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BLOG

Quarta-feira, 25/5/2016
Blog
Redação

 
Enchendo o porquinho.

O congresso de ingênuos,formado por aqueles que ao serem convocados para tomar decisões serias, cruciais, extremas, mandam abraços e beijinhos pro papai e pra mamãe, pros filhos e pro cachorro não faz a menor diferença.

O Congresso que manda de verdade, independente da qualidade moral, intelectual, cívica e técnica dos seus membros, custa uma fração do que a patuleia deslumbrada custa. Para que 513 deputados se somente uma meia duzia de 6 ou 7 e que manda?

Para que um batalhão de bobocas, malandrecos, puxa-sacos, ridículos e paspalhões?

O custo dos imuteis poderia ser cortado deixando, apenas, os tais lideres, pois estes são os que, realmente decidem qualquer coisa por la: O que, quanto, quem, onde, quando...

Fazer economia inclui cortar as despesas desnecessárias, inúteis, fúteis, supérfluas.

Acabar ou pelo menos, moralizar os custos com as Altezas Sereníssimas deveria estar entre os objetivos dos novos administradores da bolsa da Viúva... A casa do Cunha custa R$500.000,00 por mês. E a do Renan, da Dilma dos ministros disso e daquilo que vivem como faraós, a custa da Dona Amada?

Despesas menores o cacete Vamos instituir o porquinho, aquele cofrinho onde se poe as economias e ver quanto sobrou no fim do ano para pagar as dividas que não fizemos

.O Dr. Meirelles ta com a palavra: E ai Dr?

Vamos encher o porquinho?

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Postado por Contubérnio Ideocrático, o Blog de Raul Almeida
25/5/2016 às 10h41

 
Ceifadores



"Ceifadores"
pintura digital, giclée print








imprimindo a gravura




Certificado de Autenticidade


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Postado por Blog de João Werner
24/5/2016 às 11h42

 
Transparências

O hábito é
o óbito
do gesto

Quando
esqueço
do primeiro
passo,

logo
tropeço

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Postado por Metáforas do Zé
24/5/2016 às 09h00

 
Juvenal, de poeta a balconista.

Outrora considerada comida de pobre a mortadela comum sempre esteve ligada a idéia de mata-fome, aquela forma menos gentil de denominar uma refeição simples. Pão com mortadela um quebra-galho gastronômico, um alento a quem esta precisando comer e tem pouco ou nada de dinheiro.

Ironicamente na outra ponta, mortadela tomou ares de iguaria com marcas especiais e griffes, internacionais.

Lugares exclusivos onde se pode comer um sanduíche com recheio gigantesco da melhor das mortadelas, ficam cheios de clientes, pacientemente de pe, esperando a vez.

Um grande fabricante da gostosura apresentou na TV um clip, onde se via uma cliente idosa repreendendo o balconista que lhe ofereceu outra marca no lugar da sua predileta.
O funcionário atendia pelo nome de Juvenal.

No passado, Décimo Juno Juvenal poeta satírico romano, nascido em Aquino, Apulia, entre os anos de 50 e 60 d.C. e morto entre 135 e 140 d.C, ficou conhecido por suas 16 sátiras criticando e atacando o estilo de vida da sociedade romana. Em sua décima sátira o Juvenal romano faz uma viagem no tempo:

iam pridem ex quo suffragia nulli uendimus, effudit curas, nam qui dabat olim imperium fasces, legiones, omnia, nunc se continet atque duas tantum res anxius optat, panem et circenses.
...há muito tempo desde quando não vendíamos nossos votos, o povo abdicou de seus deveres. O povo que detinha o comando, altos cargos, legiões, tudo enfim, hoje aguarda ansiosamente apenas duas coisas, pão e circo
. Juvenal, Sátira X 77-81.

Ai esta o meu espanto quanto a visão de futuro do poeta.

Mais de dois mil anos depois, a historia se repete com uma fidelidade absurda. Corrupção, mau uso do dinheiro publico, desvarios, megalomania, inverdades , intrigas, manipulação da raspa, da patuleia e dos ingênuos, tolos e ignorantes.

Pão e circo para acalmar e distrair aos miseráveis.

A Roma que cresceu invadiu e dominou a maior parte do mundo de seu tempo, perdeu-se em sua própria arrogância e vaidade. Na incapacidade em controlar-se a si mesma.

Hoje são bolsas assistenciais, cartões de mantimentos, e showmicios, (sei lá como escreve) juntamente com olimpíadas e torneios. Copas de vários esportes, os tais jogos circenses e o pão.

O Poeta Juvenal jamais experimentou uma fatia de mortadela no limão, ou varias delas dentro de um pão francês, fresco e crocante. Não existia.
O Juvenal da propaganda levou um puxão de orelha quando tentou vender a mortadela destinada aos outros, aquela que e grátis nas passeatas e badernas.
O Juvenal da mortadela equivocada não e poeta e sim ator. De alguma forma o melhor elo entre o circo e o pão. Infelizmente a padaria não pagou para aparecer na propaganda.

A política do sofisma, da enganação acabou com Roma tal como nos contou o poeta, Juvenal: Pão e circo.

E tempo de aprender com a historia e não mais repetir os mesmos erros.



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Postado por Contubérnio Ideocrático, o Blog de Raul Almeida
21/5/2016 às 13h28

 
Os madrugadores da Avenida Olívia Flores

Quando o corpo se acostuma a despertar no silêncio da madrugada, é praticamente impossível forçar um novo sono. Se forçar, dá até dor de cabeça. O que já foi tédio quando jovem cede espaço ao prazer. Apreciar o raiar das primeiras luzes do dia no horizonte é maravilhoso.

O melhor mesmo a fazer é saltar da cama, dar um basta na preguiça, preencher o tempo e deixar os olhos abrir os caminhos de um novo dia.

São 4h55min. Na Avenida Olivia Flores já há amigos a me esperar. A pista vai se encher das vozes dos apressados madrugadores em nome da saúde.

Não caminhar com essa gente falta algo, a caminhada fica sem graça, parece que o tempo se alonga. Prefiro me juntar a eles.

A turma dos chamados homens de bem não dá moleza, anda pra valer. Percorre a pista todo santo dia até o fim da curva de entrada da Uesb ¬– Universidade Estadual do Sudoeste, um percurso de quase seis quilômetros.

Muito bom esse contato diário, além de fortalecer ainda mais os laços de amizade, melhora o astral.

Logo ao clarear, principia o formigueiro humano: senhores e senhoras andantes, ciclistas e velocistas de todo tipo, e lá vamos nós. De repente, aparece um grupo de belas moças, como se flutuassem pela estrada.

Todas bem vestidas de malhas coloridas coladas ao corpo, a lhes cobrirem as linhas harmoniosas de cada reentrância. Parece até que as roupas foram costuradas com elas dentro, de tão desenhadas. É inevitável a nossa contemplação, com todo respeito, é claro!

Feito bobos, um olha para o outro meio sem graça, enquanto elas passam em direção ao destino bendito. Viu aí? Escuto um perguntar, como se fosse possível alguém deixar de ver tanta exuberância!

A natureza é perfeita. As bonitas carregam consigo a majestade de suas geografias naturais. Que me perdoem as feias, como bem escreveu o poetinha Vinícius.

Colírio em circulação suaviza as batidas do coração e ajuda o sangue a fazer delicadamente seu giro nas veias. Não precisa dizer mais nada!

Já é dia. O sol ainda manso, não é mais como um bocejo avermelhado detrás da serra. O verde do pasto se anima a crescer, mas, em nome do progresso, vai dando lugar às novas edificações.

Mais à frente avista-se os prédios do SESI/SENAI/IEL, da Justiça Federal, do Novo Fórum Estadual e do Ministério Público.

Outros caminhadores, também fugindo do sedentarismo, nos cumprimentam pelo caminho. É hora de a turma colocar o papo em dia. Uns tentam seduzir os demais parceiros a escutarem os seus comentários. Todos têm, na ponta da língua, uma visão crítica sobre o jogo do time do coração, das extravagâncias do fim de semana, das experiências vividas em seus trabalhos ou se ufanam com as conquistas do passado.

A caminhada prossegue. Lá íamos nós quando, por alguma razão que até Deus duvida, um resolve chamar o outro pelo apelido.

Pra quê? A gota d’ água! O grupo inteiro cai na gargalhada. Caçoam numa chacota sem igual.

Apelido é assim, vira praga, assemelha-se a erva daninha, espalha-se como água morro abaixo ou fogo morro acima. Se enfezar – coitado! –, ninguém consegue segurar, vai estar condenado ao fogo eterno. Que o Nosso Senhor tenha dó!

O homem virou uma fera! Nervoso, vermelho que nem brasa, fazia ameaças, queria brigar a todo custo. Felizmente, a turma do “deixa disso” foi chegando, e a paz voltou a reinar; resolveu-se dar um basta. Mesmo porque, naquele instante, ninguém era doido de mexer com o ofendido.

Mas que nos dá vontade de atiçar para ver o circo pegar fogo, isso dá. A língua coça e ninguém teve coragem.

Ainda bem! Caminhada em grupo é assim. Como uma fenda aberta, por ela o que se vê vazio pode se encher de tudo.

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Postado por BLOG de Ezequiel Sena
19/5/2016 às 11h48

 
Feriado do FGTS

Uma necessidade urgente do País é um programa de estímulo que coloque dinheiro diretamente no bolso daqueles que mais necessitam e têm as melhores condições de decidir corretamente como gastar. A melhor forma de fazer isso é um "feriado" do FGTS com a duração de 2 anos. Durante esse período o FGTS será pago pelo empregador diretamente ao trabalhador, em conta não vinculada.

As famílias poderão dirigir seus gastos e investimentos da forma que cada um achar mais adequada, estimulando a demanda onde houver as maiores necessidades e induzindo as empresas a retomarem investimentos. A contraparte é que a União será forçada a sanear a Caixa Econômica Federal, que durante esse período não contará com o aporte de recursos fáceis e baratos das poupanças forçadas. Certamente isso implicará em uma necessidade de recursos do Tesouro, aumentando a dívida pública, que terá que ser compensada com uma diminuição futura de gastos.

Porém no momento de recessão profunda o país não pode prescindir de medidas de estímulo, e as mais eficazes e socialmente justas são cortes de impostos para aqueles que melhor têm noção das necessidades dos trabalhadores brasileiros. A proposta é boa, eu diria que é a melhor; pode dizer que é sua.

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Postado por O Blog do Pait
18/5/2016 às 18h26

 
Adriane Pasa no Canadá



Esta é a Adriane Pasa, que você já leu aqui, e sua amiga Cínthia - estão começando uma nova série sobre o Canadá, onde foram morar, assista ;-)

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Postado por Julio Daio Borges
18/5/2016 às 13h14

 
Como um torcedor do Brasil em época de Copa

Sabe aquele sujeito que só torce pelo Brasil em época de Copa do Mundo?

Então. Sou eu...

Não tenho paciência para acompanhar futebol. Nunca tive. Nunca terei

Mas gosto de torcer pelo Brasil em época de Copa. Subitamente me interesso pelas seleções, pelos jogadores, até pelos técnicos

A impressão que tenho é que o talento se concentra (em época de Copa) - e o esporte tende a ser mais interessante...

Assim, o dia a dia - fora da Copa - eu acho "chato". Burocrático. Sem novidades

Pois é, não sou fã. Não sou fanático

Mas por que estou falando de futebol? Porque percebi que, em política, sou a mesma coisa:

Gosto de acompanhar em época de eleição. Os debates entre os candidatos. Até um programa eleitoral ou outro...

Mas o "dia a dia" da política não me interessa em nada. Acho chato. Burocrático. Sem novidades

Talvez por isso não vão me ver opinar sobre o dia a dia do novo governo...

Depois das "emoções" do impeachment - aquele tudo-ou-nada onde, de repente, poderíamos acordar na Venezuela ou em Cuba...

Depois disso, tudo ficou tedioso

E vamos procurar outras emoções... Talvez nas eleições dos EUA... Talvez nas eleições municipais (no segundo semestre)...

Por enquanto - se não houver nenhuma reviravolta -, eu me despeço da política e vou cuidar da vida

Admiro muito, mas não tenho a mesma vocação de uma Dora Krammer, de um Fernando Gabeira ou de um editorialista do Estadão

Nem, muito menos, o estômago de um Diogo Mainardi, de um Reinaldo Azevedo ou de um Marco Antonio Villa

Por fazer um acompanhamento "parcial" - só em época de eleição -, meus comentários estão condenados a cair na "vala comum" do torcedor-do-Brasil-em-época-de-Copa-do-Mundo...

Mas não importa. Prefiro conservar minhas emoções de "torcedor". Do que assumir aquele ar superior de "comentarista" vivido - que já viu de tudo...

O dia a dia, eu acompanho o da Catarina. O dos meus sites. O da minha família. E olhe lá

Para ir além
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Postado por Julio Daio Bløg
18/5/2016 às 09h33

 
Filme em preto e branco

Pertenço a uma sociedade secreta que adora filmes em preto e branco.

Não vou contar detalhes, como disse, é uma sociedade secreta.

Mas posso dizer que quando chove, estico os ossos no sofá logo depois de esquentar uma caneca de leite com chocolate para ver na TV filmes em preto e branco que tenho gravado.

As opções são tantas que fico um bom tempo zapeando com o controle remoto, em busca de um daqueles de neve caindo na aba do chapéu do mocinho, que pisca o olho, desviando a fumaça do cigarro que sobe, inibindo de vez a desavisada mocinha, que tão ingênua e recatada (que palavra horrível!), recolhe o corpo num aperto de ombros.

Filme antigo é cativante até no título: O homem que matou o facínora, Como era verde o meu vale, Psicose, Cidadão Kane, A felicidade não se compra...

Não assisto mais TV aberta, cansei, dei um basta.

E isso já tem um bom tempo.

Dias desses vi a Tássia Camargo numa manifestação política e custei a reconhecê-la.

O tempo passa e nem percebemos.

Ainda ontem (na verdade, muitos anos atrás) Tássia era uma das estrelas das novelas, linda, meiga e recatada (de novo essa palavra horrível!).

Sinal que envelhecemos.

Chuva, filme antigo, sono...

Deixo meus pés roçarem um vaso de flores num canto da sala, o reflexo é de cores que aos poucos se mistura em meus olhos ao preto e branco da TV.

O copo de leite com chocolate esfria e repousa mansamente entre meus dedos, à espera que o sol volte, mas sem nenhuma pressa, os olhos presos na beleza de Scarlett O'hara, mais precisamente nos olhos de Scarlett, verdes ou azuis, nunca soube ao certo, muito embora esse seja um filme colorido.

No final a câmera se aproxima aos poucos, registra o beijo final, a dama entregue, os lábios oferecidos e um dos braços caído rumo ao chão, como quem desfalece.

O mocinho é de uma postura de pedra.

Um pensamento bobo me assoma, será que ele vai apressar o beijo na ânsia de acender outro cigarro?

Fim de filme.

O preto e branco nos meus olhos vai dando lugar às cores do mundo real.

Ao desligar a TV, dou de cara com os pingos da chuva batendo na janela.

Ninguém lá fora, só o vento, a escuridão e a água que cai.

A cena escancara na minha mente uma frase do Fernando Pessoa: “ Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta".

Pessoa me remete a livros, mais ainda, à vontade de ler, e saio procurando um romance que comprei tempos atrás e não terminei de ler, que nem sei mais o título, mas sei que na capa tem flores e ventos.

Que chato procurar um livro e não encontrá-lo, fica aquele sentimento estranho de perda, amparado pela dúvida, será que emprestei e não me foi devolvido? Não sei.

A chuva insiste, prendendo-me quieto num canto, bebendo o que resta de leite com chocolate, frio, quase gelado, contemplando o silêncio, os olhos pousados no vaso de flores das pétalas murchas pelo tempo, que já não exala perfumes, mas é quase tão maravilhoso quanto um filme em preto e branco.

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Postado por Blog de ANDRÉ LUIZ ALVEZ
16/5/2016 às 12h29

 
Distraidamente I

Tal aquele barqueiro distraído
que perdeu a isca e fisgou o remo ao pescar
a lua, eu queria escrever distraidamente.
E encurvar o anzol até fechar-se um círculo
para que minhas palavras não caiam
em tentação.

Quando engulo abstrações, morro de tédio.
Por isso, para sobreviver, meu devaneio
desce ao chão e distende-se numa caminhada.
E ao pisar na relva meus passos
estalam folhas secas.

Mas não é por maldade que piso
nas coisas da terra. A elas meus sapatos
irmanam-se no ímpeto que as faz
viver na simplicidade do cotidiano
a engendrar bichos de nuvem.

E distraidamente mantemos
o fôlego.

(Do livro Nada mais que isto)

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Postado por Blog da Mirian
15/5/2016 às 14h28

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