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BLOG

Terça-feira, 26/7/2016
Blog
Redação

 
Atrito amoroso

O coração
é como
sabonete

Quando
se entrega
gera perfume...

"-Ensaboa mulata
ensaboa

-Tô ensaboando"

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Postado por Metáforas do Zé
26/7/2016 às 07h24

 
Preservativo para a inconveniência

Xarope em promoção, aparador de cutículas, descongestionante nasal, odorizador de ambientes, balas de gengibre para a garganta, lixas de unha, álcool em gel e uma barriga.

Barriga espremida contra o balcão de vidro, o homem aponta para o varal de embalagens multicoloridas, quer informações pormenorizadas. De pronto, a atendente esclarece dúvidas sobre quantidade, preço e até sobre cheiros e sabores. O homem não está satisfeito, sua intenção agora é apalpar a mercadoria. As cartelas, então, são trazidas até o balcão. A atendente as espalha como se lidasse com peças de roupas. Não deixa escapar qualquer indício de constrangimento, o que, aliás, distingue o seu bom profissionalismo, mas o problema é que ela acumula a função de atendente com a de caixa, e isso quer dizer que a fila de pagamentos já se estende quase para além da saída.

Indiferente ao comprimento da fila, o homem ainda não fez sua escolha, continua a tomar de assalto a atenção da atendente, ele examina medidas, concentra-se na leitura das especificações técnicas, repete perguntas, em especial sobre a quantidade, ao que parece quer deixar claro que costuma fazer uso constante do produto. As pessoas na fila começam a demonstrar suas impaciências, atravessam o grau de insatisfação em que olham com cara feia para diferentes pontos, como que pedindo providências.

Outra atendente, a responsável pelas receitas médicas, percebe a gravidade da situação e assume o caixa. Crédito, débito, via do cliente, a fila vai diminuindo até não restar quem tenha que pagar pelo que comprou. Enquanto retorna ao seu posto, a atendente das receitas médicas observa a cena em que o homem ainda se demora em investigações. Meio indignada, meio sarcástica, ela resmunga:

– Só falta ele querer experimentar.


Texto originalmente publicado no site flaviosanso.com
flavio.sanso@gmail.com

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Postado por Flávio Sanso
24/7/2016 às 20h28

 
A história da canção: entrevista Paulinho Moska

Estreia hoje nova seção do blog sobre a história por trás das canções

Divulgação

Você já se perguntou qual a origem da música que tanto gosta? Ou mesmo se intrigou com aquela que apesar de apreciar ou do sucesso parece, como boa obra de arte, ter vários significados ou aparentemente nenhum? Pensando nessa questão, o blog iniciará uma seção em que os reais compositores das letras revelam a história por trás da canção. Arte? Acaso? Trabalho incessante? Inspiração? São fatores estudados desde a Antiguidade e que permanecem sem resposta – que não seja questionada - até hoje.

Para iniciar a série de entrevista, conversamos com o músico Paulinho Moska. O músico gentilmente nos contou a história da composição das letras de Saudade e Namora Comigo que de alguma maneira contribuem mais ainda para explicar – ou seria explicar para confundir, como diria Tom Zé – os tópicos interrogativos acima. Mostrou que a música final pode surgir de um passeio, da ‘raiva’, de uma brincadeira e que, acima de tudo, não há regras pré-estabelecidas para concebê-la.

Seja arte, inspiração, técnica, habilidade ou acaso, deixemos as querelas para os estudiosos, da nossa parte espero que todos vocês se deliciem, com muito gosto, com os casos musicais que ‘tocarão’ aqui nesse espaço.



BLOG SOBRE AS ARTES - Poderia narrar, o mais detalhado possível, história que propiciou a gênese da música Saudade, em parceria com Chico César?

PAULINHO MOSKA: Chico sempre me visita quando vem ao Rio. E sempre de bom humor! Um dia ele chegou meio cabisbaixo, não sorriu quando saltou do taxi. Subiu a escada da minha casa e me disse: "Paulinho, no caminho pra cá passei pela Lagoa e vi uma cena linda: o reflexo da lua branca no manto negro das águas. Me deu uma saudade..." e me abraçou. Eu logo correspondi ao abraço e perguntei: "Saudade de quem, do quê, Chico?". E ele me respondeu: "De ninguém, de nada. Só a saudade pura mesmo!". Imediatamente após minha gargalhada de alívio, dei a ideia de fazermos uma canção sobre esse tema, a saudade pura.

BLOG -< A escrita, propriamente dita, foi a quatro mãos?

PAULINHO: Nos sentamos no sofá da sala com um violão, um papel e uma caneta, que iam se revezando nas minhas mãos e nas do Chico. Cada ideia que aparecia ia levando à uma outra.

BLOG -
O processo de composição foi árduo ou foi apenas "botar saudade em tudo"?

PAULINHO MOSKA: Teve uma fruição característica daquelas canções que já nascem prontas, foi muito intuitiva. Mas eu e Chico gostamos da palavra e cuidamos para as rimas enriquecerem o poema. Só de estar na frente dele acho que fico mais exigente comigo mesmo. Maria Bethânia me disse no camarim depois de um show dela em que Saudade estava no seu repertório: "Essa música não é sua nem de Chico, Saudade é do povo brasileiro".

BLOG - Já comentou em diversos momentos – shows, principalmente - que quando não entende alguma coisa ou algo, ela [a coisa] permanece fixa na tua cabeça, e por fim você se propõe a escrever sobre o assunto. Como é isso? Para que compõe ou escreve?

PAULINHO MOSKA: Poesia é tudo aquilo que não tem explicação. Escrever é uma forma de sobrevoar o espírito da poesia tentando criar um jogo onde as palavras liberem novos sentidos. Eu escrevo e componho sem perceber, como se fosse um segundo oxigênio que potencializa. Acho que no fim das contas escrevo e componho para sobreviver.

BLOG - Existe parceiro mais fácil ou mais difícil de compor junto? Prefere o momento da composição ou musicar algo preexistente?

PAULINHO MOSKA: Parceiro bom é aquele que escreve bem. De preferência com rimas e número de sílabas proporcionais. Adoro esse formato, que é o mesmo quando eu escrevo. O momento é muito importante. E quanto mais intimidade pessoal, maior a chance de acontecer. Não consigo compor com alguém que eu não conheça pessoalmente.

BLOG - Apesar da singularidade que a palavra ‘saudade’ possui no nosso idioma o que dizer da versão de Pedro Aznar? Trata-se de um outro tudo - outra saudade, outro sentimento, outra canção?

[Veja logo abaixo um vídeo, de qualidade não muito boa (me desculpem, rs), dos dois cantando a música]



PAULINHO MOSKA: Pedro é apaixonado pelo nosso idioma (português) e pela nossa música (MPB). A versão dele é excelente.



BLOG - Você citou a escadaria quando contou recentemente a não menos deliciosa história da música Namora Comigo. Poderia narrar ela novamente em detalhes?

PAULINHO MOSKA: Mart'nalia sempre gravou canções minhas em seu discos. Grande amiga, de casa. Um dia fui ao cinema e encontrei a empresária dela, que é também uma grande amiga minha. Perguntei sobre a Nega e ela me respondeu que Tinalia estava terminando um disco novo, mas sem música minha??? Como??? Fiquei com um ciúmes mortal e fui pra casa compor correndo uma música pra ela. Mas antes resolvi enviar um e-mail, dando uma bronca nela. Na tela branca escrevi: "POOOOOOORRRRRAA MART'NALIA!" Depois, achando que tinha pegado pesado, escrevi: "Namora comigo também né, Nega!" E a partir dessa frase escrevi a letra, gravei e enviei no mesmo e-mail a canção pronta. Quase um mês depois, no dia dos namorados, quando eu já pensava que ela não tinha gostado da música, recebi um buquê de flores gigante com um envelope (sem cartão) escrito assim: "NAMOOOOOOROOOO!!!

BLOG - Falando novamente do processo de composição da música. Apesar de não ser, me parece que você instaura outro tipo de parceria, por parecer que incorpora a figura, estilo e a voz da Mart'nália ao compô-la. É assim que acontece? Esse é o seu procedimento ao iniciar uma canção endereçada à outra pessoa, seja cantor ou mesmo um anônimo?

PAULINHO MOSKA: Não costumo compor pensando em outra pessoa. Parto do princípio de que sou eu que tenho que gostar. Se a canção ficar boa o suficiente para eu mesmo gravá-la, está pronta para ser enviada para algum (a) intérprete.

BLOG - Apesar da beleza, sensualidade e outras sensações positivas que a música suscita, ela surgiu, como aparece em alguns depoimentos seus, de uma espécie de vingança. Claro que num tom irônico. Ao saber que Mart'nália estava finalizando um álbum novo sem composições tuas. Você transforma sentimentos adversos, constantemente em canções belas? Como ocorre esse fenômeno?

PAULINHO MOSKA: Compor uma canção é como armar um jogo de quebra-cabeça, um puzzle. E nesse jogo cada jogador esconde suas intenções nas entrelinhas, nas melodias e no jeito de cantá-las. Tudo parte de um ponto (no caso foi a vingança), mas logo descamba para as outras sensações e sentimentos que afloram em seguida. Pode ser um acorde ou uma frase escrita. Dali tudo toma um novo caminho e pode se agenciar com as mais diferentes imagens.

BLOG - Já havia feito alguma composição por e-mail? Já de início pensou que sairia uma música?

PAULINHO MOSKA: Não, foi a primeira vez. Não tinha a intenção.

BLOG - Como é compor sobre pressão? Como no caso dessa canção, que havia dito para a empresária da Nega, Márcia, que tinha “umas quatro ou cinco músicas boas em casa”. Neste caso ajudou, mas costumeiramente é assim?

PAULINHO MOSKA: Eu menti. Não tinha nenhuma boa. Foi só pra ganhar tempo e me forçar a compor. Às vezes uma pressãozinha cai bem. O Zoombido (minha série de TV) é na pressão o tempo todo.

BLOG - Gostou da gravação da Mart'nália? E, além disso, qual a sua impressão da produção musical e participação, na própria canção, do Djavan?

PAULINHO MOSKA: Achei um luxo total a participação do mestre Djavan. A canção foi feita pra Mart'nalia e é lindo escutar a voz dela cantando os versos que escrevi. Imaginei a situação dela seduzindo alguém na plateia de um show.

Divulgação

Quem estiver com vontade de ouvir estas e outras histórias indico o show que o cantor estará fazendo em São Paulo, neste sábado, 23, no Teatro J. Safra, da turnê Violoz. O músico se apresenta com formato voz e violão, mas não sem novidade. Moska decidiu levar consigo seus violões favoritos para interpretar de outra maneira as canções: violão com cordas de Nylon, outro violão com cordas de aço, um barítono (afinado em Si), um violão híbrido (violão guitarra) e um ukelelê.

Além das canções que foram tema da nossa conversa acima temos também outras que são os sucessos absolutos de sua carreira: A Seta e o Alvo, Pensando em Você, Idade do Céu, Último Dia, Tudo de Novo, Muito Pouco, além de uma versão de Terra de Caetano Veloso assim como Enrosca de Guilherme de Lamounier, ambas gravadas para novelas recentemente.

Acompanhei a estreia da turnê em São Paulo, no Sesc Belenzinho, em agosto passado . Um bom show!

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Postado por Sobre as Artes, por Mauro Henrique
23/7/2016 às 18h49

 
O chato

Andava muito nervoso naquele ano, que muitos só se lembram de setembro, quando as torres gêmeas caíram.

Nada dava certo e os planos desmoronavam.

Assim como na canção da Cássia Eller, eu trocava cheques para sobreviver.

Num dia que uma chuva repentina me pegou, e me fez perceber que meus sapatos estavam furados, ao procurar abrigo num ponto de ônibus, dei de cara com aquele rosto ligeiramente conhecido, que se abriu em contentamentos.

Tentei recuar, mas os pingos da chuva foram mais fortes.

Um aperto de mãos, leve de minha parte, dele entusiasmada de um tanto que quase me quebrou um dedo. Meus olhos cerraram e se abriram várias vezes em torno da sua figura, tentando lembrar o seu nome.

Nunca fomos próximos, ainda assim, ele danou a falar do seu casamento, que não deu certo, porque a Rosinha – e eu tive que mentir que conhecia a Rosinha, mesmo que depois de todas as descrições eu continuasse a pensar na namorada do Chico Bento – queria riquezas que ele não podia lhe dar, mas que resultou na garota tímida, do rosto redondo e cabelos mal penteados, que naquele instante tentava se esconder no meio das suas pernas.

Contou também do desemprego, da falta de oportunidades para um profissional como ele – motorista, pintor, garçom, algo assim, não sei definir ao certo -.

O arco Iris no horizonte foi a desculpa que eu precisava para me despedir.

Na saída, o convidei para aparecer na minha casa um dia qualquer, dessas coisas que a gente fala mais por educação e cordialidade do que sinceridade.

Quando alguém bateu palmas no portão de casa no domingo pela manhã, sequer me preocupei em trocar a roupa de mendigo que costumo vestir nos finais de semana.

Pensei se tratar de algum religioso, que eu ouviria sem escutar, fingiria ler o panfleto e logo o despacharia.

Para minha surpresa, era ele, vestido com a mesma calça e camisa da última vez, sorrindo enquanto tentava equilibrar a filha no meio das pernas.

Ele entrou e fiquei com raiva do meu cachorro, que balançou o rabo, todo contente, quando ele passou as mãos na sua cabeça.

E danou a falar da ingratidão da Rosinha, o corpo aos poucos se esparramando pelo sofá, sem se importar com o tédio da filha, e eu só pensava no que faria para arranjar um cheque emprestado para trocar no dia seguinte.

Para disfarçar, servi um vinho cheirando a vinagre, que estava jogado na geladeira desde o último natal.

Bebemos e o álcool relaxou meus pensamentos, as contas a pagar aos poucos foram se apagando.

A bebida acabou no exato instante que ele recordou de um jogo do Operário, de um gol de letra do Arthuzinho e eu comecei a considerar razoável aquela nossa conversa.

O gosto do vinho nos cantos da boca foi o combustível para comprar fiado cinco cervejas e, de repente, o chato já era meu melhor amigo.

Rimos, quase choramos, recordamos de tudo um pouco, dos outros vizinhos e de namoradas que inventamos, porque sequer sabiam da nossa existência e até afirmamos que “no nosso tempo”, o ar era mais puro.

”Tem aí um violão?” perguntou e eu respondi faceiro que o vizinho tinha e fui lá buscar, enfrentando a cara feia do vizinho, que era um chato que também não gostava de visitas sem avisar e se vestia de mendigo aos domingos, mas que gostou da idéia de ouvir violão, se auto convidou, levando junto uma garrafa de 51 e uma penca de limões.

Vinho, cerveja e caipirinha.

Naqueles tempos eu bebia sem apagar, hoje, só de lembrar, sinto náuseas.

O amigo chato tocou violão e cantou maravilhosamente, um pouco de MPB, um tanto de sertanejo de raiz, e o dia passou tão ligeiro que nem percebemos.

Quando ele foi embora, acompanhei seu vulto virando à esquina, um tanto trôpego, as mãos que dançavam pelas costas da filha.

Controlei a custos o impulso de correr até ele, perguntar-lhe o nome e pedir para que voltasse outra vez.

Mas fiquei preso ao meu silêncio, à minha falta de ternura, restando apenas essa lembrança, que traduzo num suspiro dolorido, que me deixa melancólico, tomado pela certeza que fui um completo chato e insensível naquele difícil ano de 2001.

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Postado por Blog de ANDRÉ LUIZ ALVEZ
23/7/2016 às 15h46

 
*Black flag*, etapas da criação em GIF



"Black flag"
Pintura digital vetorial
09 de agosto de 2011
Giclée sobre papel Arches Aquarelle Rag, (100% algodão)
Edição limitada a 20 prints.
Tamanho da impressão: 59 x 83,4 cm.
Datado, assinado, numerado de próprio punho.
Acompanha Certificado de Autenticidade.
Preço por print R$ 1.305,00.


João Werner nos


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Postado por Blog de João Werner
23/7/2016 às 10h39

 
Lançamento e workshop em BH

Dia 9 de agosto, terça-feira, o livro Em busca do texto perfeito - Questões contemporâneas de edição, preparação e revisão textual, da professora Ana Elisa Ribeiro, será lançado na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, em seu atual endereço, na Praça da Estação. O evento terá início às 19h, com workshop sobre os temas do livro, que é uma coletânea de artigos da autora. Para participar, é necessário fazer inscrição. Entrada gratuita, emissão de certificados aos participantes e, na sequência, sessão de autógrafos. O livro já está à venda pelo site da editora.

LeP



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Postado por Ana Elisa Ribeiro
21/7/2016 às 12h10

 
Muralha de 8 bits, pintura digital

As novas linguagens artísticas advindas do computador têm propiciado experiências criativas inovadoras.
As pinturas de 8 bits são um exemplo: 16 cores apenas, não mixáveis, dispostas em uma grade retangular de 200 locus na superfície da pintura. É uma linguagem limitadora, evidentemente, mas lembra as pinturas minimalistas da década de '60 ou, mesmo, os mosaicos greco-romanos ou os teares franceses.



"Muralha"
pintura digital IPAD, giclée sobre tecido de algodão da Canson
16 de dezembro de 2012
53x87 cm.


detalhe


verso da pintura



João Werner nos


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Postado por Blog de João Werner
20/7/2016 às 09h57

 
Como comprar o seu político no varejo



Estava escrito Políticos a partir de Honestos. Não é falsificado esses honestos não, né, moça!? A vendedora da loja sorri com discrição: - senhor, esses que nós chamamos de honestos são apenas candidatos. É como eles preferem ser chamados! Honesto mesmo, original de fábrica, fizemos pedido na Constituição de 1988, nunca chegou. Ah! Tá... Na verdade – continuou ela – o que oferecemos é a comodidade do senhor poder lucrar com seu voto de uma forma segura, desde botijão a gás até promessa a cargo comissionado em setor público. Antes, porém, quero deixar claro para o senhor que a garantia desses nossos produtos vai somente até as eleições agora em outubro!

E aquele ali com desconto de até 80%? Qual o preço? O nome do senhor é...? Então, aquele, o Padrinho Político, o senhor deve se cadastrar primeiro para conseguir comprar. Informar seus dados pessoais, número do título de eleitor, zona eleitoral. Funciona por meio da adesão de afiliados que fizer. Marketing multinível! Conhece? Começa na etapa inicial e vai até a etapa ouro. Quando estiver no ouro receberá de nossa loja um voucher que autoriza a comprar o Padrinho. Essa promoção de até 80% de desconto é para todos aqueles que se cadastrarem essa semana e conseguirem comprar o seu até as eleições desse ano! Esse do mostruário é um modelo Standard, pode demorar até 4 anos para ver algum benefício. O top mesmo é o Premium. Retorno imediato! Tem mais influência em Brasília. Nesse, consigo para o senhor desconto de 20%. Vamos fazer seu cadastro? Só perguntando, moça...

Há outros Políticos também! Temos o Corrupto. Esse eu garanto retornos milionários para o senhor através de favorecimentos em licitações, participação em esquemas etc. O pagamento é feito por meio de doações, ou outra forma de pagamento a combinar. A única ressalva é que precisa fazer intenções de negócios primeiro, para ver se atende aos requisitos. Se aprovado, o senhor entra em nossa lista. Quando oportuno, entramos em contato para firmar parceria.

Já podemos fechar pedido, senhor? Não, moça, na verdade, estou a procura mesmo é de um Político Certo! Tem?

Para esse produto, senhor, só fazemos o pedido. Depois das eleições é que conseguimos dar uma posição se o produto foi ou não faturado pelo fabricante. Temos no catálogo! Quer ver? É um autêntico Político Certo, ano 2017/2020, modelo transparência, com direção ética, completo! Sou apaixonada! Mas, para ser sincera, pode ser que ele nunca seja fabricado. Eu, por exemplo, nunca vi um pessoalmente. Se um dia o senhor encontrar, tome muito cuidado, todos os outros políticos que eu aqui mostrei tentam se passar por um Político Certo. Em nossa loja, o Político Certo é o único que a garantia que oferecemos é o senhor mesmo! A partir do seu voto!

Posso anotar o seu pedido?

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Postado por Escrita & Escritos
19/7/2016 à 00h48

 
A voz de Svetlana em Paraty



Quando anunciaram o nome da jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, na Tenda dos Autores da Festa Literária Internacional de Paraty, me levantei da cadeira num pulo. Era o momento mais esperado da Flip. Mal podia acreditar que estava a poucos metros da detentora do Prêmio Nobel de Literatura que, nove meses antes, me tinha roubado o sono de muitas noites a fio, por causa do livro Vozes de Tchernóbil.

Será mesmo ela?

Com passos miúdos e vestida com a simplicidade discreta de quem conhece bem o próprio valor e não faz a menor questão de aparentar o que não é, a jornalista e escritora de 63 anos de idade nos sorriu timidamente e logo se encaminhou à cadeira que lhe foi destinada, procurando rapidamente uma posição confortável.



Enquanto a plateia aplaudia entusiasmada, lembrei-me de um detalhe insignificante que li em uma reportagem sobre o Nobel, em outubro do ano passado. A matéria dizia que, quando o telefone tocou para lhe dar a notícia do prêmio de 1,4 milhão de dólares, Svetlana se encontrava em casa, tranquilamente... passando roupa! Esta insignificância nunca me saiu da cabeça. Para mim, a imagem pé-no-chão da ilustre jornalista, passando roupa no seu momento de maior glória, revela mais sobre a personalidade desta mulher incomum do que longos discursos laudatórios.

Assim que vi o nome de Svetlana nos jornais, procurei ler algum dos seus livros. Foi tarefa complicada. Percebi que o trabalho da jornalista bielorrussa era desconhecido do lado de cá do Atlântico. Os Estados Unidos ainda não haviam prestado muita atenção nela. Traduções ao Português, até onde pude investigar, simplesmente inexistiam. Encontrei finalmente uma versão eletrônica, com boa tradução ao Espanhol, do Vozes de Tchernóbil - um livro emocionante e perturbador, baseado em entrevistas com sobreviventes do acidente catastrófico da usina nuclear de Chernóbil, na Ucrânia, então parte da União Soviética, ocorrido em 1986.

Escrito com uma humanidade tocante, Vozes de Tchernóbil me pegou pelo estômago. Devorei-o com uma voracidade e encantamento que há muito tempo não sentia ao ler um livro. Fiquei tão emocionada, que acabei escrevendo um texto sobre ele aqui no blog. (Se quiser lê-lo, basta clicar aqui.)

Ao final do livro, uma pergunta não saía da minha cabeça: por que é que o mundo levou tanto tempo para descobrir a obra desta escritora monumental?



Assim que terminei o livro, fui logo em busca de outro. Mais uma vez, senti-me grata por viver na era mágica da internet, que me permitiu ler A Guerra Não Tem Rosto de Mulher sem ter que esperar meses até seu aparecimento nas livrarias daqui do Brasil. É um livro forte, inesquecível, tão impactante quanto o primeiro. Desta vez, porém, o tema é o envolvimento das jovens mulheres soviéticas na Segunda Guerra Mundial, que deixaram para trás tudo o que tinham - famílias, estudos, segurança, conforto, inocência e juventude - para pegar em armas e lutar no front contra o exército alemão, embriagadas pelo fervor nacionalista do stalinismo.

Como indica o próprio título do livro, a importância da feminilidade na vida das mulheres traz revelações surpreendentes, tanto na guerra quanto na paz, provocando profundas reflexões sobre a questão do feminino vs masculino. Assim como no livro sobre Tchernóbil, A Guerra Não Tem Rosto de Mulher é uma sequência de depoimentos comoventes colhidos ao longo de anos, em centenas de entrevistas. Svetlana, entretanto, prefere evitar este termo. "Não faço entrevistas", fez questão de ressaltar durante a apresentação na Flip. "O que faço são visitas às casas das mulheres, onde tomamos chá e passamos horas conversando, sem pressa nenhuma, sobre temas que nos interessam - falamos sobre uma blusa nova que compramos, uma boa receita de bolo ou a vida com nossos netos. Aos poucos, vêm à tona lembranças de detalhes das histórias da guerra que, para muitas daquelas mulheres, pareciam estar completamente esquecidos e apagados."

Os relatos que Svetlana consegue obter nessas longas conversas são de uma força emocional esmagadora. "A guerra é uma vivência demasiado íntima", acredita Svetlana. "Não me interessam os fatos externos nem as estatísticas da guerra, mas os sentimentos das pessoas, a história omitida." E se define, com firmeza delicada: "Sou historiadora da alma".



Se você está planejando ler algum destes livros, prepare-se para entrar num redemoinho emocional violento. Svetlana não brinca em serviço. Ela mergulha fundo no coração das pessoas, sem dó nem piedade, manejando com habilidade um afiado bisturi jornalístico. Mas apesar das tragédias e da dureza dos temas tratados, a jornalista consegue extrair de cada entrevistado os sentimentos mais belos e nobres existentes no ser humano, como solidariedade, amizade, generosidade, coragem e, acima de tudo, amor ("essa palavra de luxo", como diz a poeta Adélia Prado). Mesmo quando descreve as cenas mais cruas e dolorosas, o que Svetlana quer nos transmitir, na verdade, são as falas que vêm do coração. Sem jamais resvalar para o sentimentalismo, ela garante: "A única saída existente hoje no mundo, para a humanidade, é o amor."

Atrás daquele semblante afável, Svetlana não esconde o que pensa sobre a política russa atual. Sem meias palavras, dispara: "Não temos ilusões políticas, sabemos que bandidos estão no poder. Nós, democratas, fomos derrotados. Para reconquistar a liberdade, ainda temos um longo caminho a percorrer. E daí? Muito mais importante do que tudo isso na vida é estar perto das pessoas a quem queremos bem. Por isso resolvi retornar ao meu país." E pergunta, com um sorriso desarmante: "Como poderia viver longe da minha netinha?"

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Postado por Blog da Monipin
15/7/2016 às 23h01

 
Na minha opinião...

A frase sequer começou e, numa espécie de sincope mental, terminou dentro da própria cabeça, sem qualquer sentido.

A percepção de que não havia necessidade de dizer nada, absolutamente nada, confirmou a certeza já adquirida, de que ninguém se importava com suas idéias, experiências ou sentimentos.

Nada.

Ninguém estava prestando atenção a ele sentado ali, opaco, semi silente, fora do contexto, do momento e da realidade daquele grupo. Estava cumprindo tabela, como se diz.

Fazia parte de uma desejada ausência que, por força das circunstancias, estava adiada: Um aniversario em família. Um encontro de gerações, uma convergência de antagonismos discretos e tolerados. Uma farsa social.

Mais uma risada, mais uma frase com sentido impreciso, mais um deboche sem endereço certo e ele procurava intensificar sua invisibilidade.

-Obrigado, estou satisfeito.

-Não, não bebo mais tanto assim...

-Pode me passar a jarra com água?

A conversa, entrecortada de risadas, afirmações em voz mais alta, varias sons ao mesmo tempo e os ruídos de talheres, louças, copos e taças, mal conseguia penetrar a angustia de estar ali.

Faltava pouco para terminar o encontro quando a pessoa que fazia aniversario começou a distribuir os pedaços do bolo e nomear cada um dos agraciados com o doce.

O primeiro foi marido, depois a mãe, depois um parente distante, em seguida a mais jovem presente, e a seguir uns e outros entre filhos e assemelhados, ate que todos estavam com seus quinhões.

Uma distração, um breve momento e foi lembrado.

- Um pedaço especial.sei que você gosta!

-Obrigado, agora não, estou muito satisfeito e evitando açúcar, sabe como e, a idade, essas coisas...

-Oh, você gosta! Toma ai!

-Não obrigado. Fica para outra vez.

Em seguida pediu licença levantando-se da cadeira com a desculpa de ir aos cuidados. Entrou no banheiro, olhou-se no espelho, tentou conter o choro, mas não deu.

Esperou um pouco, lavou-se, esfregou bem os olhos, levantou a cabeça e voltou para recusar o café, o licor, o bombom e os sorrisos de “vai que já esta tarde”.

Ficou por ali mais um tempinho, pensando e voltando ao passado em acelerada viagem. Devolveu os sorrisos pendurados nas bocas desrespeitosas, desejou saúde e prosperidade a aniversariante, estendendo a firula verbal a todos os presentes e foi embora.

Não representava uma herança, um legado, uma caixa de jóias, quem sabe um pecúlio. Não tinha nada. Não valia nada que se pudesse trocar. Ao contrario, dava despesa e preocupação.

Era chato, tinha opinião, era falastrão, contava historias que ninguém queria escutar. Era metido, gostava de coisas boas, de tudo que, agora não podia mais comprar. Era um traste. Um estorvo. Um ser incomodo, difícil de remover por conta das circunstancias.

-Ah. Na minha opinião, bem que poderia perder a esperança e abrir caminho para a solução de todos os problemas que causo com minha insolente mania de pensar que sei, que posso, que faço, que ainda tenho algum valor.

Sentado junto a janela do ônibus intermunicipal, voltava para casa dando conta de que não tinha nada para deixar para ninguém. Lembrava dos mais recentes instantes passados na festa de aniversario sem conseguir ficar triste. Não conseguiu mais chorar, sequer falar sozinho.

A senhora vestida com elegância, olhar profundo e singelo, sorriso amistoso e mãos tratadas a ele estendidas, acenou com a cabeça, piscando um olho cúmplice e simpático, sentando-se ao seu lado.

As magoas, amarguras, desapontamentos, tristezas, saudades, vontades e esperanças despediram-se com acenos e gestos largos. Morreu sem perder a pose, sentado, olhando pela janela.



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Postado por Contubérnio Ideocrático, o Blog de Raul Almeida
15/7/2016 às 16h21

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