busca | avançada
31989 visitas hoje
336 mil no mês
Segunda-feira
Artes
Internet
Terça-feira
Teatro
Televisão
Quarta-feira
Cinema
Música
Quinta-feira
Além do Mais
Gastronomia
Sexta-feira
Imprensa
Literatura
Newsletter
* por Julio Daio Borges
Segunda-feira
Daniel Bushatsky
Gian Danton
Ricardo de Mattos
Terça-feira
Débora Carvalho
Diogo Salles
Jardel Dias Cavalcanti
Quarta-feira
Guilherme Montana
Luiz Rebinski Junior
Rafael Fernandes
Quinta-feira
Elisa Andrade Buzzo
Marcelo Spalding
Vicente Escudero
Sexta-feira
Ana Elisa Ribeiro
Marta Barcellos
Rafael Rodrigues
Especiais
Últimos Posts
>>> Verão Poesia Internacional BH
>>> O tablet do Google
>>> Steve Jobs apresentando iBooks
>>> Steve Jobs apresentando o iPad
>>> Mais uma Borrachalioteca
>>> Jobs homenageia o Kindle
>>> iPad o Leitor da Apple
Mais Recentes
>>> Considerações sobre a leitura
>>> 77 anos do Mercado Municipal
>>> Ayn Rand ou o primado da razão
>>> A humanidade segundo Saramago
Mais Recentes
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
>>> Spacca
>>> Cris Dias
>>> Ricardo Freire
>>> Lúcia Guimarães
Mais Recentes
>>> Monteiro Lobato... de fato! (Lawrence Husby)
>>> O mistério dos dinossauros (Claudio Spiguel)
>>> Cachorros e pichadores (Paulo Mauad)
>>> Os Olhos do Dragão (Isadora Padilha)
>>> Os entraves permanecem (Isadora Padilha)
>>> Lindo (Juliana Galvão)
>>> Coleção Para Gostar de Ler (Paulo Mauad)
>>> Ainda outra dúvida (Paulo Mauad)
>>> Não existe melhor (Denise Macedo)
FAQs
site, divulgação & colabs.
Quem Somos
histórico & mapa do site
Audiência & Anúncios
quem lê & como anunciar
Expediente & RSS
quem é quem & feeds
Últimos Releases
Categorias Atualizadas
Eletrônicos - Calculadoras
Celulares - LG
Celulares - Samsung
Celulares - Palm
Celulares - Acessórios - Adaptadores USB
Informática - Tuning
Eletrônicos - Filmadoras
Informática - Wireless e Wi-Fi
Celulares - Acessórios - Software
Celulares - Acessórios - Carregadores
Celulares - Acessórios - Capas e Suportes
Celulares - Acessórios - Outros
Celulares - Acessórios - Carcaças e Face Plates
Celulares - Acessórios - Cabos
Celulares - Acessórios - Adaptadores Dual Chip
Acessórios Áudio e Vídeo - Fones
Telefonia
Eletrônicos - Segurança para Casa
Celulares e Telefonia - Outros
Informática - Outros
Celulares - Apple iPhone
Celulares - Motorola
Celulares - Cartões de Memória
Celulares - Midi
Informática - Redes
Informática - Componentes
Informática - Impressoras
Informática - Gravadores
Eletrônicos - Som e Vídeo para Carro
Informática - Periféricos
Acessórios para Veículos
Celulares - Nextel
Eletrônicos - Outros
Eletrônicos - Carregadores e Baterias
Antiguidades
Celulares - Memória - microSDHC
Informática - AMD
Celulares
Saúde e Beleza
VoIP - Telefonia via Internet - Acessórios
Informática - PCs
Celulares e Telefonia
Eletrônicos - Áudio Portátil
Revistas
Celulares - Memória - SDHC
Celulares - PowerPack
Celulares - Foston
Celulares - Bak
Celulares - Anycool
Telefonia - Outros
COLUNAS

Quinta-feira, 24/1/2008
O mau legado de Paulo Francis
Paulo Polzonoff Jr
+ de 1900 Acessos
+ 6 Comentário(s)

Eu gostava de Paulo Francis. Com um pouco de exagero, poderia até dizer que o idolatrava. Mas, hoje, passados mais de dez anos da morte dele, não posso deixar de mencionar um dos seus legados mais funestos. Não, não me refiro aos imitadores do estilo combativo de Francis ― até porque, sinceramente, acho boboca este negócio de classificar todo mundo que pretende escrever com um mínimo de combatividade como imitador de Paulo Francis. Me refiro, isto sim, a todo um modo de encarar a cultura.

Francis era, para usar uma palavra que está em voga, um fanfarrão. Chutava horrores. Mentia mais ainda. Dizia, por exemplo, que lia uns calhamaços em duas horas. Garantia a quem quer que fosse que assistia a todas as óperas possíveis, mesmo aquelas para as quais os ingressos estavam esgotados há meses. Quase todas as semanas mencionava uma tese nova ou um show imperdível ou ainda um disco que não saía de sua vitrola. Ora, quem já tentou ler uma tese sabe o quão enfadonhas elas tendem a ser.

Se Paulo Francis não inventou ― e não inventou, ora! ― com certeza foi um dos maiores profetas de uma ansiedade cultural que é a marca do nosso tempo. As pessoas acham que tudo é imperdível, do último livro de Cormac McCarthy ao mais recente espetáculo do Grupo Corpo. Tudo que não é baixa cultura (axé, tecno-brega e que tais) seria essencial ao ser humano. Perder uma destas referências é como perder o bonde da história.

Uma balela, claro. Uma doença que infesta muita gente. Já me infestou. Outro dia mesmo estava me lembrando da ansiedade com que esperava determinada peça ou estréia de filme europeu em Curitiba: como se aquilo fosse determinante para minha apreciação da existência. E o modo como recebia os livros que as editoras me mandavam, sofrendo de antemão por saber que era impossível ler todas aquelas obras absolutamente necessárias?

O cinema era minha fonte de maior terror. Sim, aquilo que para a maior parte das pessoas representava um momento de descontração era uma tortura para mim. Eu não pagava cinema. E me sentia na obrigação de ver todos os filmes em cartaz, para poder escrever sobre eles. Logo, quando chegava o fim de semana, eu ia para o cinema cedo. Estudava os horários de modo a sair de uma sessão e entrar em outra. Um dia (o famoso fundo do poço), cheguei a ficar mais de doze horas no cinema, me alimentando basicamente de pipoca. Porque eu precisava ver os principais filmes antes dos outros.

Percebo que esta ansiedade faz parte da vida de muita gente. Gente nova, naturalmente ansiosa, movida por este redemoinho que associa a inteligência ao consumo. Principalmente no que diz respeito a livros, que é o mundo que eu acompanhava mais de perto nos últimos anos. Todos os lançamentos precisam ser comprados e lidos no momento em que as pessoas estão falando sobre eles. Se há alguma polêmica (boba, quase sempre) em torno de determinado livro, as pessoas se sentem ainda mais obrigadas a ler o livro para, ora, para participar da discussão.

O que dá para notar, contudo, é que esta abordagem à la Paulo Francis (nem todo mundo tem o talento de Francis para fingir e brincar com esta coisa toda) da cultura gera um bando de pessoas semicultas, incapazes de uma leitura mais profunda, até porque é impossível alcançar o fundo com esta pressa toda. É uma espiral de infelicidade parecida com aquela que acomete os compradores compulsivos; no caso da cultura, quanto mais você lê, ouve e assiste, mais infeliz você se sente porque percebe que há um godizilhão de coisas "essenciais" para se ler, ouvir e assistir.

Eu me lembro de ter passado por crises gigantescas neste sentido. Ao ler a famosa lista de livros recomendados por Paulo Francis, por exemplo, saí praguejando contra tudo e contra todos porque, ora, porque aos catorze anos eu não tinha lido Crime e Castigo. E também porque não existia (não existe ainda hoje) uma edição completa de Declínio e queda do Império Romano. Como eu poderia viver sem isso? Como um dia eu poderia alcançar o Nirvana sem esta base?

Hoje eu passo incólume pela prateleira dos lançamentos nas livrarias. Gostaria muito de ler As Benevolentes, mas, quer saber?, fica para a próxima encarnação. Ou para quando e se eu tiver uma hepatite ou coisa do gênero. Até que me dá uma vontadezinha de ir ao cinema ver a mais recente produção franco-indiana, mas, só de pensar na fila e no preço e na falta de educação das pessoas. Melhor esperar o DVD. Continuo gostando de balé contemporâneo e é mesmo bem legal assistir ao Grupo Corpo, mas, sinceramente, não vou ficar menos inteligente (ou mais burro ― uma questão de perspectiva) por causa disso.

(Gostaria de dizer que não há nada mais essencial do que a própria vida, mas dizer isso é correr o risco de ser comparado a um destes tios barrigudos e burros que eventualmente se tornam presidentes orgulhosos daquilo que aprenderam no cotidiano, e não nos livros).

Não há nada mais essencial do que a própria vida (!). A cultura é um belo adereço que nos engrandece. Mas só se encontra esta grandeza na apreciação cuidadosa de determinados produtos culturais. Reside na escolha certa busca (nobre) pela sabedoria. O consumo tresloucado de tudo que nos parece imperdível é, na verdade, uma terrível perda de tempo.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no Polzonoff.


Paulo Polzonoff Jr
São Paulo, 24/1/2008

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Fui assaltado de Julio Daio Borges
02. 10 músicas: Michael Jackson de Rafael Fernandes
03. Estamos nos desarticulando de Julio Daio Borges
04. Genialidades múltiplas de Marcela Tullii
05. USP: 75 anos de histórias várias de Elisa Andrade Buzzo


Mais Paulo Polzonoff Jr
Mais Acessadas de Paulo Polzonoff Jr
01. Quem sou eu? - 8/12/1977
02. Olavo de Carvalho: o roqueiro improvável - 15/8/2003
03. Grande Sertão: Veredas (uma aventura) - 13/4/2006
04. Transei com minha mãe, matei meu pai - 17/10/2001
05. Está Consumado - 14/4/2001


Mais Colunas Recentes

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
24/1/2008
22h32min
Infelizmente a nossa mentalidade classe média força-nos a agir assim, como consumidores da "alta-cultura". E depois que as listas dos dez melhores se popularizaram, fica mais comum vermos pessoas loucas torrando grana com livros e mais livros que geralmente só ficam ganhando poeira em algum canto da estante da sala ou do escritório depois que a temporada primavera-verão ou outono-inverno passa. Gostei bastante do senso de humor do senhor Paulo Polzonoff, creio que deve ser complicado as pessoas te levarem a sério.
[Leia outros Comentários de Amábile]
25/1/2008
10h52min
Esse texto é uma lufada de ar fresco, ou de bom senso, na tempestade de poeira que é essa "ansiedade cultural". Apesar de ser um dos prováveis mentores dessa aflição cognitiva generalizada, o Francis, pelo menos, era um crítico feroz. Num de seus romances ele faz Paulo Hesse, quase um alter ego, ir ao "lançamento do livro da Odaléia". A opinião de Paulo Hesse sobre a ida "a Odaléia" é sintomática. Precisamos, talvez, de menos Odaléias e mais Hesses no meio dessa zona que virou o métier cultural. Ou aprender a discernir melhor entre o que é essencial e o que não é. Difícil. Mas esse texto do Polzonoff já é um bom começo.
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
25/1/2008
15h52min
Nunca compartilhei desse entusiasmo todo por Paulo Francis, que para mim desperdiçou talento e inteligência para viver arrotando camarão no circo. Mas concordo com o resto todo e acrescentaria que essa ansiedade toda se deve a uma necessidade de justificar em bases puramente pragmáticas a existência desse mercado todo - que dá cada vez menos lucro. Stanley Fish disse recentemente em um artigo que se as "humanidades" [literatura, filosofia, crítica, etc] fossem mesmo capazes de nos tornar seres humanos melhores, os departamentos da área nas universidades não estariam cheios de gente mesquinha e pequena, gente aliás tão mesquinha e pequena quanto qualquer estádio de futebol ou ônibus lotado de tios, gordos ou magros.
[Leia outros Comentários de Paulo Moreira]
26/1/2008
14h45min
Ah! É verdade, não leremos todos os livros importantes do mundo, não comeremos todas as maravilhosas iguarias do mundo, não conheceremos todos os cantos do mundo. Mas temos a obrigação de separarmos o joio do trigo, pois há muita bobagem em muitos livros, há muita comida ruim e há muitos lugares que me pergunto: para quê conhecer?
[Leia outros Comentários de Regina Costa]
7/2/2008
13h44min
Há um livro muito bom a respeito dessa sua angústia, Paulo. Chama-se O paradoxo da escolha e foi escrito por Barry Schwartz. Trata, basicamente, do excesso absurdo e sempre crescente de escolhas (materiais, culturais, profissionais e até sentimentais) não como subsídio para boas decisões, mas como um fator de opressão e até de alienação. Imperdível.
[Leia outros Comentários de Marco Dourado]
8/2/2008
14h16min
Gostei muito do texto. É corajoso, sobretudo, pois há verdadeira idolatria ao mito Paulo Francis em nosso meio "cultural". Hoje mesmo escutei o Cony na CBN, comentando, a pedido do Heródoto Barbeiro, um erro de atribuição da célebre "to be or not to be" (veja só!) por um senador em discurso ontem, no Senado. Cony lembrou que era muito comum o Francis atribuir citações a autores errados. Tenho ouvido algumas controvérsias ao nome do Cony, não é essa a questão. Achei interessante que no mesmo dia tomasse conhecimento de duas visões críticas a respeito de um perfil que merece mesmo revisões, diante da aclamação acrítica que o cerca. Abraços.
[Leia outros Comentários de Roberta Resende]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Site/Blog:
Texto:
 
0 (número de caracteres digitados até agora)
Título:
 
publicar este comentário no site
 
receber próximos comentários por e-mail
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Livraria Cultura
Campus-Elsevier
Submarino
Editora Globo
Editora Record
Editora Objetiva
Editora Planeta
Companhia das Letras
MercadoLivre
Conrad Editora
LANÇAMENTOS
Campus-Elsevier

Gestão 2.0
José Cláudio Terra
por R$ 49,90


A nova regra do jogo
Rafael Paschoarelli
por R$ 53,00


O poder das conexões
Nicolas A. Christakis
James H. Fowler

por R$ 69,90


Os bastidores da Crise
David Wessel
por R$ 69,90


Fitoterapia Contemporânea
Leda, Sá, Saad e Seixlack
por R$ 139,00


Como dizer tudo em inglês em viagens
Ron Martinez
por R$ 39,90


A era do radicalismo
Cass Sunstein
por R$ 49,90


Mudança Climática
Stephan Faris
por R$ 67,90


Eu quero ser rico!
Maurício Bastter Hissa
por R$ 45,00


Milionário-Minuto
Robert Allen
Mark Hansen

por R$ 59,90


As mulheres francesas não engordam
Mireille Guiliano
por R$ 49,90


O guia prático de finanças de Roberto Zentgraf
Roberto Zentgraf
por R$ 49,90


Tenha Calma!
Vera Martins
por R$ 47,00


O segredo das mulheres francesas
Mireille Guiliano
por R$ 32,90


Mulheres, trabalho e arte do savoir fare
Mireille Guiliano
por R$ 66,00

OFERTAS
Celulares - Sony Ericsson


Sony Ericsson C905 Camera 8.1megapixel Gps Wi Fi Xenon
por R$ 899.99
até 09/2/2010



Lançamento Sony Ericsson Satio Cam 12 Mp Flash Xenon
por R$ 1699.99
até 02/3/2010



Celular Sony Xperia X1 Port Br 3g Gps Wifi Wm6.1 8gb
por R$ 1289.99
até 11/2/2010



Sonyericsson C905 2gb 8mpx 3g Flash Xenon Wi Fi Radio Mp4
por R$ 899.00
até 30/3/2010



Celular Mp12 G715 Tv 2 Gb 2 Chips Simultâneos Tv Grátis
por R$ 289.99
até 25/2/2010



Xperia X1 Wm 3g Wi Fi Tela Vga 3 Bluet Gps Fm 3.2mp 4gb
por R$ 1200.00
até 12/3/2010



Lançamento Sony Ericsson W995 8.1 Mpixels 3g Agps wi Fi 8gb
por R$ 1209.99
até 30/3/2010



Celular Mp20 Internet Grátis Wi Fi Java Msn E Mail Fm Tv 4gb
por R$ 389.99
até 19/3/2010



Sony Ericsson C905 3g Desbloqueado Frete Grátis !!!
por R$ 999.00
até 05/3/2010



Sony Ericsson Satio 12mpx Xenon Cartão 16gb Gps Igo8 Br Wifi
por R$ 1879.00
até 05/4/2010


Mais "Celulares - Sony Ericsson"...

busca | avançada
31989 visitas hoje
336 mil no mês