Do que as mulheres não gostam | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
26301 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Esquina: Conversas sobre o Centro
>>> Leilão de arte pelo contragolpe acontece amanhã na Funarte SP
>>> Caminhos da Reportagem discute o empreendedorismo em tempos de crise
>>> Leda Nagle entrevista Ney Latorraca e Ignácio de Loyola Brandão no Sem Censura
>>> Santa Cruz Shopping promove Campanha de Adoção de Cães e Gatos
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Notas confessionais de um angustiado (IV)
>>> A Imagem do Som
>>> A noite do meu bem, de Ruy Castro
>>> Quando (não) li Ana Cristina César
>>> Elon Musk
>>> Tempos de Olivia, romance de Patricia Maês
>>> Eu blogo, tu blogas?
>>> A melhor Flip
>>> Brasil em Cannes
>>> Radiohead e sua piscina em forma de lua
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lançamento e workshop em BH
>>> Reid Hoffman por Tim Ferriss
>>> Software Programs the World
>>> Daphne Koller do Coursera
>>> The Sharing Economy
>>> Kevin Kelly por Tim Ferriss
>>> Deepak Chopra Speaker Series
>>> Nick Denton sobre Peter Thiel
>>> Bill & Melinda Gates #Code2016
>>> Elon Musk Code Conference 2016
Últimos Posts
>>> Preservativo para a inconveniência
>>> Se eterno fosse o amor
>>> A história da canção: entrevista Paulinho Moska
>>> O chato
>>> *Black flag*, etapas da criação em GIF
>>> Amor de A, a Z - Poema
>>> Filme: Um dia Perfeito - Fernando Léon Aranoa
>>> Escrever sobre o quê?
>>> O quadro
>>> Meta linguagem nisso
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Deus está nos detalhes?
>>> No Tungcast reloaded
>>> Matisse e Picasso, lado a lado
>>> CardosOnline 10 anos
>>> 10 grandes
>>> Américas Antigas, de Nicholas Saunders
>>> Cisne Negro: por uma inversão na ditadura do gozar
>>> A Arte da Entrevista
>>> Moda e modismos prêt-à-porter
>>> Questões de Honra
Mais Recentes
>>> Rescisão do Contrato de Trabalho - Manual Prático)
>>> Pesquisa de Marketing - Edição Compacta
>>> Leopoldo Fróes e o Teatro Brasileiro
>>> O ator Vasques - Procópio Ferreira
>>> Heiner Müller - Guerra sem Batalha (Uma vida entre duas ditaduras)
>>> Vianinha (Teatro, Televisão, Política)
>>> Vianinha - Cúmplice da Paixão (Teatro)
>>> História dos nossos Gestos - Luís da Câmara Cascudo
>>> Cobra Norato e outros poemas - Raul Bopp
>>> Contos Judaicos com Fantasmas e Demônios
>>> Poesias Completas de Joaquim Cardozo
>>> Rasga Coração (Teatro)
>>> Apresentação da Poesia Brasileira - Manuel Bandeira
>>> Prostituição - Uma visão global
>>> O mestre das Marionetes (Literatura Infanto-Juvenil)
>>> O Renascimento
>>> As melhores histórias reais de Crime, Mistério e Suspense
>>> Isadora Duncan - Minha Vida (Dança)
>>> As Mil uma Vidas de Leopoldo Fróes (Teatro)
>>> Diário de Hemingway
>>> Groucho Marx - Memórias de um amante desastrado
>>> Vida Teatro (Os grandes atores pernambucanos)
>>> Livro de Horas de Soror Dolorosa
>>> Cultura Popular na Idade Moderna
>>> Manual de Terapia Corporal como base da estética da Voz
>>> Ungáua! (101 Crônicas)
>>> Integração do Corpo
>>> Nelson Rodrigues - Teatro Completo
>>> As Estações do Corpo (Aprenda a olhar o seu corpo para manter a forma)
>>> O Correio do Corpo - Novas vias da antiginástica
>>> Relaxamento Básico - O método fisiológico para aliviar a Tensão
>>> O mito da Atividade Física e Saúde
>>> Em busca da Espiritualidade
>>> O Anjo, Como Mestre Interior
>>> O Testemunho da Fé-Verdades vitais da confissão, que facilitarão você a receber e reter a cura.
>>> Porcos Na Sala- Um Manual Prático À Libertaçao
>>> O Seu Último Livro de Auto-ajuda-Reprima sua raiva, Pense negativamente, Culpe os outros,Sufoque sua criança interior!
>>> Mantenha a juventude do seu Rosto
>>> O corpo Essencial
>>> Step - Teoria e Prática
>>> Xógun A Gloriosa Saga Do Japão
>>> Escuta, Zé Ninguém
>>> Mente e Cérebro Poderosos
>>> Jogos para treinar o Cérebro
>>> Aumente o poder o seu Cérebro
>>> Administre o Stress
>>> Mantenha o seu Cérebro Vivo
>>> O caçador de pipas
>>> Aumente o poder de sua Memória
>>> Depois de Você
COLUNAS

Quinta-feira, 14/10/2004
Do que as mulheres não gostam
Adriana Baggio

+ de 18200 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Do que as mulheres gostam foi título de um filme lançado em 2000 e estrelado por Mel Gibson. No enredo, o personagem de Gibson, Nick Marshall, é um importante executivo de uma agência de publicidade. Seguindo à risca o estereótipo do publicitário, Marshall é arrogante, egoísta, rico e se acha a última coca-cola do deserto no que se refere às mulheres. Ele tem certeza de conseguir uma promoção para um alto cargo na agência onde trabalha, mas cai do cavalo quando seu chefe contrata uma brilhante publicitária para o posto. Na primeira reunião, a publicitária, Darcy McGuire, representada por Helen Hunt, coloca um desafio a sua equipe: pensar como as mulheres em relação a diferentes produtos dirigidos ao público feminino.

Ao fazer a lição de casa (a cena em que ele tenta usar uma cera de depilação é hilária), Nick Marshall sofre um acidente e é eletrocutado dentro da banheira. Na manhã seguinte, acorda com uma terrível ressaca e uma incrível habilidade de ler o pensamento das mulheres. A partir daí, entre outras conseqüências, ele passa a desenvolver campanhas publicitárias que realmente abordam o ponto de vista feminino, e não a visão que os homens têm delas. Passados quatro anos do filme, a realidade imita a ficção.

Há algumas semanas, foi apresentado em Nova York um estudo chamado Miss Understood, que já havia sido divulgado em junho deste ano no Festival Internacional de Publicidade de Cannes. Miss Understood mostra como a publicidade dirigida ao público feminino ainda é cheia de clichês, sem graça e muitas vezes ofensiva. A pesquisa, realizada com mulheres de todo o mundo pela agência de publicidade Leo Burnett, apresenta o paradoxo de um grupo consumidor extremamente poderoso se sentir mal compreendido pelos anúncios publicitários.

Segundo a pesquisa, realizada com adolescentes até mulheres na faixa dos 40 anos, uma em cada quatro das casadas ganha mais que o marido; a decisão de compra está na mão de 85% delas, incluindo produtos como cerveja, preservativos e armas. E mesmo assim, o papel que se reserva às mulheres nos filmes publicitários ainda é o da "boa"...

Não que os anúncios sejam deliberadamente ofensivos. A pesquisa conclui que parece mais uma falta de cuidado, de sensibilidade, talvez porque os departamentos criativos das maiores agências de publicidade do mundo são compostos e chefiados, em sua maioria, por homens. Por mais que exista técnica e profissionalismo envolvidos na elaboração de uma campanha publicitária, é impossível não existir a influência dos valores pessoais, muitas vezes inconsciente, de quem cria um conceito ou elabora um anúncio. Na verdade, essa situação apenas reflete uma visão socialmente dominante do papel da mulher.

É por esse motivo - mulheres crescendo enquanto grupo consumidor e falta de tato dos publicitários homens quando criam para elas - que no filme citado acima o dono da agência prefere contratar uma mulher para dirigir o departamento de criação. O personagem de Mel Gibson vira o jogo quando passa a "ler" o pensamento de Darcy. O resultado é percebido especificamente em uma campanha que, no filme, é criada para a Nike. O comercial mostra uma moça correndo e pensando nos problemas, angústias e situações existentes na vida de uma mulher, mas que fogem completamente ao estereótipo normalmente retratado na publicidade dirigida a elas - homens, casa e filhos.

Na vida real, percebe-se um lento redirecionamento das campanhas publicitárias. Um exemplo recente são os badalados filmes da loja de departamentos Marisa com o ator Fábio Assunção, veiculados ao mesmo tempo em que o estudo da Leo Burnett era divulgado. Em uma pesquisa realizada junto às consumidoras, a agência de publicidade da loja, Giacometti Propaganda e Arquitetura de Negócios, detectou que 56% delas gostariam de ver um homem nos VTs - e esse homem era Fábio Assunção.

Diferente das tradicionais campanhas de lojas femininas, que invariavelmente mostram uma mulher com pouca roupa ou com roupa para seduzir, na proposta da Loja Marisa quem apresenta os modelitos é um homem. A campanha é composta por filmes seqüenciais e em cada um deles o ator tira uma peça de roupa. No último "episódio", Fábio Assunção aparece sentado, com as pernas cruzadas, aparentando estar nu - para deleite do público feminino.

Ouvi um comentário de um colega de trabalho que explica bem a diferença de abordagem do público feminino nessa campanha. Segundo ele, os comerciais de lingerie normalmente atingem dois públicos: a mulher, que tem interesse nas peças de roupa e no que elas podem fazer pelo seu relacionamento, e o homem, que aproveita para tirar uma casquinha da quase nudez das modelos. Ao contrário dessas, a campanha da Marisa é dirigida especificamente ao público feminino: além de mostrar as peças de roupa (que acabam em segundo plano), coloca no ar algo que as mulheres querem ver - um homem bonito, sedutor e bem humorado. A lingerie está ali para agradar a elas, e não aos maridos que estão junto no sofá assistindo a novela.

O estudo realizado pela Leo Burnett oferece dois conselhos aos publicitários e profissionais de marketing, e que parecem estar sendo seguidos pela campanha da Marisa. O primeiro deles é que o sexo vende também para mulheres, mas desde que seja abordado através da perspectiva delas. O outro é que as mulheres gostam de humor e sentiriam-se bem se fossem retratadas em situações engraçadas. O humor mostra uma mulher-humana, que pode ter outros papéis que não o de objeto sexual e o de mãe extremada e cândida dona de casa.

Outro exemplo do uso dessas estratégias criativas, citado pelo estudo, é um comercial da Heinz sobre sopas que já vêm prontas, bastando apenas aquecer no microondas. No filme, um casal acaba de fazer sexo. A mulher levanta e entra na cozinha no exato momento em que o microondas apita, sinalizando que os dois minutos necessários para aquecer a sopa já se passaram. Com muito humor e usando o sexo do ponto de vista feminino - afinal, a rapidez dos homens durante a relação é uma reclamação comum entre as mulheres - o comercial mostra o benefício do produto: uma sopa nutritiva, fácil e rápida de fazer.

Pode ser que sexo rápido não seja exatamente o que as mulheres almejam, mas com certeza representa a realidade. Muito diferente da abordagem usada por anúncios de cremes para celulite e chás para emagrecer, que ainda retratam uma ficção. Afinal, mulheres de 50 com pele de 20 e homens que transam a noite inteira, só nas páginas de Bianca, Julia e Sabrina. Pode ser que ainda haja dúvida sobre do que as mulheres gostam, mas do que elas não gostam está claro: a abordagem beer-babe-bimbo (algo como cerveja, garotas e sacanagem), como cita o estudo, está muito bem para o público masculino, mas longe da imagem que nós, mulheres, fazemos de nós mesmas.


Adriana Baggio
Curitiba, 14/10/2004


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Ah!... A Neve de Marilia Mota Silva
02. Em 2016, pare de dizer que você tem problemas de Fabio Gomes
03. No encalço do Natal de Elisa Andrade Buzzo
04. Uma entrevista literária de Marta Barcellos
05. Man in the Arena 100 (e uma história do Gemp) de Julio Daio Borges


Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2004
01. Maria Antonieta, a última rainha da França - 16/9/2004
02. Do que as mulheres não gostam - 14/10/2004
03. O pagode das cervejas - 18/3/2004
04. Publicidade gay: razão ou sensibilidade? - 19/8/2004
05. Mais viagens por Budapeste - 12/2/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/10/2004
00h06min
Seu texto é tão claro. E pensando nele, lembrei-me de como odeio quando vejo aquelas seções de "interesses femininos" nas bancas de revistas. Meus interesses não são aqueles! E isso parece ser mundial, os comerciais são tão parecidos... eles ainda pensam que apenas desejamos o olhar invejoso da vizinha. Que triste. E o pior mesmo é que parace-me que se não pensamos como e agimos como as protagonistas do "Sex and the city", somos aberrações. Acho que a publicidade é a expressão de uma época. Se será medíocre, preconceituosa ou grandiosa, depende. Parabéns pelo texto.
[Leia outros Comentários de Andréa Trompczynski]
18/10/2004
09h07min
É sobre a campanha da Marisa. Na minha opinião o comercial foi muito bem elaborado, mas o resultado final acaba sendo uma burrice. Por que? Não é melhor atingir atingir o dois públicos (feminino e masculino) do que apenas atingir contundentemente as mulheres inteligentes. Entenda que "o que elas podem fazer pelo seu relacionamento" está muito mais perto do entendimento medieval-contemporâneo (inclusive o meu) do que "um homem bonito, sedutor e bem humorado" associado a uma peça de roupa feminina com o título de objeto. Se for para inverter os papéis e satisfazer a parcela inteligente da população feminina, tudo bem; mas se for para vender para a massa, eu acho que o tiro saiu pela culatra. Veja que os comerciais de carro destinados aos homens mudaram bastante (talvez algumas recaidas...). Propaganda de cigarro da Souza Cruz, utilizando o princípio do objeto, foram abolidas, agora eles estão atacando os formadores de opinião. As propagandas de cerveja tudo bem, eu dou o braço a torcer, mas também veja o tipo de público a que elas são destinadas. O restante foi perfeito.
[Leia outros Comentários de Leandro]
11/11/2004
22h42min
Sejamos honestas, homem bonito é bom de ver. São lindos os comerciais com nenéns gordinhos e cachorros. Mas é ingenuidade pensar que é isso que vai fazer a mulher brasileir (especialmente as donas de casa) comprar(em) um produto. Ao contrario do que a sociedade machista acredita, nós, mulheres, somos muito racionais na hora de gastar: queremos produtos de qualidade e empresas sérias que se preocupam em atender bem e em voltar parte de seu lucro para a sociedade.
[Leia outros Comentários de Ligia]
17/8/2012
11h19min
Minha irmã adora ler Sabrina, já eu gosto de George Orwell. Cada um é cada um...
[Leia outros Comentários de Rebeca]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




O LIVREIRO DE CABUL / EU SOU O LIVREIRO DE CABUL
ÄSNE SEIERSTAD E SHAH MUHAMMAD RAIS
RECORD/BERTRAND DO BRASIL
(2006)



AMAR PODE DAR CERTO
ROBERTO T. SHINYASHIKI
GENTE
(1988)



VISÃO E PARÁBOLAS. COMPREENDENDO A CULTURA DAS ORGANIZAÇÕES
FRANCISCO GOMES DE MATOS
CAMPUS
(2004)



INICIAÇÃO A MAGIA DOS CRISTAIS
GARY RICHMAN, GUSTAVO BARBOSA
RECORD
(2016)



CREPÚSCULO
STEPHENIE MEYER
INTRÍSECA
(2009)



COMO SER POPULAR
MEG CABOT
GALERA RECORD
(2008)



ANJOS E DEMÔNIOS
DAN BROWN
SEXTANTE
(2004)



OS PERIGOS DO LADO BOM DA ALMA
DONG YU LAN
ÁRVORE DA VIDA
(2010)



OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER
J. W. GOETHE
ABRIL COLEÇÕES
(2010)



BORLAND DELPHI 6
MARCELO LEÃO
AXCEL
(2001)





busca | avançada
26301 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Cannot connect to POP3 server