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COLUNAS

Terça-feira, 2/3/2004
Come On Die Young: Mogwai e o post-rock
Nanda Rovere

+ de 1900 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Como não costumo ouvir rock, nem música estrangeira, nunca tinha ouvido falar no grupo Mogwai.

Quando ouvi Come On Die Young , quarto CD do grupo, fiquei intrigada. Quando vi a capa macabra e li o nome do álbum, bem como o título da primeira música, "Punk Rock": (grafada com esses dois pontos), imaginava ouvir um som pesado, mas não foi isso o que aconteceu.

Certamente, o grande mérito das composições é mesclar rock com elementos da música clássica e experimental: uma miscelânea de sons e ruídos.

As músicas são interessantes, por exemplo quando ouvimos piano misturado com sons eletrônicos. Algumas chegam, inclusive, até a nos remeter ao "new age", por chegarem a usar sons da natureza, mas logo os instrumentos mais pesados, como a bateria, vão surgindo. Os vocais são sussurrados e a banda utiliza diálogos em algumas faixas, as quais são instrumentais. Em "Punk Rock": há um monólogo onde Iggy Pop define o que é ser punk: se entregar à música. Mas somente "CODY" (abreviação de Come On Die Young), possui letra.

Não entendo muito de rock, mas acredito que o punk vem do clima sombrio do CD, de uma melancolia presente em todas as 14 faixas. Come On Die Young me remeteu ao Pink Floyd. Lendo matérias para conhecer um pouco mais sobre o Mogwai, percebi que outras pessoas também fizeram essa mesma observação quanto à sua musicalidade.

O som da banda foi rotulado pela imprensa como "post-rock", isto é, mistura de estilos como o rock e a música eletrônica. Nunca gostei muito disso, pois a música transcende essas classificações, nem sempre corretas. Rock, pop-rock, rock progressivo... Nunca entendi bem essas definições. O importante é curtirmos o som de que gostamos, sem levar muito em conta tais denominações.

Para quem não os conhece, Mogway é um quinteto escocês formado em Glasgow em 1996. Fazem parte do grupo, o guitarrista e vocalista Stuart Braithwaite, o baixista Dominic Aitchisin, o guitarrista John Cummings, o baterista Martin Bulloch e o teclista e percussionista Brendon O’Hare. O quinteto veio ao Brasil em 2002 para a turnê do CD Rock Action e se apresentou nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mogway era o nome dos bichinhos que se transformavam em Gremlins (titulo de um filme que fez sucesso nos anos 80).

Come On Die Young foi lançado em 1999, mas só chegou ao Brasil no ano passado, pela gravadora Trama. A produção do CD é independente e foi realizada por Dave Fridmann.

Produção independente
(Aproveito para fazer um parênteses e falar da minha admiração pelos artistas que realizam trabalhos independentes.)

Todos sabemos da grande dificuldade em se lançar um CD através de uma grande gravadora. Então a produção independente tem a vantagem de não estar atrelada aos interesses das grandes empresas fonográficas, que muitas vezes condicionam o artista a compor determinadas músicas e a se portar de uma determinada maneira, visando somente a venda de CDs e o lucro. Geralmente os artistas que investem numa produção mais “alternativa”, dão ao seu trabalho um perfil mais autoral. Dificilmente conseguirão um lugar de grande destaque na mídia, mas isso não quer dizer que não conquistam muitos fãs. O Mogwai é um exemplo disso.

Talvez, meu gosto musical deveria ser um pouco mais eclético. Ora, se a arte reflete a nossa realidade (e eu acredito nisso), estar em contato com os diversos estilos musicais, com a variada produção cultural mundial, é estar ligado com o que acontece no mundo. Tem muita porcaria por aí, mas também tem muita coisa boa. Pelo que parece, os integrantes do Mogwai têm o que dizer; concordar ou não com as idéias presentes nos trabalhos desses artistas, já é outra historia!

Deixo a vocês, leitores do Digestivo e potenciais ouvintes de Come On Die Young, o julgamento sobre a qualidade ou não dessa obra. Para formar uma opinião mais sólida, preciso ouvir os seus outros CDs (Ten Rapid e Young Team [1997]; Kicking a Dead Pig: Mogwai Songs Remixed [1998] e Rock Action [2001]), que, conforme informações obtidas em algumas reportagens sobre a banda, são bem mais pesados e com grandes mudanças de volume.

Para obter maiores informações sobre a trajetória do Mogwai vale a pena visitar o site oficial do grupo. (Ele está em inglês e eu não encontrei nenhum em Português sobre eles. Uma pena!)

Para ir além






Nanda Rovere
São Paulo, 2/3/2004

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
8/3/2004
11h40min
Concordo com você com relação à limitação dos rótulos (post-rock, indie, punk-rock), é um vício dos tempos modernos. Essas bandas a que vc se refere bebem de uma vertente da eletrônica, que não é para a pista, e que traz sangue fresco para o nosso entediado pop. Recomendo ouvir Amon Tobin (Bricolage), Rubi Stein e Mount Florida.
[Leia outros Comentários de Patricia Rocha]
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