Entrevista com o poeta Armando Freitas Filho | Jardel Dias Cavalcanti | Digestivo Cultural

busca | avançada
16941 visitas/dia
829 mil/mês
Mais Recentes
>>> Juiz federal estreia na literatura com contos sobre heróis históricos
>>> Alessandro Ferrari Jacinto e Marisa Folgato lançam 'Alzheimer' na Livraria Martins Fontes
>>> Programa de Edição de Textos de Docentes da Unesp 2018
>>> Banda Silibrina se apresenta no Bona
>>> EXPERIMENTE E CELEBRE UM MUNDO DE GASTRONOMIA NO EVENTO MULTICULTURAL GRATUITO MAIFEST
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Nobel, novo romance de Jacques Fux
>>> De Middangeard à Terra Média
>>> Dos sentidos secretos de cada coisa
>>> O pai da menina morta, romance de Tiago Ferro
>>> Joan Brossa, inéditos em tradução
>>> Sebastião Rodrigues Maia, ou Maia, Tim Maia
>>> 40 anos sem Carpeaux
>>> Minha plantinha de estimação
>>> Corot em exposição
>>> Existem vários modos de vencer
Colunistas
Últimos Posts
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
>>> Psiu Poético em BH esta semana
>>> Existem vários modos de vencer
>>> Lauro Machado Coelho
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
Últimos Posts
>>> Desenhos a lápis na poesia de Oleg Almeida
>>> Eloquência
>>> Cenas do bar - Vladimir, o solteiro.
>>> Deu na primeira página...
>>> Palavra vício
>>> Premissas para reflexão
>>> Sem troco
>>> Libertarias
>>> A mandioca e o canário da terra
>>> Lua nova
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Dicas para a criação de personagens na ficção
>>> Joan Brossa, inéditos em tradução
>>> crônica - ou ensaio - à la hatoum
>>> E a lei cedeu diante dos costumes
>>> E a lei cedeu diante dos costumes
>>> Casa Arrumada
>>> Anti-Jô Soares
>>> Algo em común
>>> Pedro Paulo de Sena Madureira
>>> Entrevista com Claudio Willer
Mais Recentes
>>> Bumerán Chavez
>>> Estado Delincuente
>>> Boves El Urogallo
>>> Cuco
>>> A Bolsa e a Vida - 1ª Edição
>>> Função ceo a descoberta do prazer
>>> Função ceo a descoberta do amor
>>> As cores do amor
>>> Pecaminoso
>>> Coleção Beltranianas - Comunicação e Problemas Luiz Beltrão Parte III
>>> Silicone XXI
>>> Casas Junto Al Mar
>>> Minha Experiência em Brasília
>>> Meu pé de laranja lima
>>> Desenho de Paisagem Urbana
>>> Canaa
>>> Curso de Propriedade Intelectual Para Designers
>>> O Brasil Não Existe!
>>> Apartamentos Urbanos
>>> Arquitetura e Design. Sergio Rodrigues
>>> A Hora Futurista que Passou e Outros Escritos
>>> Uma História da Pintura Moderna
>>> Olhar Sobre o Passado - Volume 1
>>> Quase Vegetariano
>>> Macário
>>> A Dieta de Sonoma
>>> Electra(s)
>>> Anos 70
>>> Édipo Rei de Sófocles
>>> Design e Comunicação Visual
>>> Cézanne: Miniguia de Arte
>>> O Último Godot
>>> Pós Modernismo: Repensando a Arquitetura
>>> Mario Botta
>>> Cinematógrafo: Um Olhar Sobre A História
>>> Desenho a Cores: Técnicas de Desenho de Projeto para Arquitetos 2ª Ed
>>> A Mão Livre 2 Técnicas de Desenho
>>> Cachaça- Edição: 1ª
>>> Preparatório Para O Exame De Pmp - 6ª Edição
>>> As origens da adoração crista
>>> A Técnica de Edificar - 6°edição Revisada e Atualizada
>>> Malba Tahan
>>> Direito Comercial Volume 21 - Sinopses Jurídicas
>>> Iniciacao a Psicologia
>>> Trilogia Deutsch Perfekt
>>> As 36 Estratégias Secretas
>>> Los Efectos Perversos Del Petróleo
>>> Afiliadas: A Tv Que Te Vê
>>> O Ajudante de Mentiroso
>>> Toulouse Lautrec miniguia de arte
COLUNAS

Quarta-feira, 7/1/2004
Entrevista com o poeta Armando Freitas Filho
Jardel Dias Cavalcanti

+ de 7400 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Armando Freitas Filho nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de fevereiro de 1940. É considerado um dos principais expoentes da poesia contemporânea brasileira, e sua obra tem sido estudada por escritores e especialistas como Heloísa Buarque de Holanda, Flora Süssekind, Silviano Santiago e José Miguel Wisnik. Em 1986, ganhou o Prêmio Jabuti de poesia com o livro 3x4, publicado pela Editora Nova Fronteira, que também lançou À mão livre, Longa vida, De cor, Cabeça de homem, Números anônimos e Duplo cego.

Ao completar 40 anos da publicação de sua primeira obra, Palavra, de 1963, Armando Freitas Filho lança Máquina de escrever - Poesia reunida e revista. O livro agrupa outros 12 já publicados e um inédito - Numeral/Nominal, que abre o volume. São 608 páginas de poesia, revistas pelo autor, que, pessoalmente, digitalizou grande parte da obra. Máquina de escrever traz ainda prefácio de Viviana Bosi e orelha-retrospecto da trajetória poética de Armando Freitas Filho assinada por Sebastião Uchoa Leite.

O Digestivo Cultural aproveita este importante momento para entrevistar Armando Freitas Filho. Agradeçemos a participação do poeta Mário Alex Rosa, que formulou as três últimas questões desta entrevista.

1- Jardel: Armando, você está lançando nesse momento sua obra poética completa, num único volume. Isso representa o resultado de uma vida dedicada à poesia. O que você pensa ou como se sente diante desse fato?

ARMANDO FREITAS FILHO: A sensação é ambígua. Se por um lado dá uma satisfação ver todos esses 40 anos, esses livros reunidos, pois Máquina de escrever abriga 13 livros de 1963 a 2003, dá, também, uma sensação de despedida, baseado na certeza que não terei outros 40 anos nem outros 13 livros para reunir.

2- Jardel: Sua poética revela sempre algo de visceral. Até que ponto você é mais vísceras que cérebro?

ARMANDO FREITAS FILHO: Não posso dizer se sou mais uma coisa ou outra. Mas o cérebro é uma espécie de estação central onde tudo passa, onde o corpo inteiro, enfim, “não se passa a limpo, mas, sim, em revista”.

3- Jardel: Sabemos das várias parcerias entre você e o artista plástico Rubens Gerchman. As artes plásticas são fonte de inspiração para sua poética? Sua poesia também dialoga com a música?

ARMANDO FREITAS FILHO: Minha poesia tem um certo índice interdisciplinar, como é comum na arte moderna. Creio, contudo, que essa “invasão” de outros gêneros só ocorre quando eu tenho uma relação orgânica, digamos assim, com a obra dos autores citados. Quero crer, por isso mesmo, que as “citações”, quando acontecem, têm um caráter estrutural, não são gratuitas ou ornamentais.

4- Jardel: Armando, até que ponto um acontecimento trágico como o suicídio de Ana Cristina César interferiu nos rumos de sua poética?

ARMANDO FREITAS FILHO: Um acontecimento dessa ordem não afeta somente o que você escreve, mas a sua vida inteira; ainda mais quando acontece com alguém de sua intimidade. Portanto, pega geral, interfere, não só quando se dá a tragédia, mas acompanha, consciente ou inconscientemente, cada dia seu. Essa interferência não é boa, é má.

5- Jardel: Você teve interesse pela poesia concreta em algum momento? O que você pensa sobre a obra do grupo concreto?

ARMANDO FREITAS FILHO: Meu poeta de vanguarda, meu poeta lato sensu, foi Ferreira Gullar, dentre aqueles que eram meus contemporâneos mais próximos. Autor de um livro seminal para a literatura brasileira, A luta corporal, o experimento de sua poesia, sempre me foi bastante, até porque este não era dogmático, parado, sempre estava indo em frente, sem preconceitos, inclusive para consigo próprio. Sua presença eclipsava o pessoal de São Paulo. Visto em retrospecto, a obra do grupo concreto me parece, cada vez mais, irremediavelmente, datada. Os últimos poemas de Augusto de Campos me soam – é curioso – quase ginasianos.

6- Jardel: Que poetas foram de fundamental importância para sua formação de leitor e escritor de poesia?

ARMANDO FREITAS FILHO: Meus poetas de cabeceira são: Drummond, Cabral, Bandeira, Gullar. Claro que há muitos outros de outras línguas, e mesmo da nossa, mas nenhum teve a influência em mim que tiveram os componentes desse four de ases.

7- Jardel: Durante o período da ditadura militar você lançou o livro À Mão Livre, criando versos de impactante violência. Direta ou indiretamente muitos destes versos faziam pensar na violência dos militares. Você também participou da poesia-práxis. Como era ser poeta nesse período?

ARMANDO FREITAS FILHO: A diferença que havia, e que é importante, era o clima horrível em que se vivia. As prisões, a tortura, as mortes, que todo mundo sabia, e o governo, cinicamente, negava, criavam um clima horroroso, depressivo. Gullar foi um dos que mais sofreram, na carne, essa tragédia. É natural que minha poesia refletisse tudo isso, direta ou indiretamente: desde Dual, de 1966, passando por Marca registrada, de 1970, De corpo presente, de 1975, À mão livre (como você diz), de 1979, até Longa vida, de 1982, pelo menos. Minha opção pela Práxis se deu porque das vanguardas instituídas era a que tinha, desde o seu começo, uma preocupação política mais ostensiva; mas não só por isso: foi, também, porque a Práxis, não aboliu, na sua prática ou por decreto autoritário, sem base ou justificativa sustentáveis, minimamente, o verso, a linha, o sujeito e o predicado.

8- Jardel: Você poderia comentar um pouco sobre os poetas da atualidade que você vê como importantes para a poesia brasileira?

ARMANDO FREITAS FILHO: É aquela velha história. Se citar um punhado vou deixar de citar outro tanto. Mas o momento poético é excelente, fora de qualquer dúvida. Se fortaleceu muito, digamos, de 1997 para cá. Os poetas que valem a pena, de múltiplas tendências – o que é ótimo – chega de ordem unida, estão publicados nas várias revistas que surgiram em toda a parte. Têm uma visibilidade muito maior do que aquela que tínhamos nos idos dos 60.

9- Mário Alex: Se você fosse definir sua poesia, qual a definição que você daria para ela?

ARMANDO FREITAS FILHO: Minha poesia é herdeira da poesia do modernismo. Acho que todos os poetas da minha geração têm essa marca de nascença. Não poderia ser diferente: desde os poetas da fase colonial, creio, não tivemos um conjunto de nomes tão importantes, em quantidade e qualidade.

10- Mário Alex: O intervalo entre a crítica jornalística e a universitária sempre foi enorme. Como você tem visto os trabalhos dessas duas naturezas sobre sua poesia?

ARMANDO FREITAS FILHO: Acho esse “intervalo” compreensível. Afinal, no espaço sempre mais controlado do jornal, cabem as resenhas; no espaço acadêmico, há lugar para o ensaio, a dissertação, a tese. Minha poesia e qualquer outra se beneficia dessas apreciações de alcances diferentes. A resenha, às vezes, escrita no calor da hora, com prazo de entrega, consegue captar, pontualmente, aquilo que vai ser desenvolvido, depois, com mais tempo, por outros autores. São aproximações, enfim, distintas e necessárias.

11- Mario Alex: Vários poetas brasileiros (Drummond, Murilo Mendes e até Cecília Meireles) fizeram poemas sobre a Segunda Guerra Mundial, mesmo o Brasil estando distante dos conflitos, pelo menos num primeiro momento. Recentemente aconteceu a guerra no Iraque. É raro aparecer um poema ou um poeta brasileiro discutindo esse tema, como foi na década de 40. O poeta hoje é mais local, mais voltado para a sua subjetividade? Não existe mais espaço para o poema, digamos “engajado”?

ARMANDO FREITAS FILHO: Creio que por se tratar de uma Segunda Grande Guerra, a mobilização foi mais ampla e imperativa. Mas não custa lembrar que nossa poesia no regime do AI-5 procurou engajar-se e protestar. Gullar é o exemplo primeiro e mais eficaz dessa militância poética. Alex Pollari, com seu importante livro Inventário de cicatrizes, de 1978, outro. A minha poesia, como já disse, refletiu, a seu modo, esse momento.

Quanto ao engajamento mais global a que você se refere, hoje, curiosamente, no mundo que só é globalizado na economia (outra forma de guerra) as guerras são localizadas: Coréia, Vietnã, Oriente Médio, Golfo Pérsico. São declaradas, desde os anos ’50 pela única potência com força para isso, o que não deixa de ter sua lógica perversa e covarde. Quem sabe, num futuro próximo, não tenhamos que nos unir contra o inimigo comum, como na época do nazismo, já que “não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan”.


Jardel Dias Cavalcanti
Campinas, 7/1/2004


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Claudio Willer e a poesia em transe de Renato Alessandro dos Santos
02. Paul Ricoeur e a leitura de Celso A. Uequed Pitol
03. Bates Motel, o fim do princípio de Luís Fernando Amâncio
04. Noel Rosa de Fabio Gomes
05. O jornalismo cultural na era das mídias sociais de Fabio Gomes


Mais Jardel Dias Cavalcanti
Mais Acessadas de Jardel Dias Cavalcanti em 2004
01. Vanguarda e Ditadura Militar - 14/4/2004
02. Maior que São Paulo, só o Masp - 19/1/2004
03. Entrevista com o poeta Armando Freitas Filho - 7/1/2004
04. Dentro da maré cósmica: Saint-John Perse - 9/8/2004
05. Tàpies, Niculitcheff e o Masp - 27/12/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/1/2004
13h41min
Prezado jardel, gostei deveras da entrevista com o poeta armando freitas. que bom que o site dá voz a estas pessoas que fizeram de sua vida algo importante para a cultura brasileira. embora discorde do comentário sobre Augusto de Campos, aprecio muitísismo a poesia do Armando.
[Leia outros Comentários de claudia]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




GRANDE ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL VOL. 17
VÁRIOS AUTORES
NOVA CULTURAL
(2017)
R$ 3,00



POR QUE OS HOMENS FAZEM SEXO E AS MULHERES FAZEM AMOR?
ALLAN E BARBARA PEASE
SEXTANTE
(2000)
R$ 4,90



ATLAS GEOGRÁFICO ESCOLAR
BRASILEITURA
BRASILEITURA
R$ 3,00



CANUDOS, ORDEM E PROGRESSO NO SERTAO
NICOLA COSTA
MODERNA
(1991)
R$ 3,00



O SER E A VIDA
OSCAR NIEMEYER
RENAVAM
(2018)
R$ 25,00



MILAGRE NOS ANDES
NANDO PARRADO
OBJETIVA
(2006)
R$ 22,00



PARA TODA A VIDA
MARINA HAASE DA COSTA FRANCO
EVANGRAF
(2002)
R$ 15,00



MEMÓRIAS DE UM NORDESTINO EM NOVA YORK - 3ª EDIÇÃO
JOÃO B. DE OLIVEIRA
SINTRA
(1986)
R$ 9,94



O DIA EM QUE COMERAM O MINISTRO
FAUSTO WOLFF
CODECRI
(1982)
R$ 8,24



RECEITAS PARA DORMIR BEM
DR. EDUARD ESTIVILL E DR. MIRTA AVERBUCH
MARTINS FONTES
R$ 30,00





busca | avançada
16941 visitas/dia
829 mil/mês