publicados, mas apenas textos isolados, a situação se complica.

Pensando nisso, resolvi aceitar a sugestão de alguns amigos, e dar iniciar a este blogue: O Equilibrista. Enquanto selecionava os primeiros textos, comecei a me comparar a um artista de rua. Se gostarem de algum texto que escrevi, na ausência de um chapéu para as moedinhas, ficarei grato se receber uma curtida ou, simplesmente, ser divulgado. Quem me aconselhou disse que eu já deveria ter feito isso há mais tempo. Sempre hesitei, mas agora que o blogue foi iniciado, ficarei na rua até conseguir atingir minha singela meta, que é tomar um cafezinho com meu trabalho. Então, quem passar e gostar, deixe sua moedinha. Quando atingir a meta, postarei uma foto de minha xícara.

Como diz a letra de Stand by Me, cheguei ao momento em que se precisa de alguém.

Sejam bem-vindos para ouvir a minha música e minhas telas.

[Comente este Post]

Postado por O Equilibrista
5/1/2017 às 18h23

 
O Brasil pede socorro



Não é de hoje que as autoridades brasileiras carecem de voltar as salas de aulas para refazer o estudo da ética, da moral e cívica e dos bons tempos da educação e dos estudantes patriotas.

Caberia as autoridades brasileiras fazerem um minucioso exame de vista para enxergarem melhor a má gestão dos bens públicos, e ainda fazerem um curso de dinamismo, de como se movimentarem melhor no campo dos serviços prestados aos brasileiros. Serviços estes pagos com os altos impostos que todos nós pagamos.

Quando o serviço público era realizado por servidores de carreira, percebia-se o esforço dos funcionários, para manter um bom serviço, um bom ambiente de trabalho, atender bem ao cidadão, seja qual fosse a área de atuação.

Por cinco anos trabalhei em saúde pública, na administração de um grande hospital do Rio de janeiro, com mais de dois mil servidores. Tínhamos problemas sim, mas não os que podemos observar hoje.

Com a implantação das “OS”, serviços terceirizados, percebemos não haver a preocupação pelo bem público, tão pouco com o atendimento da população em geral.

As ditas “OS”, servem tão somente para engordar as contas bancárias de empresários, na maioria parentes de políticos, quando não os próprios.

A educação segue pelo mesmo caminho, enquanto os técnicos e professores ficam sem receber seus salários, os burocratas da educação descansam em suas mansões, viajam em seus carrões entre outras tantas mordomias. O dinheiro da merenda escolar é muito bom para os bolsos deles.

Os senhores governadores, licitam empresas aéreas, para suas viagens em jatinhos e helicópteros. Enquanto os servidores, sequer tem o dinheiro da passagem de ônibus ou trens, para irem aos seus trabalhos, cumprirem os seus deveres. Mesmo sem a mínima condição de trabalho e contrapartida, pela autoridade regional, sem equipamentos e materiais necessários para levar a cabo suas tarefas.

Descaracterizaram o serviço público, mancharam a honra do servidor em todos os níveis de governos. Macularam com mentiras a imagem desses, taxando-os de inoperantes, marajás e outros mais.

A terceirização das funções, antes cabidas aos funcionários públicos é básico e notório, para encobrir a sangria do dinheiro público, através dessas organizações temerárias, hoje, falsas prestadoras de serviços públicos, que não levarão o Brasil a lugar nenhum, a não ser a derrocada total.

No final de governo, os prefeitos e seus secretários, largam as prefeituras ao Deus dará. Ruas imundas, inundadas de lixos, cofres vazios, ambientes sucateados, roubos de equipamentos, arquivos de controles apagados. Ninguém sabe, ninguém viu.

Pasmem, eles não são punidos. Mas isso não deveria ser crime? Onde estão as autoridades executivas, legislativas e judiciárias deste pais? Ninguém sabe, ninguém viu, simplesmente somem na hora da ação.

Como as autoridades não conseguem ver isso? Se plantam estáticos ou fingem não enxergar ou porque se beneficiam do esquema? Prefiro acreditar que eles não enxergam e que precisam de um bom exame com o oftalmologista ou um bom curso de dinamicidade em movimentos e observações. Ou seja, cuidado com o bem público.

Até quando amigos? Lembrem-se para não votarem nesses que assim agem. Do contrário vou pensar, quem não enxerga somos nós, que os colocamos para gerir o nosso patrimônio. Que somos nós que precisamos de exames e de nos movimentar melhor por aí para ver os mandos e desmandos do nosso país.

[Comente este Post]

Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
5/1/2017 às 12h35

 
Meus caminhos no Centro do Rio

Prezados leitores,

No dia 12 de dezembro deste ano de 2016, fui agraciada (1º lugar) com o Prêmio João do Rio – Poesia 2016 da Academia Carioca de Letras.
A ACL me concedeu também a Medalha José de Anchieta. Por isso, interrompendo hoje a série “Sonetos”, escolhi para publicação o poema Meus caminhos no Centro do Rio que foi apresentado naquele concurso literário.


Ruas de ontem e de hoje seguem meus passos.
Nalgumas, danço samba. Noutras, declamo rap.
Indo ao passado, meu corpo a girar no lundu:
“A lua vai saí e eu vô girá.”

E Chiquinha Gonzaga ao piano.

Na Sete de Setembro, reencontro meu pai
comprando verniz pra algum quadro que pintou.
E pra outros jamais realizados. A papelaria:
caixa de luzes que ora me colorem o tempo.

E o Rio nas telas de Heitor dos Prazeres.

Pelos jardins sagrados, Dom João Evangelista
cantando poemas de Cecília Meireles. Ah! Cecília
e o mar! De então, rumo à Praça Mauá, desço
o morro de São Bento, como quem desce
a ladeira do mundo para ganhar o porto aberto
a todos os versos que vão dar nas águas.

E Bentinho a passeio no Largo da Prainha.

Pavões. Cotias: ─ Parece cachorrinho!
Foi no parque junto à rua de Santana.
Lenço no cabelo, minha madrinha e mamãe.
Até hoje na fotografia o sol nos ilumina o rosto.

E os roteiros de Tiradentes e João Cândido.

Das vielas às avenidas, meus devaneios.
Na Almirante Barroso, ainda ergo palanque
no saguão do prédio que não mais existe.
E em meus lábios flui a palavra “utopia”.
Trilhas da cidade, destino que me chama.

Pés amorosos aos caminhos que escolhi.

[Comente este Post]

Postado por Blog da Mirian
17/12/2016 às 17h13

 
Ajudando um amigo

Muito tempo atrás, numa galáxia bem distante, eu tinha um site pessoal, antes do Digestivo Cultural

E tinha um amigo, um correspondente eletrônico, que era meu fã - lia tudo o que eu publicava, e me indicava pros amigos dele

Um desses amigos era o Milton Hatoum. Ainda com um único livro publicado. Milton Hatoum antes de Dois Irmãos (2000)

E esse meu amigo, um belo dia, recebeu o Milton Hatoum em sua casa - e indicou o meu site para ele. Milton Hatoum ficou de olhar

Nesse tempo, também, eu acompanhava o Daniel Piza, ainda na Gazeta Mercantil - e lembro da campanha que ele, Daniel, fez pelo romance Dois Irmãos

Assim como Sérgio Rodrigues fez de O Filho Eterno, de Cristovão Tezza, o que ele é hoje - um livro multipremiado -, eu considero que o Daniel Piza foi o primeiro a reconhecer o valor de Dois Irmãos

E, como não poderia deixar de ser, num lançamento do Daniel, em 2000 e poucos - a que eu fui com o meu amigo Edu Carvalho -, mal cheguei e ele já falou: "Olha quem está aí, o Milton Hatoum..."

Mas só fui conhecer o Milton Hatoum, de verdade, em 2006, quando fiz um curso, com ele, na Casa do Saber (com quem o Digestivo tinha parceria)

Aí, sim, li Retrato de um Certo Oriente (1989) e, finalmente, Dois Irmãos, e Cinzas do Norte - que o Milton então lançava e cujo final me levou às lágrimas

Gostei tanto que tive vontade de entrevistá-lo e criei uma seção só para isso, no Digestivo. E a primeira entrevista foi do Milton Hatoum

Contudo, o que me impressionou da história toda é que, depois de a entrevista ir ao ar, o Milton, muito cordialmente, me agradeceu e disse algo que eu nunca esqueci: "Foi uma das melhores conversas [que tive] sobre literatura"

Eu achava que o Milton falava isso para todas (todos) - mas qual não foi a minha surpresa ao receber, dez anos depois, uma mensagem da sua assessora de imprensa:

Dois Irmãos vai virar minissérie da Globo, em janeiro de 2017 - e o Milton Hatoum havia pedido, a ela, para me procurar, a fim de ajudá-lo na divulgação ;-)

Quem? Eu? Ajudar alguém a divulgar alguma coisa que vai passar na Globo? E precisa de divulgação???

Brincadeiras à parte, fiquei muito envaidecido. Porque no que deve ser o auge do seu sucesso, o Milton Hatoum lembrou-se de mim, dez anos depois...

Então lembrei dos nossos amigos em comum. Lá atrás, o Valdir Sarubbi, artista plástico que eu nunca conheci (faleceu no meio da nossa correspondência eletrônica)

E, mais uma vez, o Daniel Piza. Coincidência ou não, daqui a exatamente duas semanas, vai fazer cinco anos que o Daniel nos deixou...

Assim, em nome dos nossos amigos em comum, e da nossa amizade herdada (“amigo de amigo” vira amigo também), vou te "ajudar", Milton Hatoum ;-)

Até porque sei o quanto significa, para um autor brasileiro, em termos de divulgação, esse horário nobre na Globo - e vou torcer para que seja um sucesso, no melhor sentido do termo; e que traga à sua obra a mais que merecida projeção

Assistam a Dois Irmãos, na Globo, em Janeiro. E leiam Milton Hatoum. Não porque ele seja amigo dos meus amigos - mas, sim, porque é alguém que dedicou sua vida à literatura, construindo uma obra que merece o nosso respeito e a nossa atenção ;-)

Para ir além
Compartilhar

[Comente este Post]

Postado por Julio Daio Borges
16/12/2016 às 17h33

 
A imponderável leveza do ser

Charles nasceu num lugar distante. Uma pequena vila de casas simples, separadas por extensos terrenos de terra batida, no interior de Alagoas.

Tudo que viveu até os 14 anos foi dificuldade. Seu pai era marchante, a mãe, de casa. As condições familiares haviam lhe privado de muitas coisas que um dia sonhou ter.

Por exemplo, sempre quis ter uma bicicleta, para desbravar as ruas de terra até o pé do Morro do Pneu – nunca soube a razão deste nome.

Por mais que implorasse, seu pai sempre lhe dissuadia da ideia de ganhar seu objeto de desejo sobre duas rodas. Mesmo quando o borracheiro do lugar, de tempos em tempos, lhe avisasse de uma bicicleta usada para vender.

Seus brinquedos se resumiam a coisas banais. Era uma caixa de sapatos com tampas de garrafas, bolinhas de frascos de desodorante e bumerangues de caixas de ovos.

Certo dia pela manhã, quando foi à venda comprar pão, viu um casal bem arrumado tentando se fazer entender com o dono da bodega. O velho comerciante, nervoso e suado, gesticulava, avisando que não entendia nada do que eles diziam.

Charles esqueceu que seus pais o aguardavam com o café na mesa e se encantou com aquelas frases enigmáticas. Parecia o homem de bigodinho engraçado do filme que havia assistido na casa do vizinho.

Quando, finalmente, o casal saiu da mercearia, ouviu o dono dizer:

- Sei pouco do Português, que dirá o Alemão, ora bolas?

Alemão.

Essa língua estranha passaria a ser a nova obsessão de Charles. Queria entender e falar bonito igual aos ‘loiros’ da bodega. Mas como, se nem uma bicicleta seu pai podia lhe dar?

Conversando com um amigo, soube de uma professora que dominava algumas palavras daquele idioma. Mas o lugar onde ela ensinava era longe e jamais seus pais permitiriam que se distanciasse mais que um quilômetro de casa.

E não adiantava resmungar.

Mesmo assim, bolou uma estratégia para chegar até a professora, que lhe incutiria na mente umas lindas frases da Alemanha.

Havia uma possível saída. Tinha o caminhão de entrega que passava sempre às quartas-feiras pela vila. Poderia pedir carona. Mas o motorista, certeza, recusaria. O mandaria ir para casa. Sem calcular os riscos que correria, Charles resolveu ir escondido.

Assim que os entregadores deixaram a última caixa de bebida na bodega, ele subiu e se acomodou entre os engradados. Ficou feliz e ao mesmo tempo amedrontado quando o motor roncou e o veículo arrancou. Quis descer, mas já era tarde.

Agora vou, pensou.

No caminho, foi imaginando como se apresentaria à professora e de que maneira tentaria convencê-la a lhe dar aulas de Alemão, já que não possuía nem uma moeda. Ia dizer que o Padre o enviara. Por certo ela não rejeitaria tão religioso pedido.

Quando avistou as primeiras casas, sentiu ser o momento ideal para desembarcar. De que jeito? O caminhão por certo não iria parar antes de chegar à fábrica, e ele precisava descer e rápido.

Se levantou e, no momento em que iria se apoiar na carroceria, o veículo deu um solavanco e Charles, desequilibrado, foi arremessado para fora. Caiu. Acidente feio. Bateu a cabeça no meio fio. Desacordou.

Uma ambulância o socorreu para o hospital e ele teve que ser operado às pressas. O estado era grave. Na queda, o impacto abriu-lhe uma fenda na testa, que fez escorrer parte da massa encefálica.

Operou. Foram horas e horas de cirurgias para salvar sua vida. Todas no cérebro. Poucos dias depois nova operação. Os médicos o reoperaram seguidas vezes. Tudo minucioso para restar o mínimo de sequelas. E tudo saiu dentro do esperado.

Da UTI, Charles partiu para uma área Semi-Intensiva e, dali, para o quarto. 15 dias após o acidente, chegou a vez das visitas. Seus pais, emocionados, entraram e sua mãe foi logo lhe dizendo:

- Meu filho, que bom que você está vivo!

Charles olhou para o pai, observou o semblante feliz da mãe, puxou a enfermeira pelo braço e perguntou:

Mädchen, die diese beiden Menschen und was soll ich in diesem Krankenhaus zu tun?

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

[Comente este Post]

Postado por Blog de Marco Garcia
15/12/2016 às 16h05

 
Experiência

Ontem à noite, meu celular pifou. Deu uma pane. Travou na tela do Facebook e não saía mais

Eu estava na padaria com a Catarina, depois de um dia úmido e chuvoso, e deixei para olhar quando chegasse em casa

Mas não destravou. Na verdade, a tela ficou preta. Depois voltou no Facebook. E a única coisa que eu conseguia fazer era navegar no Facebook (uma espécie de pesadelo)...

Eu juro que pressionei todos os botões. Alguns, eu segurei... soltei. (Eu tenho um iPhone.) Tentei desligar o celular - para recarregar. Mas, para o meu azar, ele estava bem carregado ;-)

Pus a Catarina para dormir e, enquanto deitava com ela, já fui fazendo o inventário – mental – de tudo o que teria de fazer, no dia seguinte, enquanto o meu celular não “voltava”... (quais providências tomar etc.)

Ele ainda voltou uma única vez – na tela do Facebook – e, usando o navegador (do mesmo Facebook), eu acessei meus sites, antes de dormir, e meus e-mails. Felizmente, estava tudo bem...

A quem eu sabia que ia me procurar no WhatsApp, no dia seguinte, eu tive de avisar que meu celular não estava funcionando. E que eu mesmo ligaria

E a um amigo que tinha acabado de me ligar, eu pedi que me passasse o número dele (sim, acreditem) – pois a única coisa que eu conseguia fazer era ver que ele tinha me ligado (não conseguia acessar o seu “contato”...)

Óbvio que não era a primeira vez que eu ficava sem celular. Na última, há um ano e meio, quando eu troquei de iPhone, meu celular antigo foi morrendo aos poucos – e, no final, só ficava uma insensível tela preta (quase nenhum botão respondia mais)

Dormi pensando que meus eventos, de trabalho e pessoais, estavam no calendário do celular. Além dos meus contatos, minhas fotos etc. De quando era o meu último back-up no iCloud? Lembrava, vagamente, que meu back-up estava atrasado... (mas desde quando?)

Bom, os e-mails, eu consigo acessar, pelo notebook, pensei (eu não tenho iPad). Meus sites, eu consigo acessar também...

Engraçado, eu não pensei nas redes sociais. Ou pensei, mas - entre tudo o que eu lamentei “perder” - as redes sociais eram o que eu menos lamentei perder...

Meu celular passou a noite mergulhado num saquinho de arroz Tio João. Parece macumba, mas funciona. Uma vez entrei no mar, para fotografar a Catarina, e meu outro iPhone só ressuscitou assim – depois de passar *horas* mergulhado no arroz (que “chupa” a umidade, me disseram, e que faz o celular funcionar de novo)

Hoje de manhã, meu celular ainda tinha alguma bateria. A tela continuava preta, mas ele “vibrava” sempre que eu ativava (e desativava) o som... Era a única certeza, que eu tinha, de que ele não estava, definitivamente, “morto”

Quando a bateria, finalmente, acabou (percebi quando ele nem vibrava mais), pus para carregar - e ele “voltou” à vida ;-)

Quando mostrou aquele desenhinho, solicitando o cabo de força, eu podia ter soltado “aleluia” - seria bem apropriado...

Foi como se eu revivesse junto com ele... Já estava imaginando ter de levar para “consertar” – e ser explorado... Ou ter de gastar uma fortuna num novo...

E pior: ter de passar dias – ou semanas – na transição entre um e outro (é sempre um transtorno)...

Na hora do almoço, quando meu celular, novamente, estava carregado e pronto para uso, eu havia ficado sem energia. Psicologicamente cansado – pelo estresse “inútil” que eu havia passado...

Então pensei no quanto somos dependentes desse aparelho. E como uma falha – mesmo que momentânea – pode desestabilizar a nossa rotina...

Por que a Apple não inventou, ainda, um celular na “nuvem”, que a gente acessa pela Web? Ou pelo iPad? (Eu não tenho iPad, mas talvez comprasse só por isso...)

Enfim, não compartilhei aquele famoso post “estou sem celular” - que as pessoas, geralmente, compartilham no Facebook (quando estão desesperadas)

Preferi “postar” este relato, que acabou longo, mas que me deixou meditando, sobre a nossa dependência do aparelho – e sobre o quanto de tempo, e o quanto de energia, colocamos nele...

Para ir além
Compartilhar

[Comente este Post]

Postado por Julio Daio Bløg
15/12/2016 às 15h51

Mais Posts >>>

Julio Daio Borges
Editor

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O ANÚNCIO DE CRISTO NOS EVANGELHOS SINÓTICOS
W. TRILLING
PAULINAS
(1981)
R$ 65,20



ATOR E MÉTODO - EUGÊNIO KUSNET
EUGÊNIO KUSNET
HUCITEC
(1992)
R$ 75,00



STAR WARS Nº13 KINIGHTS OF THE OLD REPUBLIC / DARK TIMES/ REBELLION E LEGACY.
LUCAS FILMES
ON LINE
(2010)
R$ 7,00



CAÇADA MORTAL
LAWRENCE BLOCK
RECORD
(2014)
R$ 32,00



EU, DETETIVE O ENIGMA DO QUADRO ROUBADO
LAÍS CARR RIBEIRO / STELLA CARR
MODERNA
(2003)
R$ 7,00



A CHAVE DE REBECCA
KEN FOLLETT
CÍRCULO DO LIVRO
R$ 12,00
+ frete grátis



EDU LOBO - SÃO BONITAS AS CANÇÕES
ERIC NEPOMUCENO
EDIÇÕES DE JANEIRO
(2014)
R$ 59,90



LETTERS OF JOHN CALVIN VOL2 - 1858
JEAN BONNET JULES GILCHRIST MARCUS ROBE
PRESBYTERIAN BOARD OF PUB
(1858)
R$ 8.136,00



HISTÓRIA UNIVERSAL DA MÚSICA
KURT PAHLEN
MELHORAMENTOS
R$ 15,00



NIEZSTCHE O PROFESSOR
ELENILTONNEUKAMP
NOVA HARMONIA
(2008)
R$ 20,00





busca | avançada
20751 visitas/dia
635 mil/mês