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Segunda-feira, 7/7/2008
Micro-Twitter-Blogging
Tati de Roterdã
+ de 1100 Acessos

Há mais de um ano, recebi um convite para participar do Twitter, um e-mail com o título: "o que você está fazendo nesse momento?" Eu até me inscrevi, pois gosto do amigo que havia me convidado. Me inscrevi, fiz um perfil e nunca mais abri a página. Em outras palavras, deixei por isso mesmo, sem tempo para pérolas como "estou tomando um café na esquina de casa", "estou tomando banho" e similares, por mais que eu ame os meus amigos.

Lembrei desse perfil há duas semanas, quando um outro conhecido se inscreveu no Twitter. Eu recebi o e-mail que avisa que você arrumou um "amigo". No caso do Twitter, o que você arruma é um "seguidor". Na mesma semana ainda, um outro amigo confessou que não dormia mais porque estava mergulhado nisso de Web social e estava feliz por ser celebridade no Twitter, ou seja, o meu amigo havia se tornado um "twitterati". Foi quando resolvi dar uma olhada nisso de Twitter.

Típicas na história dos computadores são as invenções que, quando aparecem, ninguém sabe para que servem. Um grande exemplo disso é o "personal computer", isto é, o seu PC. Hoje ninguém vive sem um. Assim como o meu primeiro encontro com o Twitter foi acompanhado pela pergunta "e para que isso serve?", o meu segundo encontro vem acompanhado de fascinação. Em pouco tempo criei uma rede de "seguidores e pessoas que eu sigo", por onde eu sei das últimas notícias sobre aquilo que me importa: internet, mídia e tecnologia.

Inovações na internet procuram em regra atrair um público que é chamado de "early adopters". Essas são aquelas pessoas que começam a usar um serviço novo, testam ele, dão retorno sobre as experiências, escrevem sobre ele nos blogs e fazem o serviço virar moda, ter sucesso e ser acessado pelo grande público. Um serviço da Web 2.0 vira um produto e cria forma dependendo de como as pessoas o usam.

O Twitter, no momento, vai mais além do que uma plataforma onde gente que trabalha com software e ama a internet conversa com gente que ama a internet e trabalha com software, e não se resume à empolgação dos "early adopters". O Twitter começou, entre outras coisas, a ter valor como plataforma de notícias por ser rápido, fácil de usar e global. Um dos twitterólicos escreveu no próprio blog que soube do terremoto na China antes mesmo de ele acontecer, pois as medições foram "tiwtteradas", isto é, apareceram no Twitter. No final de 2007 podia-se ler notícias sobre o incêndio na Califórnia no momento em que ele acontecia, também graças aos usuários do Twitter.

Isso se deve ao fato do Twitter ser "lifestream" (ao vivo) e miniblog. O site "guia para jornalistas usando o Twitter" escreve sobre ele ser uma maneira excepcional de ter notícias em primeira mão e apresentá-las na mesma hora para o público. O Twitter é isso e mais: ele facilita conversas e discussões sobre a notícia, e na hora que a notícia acontece! Um dos últimos exemplos disso são as eleições norte-americanas, que estão tendo cobertura e discussão em tempo real na plataforma. A discussão é visível e aberta a todos. Tanto o Barack Obama quanto os adversários abriram um perfil no Twitter (recebi um e-mail "Você esta sendo seguida pelo Barack Obama"!!!).

O Twitter é popular. Segundo as estatísticas oficiais, essa popularidade significa 4 milhões de conexões entre usuários (os ditos Twitterers seguindo outros Twitterers). Segundo a Comscore, uma empresa que oferece estatísticas oficiais, o numero global de pessoas usando o site em março foi de 1.3 milhões.

Outro lado fortíssimo do Twitter é o universo que se formou ao redor da possibilidade de acoplar outros softwares menores, como, por exemplo, o Tweetscan.com, um serviço que permite que se busque entre o que está sendo postado no momento da busca. E tem muitos outros: tem os que permitem conectar o Twitter com o Google Maps e ver graficamente de onde as pessoas estão mandando mensagens de texto, tem pequenos programas para rodar o Twitter no desktop do seu computador e muito mais. Existem listagens na internet com esses outros serviços. Uma lista grande se encontra no Wiki Twitter Fans.

O Twitter tem um grande problema: de vez em quando o site sai do ar. A demanda é tanta que os servidores não agüentam. Recentemente a indústria investiu 15 milhões de dólares no serviço, para ver se o site consegue ser acessado por todos ao mesmo tempo e o tempo inteiro, mesmo sem garantias de que o Twitter saiba como ganhar o dinheiro para pagar tudo isso de volta. Sendo que se trata de Web 2.0, isto é, os serviços que ninguém sabe como monetizar, quem é apaixonado pelo Twitter faz canção, como essa que eu encontrei no YouTube (outro serviço Web 2.0 que não ganha dinheiro): "Twitter, volte".



Nota do Editor
Tati de Roterdã é especialista em Mídias Digitais, sendo mestre pelo instituto Piet Zwart, da Holanda.


Tati de Roterdã
Roterdã, 7/7/2008

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